| Rosaceae | |||||||||||||
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| Ocorrência: Cretáceo Superior — presente | |||||||||||||
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| Distribuição geográfica | |||||||||||||
Distribuição global das Rosaceae. | |||||||||||||
| Subfamílias | |||||||||||||
| Sinónimos | |||||||||||||
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As rosáceas (Rosaceae) são uma família de plantas com flor da ordem Rosales, que inclui pelo menos 4 828 espécies repartidas por 91 géneros. A família inclui espécies com grande diversidade de hábito, desde herbáceas a arbustos e árvores, maioritariamente espécies decíduas. A família tem distribuição cosmopolita, embora com maior diversidade no Hemisfério Norte. Inclui múltiplas espécies com interesse económico, particularmente na produção de frutas, nomeadamente a maçãs, pêras, marmelos, damascos, ameixas, cerejas, pêssegos, framboesas, nêsperas, morangos e amêndoas, e árvores e arbustos ornamentais, tais como as roseiras, filipêndulas, fotínias, piracantas, sorbeiras e espinheiros.
A família Rosaceae, cujo nome deriva do género tipo Rosa, é considerada uma das mais diversificadas no clado de angiospermas, integrando cerca de 5000 espécies repartidas por 90-91 géneros, incluindo uma grande diversidade de plantas ornamentais, como as roseiras (Rosa sp.), e frutíferas, como as macieiras (Malus sp.) e as frutas de carouço.[carece de fontes]
A família inclui desde espécies herbáceas (como Fragaria) a arbustivas (como Prunus) e arbóreas (como Sorbus). A maioria das espécies é decídua, pois ocorrem em regiões de climas com elevada sazonalidade. A maior parte das espécies é perene, inclusive entre as formas herbáceas, mas também integra algumas espécies anuais.
Entre os membros da família Rosaceae encontram-se espécies com hábito muito diversos, assumindo a forma ervas (caméfitos, raramente escandentes), subarbustos, arbustos e árvores (de microfanerófitos a mesofanerófitos). A maioria das espécies são hermafroditas, isto é, são espécies monoicas. As espécies herbáceas são maioritariamente perenes, mas existem algumas espécies anuais.
As folhas apresentam geralmente filotaxia alterna, espiralada ao longo do caule, mas em algumas espécies ocorrem folhas opostas. As folhas podem ser simples ou compostas, do tipo pinado ou do tipo palmado, ímpar ou pareadas, geralmente com folíolo terminal. Folhas compostas ocorrem em cerca de 30 géneros. A margem foliar é geralmente serreada, apresentando uma glândula secretora (ou nectário extrafloral) em cada “dente”. As estípulas estão geralmente presentes, sempre pareadas, e essa característica é considerada primitiva na família e foi independentemente perdida em muitos grupos de do clado Amygdaloideae (previamente designado por Spiraeoideae). As estípulas às vezes são adnatas (aderentes) à base do pecíolo foliar (por exemplo, em Rosa).
As glândulas secretoras ou nectários extraflorais podem estar presentes na margem das folhas ou nos pecíolos. Os ramos apresentam geralmente acúleos e tricomas (simples ou estrelados), podendo estes ocorrer na nervura principal dos folíolos e na ráquis das folhas compostas.
As flores são geralmente vistosas, axilares quase sempre dispostas em tipos variados de inflorescências (principalmente racemos, espigas e cimeiras). As flores isoladas são raras. As flores geralmente são hermafroditas, mas podem ocorrer formas andrógenas ou unissexuadas (como em Fragaria). São actinomorfas, ou seja, radialmente simétricas, diclamídeas, com hipanto plano em forma de taça ou cilindro (característica importante da família) e geralmente apresentam cinco sépalas (cálice com prefloração valvar e dialissépalo), cinco pétalas (com prefloração imbricada e corola dialipétala) e um número de estames que é sempre múltiplo de cinco, arranjados de modo espiral. O ovário pode ser súpero ou ínfero e o número de ovários pode variar de um a mais de uma centena, dependendo do género. Geralmente há um ou dois óvulos por ovário. Os filetes podem ser unidos ao nectário ou livres, com anteras elipsoidais ou globosas, raramente poricidas. O pólen é tricolporado.
O fruto pode ser dos mais diversos tipos, simples ou compostos, havendo casos em que participa na formação do fruto, para além dos carpelos, todo o receptáculo. Esta variedade de tipos de fruto foi considerada entre os principais caracteres para a definição de subfamílias entre as Rosaceae, dando origem a uma subdivisão fundamentalmente artificial. Entre os tipos de fruto contam-se os folículos, cápsulas, nozes, aquénios ou agregados de aquénios (Fragaria), drupas (Prunus) e pseudofrutos (Malus).
O desenvolvimento da semente pode ocorrer por apomixia, ou seja, por formação do embrião a partir de tecido do óvulo com participação genética exclusivamente materna, sem fecundação. Entre os géneros em que esse fenómeno é comum contam-se alguns com importância económica, como Cotoneaster, Rosa, Sorbus, Crataegus, Alchemilla, Potentilla e Rubus. Essa característica dificulta a análise taxonómica e a subdivisão dos géneros em espécies.
Diversas frutas utilizadas na alimentação humana são frutos de rosáceas. Nas sementes de diversas espécies ocorre amigdalina, que pode libertar cianeto durante a digestão e potencialmente ser causa de envenenamento.
Como as flores das Rosáceas são vistosas, em geral grandes, coloridas e ricas em perfume, além de produzirem pólen e néctar em abundância, características que servem para que os polinizadores sejam atraídos pelos nutrientes. Muitas das espécies, como por exemplo Prunus serotina, são consideradas melíferas, atraindo grande número de abelhas pelo néctar que produzem. Algumas espécies produzem frutos que são muito procurados pelas aves, que também contribuem para a dispersão da espécie por zoocoria.
Algumas espécies de Rosaceae apresentam características que não são compartilhadas por todo o grupo, tais como a fixação de azoto. A presença de nódulos que permitem a associação com bactérias filamentosas do grupo Frankia tornam essas plantas capazes de fixar azoto molecular que em boa parte acaba enriquecendo o solo.
Essa família é caracterizada por possuir fotossíntese do tipo C3, uma via metabólica para a fixação do carbono na qual o CO2 atmosférico entra directamente no ciclo de Calvin.
A família Rosaceae tem distribuição cosmopolita, sendo encontrada em todos os continentes, possuindo maior diversidade no Hemisfério Norte, particularmente na América do Norte (onde está um dos seus principais centros de diversidade). Representantes desta família apenas estão ausentes de regiões de gelos permanentes, como a Antárctida e o interior da Gronelândia, e de desertos quentes e secos. Também são raras as ocorrências de Rosaceae nas regiões de floresta tropical húmida.
O nome Rosaceae é derivado do nome genérico do género tipo Rosa. Entre os géneros mais ricos em espécies estão Alchemilla (270 espécies), Sorbus (260 espécies), Crataegus (260 espécies), Cotoneaster (260 espécies), Rubus (250 espécies), e Prunus (ameixas, cerejas, pêssegos, damascos e amêndoas, com cerca de 200 espécies). No entanto, todos estes números de espécies devem ser vistos como estimativas já que muito trabalho taxonómico permanece por realizar.
Embora persistam dúvidas sobre qual das subfamílias deva ser considerada como o grupo basal da família Rosaceae, recentemente tem vindo a ganhar peso a possibilidade de tal papel caber à subfamília Amygdaloideae, admitindo-se que tenha sido a a primeira ramificação do grupo.
Em 2017 vários autores reconfirmaram este posicionamento e relações usando genomas completos de plastídeos: Tal opção corresponde ao seguinte cladograma:
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Admitindo como basal o agrupamento Amygdaloideae, obtém-se o seguinte cladograma para a relação entre subfamílias, tribos e subtribos:
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A relação de grupo irmão entre Dryadoideae e Rosoideae é suportado pelos seguintes caracteres morfológicos compartilhados não encontrados em Amygdaloideae: presença de estípulas, separação do hipanto do ovário e a presença de frutos que são geralmente do tipo aquénio.
Apesar do atrás exposto, Dryadoideae foi identificada como basal por Evans et al. (2002) e Potter (2003). Mais recentemente Xiang et al. (2017) reviu essas relações recorrendo ao estudo dos transcritomas nucleares. Por sua vez, as Rosoideae foram identificadas como grupo basale por Morgan et al. (1994), Evans (1999), Potter et al. (2002), Potter et al. (2007), Töpel et al. (2012), e Chen et al. (2016).<
Neste último caso, a relação de grupo irmão entre as Amygdaloideae e Dryadoideae é suportada por caracteres bioquímicos que não estão presentes nas Rosoideae, nomeadamente a produção de glicosídeos cianogénicos e de sorbitol.
A subdivisão tradicional nas quatro subfamílias Prunoideae, Pyrinae, Spiraeoideae e Rosoideae remonta a uma publicação de Wilhelm Olbers Focke feita em 1888. A estrutura em tribos vem em grande parte da proposta de Carl Maximowicz para Spiraeoideae (datada de 1879), Focke para Rosoideae (em 1888) e de Bernhard Koehne para Maloideae (agora Pyrinae) (em 1890). As Prunoideae nunca foram divididos em tribos. Uma organização da família de Hutchinson (1964) em 20 tribos sem subfamílias não pôde prevalecer. A revisão da família realizada em 2007, com a consequente incorporação das subfamílias Prunoideae e Pyrinae nas Spiraeoideae, bem como o estabelecimento de uma nova subfamília Dryadoideae, visou a formação de táxons monofiléticos, o que foi conseguido.
Com base principalmente na estrutura dos frutos, foram diagnosticadas subfamílias, em número e composição que foi variando ao longo dos tempos. Assim, com essa base morfológica, a família Rosaceae foi tradicionalmente subdividida em 6 subfamílias: (1) Rosoideae; (2) Spiraeoideae; (3) Maloideae (ou Pomoideae); (4) Amygdaloideae (ou Prunoideae); (5) Neuradoideae; e (6) Chrysobalanoideae. Contudo, o sistemata Georg Karl Wilhelm Schulze-Menz (1908 - 1978), no Engler's Syllabus editado por Hans Melchior em 1964, reconhecia apenas 6 subfamílias: Rosoideae, Dryadoideae, Lyonothamnoideae, Spiraeoideae, Amygdaloideae e Maloideae. A maioria destas subfamílias foi durante algum tempo elevada ao nível taxonómico de família por vários autores.
Com a redefinição da circunscrição taxonómica das Rosales e das famílias que integram aquela ordem, em 1971, com base em resultado de estudos de biologia molecular, as Chrysobalanoideae foram integradas nas Malpighiales (como Chrysobalanaceae) e as Neuradoideae transferidas para a ordem Malvales (como Neuradaceae). Ainda assim, à medida que ficaram disponíveis dados sobre a filogenética do grupo, identificou-se que nem todos os grupos remanescentes eram monofiléticos, originando múltiplos modelos de subdivisão da família, os quais foram variando com o refinamento dos conhecimentos da biologia molecular do grupo: o botânico britânico John Hutchinson (1884-1972), em 1964, e Cornells Kalkman, em 2004, reconheceram apenas tribos (17 e 21, respectivamente). Armen Takhtajan, em 1997, delimitou 21 tribos em 10 subfamílias: Filipenduloideae, Rosoideae, Ruboideae, Potentilloideae, Coleogynoideae, Kerroideae, Amygdaloideae (ou Prunoideae), Spiraeoideae, Maloideae (ou Pyroideae) e Dichotomanthoideae.
Se no passado, a morfologia dos frutos era a principal característica da organização sistemática da família, aquela metodologia é presentemente considerada obsoleta em consequência do advento as técnicas da biologia molecular, as quais permitem considerar as semelhanças em matéria de genética molecular entre os géneros como base mais segura para a classificação. Como resultado desta evolução metodológica, as antigas subfamílias Prunoideae e Maloideae referidas na literatura relevante foram parcialmente descartadas, com as espécies que lhes estavam atribuídas a serem transferidas para as tribos Pyrinae e Spiraeoideae e para o género Prunus (Spiraeoideae). De acordo com a visão mais recente, as fruteiras de carouço e de pomo deixaram de formar subfamílias separadas.
Em estudos de filogenia molecular recentes, a família Rosaceae foi posicionada como um grupo irmão das demais famílias que compões a ordem Rosales com base no sequenciação do DNA de 12 genes específicos que permitiram o estabelecimento da relação filogenética entre as famílias, sendo que desses, 10 genes eram de plastídeos, analisados em 25 táxons de Rosales. Em Rhamnaceae as relações não são muito claras, restando algumas incógnitas sobre a relação desse grupo com as demais famílias.
A monofilia do grupo é sustentada por pela presença de numerosos estames, sequências de DNA dos cloroplastos e do gene GBSSI (granule-bound starch synthase). O número cromossómico básico tem sido avaliado como carácter diferenciador para separar as subfamílias, já que em Dryadoideae o número haplóide é 9, enquanto em Rosoideae aquele número é 7, com variado grau de poliploidia.
Assim, com base nos dados obtidos pelas técnicas da filogenética molecular, os modelos mais recentes admitem apenas 3 subfamílias, das quais apenas uma, Rosoideae, se manteve sem mudanças significativas. Ainda assim, embora os limites das Rosaceae não sejam presentemente contestados, não há acordo geral sobre quantos géneros a família contém. Existem opiniões divergentes sobre o tratamento a dar nomeadamente aos grupos Potentilla s.l. e Sorbus s.l.. Estas questões são complicadas pela prevalência de fenómenos de apomixia, característica comum em vários géneros. Daí resulta incerteza no número de espécies contidas em cada um dos géneros, devido à dificuldade em dividir os complexos apomíticos em espécies. Por exemplo, Cotoneaster contém entre 70 e 300 espécies, Rosa em torno de 100 espécies (incluindo o complexo específico Rosa canina), Sorbus de 100 a 200 espécies, Crataegus entre 200 e 1000, Alchemilla cerca de 300 espécies, Potentilla cerca de 500, e Rubus centenas ou, possivelmente, milhares de espécies. Assim, as modernas classificações admitem apenas as seguintes subfamílias monofiléticas:













Apesar de não haver total consenso sobre a forma de classificar as Roasaceae e da simultaneidade de dois sistemas diferentes pode ser confusa, no entanto os dois sistemas perseguem objetivos distintos e, portanto, não podem ser julgados como certos ou errados, mas apenas aferida a sua utilidade prática: a classificação de base morfológica é principalmente orientada para o estudo da anatomia das plantas e uso em chaves de determinação de espécies, enquanto que a visão baseada na filogenia molecular visa o conhecimento das relações filogenéticas entre os grupos. Nesse entendimento, os grupos a seguir listados seguem as relações determinadas com base em estudos de genética molecular seguindo a ordenação correspondente ao grupo de parentesco natural (monofilético). No entanto, as relações mais próximas entre as subfamílias, e especialmente entre os troncos de Spiraeoideae, não são bem conhecidas.

A família Rosaceae é indiscutivelmente uma das seis famílias de plantas economicamente mais importantes no mundo, ao incluir um elevado número de espécies fruteiras e ornamentais.
Entre os muitos géneros altamente valorizados como plantas ornamentais contam-se árvores e arbustos (Cotoneaster, Chaenomeles, Crataegus, Dasiphora, Exochorda, Kerria, Photinia, Physocarpus, Prunus, Pyracantha, Rhodotypos, Rosa, Sorbus e Spiraea, entre muitos outros géneros), herbáceas perenes (Alchemilla, Aruncus, Filipendula, Geum, Potentilla e Sanguisorba, entre outros), plantas alpinas (Dryas, Geum, Potentilla) e trepadeiras (Rosa).
No entanto, vários géneros também contêm espécies invasoras e ervas daninhas nocivas em algumas partes do mundo, causando grandes despesas no seu controlo. As plantas invasoras podem ter impactos negativos na biodiversidade dos ecossistemas onde se instalem, uma vez estabelecidas. Tais pragas, naturalizadas em múltiplas regiões, incluem espécies de Acaena, Cotoneaster, Crataegus, Pyracantha e Rosa.
No campo do interesse alimentar, a família inclui Malus domestica (macieira), Prunus persica (pessegueiro), Eriobotrya japonica (nespereira) e Fragaria x ananassa (morangueiro). Com interesse ornamental contam-se os géneros Cotoneaster (cotoneasteres), Pyracantha (piracantas), Rosa (roseiras) e Spiraea (grinalda-de-noiva). No campo da produção de madeira, destaque-se Prunus avium, a cerejeira-brava.
No Brasil, encontra-se um género endémico com 10 espécies endémicas, sendo que essa família é bem diversificada em grande parte do território brasileiro, tendo ocorrências confirmadas nas regiões:
As Rosaceae estão presentes nos seguintes domínios fitogeográficos do Brasil: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal. Integram os seguintes tipos de vegetação no Brasil: Área Antrópica, Campo de Altitude, Campo Limpo, Campo Rupestre, Cerrado (lato sensu), Floresta Ciliar ou Galeria, Floresta Estacional Decidual, Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Ombrófila (= Floresta Pluvial), Floresta Ombrófila Mista e Restinga.
A família Rosaceae inclui uma grande variedade de árvores, arbustos e herbáceas.