| Parque Estadual Cerca Grande | |
|---|---|
| Categoria II da IUCN (Parque Nacional) | |
Paredão rochoso em Cerca Grande. | |
| País | |
| Estado | |
| Região metropolitana | Matozinhos |
| Municípios | Matozinhos |
| Área | 134,1 915 ha |
| Criação | 14 de junho de 2010 (16 anos) |
| Gestão | IEF-MG |
| Sítio oficial | Parque Estadual Cerca Grande |
| Coordenadas | 19° 31′ 33,096″ S, 44° 00′ 11,088″ O |
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O Parque Estadual Cerca Grande é uma unidade de conservação de proteção integral da esfera estadual mineira criada em 2010. O parque situa-se na Região Metropolitana de Belo Horizonte, no município de Matozinhos.
O parque localiza-se no distrito de Mocambeiro, em Matozinhos, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e abrange cerca de 135 hectares, o que o coloca entre as menores unidades de conservação estaduais de Minas Gerais. Insere-se na região do carste de Lagoa Santa, uma das mais importantes áreas cársticas do Brasil, marcada por afloramentos de rochas calcárias, grutas, paredões e dolinas.
O Parque Estadual Cerca Grande foi criado pelo Decreto estadual nº 45.398, de 14 de junho de 2010. A área, contudo, é reconhecida desde o século XIX: a região foi percorrida pelo naturalista dinamarquês Peter Lund, que a descreveu em 1835 e é considerado o "pai da arqueologia" no Brasil, por ter identificado os primeiros sítios arqueológicos da região de Lagoa Santa e Matozinhos. A Lapa da Cerca Grande foi inscrita pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1962, no Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico, condição que faz do conjunto o único sítio arqueológico de Minas Gerais tombado em nível nacional.
O parque é o único sítio arqueológico de Minas Gerais tombado nacionalmente pelo IPHAN, por ser considerado o berço da espeleologia, arqueologia e paleontologia brasileiras. Sua cobertura vegetal representa um ponto de contato de savana com floresta estacional, com a presença de mata seca em meio a afloramentos de rochas calcárias, muitas vezes associados a dolinas. Dentre as espécies vegetais endêmicas, encontram-se açoita-cavalo-miúdo (Luehea divaricata), catiguás (Trichilia catigua e T. clausenii), jequitibá-branco (Cariniana estrellensis), pau-ferro (Machaerium scleroxylon) e louro-branco (Bastardiopsi densiflora), dentre outras.
Com relação à fauna, podem ser encontrados no parque o lobo-guará e aves como o urubu-rei e o papagaio-verde.
A região do parque foi descrita pela primeira vez por Peter Lund em 1835, que a descreveu da seguinte forma:
| “ | Julguei ter diante de mim as ruínas de um vestuto Palácio de Gigantes, e meus olhos demoraram-se na contemplação de uma série de altas areadas na ala esquerda, como se espera descobrir aí, os vestígios de seus habitantes misteriosos [...]. A admirável paisagem que nos rodeia de há longo tempo que atrairia a atenção do homem selvagem. Os indígenas Nômades - eu suponho da tribo dos Caiapós - aqui se fixaram, encontrando abrigo nas grutas do imponente rochedo [...]. O rochedo dos índios, perto do Mocambo, será sempre um lugar clássico para o naturalista viajante, em vista da extraordinária raridade de monumentos comemorativos dos selvagens do Brasil, tais como este. | ” |
O parque não está aberto para visitação pública, apenas para trabalhos de instituições de ensino e pesquisa, as quais devem agendar suas atividades junto à administração do parque (de segunda à sexta-feira, das 7 às 17 h, e aos sábados, das 7 às 11 h).
Por reunir valores naturais e culturais, a área é objeto de dupla proteção: como unidade de conservação de proteção integral (categoria II da UICN), administrada pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF), e como bem tombado pelo IPHAN. O acesso é restrito a atividades de pesquisa e de ensino, mediante agendamento, não havendo visitação turística regular; a unidade conta com plano de manejo aprovado, que disciplina seu uso e sua conservação.