Pierre Garnier

Pierre Garnier, poema espacialista Pik bou (1966), escrito em língua picarda

Pierre Garnier (Amiens, Picardia, França, 9 de janeiro de 1928—Saisseval, 1 de fevereiro de 2014) é tradicionalmente citado como um dos escritores e poetas mais importantes da Picardia, escrevendo em Picardo e Francês. Foi o criador do movimento chamado Espacialismo e um dos fundadores da Associação Eklitra que marcou na década de 1970 o início do renascimento da língua Picarda que ainda se desenvolve nos dias de hoje.

Biografia

Nascido na Picardia, depois de estudar na França e na Alemanha na virada da guerra, ele começou a escrever poesia na Escola de Rochefort. Começa a publicar com André Silvaire a revista Les Lettres - Poésie Nouvelle, que vai se tornar o pivô do movimento da poesia espacialista, a partir de 1962, que fundou com sua esposa Ilse. O movimento tornou-se internacional, com filiais nos EUA, Japão e Alemanha.

Em 1962 é o ano em que lança o seu manifesto « Manifeste pour une poésie nouvelle visuelle et phonique » (Manifesto por uma poesia nova visual e fônica) na revista Les Lettres, nº 29. Muito próximo da poesia concreta, os poetas Augusto e Haroldo de Campos, bem como Eugen Gomringer desenvolveram atividades em comum com este poeta, tendo ele, inclusive, publicado na revista Invenção e traduzido o Plano-Piloto para Poesia Concreta, publicado na revista Les Lettres.

Este manifesto propõe uma nova poesia que explorasse o aspecto visual ou o sonoro, ou seja, uma poesia "para ver-se" e/ou para "ouvir-se" sem uma preocupação semântica imediata, como na antiga poesia sonorista, porém "nova". A "poesia sonorista" tem suas raízes nas vanguardas históricas, no dadaísta de Hugo Ball, Raoul Hausmann e de Kurt Schwitters, em "Ursonate", aproximando-se da poesia "verbivocovisual" posteriormente proposta pelos concretistas paulistas. Já a poesia visual, poderia dizer-se que existe desde a antiguidade, com a produção de caligramas como o de "Símias, de Rodes, texto que imita o formato de um ovo.

Espacialismo

Seu espacialismo é um ponto de passagem entre as raízes, as origens e fundamentos de uma cultura antiga, que através das suas práticas de arte mais avançadas tecnologicamente dos dias de hoje torna-se um material sonoro e visual que está se espalhando ao redor do mundo francófono.

As leituras dos poetas espacialistas costumam ser projeções de poemas visuais, com gravações de som divulgando, por exemplo Konrad Schmitt, poeta muito cultuado na Picardia, juntamente as atmosferas musicais de C. Edziré Déquesnes.

Obras de Pierre Garnier

O trabalho de Pierre Garnier se divide em quatro períodos, o primeiro mais tradicional, o segundo sua introdução na vanguarda, o terceiro um prosseguimento do segundo e o quarto uma "revisão" dos segundo e terceiro, sendo o segundo período o de maior repercussão histórica.

Primeiro período (poesia, enssaios, romances)

Segundo período (espacialismo)

Terceiro período

Quarto período

Obras de Pierre e Ilse Garnier

Ensaio

  • L'Expressionnisme allemand (essai suivi d'un choix de textes, bilingue allemand/français pour les poèmes), collection Connaissez-vous ?, André Silvaire, 1962 ; rééd., 1979

Segundo período (Spatialisme)

  • Poèmes mécaniques, André Silvaire, 1965
  • Prototypes, Textes pour une architecture, collection Spatialisme, André Silvaire, 1965
  • Othon III, Jeanne d'Arc, Structures historiques, collection Spatialisme, André Silvaire, 1967
  • Esquisses palatines, André Silvaire, 1971
  • (em alemão) Kunstmappe, Verlag der Kunst, Dresde, 1984
  • (em alemão) Fibel, eine Elegie, Hybriden Verlag, Berlin, 1996

Obras em colaboração

Segundo período (Spatialisme (littérature)|spatialiste)

  • Poèmes franco-japonais (com Seiichi Niikuni), collection Spatialisme, André Silvaire, 1966
  • Micropoèmes (com Seiichi Niikuni), revue ASA, n°4, 1970
  • Petits poèmes mathématiques simplistes (com Seiichi Niikuni), revue ASA, n°5, 1971
  • Terrail, Écrire le château, Poèmes d'architecture, Séries linéaires (avec Claude Peynaud et Pierre Courteaud), La main courante, La Souterraine, 1992
  • Viva Africa (com Bill Keith), Writers Forum, Londres, 1994
  • Petits livres faits à la main (com Ilse Garnier, Serge Segay et Rea Nikonova), Zaumail Art, Eysk, 1994
  • Le Paysage creusois, Textes naturels pour un paysage légendé, Invention d'une Creuse pour y mourir, Typographie dans la topographie, La Creuse est partout autour de nous (avec Claude Peynaud, Rémy Pénard et Pierre Courteaud), La main courante, La Souterraine, 1995
  • Hai-Kai, Un Cahier d'écolier (avec Keiichi Nakamura), K1 Press c/o Keiichi Nakamura, Tóquio, 2000
  • (em inglês) Hybrids (avec Keiichi Nakamura), English Japanese Poetry, K1 Press c/o Keiichi Nakamura, Tokyo, 2001
  • Poèmes du Mont Fuji (avec Keiichi Nakamura), the New French-Japanese Poetry, K1 Press c/o Keiichi Nakamura, Tokyo, 2001

Terceiro período

Ensaios em colaboração

Publicações em antologias e outros

Discos de poesia sonora

Traduções

Benn, Peter Huchel, Erich Arendt, Kuba, Novalis, Nietzsche, Goethe, Heine, Schopenhauer, Lichtenberg...

Livros sobre a Picardia

Obras musicais

Textes mis en musique par Annette Schlünz, Paul-Heinz Dittrich, Wolfgang Panwitz, livrets avec Isabelle Aboulker.

  1. ↑ «modisti news News about netlabel about submission Oct201010 modisti news 0 452 views Garnier, Pierre. Poésie Phonétique sur Spatialisme. Modisti News. Madri, Espanha. 10/10/2010.». Consultado em 21 de abril de 2012. Arquivado do original em 10 de julho de 2012
  2. ↑ http://www.courrier-picard.fr/region/le-poete-picard-pierre-garnier-est-mort-ia201b0n306281.
  3. ↑ Poezibao. Beauvais, Picardia. França. 26 setembro 2007. (em francês)
  4. ↑ «Khouri, Omar. Noigandres e Invenção. Facom. Faap. Setembro de 2006.» (PDF). Consultado em 21 de abril de 2012. Arquivado do original (PDF) em 31 de janeiro de 2012
  5. ↑ Pignatari, Décio (1927), Cronologia, Enciclopédia Itaú Cultural de Literatura Brasileira [ligação inativa]
  6. ↑ Tosin, Giuliano. Poesia sonora no Brasil e no mundo. São Paulo. Faculdades UNOPEC. Página visualizada em 15/06/2010.[ligação inativa]
  7. ↑ Miranda, Antonio. Contra os ismos e os sismos da vanguarda. 2008.
  8. ↑ Voir http://www.cipmarseille.com/publication_fiche.php?id=012a03a78b48d0b72d998c84828f7708.
  9. ↑ (em alemão) Voir http://www.edition-fundamental.de/garnier.html [ligação inativa].
  10. ↑ Voir http://www.redfoxpress.com/books.carnet.html.
  11. ↑ Voir http://www.redfoxpress.com/AB-leK.html.
  12. ↑ Voir http://www.aisthesis.de/titel/3895285676.htm.
  13. ↑ Voir http://www.aisthesis.de/titel/9783895287138.htm.
  14. ↑ Voir http://www.edition-fundamental.de/a%20lieder.html [ligação inativa].
  15. 1 2 Voir http://editionslavagueverte.pagesperso-orange.fr/HTromansrecits/garnier.html.
  16. ↑ Voir http://www.cipmarseille.com/publication_fiche.php?id=07ca1cb25c4dea78c3d87aba01fc1bc6.
  17. ↑ (em alemão) Voir http://www.verlag-ralf-liebe.de/programm/33/die-erde-ist-ein-denkender-kopf/.
  18. ↑ Voir http://engelaere-editions.com/blog/?p=5[ligação inativa].
  19. ↑ Voir http://les.vanneaux.free.fr/heureux_les_oiseaux.php3.
  20. ↑ Voir le très beau diaporama sur le site de l'artiste.
  21. ↑ (em alemão) Voir http://www.verlag-ralf-liebe.de/programm/23/botschaften-der-sonne/.
  22. 1 2 3 Voir http://www.verlag-im-wald.de/francais/sources2.htm Arquivado em 14 de março de 2008, no Wayback Machine..
  23. ↑ Voir http://editionslavagueverte.pagesperso-orange.fr/HTguidesessais/Edouard%20David.html.

Ligações externas