Os Prêmios Pulitzer (pronunciado em inglês: /ˈpʊlɪtsər/, aproximadamente "PÚL-it-sər") são 23 prêmios anuais dos Estados Unidos por trabalhos em "jornalismo, artes e letras", administrados pela Universidade Columbia, em Nova Iorque. Foram criados em 1917 pelo testamento de Joseph Pulitzer, imigrante húngaro-americano e editor de jornais, cuja doação também fundou e financiou a Escola de Jornalismo da Universidade Columbia. Entregues pela primeira vez em junho de 1917, estão entre as honrarias nacionais de maior reconhecimento no jornalismo dos Estados Unidos.
Os prêmios são concedidos a cada primavera após recomendações do Conselho do Prêmio Pulitzer. Seus integrantes com direito a voto são, em sua maioria, jornalistas e executivos de organizações de notícias, além de acadêmicos e pessoas das artes. O reitor da escola de jornalismo de Columbia e o administrador dos prêmios participam sem direito a voto. Quinze Prêmios Pulitzer são destinados ao jornalismo e oito a livros, teatro e música. Três finalistas são indicados para cada prêmio. Todas as categorias passam primeiro por um júri, que indica os finalistas, e o conselho escolhe um vencedor entre eles. O conselho também pode transferir inscrições entre categorias ou decidir que nenhum prêmio será concedido em determinada categoria.
Cada prêmio inclui um certificado e US$ 15.000, com exceção da categoria Serviço Público, na qual a organização de notícias vencedora recebe uma medalha de ouro. O valor em dinheiro mudou ao longo dos anos. A quantia passou de US$ 10.000 para US$ 15.000 a partir dos prêmios de 2017.
História
Certificado do Prêmio Pulitzer de 1924 em autobiografia concedido a Michael Pupin. O documento foi baseado no diploma da Universidade Columbia.
O editor de jornais Joseph Pulitzer destinou dinheiro em seu testamento à Universidade Columbia para abrir uma escola de jornalismo e criar o Prêmio Pulitzer. Foram reservados US$ 250.000 para o prêmio e para bolsas de estudo. Pulitzer especificou "quatro prêmios em jornalismo, quatro em letras e teatro, um em educação e quatro bolsas de viagem".
Após sua morte, em 29 de outubro de 1911, os primeiros Prêmios Pulitzer foram entregues em 4 de junho de 1917. Os prêmios passaram a ser anunciados em maio. Em 2026, por exemplo, os vencedores e finalistas foram anunciados em 4 de maio. O Chicago Tribune, sob o controle do coronel Robert R. McCormick, considerava o Pulitzer pouco mais que uma "sociedade de admiração mútua" e não o levava a sério. O jornal recusou-se a concorrer enquanto McCormick esteve à frente da publicação, até 1961.
No Brasil, o Prêmio Esso foi criado em 1955 a partir do modelo do Pulitzer e tornou-se uma referência semelhante no jornalismo brasileiro.
O Prêmio Pulitzer não avalia automaticamente todas as obras elegíveis publicadas na imprensa ou produzidas nas artes. Em geral, considera apenas aquelas que foram formalmente inscritas e cuja conformidade administrativa foi verificada pela equipe do administrador. Cada inscrição precisa se enquadrar em pelo menos uma categoria específica. Uma obra não entra na disputa apenas por ser literária ou musical. Independentemente de suas características, cada trabalho pode ser inscrito em no máximo duas categorias pertinentes.
Os participantes nas categorias de Livros, Teatro e Música precisam ser cidadãos dos Estados Unidos, residentes permanentes ou pessoas que considerem os Estados Unidos sua residência principal de longo prazo. A obra elegível, porém, deve ser publicada por uma entidade sediada nos Estados Unidos. Nas categorias de Jornalismo não há restrição de nacionalidade, desde que o trabalho inscrito tenha sido publicado por uma publicação sediada nos Estados Unidos.
A cada ano, mais de cem jurados são escolhidos pelo Conselho do Prêmio Pulitzer para integrar 22 júris separados que avaliam as 23 categorias. Um mesmo júri faz recomendações para os dois prêmios de fotografia. A maioria dos júris tem cinco integrantes. Serviço Público, Reportagem Investigativa, Reportagem Explicativa, Escrita Especial, Comentário e Reportagem em Áudio têm sete jurados. Todos os júris de livros têm cinco integrantes. Cada júri apresenta três indicações para sua categoria. O conselho escolhe o vencedor por maioria de votos entre os indicados. Também pode deixar as indicações de lado e escolher outra inscrição, desde que obtenha 75% dos votos. O conselho pode ainda decidir não conceder um prêmio. Integrantes do conselho e jurados de jornalismo não recebem pagamento pelo trabalho. Jurados das áreas de letras, música e teatro recebem honorários pelo ano.
Inscritos e finalistas indicados
Qualquer pessoa cujo trabalho tenha sido submetido é chamada de inscrito. O júri escolhe um grupo de finalistas indicados e divulga seus nomes junto ao vencedor de cada categoria. Alguns jornalistas e autores cujos trabalhos foram apenas inscritos, sem chegar à condição de finalistas, ainda assim afirmam em material promocional ter sido "indicados ao Pulitzer".
O Conselho do Pulitzer recomenda que os participantes não se apresentem dessa maneira. A seção de perguntas frequentes do site explica a política da seguinte forma: "Os finalistas indicados são escolhidos pelos júris de indicação de cada categoria como finalistas da competição. O Conselho do Prêmio Pulitzer geralmente escolhe os vencedores entre os três finalistas indicados de cada categoria. Os nomes dos finalistas indicados só passaram a ser divulgados em 1980. Um trabalho submetido à consideração do prêmio, mas que não tenha sido escolhido como finalista indicado nem vencedor, é chamado de inscrição ou submissão. Nenhuma informação sobre os inscritos é fornecida. Desde 1980, quando começamos a anunciar os finalistas indicados, usamos o termo 'indicado' para os inscritos que se tornaram finalistas. Desaconselhamos alguém a dizer que foi 'indicado' a um Pulitzer simplesmente porque uma inscrição nos foi enviada."
Bill Dedman, da NBC News, vencedor do prêmio de reportagem investigativa de 1989, apontou em 2012 que a jornalista financeira Betty Liu aparecia como "indicada ao Prêmio Pulitzer" na publicidade da Bloomberg Television e na capa de seu livro. Jonah Goldberg, da National Review, fazia afirmação semelhante sobre uma "indicação ao Pulitzer" para divulgar seus livros. Dedman escreveu: "Chamar essa inscrição de 'indicação' ao Pulitzer é como dizer que Adam Sandler é indicado ao Oscar se a Columbia Pictures inscrever That's My Boy no Óscar. Muitos leitores sabem que o Oscar não funciona assim. Os estúdios não escolhem os indicados. É apenas uma forma de colocar 'Academy Awards' numa biografia. O Pulitzer também não funciona assim, mas menos gente sabe disso."
Formalmente, o Prêmio Pulitzer de Serviço Público é concedido apenas a organizações de notícias, não a indivíduos. Em casos raros, colaboradores de uma inscrição são mencionados na citação oficial de maneira semelhante aos vencedores individuais. Os prêmios de jornalismo podem ser concedidos a indivíduos, jornais ou equipes de jornais. Em alguns casos, citações destinadas a uma equipe mencionam também colaboradores que tiveram participação específica no trabalho.
Premiados
O catálogo oficial do Prêmio Pulitzer reúne, por ano e por categoria, os vencedores e finalistas indicados desde a criação dos prêmios em 1917.
Categorias
Os prêmios são concedidos em categorias de jornalismo, artes, letras e ficção. Reportagens e fotografias publicadas por jornais, revistas e organizações de notícias sediados nos Estados Unidos, inclusive sites de notícias, podem concorrer aos prêmios de jornalismo quando a publicação opera regularmente. A partir dos prêmios de 2007, passou a ser permitido "um conjunto de elementos on-line em todas as categorias de jornalismo, exceto nas duas categorias de fotografia, que continuarão a restringir as inscrições a imagens estáticas". Em dezembro de 2008, foi anunciado que conteúdos publicados exclusivamente em veículos digitais seriam aceitos pela primeira vez.
Embora alguns vencedores ligados a revistas, entre eles Moneta Sleet Jr., tenham podido concorrer graças a parcerias elegíveis ou à publicação simultânea de seus trabalhos em jornais, o Conselho Consultivo do Prêmio Pulitzer e, depois, o Conselho do Prêmio Pulitzer resistiram por muitos anos à entrada de revistas na competição. Essa restrição esteve entre os fatores que levaram à criação do National Magazine Award na escola de jornalismo de Columbia, em 1966.
Em 2015, revistas passaram a poder concorrer pela primeira vez em duas categorias, Reportagem Investigativa e Escrita Especial. Em 2016, a elegibilidade foi ampliada para outras três, Reportagem Internacional, Crítica e Cartum Editorial. Naquele ano, Kathryn Schulz, em Escrita Especial, e Emily Nussbaum, em Crítica, ambas da The New Yorker, foram as primeiras profissionais ligadas a revistas a receber o prêmio sob os critérios ampliados.
Em outubro de 2016, revistas tornaram-se elegíveis em todas as categorias de jornalismo. Até então restrita a notícias locais de última hora, a categoria Reportagem de Última Hora foi ampliada em 2017 para abranger acontecimentos desse tipo em todo o território dos Estados Unidos.
As definições das categorias apresentadas no plano de premiação usado no fim de 2017 eram:
Serviço Público: para um trabalho de mérito em serviço público realizado por jornal, revista ou site de notícias com uso de seus recursos jornalísticos, incluindo reportagens, editoriais, cartuns, fotografias, gráficos, vídeos, bancos de dados, apresentações multimídia ou interativas e outros materiais visuais. Frequentemente colocado em primeiro lugar nas listas dos prêmios de jornalismo, é concedido apenas à organização de notícias vencedora. É o único Pulitzer entregue na forma de medalha de ouro.
Reportagem de Última Hora: para cobertura local, estadual ou nacional de notícias de última hora que registre os acontecimentos com precisão e rapidez e, à medida que a cobertura avance, amplie e contextualize as informações iniciais.
Reportagem Explicativa: para um trabalho de jornalismo explicativo sobre tema relevante e complexo, com domínio do assunto, texto claro e apresentação compreensível, usando qualquer recurso jornalístico disponível.
Reportagem Local: para cobertura de questões de interesse local, com originalidade e conhecimento da comunidade, usando qualquer recurso jornalístico disponível.
Reportagem Nacional: para cobertura de assuntos nacionais, usando qualquer recurso jornalístico disponível.
Escrita Especial: para texto de reportagem em que pesem sobretudo a qualidade da escrita, a originalidade e a concisão, com uso de qualquer recurso jornalístico disponível.
Comentário: para comentários jornalísticos, com uso de qualquer recurso disponível.
Crítica: para crítica, com uso de qualquer recurso jornalístico disponível.
Escrita Editorial: para editoriais avaliados pela clareza do estilo, propósito moral, consistência do raciocínio e capacidade de influenciar a opinião pública na direção que o autor julgue correta, usando qualquer recurso jornalístico disponível.
Cartum Editorial: para um cartum ou conjunto de cartuns com originalidade, eficácia editorial, qualidade do desenho e efeito visual, publicado como desenho estático, animação ou nos dois formatos.
Fotografia de Última Hora, antes chamada Fotografia de Notícias Pontuais: para fotografia de notícias de última hora em preto e branco ou em cores, formada por uma ou mais imagens.
Fotografia Especial: para fotografia especial em preto e branco ou em cores, formada por uma ou mais imagens.
Em 2020, foi criada a categoria Reportagem em Áudio. O primeiro prêmio foi dado a "The Out Crowd", episódio do programa de rádio público This American Life. No segundo ano da categoria, o Pulitzer foi concedido ao podcastNo Compromise, da NPR.
Há sete categorias de letras e teatro:
Biografia: para uma biografia, autobiografia ou livro de memórias escrito por autor americano.
Teatro: para uma peça de autor americano, de preferência baseada em material original e voltada à experiência dos Estados Unidos.
Ficção: para obra de ficção de um autor da literatura americana, de preferência voltada à experiência dos Estados Unidos.
Não Ficção Geral: para livro de não ficção de autor americano, devidamente documentado, que não possa concorrer em nenhuma outra categoria.
Dezenas de citações e prêmios especiais foram concedidos ao longo da existência do Pulitzer. Houve mais de dez nas áreas de Artes, Jornalismo e Letras e cinco por serviços ao próprio Prêmio Pulitzer. O mais recente destes últimos foi concedido a Joseph Pulitzer Jr. em 1987.
Além dos prêmios, quatro alunos da Graduate School of Journalism escolhidos pelo corpo docente recebem bolsas de viagem do Pulitzer.
Mudanças nas categorias
Ao longo dos anos, algumas categorias deixaram de existir porque seu escopo foi absorvido por outras áreas, porque a terminologia corrente mudou ou porque o próprio tipo de cobertura perdeu uso. Foi o caso dos prêmios de reportagem por telégrafo.
Um exemplo de ampliação de escopo foi o antigo Prêmio Pulitzer de Romance, concedido entre 1918 e 1947. Ele deu lugar ao Prêmio Pulitzer de Ficção, que também aceita contos, novelas e outras formas de ficção além do romance.
Cronologia das categorias do Prêmio Pulitzer
Área
Categoria ou sequência de categorias
Período
Jornalismo
Escrita Editorial
1917 em diante
Reportagem
1917–1947
Serviço Público
1917 em diante
História de Jornais
1918
Cartum Editorial → Reportagem Ilustrada e Comentário
1922–2021 → 2022 em diante
Correspondência
1929–1947
Reportagem Telegráfica Internacional → Reportagem Internacional
1942–1947 → 1948 em diante
Reportagem Telegráfica Nacional → Reportagem Nacional
1942–1947 → 1948 em diante
Fotografia → Fotografia de Notícias Pontuais → Fotografia de Última Hora
1942–1967 → 1968–1999 → 2000 em diante
Fotografia Especial
1968 em diante
Reportagem Local → Reportagem Local, Prazo de Edição → Reportagem Local Geral ou de Notícias Pontuais → Reportagem de Notícias Gerais → Reportagem de Notícias Pontuais → Reportagem de Última Hora
1918–1919, 1957, 1960–1961, 1973, 1977–1978, 1984, 1992 e 2006–2007
Música
1944, 1974, 1976, 1982, 1985, 1998–1999, 2006–2008, 2010 e 2019
Serviço ao Prêmio Pulitzer
1944, 1947–1948, 1976 e 1987
A categoria Reportagem Local foi dividida em duas em 1948. Essas linhas deram origem às atuais categorias de Reportagem de Última Hora e Reportagem Investigativa. Em 2007, uma nova categoria de Reportagem Local substituiu Reportagem de Área.
O Conselho do Prêmio Pulitzer, com dezenove integrantes, reúne-se duas vezes por ano, tradicionalmente na Joseph Pulitzer World Room do Pulitzer Hall, na Universidade Columbia. Entre seus integrantes estão editores, colunistas e executivos da imprensa, além de seis representantes da academia e das artes. Fazem parte do grupo o presidente da Universidade Columbia, o reitor da Columbia University Graduate School of Journalism e o administrador dos prêmios, que atua como secretário do conselho. O administrador e o reitor, que integrou o conselho desde sua criação até 1954 e voltou a integrá-lo em 1976, participam das discussões como membros ex officio, sem direito a voto.
Com exceção do presidente e do reitor, que permanecem enquanto ocupam seus respectivos cargos, e do administrador, reeleito a cada ano, os membros são escolhidos pelo próprio conselho para mandatos de três anos. Cada pessoa pode cumprir no máximo três mandatos. Na escolha dos integrantes do conselho e dos júris, considera-se a "excelência profissional e o vínculo, além da diversidade de gênero, origem étnica, distribuição geográfica e tamanho da organização de notícias".
Marjorie Miller, ex-editora da Associated Press e do Los Angeles Times, foi escolhida como administradora em abril de 2022. Ela sucedeu Dana Canedy, ex-editora sênior do New York Times, que ocupou o cargo de 2017 a 2020. Canedy foi a primeira mulher e a primeira pessoa não branca a assumir a função. Edward Kliment, vice-administrador do programa por muitos anos, tornou-se administrador interino em julho de 2020, quando Canedy assumiu os cargos de vice-presidente sênior e editora do principal selo homônimo da Simon & Schuster. Kliment não disputou o cargo permanente e voltou à função anterior quando Miller foi nomeada.
Além de Canedy, administradores anteriores foram John Hohenberg, a pessoa mais jovem a ocupar o cargo, entre 1954 e 1976, Richard T. Baker, professor da Graduate School of Journalism, de 1976 a 1981, Robert Christopher, ex-editor executivo da Newsweek, de 1981 a 1992, Seymour Topping, ex-editor-gerente do New York Times, de 1993 a 2002, Sig Gissler, ex-editor do Milwaukee Journal, de 2002 a 2014, e Mike Pride, ex-editor do Concord Monitor, de 2014 a 2017. Pride foi o único ex-integrante do conselho a ocupar a função. Antes da nomeação de Hohenberg, o programa era administrado em conjunto por professores da escola de jornalismo, entre eles o reitor Carl W. Ackerman, e funcionários da administração central de Columbia, em especial sob a direção de Frank D. Fackenthal.
Depois da aposentadoria de Joseph Pulitzer Jr., neto do fundador e presidente permanente do conselho durante 31 anos, em 1986, a presidência passou, em geral, a ser exercida a cada ano pelo integrante mais antigo, ou pelos mais antigos quando havia eleições simultâneas.
Desde 1975, o conselho toma todas as decisões sobre os prêmios. Antes disso, suas recomendações precisavam ser ratificadas por maioria de votos dos curadores da Universidade Columbia. Embora o escritório do administrador e sua equipe funcionem ao lado da escola de jornalismo no Pulitzer Hall, e alguns administradores tenham acumulado cargos docentes de tempo integral ou parcial na escola, conselho e administração operam separadamente dela desde 1950.:121
Prêmio de 1932: houve pedidos posteriores para que fosse revogado o Prêmio Pulitzer concedido ao jornalista Walter Duranty em 1932.
Prêmio de Romance de 1941: o conselho consultivo decidiu contrariar o júri e recomendar Por Quem os Sinos Dobram, de Ernest Hemingway. O presidente da Universidade Columbia, Nicholas Murray Butler, pediu que o comitê reconsiderasse por causa da possível associação entre a universidade e o conteúdo sexual explícito do romance. Nenhum prêmio foi concedido.:118 Doze anos depois, Hemingway recebeu o Prêmio de Ficção de 1953 por O Velho e o Mar.
Prêmio de Biografia de 1957:John F. Kennedy, então senador dos Estados Unidos e autor creditado de Profiles in Courage, foi acusado de ter recebido ampla ajuda de um escritor-fantasma no livro pelo qual ganhou o Pulitzer de Biografia. O jornalista Drew Pearson afirmou numa edição de The Mike Wallace Interview exibida em dezembro de 1957 que Kennedy era "o único homem na história que eu conheço que ganhou um Prêmio Pulitzer por um livro escrito para ele por um escritor-fantasma" e que seu redator de discursos, Ted Sorensen, era o verdadeiro autor. A ABC News retirou a alegação depois que Joseph P. Kennedy, pai de Kennedy, ameaçou processar a emissora. Herbert Parmet também concluiu que grande parte do livro havia sido escrita por outra pessoa. Em Jack: The Struggles of John F. Kennedy, de 1980, Parmet escreveu que Kennedy supervisionou a produção e determinou a orientação e a mensagem do livro, mas que Sorensen fez a maior parte do trabalho da versão final. Sorensen admitiu em sua autobiografia de 2008, Counselor: A Life at the Edge of History, que escreveu "um primeiro rascunho da maioria dos capítulos" e "ajudou a escolher as palavras de muitas de suas frases". Também se concluiu que dois dos oito senadores retratados no livro, Edmund G. Ross e Lucius Lamar, não correspondiam à forma como eram enaltecidos na obra.
Prêmio de Ficção de 1960: o júri recomendou Henderson the Rain King, de Saul Bellow, mas o conselho consultivo rejeitou a recomendação e premiou Advise and Consent, de Allen Drury.
Prêmio de Biografia de 1962:Citizen Hearst: A Biography of William Randolph Hearst, de W. A. Swanberg, foi recomendado pelo júri e pelo conselho consultivo. Os curadores da Universidade Columbia, então responsáveis pela ratificação final, rejeitaram a escolha porque Hearst não seria um "exemplo eminente da arte do biógrafo", expressão usada na definição do prêmio.
Prêmio de Teatro de 1963:Who's Afraid of Virginia Woolf?, de Edward Albee, foi escolhido pelo júri de teatro, mas o conselho consultivo se opôs aos palavrões e aos temas sexuais da peça, rejeitou a decisão do júri e não concedeu um Pulitzer de teatro naquele ano.
Prêmio de Ficção de 1974:Gravity's Rainbow, de Thomas Pynchon, foi recomendado pelos três integrantes do júri de ficção, mas o conselho consultivo rejeitou a escolha e os curadores não concederam o prêmio.
Pouco depois de receber uma citação especial por Roots na primavera de 1977, Alex Haley foi acusado de plágio em ações judiciais separadas de Harold Courlander e Margaret Walker Alexander. Courlander, antropólogo e romancista, afirmou que Roots havia copiado grande parte de seu romance The African, de 1967. Walker alegou que Haley havia plagiado seu romance Jubilee, de 1966, ambientado na época da Guerra Civil Americana. Os dois processos terminaram no fim de 1978. A ação de Courlander foi encerrada por acordo extrajudicial de US$ 650.000, equivalentes a cerca de US$ 3.2 milhões em 2025, além do reconhecimento por Haley de que alguns trechos de Roots haviam sido copiados de The African. O processo de Walker foi rejeitado. Ao comparar Roots e Jubilee, o tribunal concluiu que "não existem semelhanças passíveis de ação judicial entre as obras".
Prêmio de Escrita Especial de 1981: Janet Cooke, repórter do Washington Post, devolveu o prêmio depois que uma investigação do próprio jornal concluiu que ela havia inventado "Jimmy's World", a reportagem premiada sobre um menino de oito anos dependente de heroína em Washington, D.C.
Prêmio de História de 1994:Case Closed: Lee Harvey Oswald and the Assassination of JFK, de Gerald Posner, Crime and Punishment in American History, de Lawrence Friedman, e William Faulkner and Southern History, de Joel Williamson, foram indicados por unanimidade, mas nenhum recebeu o prêmio. A decisão provocou controvérsia pública. John Dotson, um dos dezenove integrantes do Conselho do Pulitzer, disse que os três livros indicados tinham "algum tipo de falha". Edward Seaton, também integrante e editor do The Manhattan Mercury, discordou e disse que era "lamentável" nenhum prêmio ter sido concedido.
Prêmio de Teatro de 2010: o musical Next to Normal, vencedor do Tony, recebeu o prêmio mesmo sem estar entre os trabalhos indicados pelo júri.
Prêmio de Fotografia Especial de 2020: a premiação de Channi Anand, Mukhtar Khan e Dar Yasin, da Associated Press, provocou controvérsia. Alguns críticos interpretaram o texto da citação como um questionamento à legitimidade da Índia sobre a Caxemira, pois ela empregava a palavra "independência" ao mencionar a revogação do Artigo 370.
Prêmio de Comentário de 2020: uma associação de acadêmicos conservadores pediu a revogação do prêmio de Nikole Hannah-Jones pelo "The 1619 Project" depois que o New York Times suavizou substancialmente a afirmação de que a preservação da escravidão havia sido uma motivação central da Revolução Americana, após críticas públicas de historiadores. Leslie M. Harris, responsável pela verificação de fatos do projeto, escreveu na Politico que havia alertado os editores do Times sobre a "afirmação exagerada" de Hannah-Jones antes da publicação. Harris escreveu ainda que "a discussão entre os historiadores, embora real, está longe de ser preto no branco".
Prêmio de Reportagem Internacional de 2020: o jornalista russo Roman Badanin, editor-chefe do veículo independente russo Proekt, afirmou que pelo menos duas reportagens do New York Times inscritas no prêmio repetiam descobertas publicadas pelo Proekt alguns meses antes.
Críticas e estudos
Alguns críticos acusaram a organização do Pulitzer de favorecer pessoas que apoiam causas liberais ou se opõem a causas conservadoras. O colunista conservador L. Brent Bozell Jr. afirmou que o Prêmio Pulitzer tem um "legado liberal", em especial no prêmio de comentário. Ele apontou um intervalo de 31 anos em que apenas cinco conservadores ganharam o prêmio de comentário. Kathleen Parker, vencedora do Pulitzer de Comentário de 2010, disse: "É só porque sou uma crítica dos conservadores que estou sendo reconhecida." Alexander Theroux chamou o Pulitzer de "um prêmio eminentemente tolo, que muitas vezes foi entregue em consequência de influência e conchavos políticos, inclusive a alguns dos maiores impostores e tolos".
Um estudo acadêmico de 2012 dos professores de jornalismo Yong Volz, da Universidade do Missouri, e Francis Lee, da Universidade Chinesa de Hong Kong, constatou que "apenas 27% dos vencedores do Pulitzer desde 1991 eram mulheres, enquanto as redações eram compostas por cerca de 33% de mulheres". Os pesquisadores concluíram que as mulheres vencedoras tinham maior probabilidade de apresentar trajetórias acadêmicas tradicionais, como passagem por universidades da Ivy League, criação em grandes áreas metropolitanas ou emprego em uma publicação de elite como o New York Times. Os resultados levaram os autores a concluir que as candidatas precisavam de maior formação e mais conexões profissionais para receber o prêmio do que os homens.
Ver também
Prêmio Esso, prêmio brasileiro de jornalismo criado com inspiração no Pulitzer.
Prémio Camões, prêmio literário dedicado a autores de língua portuguesa.
↑Fritz H. Oehlschlaeger (novembro de 1979). «Hamlin Garland and the Pulitzer Prize controversy of 1921». American Literature (em inglês). 51 (3): 409–414. JSTOR2925396. doi:10.2307/2925396
12Jeannette Walls (2000). Dish: The Inside Story on the World of Gossip (em inglês). Nova Iorque: Avon Books, an Imprint of Harper Collins Publishers. pp.29–35. ISBN0-380-97821-0
↑David O. Stewart. Impeached: The Trial of President Andrew Johnson and the Fight for Lincoln's Legacy. Simon & Schuster, 2009, pp. 185–186, 188–189, 242, 269, 278–280, 282, 285, 292, 297–299 e 309.
↑Nicholas Lemann. Redemption: The Last Battle of the Civil War. Farrar, Straus & Giroux, Nova Iorque. ISBN 978-0-374-53069-3, pp. 205–209.
↑Heinz D. Fischer e Erika J. Fischer. Complete Historical Handbook of the Pulitzer Prize System 1917–2000: Decision-Making Processes in all Award Categories Based on Unpublished Sources. The Pulitzer Prize Archive, Walter de Gruyter, 2003, p. 325.
↑"Pulitzer Decision Angers Juror Ignoring Nominations, Panel Didn't Know History Prize". San Jose Mercury News, 23 de abril de 1994, p. 2B.
↑Yong Z. Volz; Francis L. F. Lee (30 de agosto de 2012). «Who wins the Pulitzer Prize in international reporting? Cumulative advantage and social stratification in journalism». Journalism (em inglês). 14 (5): 587–605. doi:10.1177/1464884912455905