| Qi de Xia | |
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Ilustração de Qi feita durante a dinastia Qing. | |
| Rei da Dinastia Xia | |
| Reinado | c. 2106 a 2096 a.C |
| Antecessor(a) | Yu, o Grande |
| Sucessor(a) | Tai Kang |
| Dados pessoais | |
| Pai | Yu, o Grande |
| Mãe | Nu Jiao |
Qi (啓; Qǐ) foi o segundo soberano da dinastia Xia. Era filho de Yu, o Grande. Governou por aproximadamente nove a dez anos.

O pai de Qi, Yu, o Grande, fundador da dinastia Xia, casou-se com Nu Jiao e teve Qi. Inicialmente, Qi não deveria ser o próximo rei, mas, devido à pressão popular, foi escolhido como sucessor de Yu, dando início à tradição dinástica. Posteriormente, Qi teve um filho chamado Tài Kāng, que também se tornou rei.
Yu morreu após 45 anos de reinado. Após o governo de Qi, seu filho Tai Kang sucedeu-lhe como rei.
Segundo o historiador Sima Qian, Yu não queria que seu filho se tornasse rei e pretendia entregar o trono a Gao Yao, seu ministro da Justiça. Entretanto, após a morte de Gao, Yu designou como herdeiro Yi, também conhecido como Boyi. Yi havia sido seu companheiro durante treze anos de combate às enchentes e, naquele momento, ocupava o cargo de ministro da Pecuária.
Contudo, devido à grande influência de Yu, todos os líderes dos Estados de Xia passaram a admirar Qi em vez de Yi. Assim, Yi não teve alternativa senão renunciar à sucessão em favor de Qi, ao término dos três anos de luto por Yu.
Os Anais de Bambu também mencionam que Yu nomeou Yi como seu sucessor, mas não relatam que Yi tenha efetivamente reinado. Em vez disso, afirmam apenas que o filho de Yu, Qi, assumiu o trono de Xia após os três anos de luto por Yu.
A obra relata que Boyi (Yi ou Yih) morreu no sexto ano de Qi e que Qi "instituiu um sacrifício" em sua homenagem. Entretanto, em uma nota de rodapé, o tradutor James Legge observa:
"Esse relato não concorda com a versão sobre a morte de Yih frequentemente atribuída aos Anais e que, sem dúvida, aparecia em alguns dos Livros de Bambu: a saber, que 'Yih estava tentando tomar o trono, e K'e [Qi] o matou'."
Qi assumiu o trono no ano de Guihai (癸亥) e celebrou sua ascensão ao trono com todos os seus vassalos (諸侯) em Juntai (鈞臺), uma plataforma que antigamente ficava na cidade de Yuzhou, na província de Henan.
Qi morreu dezesseis anos após assumir o trono, embora algumas fontes indiquem dez ou 29 anos de reinado.
Os Anais de Bambu registram os seguintes acontecimentos durante o reinado de Qi:
A antologia da dinastia Zhou Oriental intitulada Discursos dos Estados menciona Qi como um exemplo de rei originalmente virtuoso que teve um filho perverso.
O Clássico das Montanhas e dos Mares menciona Qi diversas vezes, utilizando os caracteres 啟; Qǐ e 開; Kǎi.
Nessa obra, ele é retratado como uma figura xamânica fantástica, intermediária entre os mundos humano e divino, que recebeu danças e músicas sagradas do Deus Supremo, também conhecido como Shangdi (上帝).
Acredita-se que a cidade de Xinzhai tenha sido fundada pelo rei Qi de Xia e que tenha servido como capital da dinastia Xia até que seu descendente Shao Kang recuperou o controle da dinastia.
O arqueólogo chinês Feng Shi (冯時; 馮時) identifica o sítio arqueológico de Wenyi (文邑), pertencente à cultura de Taosi, com Xiayi (夏邑), a segunda capital da dinastia Xia e capital de Qi.
Ele também aponta vestígios de violência entre as evidências arqueológicas encontradas no local, propondo que "Qi tomou o poder real por meio da violência e substituiu o sistema de abdicação pelo sistema de monarquia hereditária".