Vamos Venezuela Vente Venezuela | |
|---|---|
| Líder | María Corina Machado |
| Presidente | Henry Alviarez |
| Fundação | 24 de maio de 2012 (14 anos) |
| Sede | Caracas, |
| Ideologia | Liberalismo |
| Espectro político | Centro-direita |
| Afiliação internacional | Internacional Liberal |
| Assembleia Nacional da Venezuela | 0 / 277 |
| Parlamento do Mercosul | 0 / 32 |
| Governadores | 0 / 23 |
| Prefeitos | 0 / 337 |
| Cores | Ciano |
| Página oficial | |
| https://www.ventevenezuela.org/ | |
O Vamos Venezuela (em espanhol, Vente Venezuela), mais conhecido pelo acrônimo VV, é um partido político venezuelano fundado em 24 de maio de 2012 por María Corina Machado, à época deputada da Assembleia Nacional da Venezuela. Defensor da ideologia liberal, e antichavista possui uma estrutura organizacional regionalizada com diretórios fundados em todos os estados da Venezuela.
Em 13 de maio de 2013, o Conselho Nacional Eleitoral indeferiu o pedido de inscrição do movimento como partido político apto a disputar eleições, sem apresentar quaisquer justificativas concretas que fundamentassem o indeferimento pela justiça eleitoral do país.
Depois da morte de Hugo Chávez por um câncer em 2013, quem o sucedeu foi Nicolás Maduro, ele era o vice-presidente na época. Ele atuou como presidente interino e, posteriormente, venceu a eleição presidencial contra Henrique Capriles com um resultado apertado, já que Maduro recebeu 50,6% dos votos, enquanto Capriles recebeu 49%.
No cerne desse “caos” na Venezuela, ocorreu um movimento de oposição ao chavismo,o movimento conhecido como La Salida que ocorreu em 2014, que pressionava pela saída de Maduro da presidência. Entre os destaques desse movimento há a figura de Leopoldo López, preso posteriormente, mas também de Maria Corina Machado, que é uma engenheira industrial formada pela Universidade Católica de Andrés Bello, além de graduada no programa de líderes mundiais em políticas públicas em Yales nos Estados Unidos. Machado, em 2012, funda um partido de direita liberal na Venezuela chamado de Vente Venezuela. Ela se tornou uma das principais opositoras ao chavismo.
Em meio a esse caos econômico e político, ocorreu a eleição parlamentar na Venezuela em 2015. Diferentemente de outros processos eleitorais com vitória do governo chavista, nesse caso ocorre o inverso, já que o MUD( Mesa da unidade democrática)a coalizão dos partidos de oposição vence esse processo eleitoral. Vale destacar que o partido Vente Venezuela liderado por Maria Corina Machado participava nesse período do MUD e participou desse processo eleitoral vitorioso da oposição.
Posteriormente, a Assembleia Nacional da Venezuela derrubou a decisão do CNE e o partido pôde, enfim, filiar-se nacionalmente à coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) para disputar a eleição legislativa de 2015, vencidas de forma arrasadora pela oposição ao chavismo, que conquistou uma maioria qualificada ao eleger 112 dos 167 deputados que compunham o parlamento unicameral venezuelano. Dentre os deputados oposicionistas eleitos, 5 deles eram filiados ao partido.
Entretanto, a Suprema Corte da Venezuela acabou assumindo as funções da assembleia nacional que era controlada pela oposição, acirrando ainda mais as tensões entre oposição e governo, tanto que a assembleia foi considerada em desacato, inclusive muitas de suas deliberações foram anuladas. O embate entre chavismo e oposição se tornou tão forte que os parlamentares aprovaram de forma ilegal a destituição de Maduro, que foi desconsiderada pelo TSJ(Tribunal supremo de Justiça). Tanto que esse confronto gerou em 2017 ondas de protestos da oposição que visavam a queda de Maduro.
Ainda em 2017, ocorreu a votação da Assembleia Nacional Constituinte, que visava redigir uma nova constituição para a Venezuela, porém esse processo eleitoral foi boicotado pela oposição. Com isso, há uma vitória do chavismo que se usou dessa assembleia nacional constituinte como um ataque à oposição que estava agitada,até porque uma nova constituição não foi redigida.
A situação agrava ainda mais quando Juan Guaidó foi considerado presidente interino da Venezuela com o aval dos Estados Unidos, Guaidó era figura central da oposição já que atacava diretamente o chavismo .
Entretanto, após divergências políticas entre os partidos integrantes da MUD a respeito se deveriam ou não lançar candidatos para as eleições regionais de 2017, a líder María Corina Machado anunciou a desfiliação do partido da coalizão e decidiu por boicotar todas as eleições que se sucederam após 2015 por não acreditar de que haveria condições isonômicas de disputa eleitoral entre partidos governistas e oposicionistas.
Deve-se destacar que Maria Corina, líder do partido Vente Venezuela, é personagem central das eleições de 2024. Porém, vale destacar que o partido de direita liberal já não estava mais filiado ao MUD, muito devido à tensão política que a Venezuela vivia e das dissidências internas dentro da coalizão da oposição. Com isso, o Vente, em 2017, se desfiliou do MUD.
A eleição de 2024 foi marcada por uma forte oposição à figura de Nicolás Maduro, vitorioso no pleito, principalmente na liderança de Maria Corina Machado que foi proibida de concorrer pelo supremo da Venezuela. Devido a isso, ela acabou apoiando Edmundo González Urrutia, inclusive ela argumenta que as eleições foram fraudulentas e manipuladas, argumentando até mesmo que o Edmundo venceu a eleição com larga vantagem dos votos, contudo ela anunciou essa vitória da extrema direita, antes da “contagem dos votos”. Um evento, que chama a atenção para esse entrelaçamento de direita é o fato dela ser signatária da Carta de Madrid, já que é um documento que foi assinado por símbolos de direita de diversos países como José Antonio Kast no Chile, Santiago Abascal da Espanha e até mesmo Javier Milei na Argentina. Uma carta que ataca a Revolução Cubana, colocando o comunismo como algo a ser combatido e destruído.
Maria Corina ganhou ainda mais destaque após a vitória no Nobel da paz de 2025, o que mostra como o mundo vê a Venezuela como um país que vivia uma ditadura nas mãos de Maduro. Além disso, como a imprensa, principalmente no Brasil, compra essa figura de resistência e liderança feminina na imagem de Maria Corina Machado.
Segundo o Vamos Venezuela, o grupo "apela para valores republicanos e democráticos" e "rompa com o argumento tradicional esquerda-direita". Descreve-se como centrista e liberal. Os analistas descreveram o partido de várias maneiras como centro-direita, direita, e extrema-direita, com as ideologias do partido consistindo em liberalismo clássico, conservadorismo progressista, liberalismo cultural,
O Vente Venezuela apresenta a ideia de liberdade como elemento central, principalmente a liberdade individual de cada cidadão venezuelano, servindo como um elemento de dignidade humana. Além disso, o partido entende a liberdade como um elemento essencial para a transformação da Venezuela, até mesmo um conceito usado para afirmar que os governos chavistas são autoritários e que cerceiam, principalmente, a liberdade de opinião. Com isso, o partido se coloca como uma direita liberal, já que defende a liberdade de mercado, a propriedade privada e crítica uma atuação forte do Estado na economia.
Continuando a análise, fica evidente o discurso anti-comunista do partido, já que considera os governos chavistas como comunistas, mas acima de tudo como ditaduras opressoras. Com isso, o partido entende os regimes chavistas como autoritários, até mesmo corruptos e como hostis à liberdade. Enquanto defendem o período do neoliberalismo do Pacto de Punto Fijo já que argumentam que foi o momento da história venezuelana de maior liberdade, de um freio ao militarismo, mas também ao comunismo e ao caudilhismo, além de uma maior expansão da educação e uma maior modernidade no país.
Vale destacar que o partido também defende um combate a corrupção, trabalhando assim uma ideia de transparência. Outro ponto consiste na defesa de uma sociedade aberta, relacionada à economia de mercado, mas também uma defesa ao meio ambiente, além de entender a importância do mérito para ascensão social. Além disso, o partido compreende a vida, liberdade, propriedade e até mesmo a integridade como direitos dos indivíduos. Além de criticar o ódio de classe, mas sim pensar em uma solidariedade social, até porque para o Vente a desigualdade social sempre existirá.
O Vente visa combater o populismo, principalmente na imagem de lideranças carismáticas, que muitas vezes fazem promessas que não são cumpridas. Com isso, o partido coloca os governos chavistas como populistas e que se deve questionar se os líderes chavistas então dizendo a verdade ao povo, ou seja, entende o chavismo como “enganadores” e autoritário. Isso fica ainda mais evidente quando se critica a exacerbação do presidencialismo, a partir de um excesso de centralização do presidente, tanto que fala da separação dos poderes, mas também que o parlamento tenha mais voz, além de defender um pluralismo político.
Com isso, o caráter liberal do partido fica evidente, pois defende a liberdade de mercado, a liberdade individual, a defesa da propriedade privada e faz duras críticas ao Estado intervir diretamente na economia. Também coloca os regimes chavistas como cerceadores da liberdade e autoritários, até mesmo denominando-os de populistas, além de uma crítica ferrenha à centralização de poder nas mãos do presidente, com isso, defende a separação de poderes e o parlamento ter mais voz.