Praça do Reggae

Praça do Reggae
Salvador, Bahia, Brasil
Praça do Reggae
Tapumes brancos tapavam a fachada da praça no Largo do Pelourinho, em Salvador, em 2013.
Tipo praça
Inauguração 1999
Cruzamentos Largo do Pelourinho
Coordenadas 12° 58′ 15″ S, 38° 30′ 30″ O
Localização em mapa dinâmico
Lista de praças de Salvador

Praça do Reggae é um logradouro público em Salvador, município capital do estado brasileiro da Bahia. Foi inaugurada em 1999 e tornou-se referência em apresentações musicais do gênero do reggae na cidade, consequentemente, um lugar simbólico para a cultura reggae, para a identidade cultural soteropolitana e para a cultura afrodiaspórica. Durante a primeira década do século XXI, recebeu públicos frequentes superiores a mil pessoas que viram naquele palco artistas regueiros do Brasil e do exterior, como Adão Negro, Dennis Brown, Edson Gomes, Gregory Isaacs, Israel Vibration, Sine Calmon. Também abrigou ensaios do bloco Cortejo Afro e apresentações de Arnaldo Antunes, Arto Lindsay, Caetano Veloso, Lazzo Matumbi e Mariene de Castro. Como complexo cultural, a praça ainda era endereço de três tradicionais bares.

O Movimento Popular Pela Igualdade Étnica/Racial e Pela Representatividade e o Círculo Palmarino descreveram a criação da praça como parte de um esforço governamental para limitar a circulação dos rastafáris e domesticar a cultura reggae para o turismo internacional étnico, dado que concentrou os bares naquela praça rodeada por uma cerca e com acesso mediante pagamento e revista policial. Apesar disso, também perceberam que a resistência cultural negra aflorou no novo espaço até que uma nova iniciativa governamental estava em curso em 2011 a fim do desmonte do espaço de identidade e fortalecimento que se tornou a praça. A praça encontra-se abandonada desde 2011, até que na década seguinte o governo estadual deu início à requalificação do espaço, ainda não concluída.

História

Porção mais baixa do Largo do Pelourinho na década de 1980. No canto inferior esquerdo, local com ripas de madeira onde posteriormente foi construída a Praça do Reggae

Alguns bares localizados na área do Centro Histórico de Salvador (CHS) eram os palcos da cena do reggae na cidade: o Bar do Reggae — criado em 1981 por Albino Apolinário — ficava localizado na rua João de Deus, o Cravinho Rastafari, na Gregório de Matos e o Negros Bar — aberto em 1994, também por Apolinário. No fim do século XX, o governo do estado da Bahia executou o Projeto de Recuperação do Centro Histórico de Salvador, que reformou aquela área protegida e provocou a mudança ou expulsão de várias famílias que por ali residiam. Esse projeto trouxe novos comerciantes ao CHS, que demandaram alterações no funcionamento daqueles bares e no público frequentador, demandas essas decorrentes de discriminações raciais. Nesse contexto, em 1999, o governo estadual inaugurou em espaço conectado à parte mais baixa do Largo do Pelourinho a Praça do Reggae, com cerca e acesso controlado e pago e transferiu aqueles três bares citados para os boxes instalados na praça.

Em 2000, a Lei Municipal n. 5.817 de 2000 estabeleceu o dia 11 de maio como o Dia do Reggae, em homenagem ao músico Bob Marley, que morreu naquela data. Nessa efervescência do movimento regueiro, e com capacidade máxima da praça de 1.200 pessoas, uma vez lotada registrou-se públicos recordes no lado exterior da praça na primeira década de existência, além da apresentação de artistas renomados do reggae do Brasil e do exterior, bem como artistas de outros gêneros musicais.

Entrada da praça em 2009, quando era um equipamento cultural ativo

Por meio do Programa de Aceleração do Crescimento das Cidades Históricas, o governo federal do Brasil destinou, em 2009, recursos orçamentários para um palco móvel na praça, contudo, os recursos não foram aplicados pelo governo estadual da Bahia. A praça foi fechada em 2010. Após o fechamento, o bar Cravo Rastafári transferiu-se para a rua das Flores. E a partir de 2011 o espaço entrou em estado de abandono, virando depósito informal de lixo.

Em 2023, o deputado federal Valmir Assunção destinou recursos de emenda parlamentar ao Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) para reativação da praça. Em 2024, o governo da Bahia via IPAC abriu licitação para elaboração de projeto de requalificação do espaço. Elaborado pela empresa LaNd5 Arquitetura e Urbanismo, o projeto executivo passou por consulta pública com a comunidade do entorno da praça e com o movimento cultural do reggae e, como se trata de área protegida como patrimônio federal, foi aprovado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Em 2026, o governo abriu a licitação para a requalificação em si, que abrange palco, camarins, estúdio de gravação de programas de áudio (podcast), sala de mídia e som, bilheteria, áreas de convivência, mobiliário urbano, paisagismo e sistema de iluminação.

Ver também

Referências

  1. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Martins, James (10 de junho de 2024). «Praça do Reggae completa 25 anos amargando abandono em pleno Largo do Pelourinho». Metro 1. Consultado em 17 de junho de 2026
  2. 1 2 3 Assessoria do vereador Hamilton Assis (11 de maio de 2026). «Hamilton Assis destaca a requalificação da Praça do Reggae e cobra celeridade nas obras». Câmara Municipal de Salvador. Consultado em 18 de junho de 2026
  3. 1 2 3 Ramos, Anderson (12 de maio de 2026). «Projeto de requalificação da Praça do Reggae é aprovado no Iphan». A TARDE. Consultado em 18 de junho de 2026
  4. 1 2 Martins, James (7 de novembro de 2019). «Abandonada, Praça do Reggae comemora 20 anos como depósito de lixo». Metro 1. Consultado em 18 de junho de 2026
  5. 1 2 3 4 Movimento Popular Pela Igualdade Étnica/Racial e Pela Representatividade; Círculo Palmarino (30 de outubro de 2011). «Praça do Reggae». Afropress. Cópia arquivada em 20 de outubro de 2021
  6. 1 2 Redação BSF (13 de maio de 2024). «Dia do Reggae: Praça do gênero musical segue sem reforma há 12 anos». Bahia sem Fronteiras. Consultado em 18 de junho de 2026
  7. 1 2 3 4 Uriarte, Urpi Montoya (2019). Entra em beco, sai em beco: formas de habitar o Centro: Salvador e Lisboa. Salvador: EDUFBA. 367 páginas. ISBN 978-85-232-1844-7. Consultado em 18 de junho de 2026
  8. ↑ Salvador, Lei nº 5817, de 29 de novembro de 2000. Institui a data 11 de maio como o Dia do Reggae.
  9. ↑ Jorge, Gilson (22 de novembro de 2015). «Museus e patrimônio cultural também são atividades para pessoas e empresas». Jornal A TARDE - Caderno Empregos Concursos e Negócios. Consultado em 18 de junho de 2026
  10. ↑ Miyazono, Shizue (6 de fevereiro de 2019). «Abandonada, Praça do Reggae vira depósito de lixo e banheiro para moradores em situação de rua no Pelourinho». Bnews. Consultado em 18 de junho de 2026
  11. ↑ Abreu, Yuri (1 de junho de 2026). «Reforma da Praça do Reggae entra em fase decisiva em Salvador». A TARDE. Consultado em 18 de junho de 2026

Ligações externas