O reggae no Brasil refere-se ao gênero musical originado na Jamaica, que chegou ao país na década de 1970. O estilo chegou à cidade brasileira de São Luís, Maranhão, onde os discos produzidos no país caribenho começaram a ser difundidos. E também possui forte presença na cidade brasileira de Salvador (estado da Bahia), onde a cultura afro exerce grande influência.
O reggae é um gênero baseado no ska e no rocksteady, estilos dançantes das décadas de 1950 e 1960, por sua vez profundamente inspirados no rhythm and blues (R&B) norte-americano e em ritmos caribenhos, além do movimento político-religioso rastáfari. Para alguns pesquisadores, o ska teria chegado ao país ainda nos anos 1960 com artistas associados com a Jovem Guarda e o iê-iê-iê como Wanderléa e Renato e Seus Blue Caps, acompanhada pela banda, Wanderléa grava Meu Bem Lollipop no álbum Quero Você (1964), versão cover de My Boy Lollipop, a canção originalmente era no estilo vocal doo-wop do grupo The Cadillacs e ficou famosa por uma versão ska gravada por Millie Small também em 1964. Já em seu álbum Isto É Renato E Seus Blue Caps (1965), a banda grava Escândalo, versão de Shame and Scandal in the Family do cantor de calipso Sir Lancelott, que havia sido transformada em ska por Peter Tosh e The Wailers no mesmo ano. Anos mais tarde The Wailers se tornaria mundialmente conhecida como a banda de Bob Marley, e Peter Tosh seguiria uma bem-sucedida carreira solo, ambos sendo consagrados como ícones máximos do reggae. Para Carlos Albuquerque em seu livro O eterno verão do reggae (1997), o ska da época se parecia com a Jovem Guarda por suas letras românticas, ele argumenta que Menina Linda, versão de I Should Have Known Better dos Beatles, gravada no álbum Viva a Juventude! (1965), se parece com My Boy Lollipop. Curiosamente, até mesmo os Beatles chegaram a expermimentar o estilo em Ob-La-Di, Ob-La-Da, lançada em 1968, uma canção considerada um ska pop. Tanto Renato e Seus Blue Caps, quanto Wanderléa não tinham conhecimento sobre o gênero, com as canções sendo mais dois hits da música pop que tiveram versões, o pioneirismo dessas versões só seriam reconhecido décadas mais tarde.
O primeiro contato dos brasileiros com uma banda do gênero foi através da apresentação de Jimmy Cliff no Festival Internacional da Canção em 1968 na cidade do Rio de Janeiro. No mesmo ano, Cliff chegou a lançar o álbum Jimm Cliff in Brazil, o álbum traz releituras de canções brasileiras como Serenou e Andança essa última teve um novo título em inglês, The Lonely Walker.
Na década de 1970 o reggae se estabeleceu no Brasil por duas vias principais: a vanguarda da MPB e do rock e uma forte assimilação regional.
O terreno para essa recepção pela elite artística havia sido preparado pelo Tropicalismo. Liderado por baianos como Caetano Veloso e Gilberto Gil, o movimento do final dos anos 1960 operou uma renovação radical na música brasileira, fundindo tradições nacionais (como o baião e a cultura popular) com tendências estrangeiras (o rock psicodélico e a pop art). Sua filosofia antropofágica de deglutir influências externas para criar algo novo criou um ambiente propício para que, na década seguinte, o reggae fosse incorporado como mais uma fonte sonora válida e transformadora.
Fundindo tradições nacionais (como o baião e a cultura popular) com tendências estrangeiras (o rock psicodélico e a pop art). A Tropicália desafiava diversos padrões estéticos estabelecidos, como o uso da guitarra elétrica, criticado por seu estrangeirismo e rejeitado pelos puristas da MPB tradicional. Sua filosofia antropofágica de deglutir influências externas para criar algo novo criou um ambiente propício para que, na década seguinte, o reggae fosse incorporado como mais uma fonte sonora válida e transformadora.
Assim em 1972, o cantor e compositor Caetano Veloso gravou no Brasil a canção Nine Out of Ten no álbum Transa, com participações de Gal Costa e Angela Ro Ro, que é considerado um marco na história do reggae brasileiro. O cantor baiano conheceu o reggae durante o exílio em Londres em 1971, onde Bob Marley já era febre. O álbum Transa não possui superhit, a ponto do álbum ser deixado de lado nos shows de Caetano Veloso o Brasil. Mas o álbum foi reconhecido na época de 2010 com o culto aos grooves raros no país por DJs e colecionadores de vinil, tornando-se obrigatório nas listas de melhores discos brasileiros de todos os tempos, com uma experimentação cosmopolita de Londres de 70. Sobre isso, Caetano comentou:
Tem a Nine out of Ten, a minha melhor música em inglês. É histórica. É a primeira vez que uma música brasileira toca alguns compassos de reggae, uma vinheta no começo e no fim. Muito antes de John Lennon, de Mick Jagger e até de Paul McCartney. Eu e o Péricles Cavalcanti descobrimos o reggae em Portobelo Road e me encantou logo. Bob Marley & The Wailers foram a melhor coisa dos anos 70. Gosto do disco todo.
Artistas como Bob Marley, Jimmy Cliff e Burning Spear tornaram-se inspirações fundamentais para o compositor Gilberto Gil, por sua vez, aprofundou-se no estilo alguns anos depois, desenvolvendo uma conexão singular. A semelhança rítmica entre a batida do reggae e o xote, gênero nordestino de origem europeia (da schottische) dançado aos pares, tendo Luiz Gonzaga como sua primeira influência musical", o levou a experimentar fusões entre os dois estilos, ao ouvir reggae pela primeira vez, por meio de Gilberto Gil, o sanfoneiro Dominguinhos (1941 – 2013) definiu como um "xotezinho sem vergonha. Gil experimentou a fusão do reggae com o xote na canção No Norte da Saudade composta com Perinho Santana e Moacyr Albuquerque gravada no álbum Refavela de 1977 onde também gravou Sandra, também influenciado pelo ritmo jamaicano no álbum Realce (1979), grava uma versão em português da canção No Woman, No Cry de Bob Marley, intiulada Não chores mais. A versão brasileira ultrapassou 500 mil cópias vendidas. No mesmo ano, outras gravações são apontadas como reggae, são elas: Ide A Mim Dada de Raul Seixas, Hino de Duran de Chico Buarque e É Amor de Baby do Brasil, uma versão de Is This Love, Marley.
A presença do reggae foi tão grande na cidade de São Luís, que de acordo com a mestra em Ciências Sociais da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) Karla Freire, através dos marinheiros que chegavam à zona portuária da cidade e faziam permuta de discos produzidos no país caribenho por serviços, que a cidade incorporou o gênero em seus eventos culturais e festivais. Segundo relatos, algumas moradores também conseguiam captar ondas-curtas das rádios caribenhas, devido a proximidade geográfica. O Maranhão possui a peculiaridade de ser o primeiro local no mundo onde este gênero musical é dançado a dois ("agarradinho” em referência a forma de dança dos ritmos caribenhos), além de levar a criação de uma vertente musical chamado de reggae maranhense. De acordo com a radialista Bebel Chaves, do programa Cultura Reggae, o estado brasileira do Pará, também é um dos berços do reggae no Brasil junto com o estado do Maranhão, devido a ligação cultural entre as regiões (que já foram da mesma região o Estado do Maranhão) e os navios do Caribe que aportavam nas zonas portuárias de suas capitais. A radialista afirma ainda que o reggae veio acompanhado dos gêneros merengue, zouk e, calipso. E o músico e cientista social Marcos Guimarães da banda Adão Negro também afirma que na Bahia o reggae chegou junto com esses ritmos caribenhos. Somado ao movimento negro em Salvador e a reafricanização do carnaval local com os blocos afros.
A mestra em Ciências Sociais da UFMA Karla Freire afirma que, inicialmente o reggae em são Luís era chamado de música estrangeira lenta, as pessoas não conheciam sua origem e, não entendiam a letra e a língua inglesa. Mas o reggae conquistou uma juventude negra moradora da periferia, que adotaram o gênero como elemento de identificação cultural pela semelhança com as manifestações culturais como o bumba-meu-boi e o tambor de crioula. Mas relação do gênero em geral com a população não foi tranquila, a elite local da então “cidade fundada por franceses” e “Atenas brasileira” discriminava o gênero e seus fãs, sendo associado por jornais à violência e ao consumo de drogas, aparecendo nas páginas policiais, além de ser acusado como uma cultura importada e aculturada. O cenário de preconceito começou a mudar na década de 1990, quando o reggae foi conquistando espaço nos clubes e o público da classe média.
Em 1974, os soteropolitanos consideram o Grupo Arembepe (formado pelos músicos Carlos Lima, Chico Evangelista, Kiko Tupinambá e, Dinho Nascimento) como a primeira banda brasileira que assumiu um gênero semelhante ao jamaicano gravando o álbum com a música Lá na Esquina, uma mistura de soul com reggae. Em seu álbum Tim Maia Racional, Vol. 1 (1975), dedicado a seita OVNI Cultura Racional, Tim Maia grava Imunização Racional (Que Beleza), uma fusão entre soul e reggae, algo que já ocorre no reggae jamaicano. Em 1977, Jards Macalé gravou Negra melodia, parceria com Waly Salomão em homenagem a Luiz Melodia, a canção está presente no álbum Contrastes. Arembepe mudou-se para São Paulo, onde Chico Evangelista em 1978 gravou o Reggae da Independência, uma música solo em homenagem ao dia 2 de julho. Enquanto isso no Pelourinho em Salvador, o policial Albino Apolinário criou em 1978 o Bar do Reggae.
No final da década de 1970, surgiram as primeiras bandas de reggae no Brasil, como o Grupo Karetas em Recife, Pernambuco, considerada a primeira brasileira exclusiva do gênero. Nesse período, também começaram a ser produzidos os primeiros álbuns brasileiros, influenciado pela visita de Bob Marley no país em 1980 pela gravadora alemã Ariola Discos no Brasil e pela turnê de Gilberto Gil junto com Jimmy Cliff (na Fonte Nova), que contribuíram para a rápida popularização do reggae no Brasil.
Na cidade de Belém (estado do Pará), Ras Margalho é considerado um dos pioneiros DJs de reggae que teve seu primeiro contato com o gênero na década de 1970 como percussionista, um projeto de preservação e valorização da história do gênero na capital paraense e no país com acervo de vinis raros Outros divulgadores do reggae na cidade há quase 30 anos foram: Ras Alvin, que possuía uma banca de discos no centro da cidade com raridades do ritmo jamaicano, e; Ras Fernando que fundou o primeiro clube de reggae no quintal da sua residência, chamado de “Toca do Reggae”. Que foi seguido por vários outros clubes: Espaço do Reggae, Coisa de Negro, Coco Verde, Porto Solamar, além da criação de programas de rádio, como o “Cultura Reggae” comandado pela radialista Bebel Chaves; “Reggae Vibration” com Roberto Pinheiro, e; “Sintonia do Reggae”, comandado por Enilson Nonato.
Bob Marley esteve no Brasil em março de 1980, trazido pela gravadora Ariola para ações de divulgação. Aos repórteres, declarou: “O reggae tem a mesma raiz, o mesmo calor e o mesmo ritmo do samba". Apaixonado por futebol, jogou na Gávea ao lado de jogadores do Flamengo, como Zico e Júnior, comentou que tinha vontade de conhecer Gilberto Gil, o que acabou não acontecendo durante sua breve visita ao país. Especulou-se que Marley poderia retornar ao Brasil em setembro de 1980 para participar de um festival de reggae no Maracanãzinho, evento que nunca chegou a acontecer. Menos de dois anos após sua visita, em 11 de maio de 1981, Bob Marley faleceu aos 36 anos, vítima de um câncer.
Na década de 1980, Gil gravaria outra canções no estilo como Extra, do álbum de mesmo nome, lançado em 1983 e Vamos Fugir, coescrita com Liminha e gravada com o The Wailers no álbum Raça Humana de 1984.
A chamada massa regueira começa a lotar os bailes na periferia de São Luís. Em 1984, surgiu o primeiro programa de rádio dedicado exclusivamente ao reggae, Reggae Night, na rádio Mirante FM, apresentado por Fauzi Beydoun e o jornalista e DJ Ademar Danilo, seguido por programas de televisão locais, como o Conexão Jamaica, da TV Difusora. Também foram formadas as primeiras bandas locais, como a Tribo de Jah. E no Pará a primeira banda foi criada em 1988 chamada de Nego Jô e Leões de Soweto. Também na década de 1980, o cantor e compositor gaúcho Luís Vagner, ex-membro da banda de rock Os Brasas durante a Jovem Guarda e um dos expoentes do samba-rock adiciona o reggae a seu som. Além do reggae roots, desenvolveram-se algumas variantes de reggae fusion, ainda na década de 1980 em Salvador na Bahia surgiu o samba-reggae, criado por Neguinho do Samba e Lazzo Matumbi (do bloco afro Ilê Aiyê), o estilo teve expoentes como Margareth Menezes e Olodum. No início dos anos 80, o Brasil vivia um boom do rock impulsionado pelo pelo que ficou conhecido como "BRock". Bandas emergiam de todo o país, inspiradas pela energia do punk, da new wave e do pós-punk britânico. Dentro dessa cena efervescente, o reggae e o ska também encontraram espaço, sendo incorporados ao rock de bandas como como Os Paralamas do Sucesso influenciada pelas fusões da banda de rock britânica The Police, Em 1986, Os Paralamas do Sucesso lançaram seu terceiro álbum Selvagem?, repleto de crítica social, o álbum traz A Novidade, canção composta pelo líder da banda, Herbert Vianna e Gilberto Gil, que também participa da gravação de Alagados, a canção traz elementos de juju, um ritmo africano (também experimentado por Gil) e samba. O ska também estava presente em trabalhos de outras bandas emblemáticas, como Titãs, em "Sonífera Ilha", e Ultraje a Rigor, em Nós Vamos Invadir sua Praia.
Em 1988, o baiano Edson Gomes lança seu primeiro álbum Reggae Resistência, fazendo canções com crítica social e mais fiel ao roots reggae.
A radialista Bebel Chaves afirma que na década de 1980 na cidade de Belém o reggae era erroneamente associado ao uso de drogas (música de maconheiro), dificultando sua veiculação nas rádios locais, sendo então marginalizado. Somente no início da década de 1990 surgiu o primeiro programa dedicado ao reggae na Rádio Cultura do Pará, chamado Sunsplash Radio Reggae apresentado pelo radialista Tony Soares.
Skank foi uma das expoentes do rock brasileiro dos anos 1990, também trazendo influência de The Police, a banda inovou ao incorporar estilos eletrônicos jamaicanos como o dub e o dancehall, em seu início, a banda alternava entre sucesso dançantes e a crítica social.
Entre as bandas dedicadas exclusivamente ao reggae, destacou-se o Cidade Negra, fundado em 1986 na cidade Belford Roxo, Rio de Janeiro, por Bino Farias (baixo), Ras Bernardo (vocal), Da Ghama (guitarra solo e vocais de apoio) e Lazão (bateria, percussão e vocais de apoio). Em 1990, o grupo lançou seu álbum de estreia Lute para Viver, que teve participação do cantor Jimmy Cliff, que morou um tempo em Salvador, tendo também com Margareth Menezes, Olod e Titãs. Em 1992, no álbum Breakout, Cliff grava a canção Samba Reggae, com participação da banda Araketu. O Cidade Negra uma uma mudança para uma sonoridade mais pop com elementos de música eletrônica, soul e até mesmo rap, transitando entre letras românticas e a crítica social. Essa mudança não agradou o vocalista Ras Bernardo, em seu lugar, entrou Toni Garrido, ex-vocalista da banda Bel (que misturava samba com soul e funk), a guinada agradou o público, consolidando o grupo no cenário mainstream. Em seu terceiro álbum, Sobre Todas as Forças, lançado em 1994, a banda teve a colaboração do cantor de dancehall Shabba Ranks. Ranks esteve no Brasil para a primeira etapa do M2.000 Summer Concerts. Ras Bernardo seguiu em carreira solo, mas manteve amizade com os antigos amigos da banda, em 1996, lançou seu primeiro álbum solo, Atitude pátria.
A cultura regional (o maranhês) também possui termos específicos como por exemplo: pedra de responsa e pedrada, adjetivos criados que representam o reggae envolvente e de qualidade; o termo melô é a forma como os DJs nomeiam certas músicas, para esconder a verdadeira identidade desta e evitar o acesso da concorrência; o termo radiola que representa bailes com DJ sistema sonoro na forma de um “paredão” formado por caixas de som empilhadas (semelhante a festa de aparelhagem, e a rave). A radióla popularizou-se tanto no estado, que só a capital conta com mais de 200 aparelhagens sonoras, e também foram criadas batalhas para saber qual tinha maior potencia sonóra.
Ma década de 1990, jovens moradores da periferia de Belém, criaram equipes/associações nos bairros ligados a cultura do reggae: Movimento Cultural Unidos pelo Reggae do Bairro da Guanabara, Movimento Reggae do Aura, Movimento Marcus Garvey, Movimento Revolução do Reggae, Jah Love, Triunfo de Jah, Movimento Velha Guarda e, Família Jack Brown. Algumas associações atuam como centros comunitários sociais, lutando por melhorias na área (saneamento básico, saúde, empoderamento racial) e, são filiados à Associação Cultural dos Movimentos de Reggae de Belém e Ananindeua – AMOR e o Conselho Municipal do Negro de Belém e a Associação Paraense da Cultura Reggae (APC-REGGAE). Que desde 1997 promovem anualmente o festival solidário Tributo a Bob Marley no dia 11 de maio, que atualmente é administrado pela Associação Paraense da Cultura Reggae.
Em 1993, surgiu no Rio de Janeiro, a ONG Grupo Cultural AfroReggae, que lança a banda AfroReggae, misturando reggae com outros estilo afro. Além da banda AfroReggae, surgiram outras ramificações, como a banda Afrolata inspirada em bandas percussivas como Olodum, Timbalada e Funk'n'Lata de Ivo Meirelles.
Também em 1993, é formada uma banda para acompanhar o cantor caribenho Papa Winnie, composta por Marcelo Lobato, Alexandre Menezes, o Xandão e Marcelo Yuka, após essas apresentações, o grupo procurou um vocalista, sendo escolhido Marcelo Falcão, a banda foi batizada de O Rappa, seu som mistura reggae, rock e rap, com letras com crítica social. Também 1993, surge o Planet Hemp, formado por Marcelo D2 (voz), B Negão (voz), Skunk (voz), Rafael (guitarra), Formigão (baixo) e Bacalhau (bateria), a banda misturava reggae, rock e rap e letras de defesa da descriminalização da maconha.
Outro nome de destaque no reggae brasileiro é o Natiruts, formado em 1996 por Alexandre Carlo (vocal e guitarra), Luís Maurício (baixo), Juninho (bateria), Bruno Dourado (percussão) e Izabella Rocha (backing vocals), inicialmente sob o nome Nativus, que lançou seu primeiro álbum homônimo em 1997. A banda também flertou com estilos eletrônicos como o dancehall e até a música brasileira. Em 2001, por conta dos vinte anos da morte de Bob Marley, Tribo de Jah lançou o álbum tributo A Bob Marley, contendo a participação de Samuel Rosa, vocalista do Skank, Marcelo Falcão da banda O Rappa e Chorão da banda Charlie Brown Jr..
.Entre 27 de abril e 8 de maio de 1996, é realizado o festival Ruffles Reggae, organizado pela empresa de alimentos Elma Chips, o evento por dez cidades brasileiras: Belém, Salvador, Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre. A primeira edição contou com as presenças de Ziggy Marley, Inner Circle, Big Mountain, Lucky Dube e Olodum.
Também em 1996, surge a banda Farofa Carioca, misturando samba, reggae, hip-hop e soul, formada por Bertrand Doussain e Seu Jorge, Sandrinho Carioca, Valmir Ribeiro, Wellington Coelho e Sérgio Granja, trazendo letras sobre racismo e violência urbana.
A década de 1990 também testemunhou o surgimento do forró universitário, marcado pela fusão de ritmos de xote e reggae.
Em 2000, ganharam destaque bandas de forró universitário como Circuladô de Fulô, da qual o cantor Edu Ribeiro fez parte antes de seguir carreira solo com foco no reggae. O Skank resolve mudar sua sonoridade, se consolidando como uma banda de rock, retirando o naipe de metais, mas ainda com uso da música eletrônica.
Em 2001, Bi Ribeiro, baixista dos Os Paralamas do Sucesso lança o projeto paralelo Reggae B, Outros os membros são João Fera (tecladista dos Paralamas) e Jean Pierre (ex-Cidade Negra) nos teclados, Cláudio Menezes (AfroReggae) na guitarra, Marlon (Vitória Régia) e Bidu Cordeiro (Paralamas) nos trombones, Ronaldo Silva (tocou com Caetano Veloso e é filho do percussionista Robertinho Silva) na bateria, Valnei Ainê (Negril) nos vocais, e Black Alien (ex-Planet Hemp).
Em 2002, Gilberto Gil lança Kaya N'Gan Daya, um álbum em tributo a Bob Marley no Dia da Abolição da Escravatura no Brasil. Para completar a homenagem parte deste álbum foi gravado na Jamaica. Em 2003, Tribo de Jah homenageia alguns DJs paraenses e maranhenses na canção Pioneiros do Reggae” do álbum Guerreiros da Tribo, a letra cita Rasta Alvim, Ras Margalho, Riba Macedo, Zé Roxinho, Viegas, Natty Nayfson, Chico do reggae e, Serralheiro., Outros artistas brasileiros em destaque nessa década foram Armandinho, Ponto de Equilíbrio, Adão Negro, Planta & Raiz, Maskavo e Maneva. Em 2008, Toni Garrido deixa o Cidade Negra, em seu lugar entrou Alexandre Massau ex-vocalista das bandas mineiras Berimbrown e Preto Massa. Logo em seguida, Da Ghama também sai e investe em carreira solo.
Na década de 2010, imigrantes africanos chegaram na cidade brasileira de São Paulo, se consolidando na região central da cidade, na República, com moradias, comércios e, festas. Como por exemplo na Galeria Presidente, conhecida como a Galeria do Reggae, onde mulheres oferecem serviços relacionados a cultura regueira, como tranças, rastafáris e perucas.
Em 2011, Toni Garrido voltou a se apresentar com o Cidade Negra. No entanto, sua volta oficial só ocorreu no fim de 2012, quando se juntou à banda nas gravações do álbum Hei, Afro!, lançado em 2012.
Em 2012, quando o falecimento de Bob Marley completou 31 anos, Dilma Rousseff a então presidente do Brasil homenageou o cantor jamaicano, o principal difusor do gênero, e o reggae instituindo o Dia Nacional do Reggae, que é comemorado anualmente em 11 de maio (dia do falecimento de Marley em 1981).
Em 18 de janeiro de 2018, foi inaugurado o Museu do Reggae, localizado no Centro Histórico de São Luís, sendo o primeiro museu temático do ritmo criado fora da Jamaica, onde estuda-se e valoríza-se a cultura regueira jamaicana e, preserva objetos ligados a cultura regueira maranhense como por exemplo discos e radiolas. Este museu possui cinco ambientes: a Sala dos Imortais homenageia os destaques do reggae maranhense falecidos; nos outros ambientes, homenageia-se os clubes de baile de São Luís, como o: Clube Pop Som, Clube Toque de Amor, Clube União do BF e, Clube Espaço Aberto. No Centro Histórico de São Luís, existe um roteiro turístico com guia especializado que conduz os visitantes aos lugares que foram representativos na história do reggae no Brasil, com apresentação de grupo de dança do ritmo, como por exemplo na Praça do Reggae, localizado nas esquina das ruas de Nazaré e da Estrela, no Centro Histórico que recebe atrações musicais. Em Belém do Pará foi criado o Museu Belém Reggae Music Studio, um Ponto de Cultura Estadual mantido pelo DJ Ras Margalho.
Em dezembro de 2018, Toni Garrido fez o registro da marca registrada "Cidade Negra" no Instituto Nacional da Propriedade Industrial. Em fevereiro de 2019, o guitarrista Da Ghama também fez o registro da banda e foi indeferido. Uma vez que esse acabou sendo concedido para Toni Garrido, Da Ghama formou o projeto Originais Cidade, com o baterista Lazão e o primeiro vocalista do Cidade Negra, Ras Bernardo. Da formação original, apenas Bino Farias permaneceu com Toni Garrido.
Fortalecendo a ligação entre São Luís e a Jamaica, que no pensamento coletivo dos brasileiros batizou a capital maranhense como a Jamaica Brasileira, em 2023 este foi oficialmente registrada como a Capital Nacional do Reggae.
Em 2024, foi lançado o documentário Reggae em Belém do Pará do jornalista Carlos Rodrigues, que apresenta o impacto do gênero na cidade desde a década de 1970 e o movimento regueiro, a partir de depoimentos de fã e artistas, registro de shows internacionais, e imagens de clubes de reggae.