| Portimão | |
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| Gentílico | portimonense |
| Área | 182,06 km² |
| População | 60 278 hab. (2021) |
| Densidade populacional | 331,1 hab./km² |
| N.º de freguesias | 3 |
| Presidente da câmara municipal |
Álvaro Bila (PS, 2025-2029) |
| Fundação do município (ou foral) |
1453 |
| Região (NUTS II) | Algarve |
| Sub-região (NUTS III) | Algarve |
| Distrito | Faro |
| Província | Algarve |
| Orago | Nossa Senhora da Conceição |
| Feriado municipal | 11 de dezembro (Elevação a Cidade) |
| Código postal | 8500 Portimão |
| Sítio oficial | www.cm-portimao.pt |
Portimão é uma cidade portuguesa no distrito de Faro, região e sub-região do Algarve, com 44.426 habitantes (2021), sendo, por conseguinte, a cidade mais populosa do Algarve. O centro da cidade está situado a cerca de 2 km do mar e é um centro importante de pesca e turismo.
É sede do Município de Portimão que tem 182,06 km² de área e 60 278 habitantes (censo de 2021), subdividido em 3 freguesias. O município está limitado a norte pelo de Monchique, a leste pelos de Silves e Lagoa, e a oeste pelo de Lagos; a sul, tem um sector litoral ao longo do oceano Atlântico.
O território do Município de Portimão foi habitado desde a pré-história, como pode ser constatado pela presença dos Monumentos Megalíticos de Alcalar e pela descoberta de uma caverna na área da Companheira, onde foram encontrados indícios do Homem de Neandertal. Valdemar Coutinho apresenta a comunidade pré-histórica de Alcalar como um exemplo da fixação dos povos na região do Algarve, devido à proximidade do oceano, que fornecia recursos alimentares, nomeadamente através da recolha de moluscos, e às condições climatéricas favoráveis. Luís de Mascarenhas refere, num artigo publicado no jornal O Algarve em 1916, que em vários locais a Norte da cidade de Portimão foram encontradas várias peças conhecidas popularmente como pedras de raio, que interpretou como sendo fragmentos de machados utilizados durante a pré-história como ferramentas e armas.
Posteriormente, iniciou-se uma nova fase no desenvolvimento da região, devido à chegada dos mercadores vindo do Mar Mediterrâneo, tendo os primeiros sido provavelmente os fenícios, seguidos pelos gregos, que procuravam os abundantes recursos minerais, agrícolas e piscatórios. Segundo Luís de Mascarenhas, os autores da antiguidade referiram-se a esta região como a Turdetânia, e aos habitantes nativos como os cónios. A foz do Rio Arade teria sido muito procurada pelos mareantes devido às suas boas condições como porto de abrigo, como se pode constatar pela grande quantidade de vestígios arqueológicos encontrados naquela área. Desta forma, a área de Portimão esteve integrada nas redes comerciais e culturais ao longo do Oceano Atlântico, o Norte de África e o Mar Mediterrâneo. Luís de Mascarenhas especulou que as ligações comerciais com o Mediterrâneo terão provocado grandes alterações a nível da ocupação do território, com a transferência dos povoados para as margens dos rios e a faixa marítima.
Segundo Eduardo Monteverde, os escritores romanos mencionam que o comandante militar cartaginês Amílcar Barca teria fundado uma povoação nesta área por volta de 551 a.C., com o nome de Barcinia, embora outros autores afirmem que teria sido apenas responsável pela sua reedificação e ampliação, e que teria mudado o nome para Portus Annibalis, igualmente conhecido como Portus Hannibalis. Esta teoria foi suportada por Luís de Mascarenhas, referindo que vários autores latinos mencionam o nome da povoação portuária como sendo Portus Annibalis. Mascarenhas ofereceu a explicação que este teria sido o local onde o comandante cartaginês Aníbal desembarcou as suas forças, para iniciar uma campanha militar contra os romanos.
A cidade de Portus Annibalis foi citada por vários autores da antiguidade, como Ptolemeu, Pompónio Mela e Estrabão, que ao referirem-se aos principais centros urbanos na região, a colocam após Lacobriga, seguindo de ocidente para oriente a partir do promontório sacro. Vários autores apresentaram conclusões diferentes para a localização da cidade, incluindo Portimão, Estômbar ou em Alvor. Com efeito, Alvor também foi um centro urbano de certa importância durante este período, tendo sido um castro, e por volta do século VII a.C. ter-se-á afirmado como um centro de comércio, igualmente com ligações aos portos do Mediterrâneo oriental. Uma outra teoria apontava uma localização completamente diferente para Portus Annibalis, não no Algarve mas já na costa alentejana, em Vila Nova de Milfontes. Num artigo publicado na revista Alma Nova em 1918, o padre José Joaquim Nunes afirmou que era reduzida a probabilidade que o topónimo de Portus Hannibalis tenha evoluído para Portimão: «Apesar de possuirem as mesmas silabas iniciais, é duvidoso que os actuais nomes Lagos e Portimão sejam os modernos representantes dos antigos Laccobriga e Portus Hannibalis, que provavelmente morreram sem descendência».
Durante o domínio romano, a cidade terá provavelmente continuado a usar o nome de Portus Annibalis. Foram encontrados vários núcleos de vestígios deste período no município de Portimão, sendo um dos principais a villa da Abicada, embora Valdemar Coutinho tenha avançado a hipótese que esta última estaria mais intimamente ligada à comunidade romana de Lagos, devido à sua posição na Ria de Alvor, junto à baía. Foram igualmente encontrados vários tanques de salga na área ribeirinha de Portimão, e o arqueólogo Estácio da Veiga fez importantes descobertas na área da Ponta do Rochedo, entre o convento franciscano e o Forte de Santa Catarina, junto à foz do Rio Arade, que incluíram mosaicos, fragmentos de cerâmica, as ruínas de um balneário, e um outro complexo de salga de peixe. De acordo com estes vestígios, o local terá sido ocupado por uma residência abastada durante a era romana. Nas imediações foram encontradas várias sepulturas e elementos comuns dos ritos funerários romanos, provas evidentes da existência de uma necrópole.
Eventualmente, a cidade romana terá sido destruída, talvez devido à erosão marítima e à ocorrência de vários sismos. Segundo Luís de Mascarenhas, apesar disto o porto de Portimão terá continuado a ter alguma importância devido às suas ligações com o Mediterrâneo, mesmo após a conquista visigótica da Península Ibérica.
O território foi conquistado pelos muçulmanos em 716. A sua presença foi menos significativa do que a dos romanos, podendo o povoado de Portimão ser apenas uma pequena comunidade de pescadores, funcionando principalmente como um porto para a cidade de Silves, que então era uma das mais importantes na região. Ainda assim, foram encontrados dois importantes núcleos de vestígios no município, um na Alcaria de Arge e outro em Castelo Belinho. Outro possível monumento desta época é o Morábito de São Pedro, que terá resultado da conversão de um edifício de culto islâmico. Ainda assim, Alvor continuou a ser um importante centro do ponto de vista económico e político. O Castelo de Alvor foi tomado pelas forças cristãs em 1189, como parte de uma campanha militar dirigida principalmente ao Castelo de Silves, mas o território voltou a ser controlado pelos mouros apenas dois anos depois, só tendo definitivamente reconquistado em 1240, durante o reinado de D. Afonso III (1238–1253). Este monarca terá concedido um foral a Portimão, uma vez que aquele documento é referido por um outro foral da época manuelina.
Segundo um documento dos finais do século XII, alegadamente escrito por um dos cruzados que participaram na campanha de 1189, um dos castelos tomados pelos cristãos foi o de Porcimunt, que alguns autores identificaram como sendo Portimão, embora Ataíde Oliveira tenha em vez disso avançado a hipótese que teria sido Porches, uma vez que «naqueles tempos não havia em Portimão castelo algum, nem o terreno sobre que assentou esta vila tinha condições de combatividade, pois é sabido que as lutas belicosas daqueles tempos [...] se decidiam pela força do braço, e e por isso escolhiam-se os pontos elevados e íngremes, de dificil acesso, para o levantamento dos castelos, afim de auxiliar a defeza e prevenir surprezas. Naquele tempo sómente se falava nos castelos de Alvôr, de Estombar e no de Porches. Eram estes os tres castelos mais proximos e dependentes do de Silves». Num artigo escrito em 1930 para o jornal O Algarve, o investigador António Magalhães Barros referiu que Pinho Leal também levantou algumas dúvidas sobre o relato do cruzado, alegando que aquele termo não era de origem islâmica. Magalhães Barros também menciona que encontrou os topónimos Porto-men ou Porto-man na obra Glosario de voces ibéricas y latinas usadas entre los mozárabes de Francisco Javier Simonet, derivando do termo latino Portus Magnus, que significa Porto Grande, tendo Simonet exemplificado com Porto Main, entre Cartagena e o Cabo de Palos, e Portiman ou Portman, na Região de Múrcia. Estes nomes são referidos em documentos antigos do concelho, com Portman presente na carta de doação a Gonçalo de Castelo Branco, e Portimã num alvará de D. João II. Uma teoria para o local de nascimento da cidade terá sido uma área entre a fortaleza de Santa Catarina e o convento franciscano, conhecida como Portimões, mas Magalhães Barros refutou este alvitre, por ser então um sapal que no passado estava sujeito aos movimentos da maré.
Segundo uma tradição popular, durante o reinado de D. João I (1385-1433) ou de D. Duarte I (1433-1438) um indivíduo fixou-se na área da foz do Arade como pescador de atum, tendo dado o nome de Portimão à aldeia em que residia.
O povoado de Portimão conheceu um forte crescimento durante a segunda metade do século XV, o que se deveu principalmente às suas condições geográficas favoráveis, por se situar junto ao oceano e ao Rio Arade, que era um importante eixo de transporte fluvial. António Magalhães Barros refere que uma carta régia de 4 de Agosto de 1463, emitida por D. Afonso V, autorizou um grupo de quarenta moradores de Silves a fundarem um povoado na área da foz do Arade, então conhecida como Barrosa, que por esse motivo passou a ficar conhecido como São Lourenço da Barrosa. Um dos moradores conhecido como João de Portimão, o que levou alguns autores a avançar a teoria que teria sido o fundador do povoado, que ficou com o seu nome, mas esta hipótese foi criticada por António Barros, que considerou mais provável que teria escolhido o nome da terra como seu apelido, algo que não foi caso único. Este documento impôs várias direitos e obrigações aos habitantes, incluindo a obrigação de construírem uma casa dentro de dois anos, que a povoação pertenceria sempre à coroa, e que não fossem forçados a dar aposentadoria aos fidalgos que por ali passassem, nem de lhes fornecer bestas, palha e vinho. Os moradores também estavam isentos de serem recrutados para ir em campanhas militares ou em armadas, a não ser que fosse a acompanhar o rei. Concedeu-lhes igualmente a isenção de pagamento dos pedidos, mas não de sisas, dízimos e portagens, e também não estavam obrigados a pagar peitas, fintas, talhas e outros serviços relativos à cidade de Silves, salvo se fossem usados em obras de pontes, calçadas e fontes. O mesmo monarca confirmou estes privilégios e concedeu outros numa carta real de 25 de Março de 1464, incluindo a proibição dos fidalgos e outras pessoas de importância de residirem ali e de passarem mais de três dias, e se ultrapassassem este limite teriam de pagar uma multa. Em 8 de Junho desse ano foi instituído um novo direito, dos moradores não serem postos por besteiros de couto, privilégio que foi confirmado por D. João II em 22 de Dezembro de 1485. Este monarca também emitiu um alvará de couto de homiziados a Portimão.
Sobre a localização deste povoado de São Lourenço da Barrosa, António Magalhães Barros menciona que a ocidente de Portimão existia uma área conhecida ainda por este nome, por onde passava a estrada municipal, e onde existiu uma ermida dedicada a São Lourenço. Neste local situavam-se várias ruínas de edifícios, onde foram encontradas moedas de D. João IV e D. João V. Estaria separada da povoação principal de Portimão por um sapal, cujo espaço foi depois preenchido por vários arruamentos. Magalhães Barros avançou a teoria de que São Lourenço da Barrosa não correspondia à povoação primitiva de Portimão, fundamentado no pedido feito pelos moradores a D. Afonso V, onde se pedia a criação de um novo povoado, além que em 1476 o mesmo monarca doou Portimão a Gonçalo Vaz de Castelo Branco, algo que estava contra as suas próprias determinações na década anterior. Além disso, existem referências a um foral entregue por D. Afonso III, cerca de dois séculos antes de São Lourenço da Barrosa ter sido fundada. Eduardo Monteverde assevera que não restaram quaisquer indícios físicos de São Lourenço da Barrosa, embora algumas fontes afirmem que as ruínas que ficaram à vista após o maremoto que se seguiu ao Sismo de 1755 poderiam ter feito parte daquela povoação.
D. Afonso V também ordenou a construção das muralhas, numa carta de 26 de Outubro de 1478, no sentido de defender «o luguar de Villa Noua de Portimão», que então era frequentemente atacado pelos inimigos do reino. Na mesma comunicação, concedeu à povoação o estatuto de couto de homiziados, com privilégios semelhantes aos de Marvão. A edificação das muralhas, em conjunto com a Igreja Matriz, podem ser considerados como testemunhos do elevado desenvolvimento que a povoação atingiu nessa época. Desde 1476 que o senhor da vila era Gonçalo Vaz de Castelo Branco, que conseguiu confirmar os privilégios de Portimão junto de D. João II em 1481, apesar das reclamações apresentadas por Silves no ano anterior. Uma carta régia de 7 de Julho de 1498, durante o reinado de D. Manuel, concedeu a Martinho Castelo Branco a décima da pesca do atum, indústria que já então era considerada como muito antiga em Portimão.

Portimão recebeu o foral em 1504, pelo rei D. Manuel, num gesto simbólico que reconheceu a importância de Portimão no território nacional. Em 1508, Portimão foi uma das localidades algarvias que enviaram forças em auxílio da colónia portuguesa de Arzila, que estava a ser cercada pelo rei de Fez. Em 7 de Outubro de 1532, os direitos sobre a pesca do atum foram reafirmados por uma carta de D. João III.
A expansão da cidade continuou com o processo dos descobrimentos, durante os quais se afirmou como um dos principais centros nas novas rotas comerciais. Segundo o manuscrito italiano Ritrato et Riverso del Regno di Portogallo, que descreveu o reino de Portugal durante o período de D. Henrique I, entre 1578 e 1580, Vila Nova de Portimão foi considerada como um dos principais portos do Algarve, em conjunto com Lagos e Tavira.
Graças a este impulso, a área urbana ultrapassou o limite das muralhas, tendo-se assistido à construção de grandes equipamentos militares e religiosos, como a Forte de Santa Catarina, o Colégio dos Jesuítas em 1707, o Convento de São Francisco no século XVI, e a Capela de São José no século XVII. Foi provavelmente também no século XVI que foi construída a Quinta do Morais, que mais tarde se afirmou como um importante exemplo do estilo manuelino em Portimão.
Fora da sede do município, destaca-se a edificação das igrejas paroquiais de Alvor e da Mexilhoeira Grande, ambas no século XVI, da Igreja da Misericórdia de Mexilhoeira Grande, no século XVII, da Igreja de Montes de Alvor, no século XVII, e do Eremitério dos Pegos Verdes, provavelmente construído no século XVIII.
Porém, esta fase de crescimento foi abruptamente interrompida devido ao Sismo de 1755, que devastou a cidade. Na obra Relaçam do terramoto do primeiro de Novembro do anno de 1755 com os effeitos, que particularmente cauzou neste reino do Algarve, transcrita por Alberto Iria para o Jornal de Lagos em 1940, foi feita uma descrição de como os vários centros urbanos da região foram atingidos, incluindo Portimão: «Meia legoa ao Poente de Estombar na banda d'alem do sobredito rio tem o seo assento Villa Nova de Portimam; que se compunha de Sete centas, quarenta, Seis moradas de cazas, das quais ficaram com total ruina cento secenta, e oito; e quazi todas as mais raxadas, e fendidas. Fez-se mais, que tudo, sensivel a perda da sua magnifica Matriz, em cuja reedificaçam, se trabalhava com grande zelo; a ruina da Igreja do Collegio da Comp.ª que he o mais formozo edificio deste Reino; e o estrago do Convento dos Capuchos, quasi inteiramente se havia renovado. Tragou o mar a Hermida de Nossa Senhora dos Remedios, sem lhe deixar mais, que o Altar; e todas as outras ficaram com alguma ruina. Morreram seis pessoas na Igreja do Collegio, e levou o mar quarenta e seis. Descobriram as suas ondas na praia, o que chamam a Ponta da area, vestigios de huma Povoaçam, que os moradores se persuadem ser a primeira morada dos Portimões, fundadores da Villa; porêm segundo o que se refere Laymundo, e o Mestre Floriam do Campo, ha mais aparencias de Ser o Porto de Anibal, que fez alli assento, para continuaçam do descobrimento das nossas costas, que depois contiaram Seos Primos os famosos Cartaginezes Hanon, e Hamylcon».
Em 1773 o Marquês de Pombal dividiu a Diocese do Algarve, com a criação de dois novos bispados, um centrado em Faro e outro em Portimão, que seria elevada ao estatuto de cidade. Em 23 de Setembro desse ano foram nomeados os dois novos bispos, que no caso de Portimão foi o cónego Manuel Tavares Coutinho. Porém, todo este processo foi interrompido devido à morte do rei D. José, pelo que o Algarve voltou a ser composto por apenas um bispado, e Portimão regressou à categoria de vila, tendo sido cidade apenas durante cerca de três anos. Nos finais do século foram edificados dois grandes imóveis civis, o Palácio Bívar, onde posteriormente foram instalados os Paços do Concelho, e o Palacete Sárrea Prado, depois reconvertido num teatro.

A situação económica de Portimão só voltou a melhorar na segunda metade do século XIX, com a introdução das indústrias em larga escala, baseadas nos frutos secos e nas conservas de peixe. Este novo paradigma atingiu não só a cidade mas também as áreas interiores do concelho, assistindo-se a um êxodo rural que levou à expansão das áreas urbanas, com a construção de fábricas ao longo da faixa ribeirinha e de bairros sociais. Um dos principais complexos industriais da cidade foi a Fábrica Feu, situado junto ao Convento de São Francisco, junto ao rio, e que começou a funcionar em 1902. O porto de Portimão afirmou-se igualmente como um importante centro de escoamento dos produtos agrícolas, tendo Luís Mascarenhas afirmado em 1916 que já então concentrava cerca de metade da produção regional. Na década de 1910 acentou-se o crescimento do tecido industrial de Portimão, principalmente das conservas de peixe, devido à Primeira Guerra Mundial, que provocou um aumento no consumo de produtos enlatados. Entre as novas infraestruturas contaram-se a ponte rodoviária sobre o Rio Arade, que entrou ao serviço em 1876, e um novo cais comercial, que melhorou as condições de escoamento da produção industrial. Assim, nos princípios do século XX, Portimão já era considerado como o segundo maior centro populacional na região, devido ao seu forte desenvolvimento industrial, estando apenas atrás de Faro.
Entretanto, em 1903 chegou o caminho de ferro a Portimão, inicialmente com uma gare provisória em Ferragudo, no outro lado do rio, tendo a estação definitiva sido inaugurada apenas em 1922. Outro marco importante foi a construção da primeira central eléctrica na vila, em 1916.

Como resultado deste crescimento, Portimão ganhou o estatuto de cidade em 1924, sendo então a presidência da república ocupada por Manuel Teixeira Gomes, natural do concelho. A produção industrial em Portimão atingiu o seu auge durante a Segunda Guerra Mundial, sendo então as suas mercadorias exportadas para vários pontos do globo. Nos princípios da década de 1930, já tinha sido concluídas várias intervenções que vieram melhorar a aparência e as condições de vida da cidade, incluindo a instalação de jardins em frente à estação ferroviária e dos Paços do Concelho, o desenvolvimento da iluminação pública, e o abastecimento de água à Praia da Rocha. Na década de 1940 iniciou-se a urbanização em larga escala daquele destino balnear, com a construção de várias casas de férias por parte das elites burguesas, que tinham enriquecido com a expansão da pesca e da indústria.
Nos finais da década de 1920 iniciaram-se as obras do porto, com a realização de dragagens e outras intervenções, que permitiram um grande acréscimo no movimento de barcos de pesca e de pequena cabotagem. António Magalhães Barros refere que o porto de Portimão era então «o melhor e o mais importante do Algarve, com barra d'areia variavel e fundo de rocha. O seu trafego é movimentadissimo». Acrescenta que a «sua industria piscatoria é de grande valôr, estando matriculados na respectiva Capitania do Porto dezenas de vapôres de pesca, dos melhores que ha no paiz.». Sobre o tecido industrial da cidade, menciona que «a industria de conservas é tambem importantissima, havendo disseminadas grande numero de magnificas fabricas, dentro das quaes se destacam as Extremal, S. José e Litografia, pertencentes ao sr. João Antonio Judice Fialho, a da firma Feu Hermanos e ainda a de Bívar & C.ª. A industria corticeira tem decaido nos ultimos tempos; no entanto possue ainda algumas fabricas, sendo de notar a de D. Luiz Bordas Marimon; e outras industrias de relevo ha a acrescentar, como sejam as de artigos de palma, moagem, fabrica Santo Antonio, cordoaria, tecidos em linhagem, lagares, de moagem, de azeitona, marinhas de sal, doçaria regional, etc., etc.». Em 3 de Maio de 1940 foi inaugurado o novo edifício da Capitania, no âmbito das obras do porto, e em 1948 foram instaladas duas gruas de grandes dimensões no cais, que foram de grande utilidade na movimentação de mercadorias, tendo um destes engenhos sido preservado. Em 1956 concluiu-se outra importante obra, com a instalação de dois molhes à entrada da barra, que fizeram com que passasse a ser considerada como uma das seguras em território nacional.
Foi igualmente durante a primeira metade do século XX que foram instalados dois edifícios de grande importância em Alvor: a Lota e a Estação de Socorros a Náufragos, esta última em 1933.

No entanto, após o final da Segunda Guerra Mundial assistiu-se a uma forte regressão no tecido industrial da cidade, devido à deslocalização das fábricas para outros países, principalmente para Marrocos, à concorrência das empresas estrangeiras, à queda na produção piscatória, e à avançada idade da maquinaria. Outro símbolo da renovação urbana de Portimão foi o Cine-Teatro, inaugurado em 1938.
Surgiu então uma nova função económica, o turismo, que se começou a desenvolver na década de 1960, com a instalação de vários hotéis e restaurantes, tendo um dos principais estabelecimentos no concelho sido o complexo da Penina.
O primeiro presidente da Câmara Municipal de Portimão após a Revolução de 25 de Abril de 1974 foi Martim Afonso Pacheco Gracias, que ocupou aquele posto até 1993. Durante o seu mandato, o município conheceu um considerável desenvolvimento em termos de saneamento básico, serviços escolares, transportes, e outras infraestruturas básicas, tendo por exemplo sido instalados dois corredores rodoviários de grande importância, as avenidas V3 e V6, e os edifícios da piscina e do novo mercado municipal.
Em 1991 foi inaugurada a Ponte Nova de Portimão, de forma a reduzir os problemas de tráfego na ponte antiga, situação que estava a causar grandes entraves ao desenvolvumento de Portimão, que era então a segunda principal cidade no Algarve.
Em 1999 deu-se um importante marco a nível da prestação dos serviços de saúde na região, com a inauguração do Hospital de Portimão.
Em 2 de Novembro de 2008 foi inaugurado o Autódromo Internacional do Algarve, que é considerado como um dos melhores no espaço europeu.

O município de Portimão está dividido em 3 freguesias:
| Freguesia | Residentes (2011) | Residentes (2021) |
|---|---|---|
| Alvor | 6154 | 6314 |
| Mexilhoeira Grande | 4029 | 4313 |
| Portimão | 45431 | 49218 |
| Total | 55614 | 59845 |
De acordo com os dados do INE o distrito de Faro registou em 2021 um acréscimo populacional na ordem dos 3.7% relativamente aos resultados do censo de 2011. No Município de Portimão esse acréscimo rondou os 7.6%.
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
★ Número de habitantes "residentes", ou seja, que tinham a residência oficial neste município à data em que os censos se realizaram
| Número de habitantes por Grupo Etário ★★ | |||||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1900 | 1911 | 1920 | 1930 | 1940 | 1950 | 1960 | 1970 | 1981 | 1991 | 2001 | 2011 | 2021 | |
| 0-14 Anos | 4 862 | 5 538 | 4 970 | 6 594 | 6 098 | 5 876 | 5 519 | 5 690 | 7 557 | 7 124 | 6 666 | 8 715 | 8 567 |
| 15-24 Anos | 2 406 | 3 025 | 3 033 | 4 251 | 4 001 | 4 224 | 3 811 | 4 030 | 4 736 | 5 663 | 5 944 | 5 687 | 6 038 |
| 25-64 Anos | 5 808 | 6 486 | 6 228 | 9 149 | 9 845 | 11 694 | 12 547 | 13 100 | 17 701 | 20 213 | 24 456 | 31 008 | 31 809 |
| = ou > 65 Anos | 676 | 846 | 641 | 1 076 | 1 347 | 1 690 | 2 265 | 2 765 | 4 470 | 5 833 | 7 752 | 10 204 | 13 431 |
★★ De 1900 a 1950 os dados referem-se à população "de facto", ou seja, que estava presente no município à data em que os censos se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente

Hoje[quando?] é possível aceder a Portimão a partir de qualquer ponto do país.

Ver também: Lista de património edificado em Portimão


Património arqueológico
Património não religioso
Património religioso
Património de origem natural
Portimão também é uma cidade muito marcada pelo desporto. É aqui que se realizam, no Verão, o Mundialito de Futebol de Praia e a Etapa Portuguesa da Liga Europeia de Futebol de Praia. Por vezes, a Volta a Portugal em Bicicleta e foi palco do Rali Lisboa-Dakar, onde também se costumam praticar desportos náuticos, como o surfe e o Kitesurf e outros desportos de ação como o BMX e o skate. Portimão também tem vários clubes desportivos como por exemplo o Portimonense, Portinado ou o Clube Bicross de Portimão.
A 2 de novembro de 2008 foi inaugurado, oficialmente, o Autódromo Internacional do Algarve.
Odivelas, desde 1976, foi sempre uma autarquia do Partido Socialista.
| Data | % | V | % | V | % | V | % | V | % | V | % | V | % | V | % | V | % | V | % | V | % | V | % | V | % | V | % | V | % | V | % | V | % | V | Participação |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| PS | FEPU/APU/ CDU | PPD/ PSD | CDS-PP | GDUP | PCTP/ MRPP | AD | UDP/ BE | PPM | PRD | PSD-CDS | IND | MPT | NC | CH | PAN | A | |||||||||||||||||||
| 1976 | 39,31 | 4 | 22,50 | 2 | 18,20 | 1 | 7,10 | - | 5,53 | - | 3,14 | - | 67,61 / 100,00 | ||||||||||||||||||||||
| 1979 | 52,91 | 4 | 15,25 | 1 | AD | AD | 0,43 | - | 25,92 | 2 | 2,85 | - | AD | 74,98 / 100,00 | |||||||||||||||||||||
| 1982 | 55,28 | 4 | 17,31 | 1 | 22,66 | 2 | 0,95 | - | 72,00 / 100,00 | ||||||||||||||||||||||||||
| 1985 | 51,96 | 4 | 11,14 | 1 | 23,45 | 2 | 0,79 | - | 9,56 | - | 64,07 / 100,00 | ||||||||||||||||||||||||
| 1989 | 39,12 | 3 | 11,04 | 1 | 38,87 | 3 | 5,31 | - | 1,42 | - | 56,48 / 100,00 | ||||||||||||||||||||||||
| 1993 | 43,88 | 3 | 11,76 | 1 | 34,59 | 3 | 4,71 | - | 1,72 | - | 60,68 / 100,00 | ||||||||||||||||||||||||
| 1997 | 47,08 | 4 | 10,80 | - | 33,06 | 3 | 3,15 | - | 1,41 | - | 58,65 / 100,00 | ||||||||||||||||||||||||
| 2001 | 50,82 | 4 | 7,47 | - | 23,37 | 2 | 12,60 | 1 | 1,43 | - | CDS-PP | 52,14 / 100,00 | |||||||||||||||||||||||
| 2005 | 42,54 | 4 | 10,67 | 1 | CDS-PP | PPD/PSD | 7,47 | - | PSD-CDS | 28,72 | 2 | 5,12 | - | PSD-CDS | 51,06 / 100,00 | ||||||||||||||||||||
| 2009 | 55,49 | 5 | 5,93 | - | 25,13 | 2 | 4,31 | - | 6,31 | - | 54,16 / 100,00 | ||||||||||||||||||||||||
| 2013 | 30,05 | 3 | 12,11 | 1 | 16,67 | 1 | 18,96 | 1 | 12,28 | 1 | CDS-PP | CDS-PP | 42,39 / 100,00 | ||||||||||||||||||||||
| 2017 | 44,56 | 4 | 7,78 | - | CDS-PP | PPD/PSD | 11,66 | 1 | PSD-CDS | 24,36 | 2 | PSD-CDS | 5,89 | - | 41,16 / 100,00 | ||||||||||||||||||||
| 2021 | 39,88 | 5 | 5,11 | - | 17,54 | 2 | 13,03 | 1 | 6,82 | - | PPD/ | PPD/ | CDS-PP | 10,16 | 1 | 3,07 | - | CDS-PP | 42,97 / 100,00 | ||||||||||||||||
| Data | % | |||||||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| PS | PCP | PSD | CDS | UDP | AD | APU/ | FRS | PRD | PSN | BE | PAN | PSD CDS |
L | CH | IL | |
| 1976 | 47,09 | 17,62 | 15,12 | 7,73 | 2,64 | |||||||||||
| 1979 | 33,62 | APU | AD | AD | 3,79 | 32,71 | 23,25 | |||||||||
| 1980 | FRS | 2,08 | 33,43 | 16,27 | 40,31 | |||||||||||
| 1983 | 46,46 | 17,96 | 8,58 | 1,35 | 19,61 | |||||||||||
| 1985 | 18,42 | 26,42 | 5,37 | 1,71 | 15,53 | 27,37 | ||||||||||
| 1987 | 24,22 | CDU | 46,19 | 3,29 | 1,16 | 10,07 | 8,57 | |||||||||
| 1991 | 30,66 | 50,69 | 3,02 | 7,33 | 1,06 | 2,50 | ||||||||||
| 1995 | 50,78 | 26,63 | 10,05 | 0,80 | 7,76 | 0,33 | ||||||||||
| 1999 | 49,03 | 27,03 | 8,51 | 8,38 | 2,82 | |||||||||||
| 2002 | 42,02 | 34,54 | 9,62 | 5,62 | 3,59 | |||||||||||
| 2005 | 48,95 | 23,33 | 6,50 | 6,49 | 9,42 | |||||||||||
| 2009 | 31,86 | 24,50 | 11,65 | 6,72 | 17,45 | |||||||||||
| 2011 | 23,00 | 35,21 | 14,29 | 7,80 | 9,63 | 1,68 | ||||||||||
| 2015 | 32,10 | CDS | PSD | 8,09 | 16,21 | 1,97 | 30,03 | 0,76 | ||||||||
| 2019 | 34,62 | 21,22 | 4,21 | 6,42 | 14,67 | 5,41 | 1,18 | 2,29 | 0,92 | |||||||
| 2022 | 37,27 | 23,80 | 1,37 | 4,23 | 6,62 | 2,34 | 1,07 | 14,20 | 5,31 | |||||||
| 2024 | 23,04 | AD | AD | 21,49 | 2,52 | 6,10 | 2,70 | 2,92 | 30,53 | 5,05 | ||||||
Lista dos Presidentes da Câmara Municipal de Portimão
Pré-25 de Abril de 1974
Pós-25 de Abril de 1974 * Rogério Jorge Castelo
A cidade de Portimão é geminada com as seguintes cidades: