

Turma da Colina foi um grupo de jovens brasileiros que se reuniam na Colina, uma área habitacional da Universidade de Brasília (UnB), que entre o final da década de 70 e o começo dos anos 80, atuou como núcleo de sociabilidade, circulação musical e debate cultural que deu origem a parte significativa da cena do rock de Brasília. Dessa turma faziam parte diversos nomes que se tornariam famosos e formariam bandas que despontariam no cenário nacional como Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude. É considerado um dos primeiros movimentos culturais de Brasília.
A “Colina” era um conjunto de prédios habitacionais vinculados à Universidade de Brasília, onde moravam filhos de servidores públicos, professores e diplomatas, ou seja, um espaço com circulação cosmopolita e acesso a materiais culturais raros na época. Entre o final da década de 70 e o começo da década de 80, um grupo de jovens, entediados com a cidade, passou a se reunir regularmente para ouvir música, trocar discos e tocar. Esse convívio entre jovens com acesso a rádio, discos importados e formação escolar produziu condições favoráveis ao surgimento de bandas autorais locais. Nessa turma estavam figuras como Renato Russo, Fê Lemos e Flávio Lemos, André Pretorius, Philippe Seabra, entre outros. Esses jovens eram nada menos que o futuro do rock brasileiro.
Foi nesse contexto que o punk foi, literalmente, apresentado para aqueles jovens. Por volta de 1978, entrou para a turma André Pretorius, filho do embaixador da África do Sul, que trazia consigo uma vasta bagagem cultural e política. André trouxe, de uma de suas viagens à Europa, vários discos de punk rock daquele período. Como naquela época o material era muito difícil de ser achado, virou logo referência da turma que tinha como "guru" Renato Russo. O conteúdo do repertório e a atitude do punk contribuíram para a formação sonora e estética das primeiras bandas nascidas da Turma da Colina. Essas trocas culturais ocorreram paralelamente a experiências formativas (aulas, debates, leituras) e à circulação em palcos locais que, junto ao contexto político de redemocratização do país, alimentaram letras e posturas que viriam a marcar o rock brasiliense.
A Turma da Colina é considerada um nó central na constituição de uma identidade musical brasiliense que, nas décadas seguintes, teve grande repercussão nacional. A importância do grupo é frequentemente evocada em documentários, cinebiografias e estudos sobre o rock nacional, como no documentário Rock Brasília - Era de Ouro (dir. Vladimir Carvalho, 2011) (que ganhou o prêmio de Melhor Documentário no Festival Paulínia de Cinema de 2011) e o filme Somos Tão Jovens, (dir. Antonio Carlos da Fontoura, 2013), além de livros (O Diário da Turma 1976-1986, Paulo Marchetti, 2011) que reúnem depoimentos dos protagonistas e análises críticas do período.