No que se refere a pedras preciosas, como o diamante, um quilate representa uma massa igual a duzentos miligramas. A unidade de massa foi adotada em 1907 na Quarta Conferência Geral de Pesos e Medidas. O quilate pode ser subdividido ainda em 100 pontos de 2 mg cada.
Aplicado ao ouro, entretanto, o quilate é uma medida de pureza do metal, e não de massa. É a razão entre a massa de ouro presente e a massa total da peça, multiplicada por 24, sendo cada unidade de quilate equivalente a 4,1666% em pontos percentuais de ouro do total.
A pureza do ouro é expressa pelo número de partes de ouro que compõem a barra, pepita ou joia. O ouro de um objeto com 16 partes de ouro e 8 de outro metal é de 16 quilates. O ouro puro tem 24 quilates.
Exemplos: ouro e quilates.
Desta forma, o ouro 18 quilates tem 75% de ouro, e o restante são ligas metálicas adicionadas fundindo-se o ouro com esses metais num processo conhecido como quintagem, para garantir maior durabilidade e brilho à joia.
Os elementos dessas ligas geralmente adicionados ao ouro podem variar muito em função da cor, ou ponto de fusão desejados e em algumas joalherias, essa fórmula é mantida como segredo industrial. Os metais mais comuns utilizados nessas ligas são o cobre, a prata, o zinco, o níquel, o cádmio, resultando em um ouro com coloração amarela. Existe também o ouro branco, que é feito com ligas utilizando o paládio que tem efeito descoloridor, nesse caso o ouro branco no processo final de acabamento a joia é submetida a um banho de ródio.
A palavra quilate (em inglês: carat) provém do italiano carato, este originário do árabe qīrāṭ (قيراط), por sua vez derivado do grego antigo kerátion (κεράτιον), «semente de alfarroba», diminutivo de kéras (κέρας), «chifre». Era também uma unidade ponderal equivalente a 1/1728 (1/123) de uma libra (ver mina).
As sementes de alfarroba foram historicamente utilizadas para pesar joias, devido à crença de que apresentavam baixa variabilidade na distribuição de sua massa. No entanto, tratava-se de um equívoco factual, visto que a variação de massa dessas sementes é comparável à observada em sementes de outras espécies.
No passado, cada país definia seu próprio valor para o quilate. A unidade era habitualmente empregada na pesagem de ouro e, a partir da década de 1570, passou a ser utilizada para mensurar o peso de diamantes.
Um «quilate internacional» de 205 miligramas foi proposto em 1871 pela Câmara Sindical de Joalheiros de Paris e aceito em 1877 pela Câmara Sindical de Comerciantes de Diamantes da mesma cidade. O quilate métrico de 200 miligramas — correspondente a exatamente um quinto de grama — já havia sido sugerido por diversos países e foi formalmente apresentado pelo Comitê Internacional de Pesos e Medidas, sendo aprovado por unanimidade na 4.ª Conferência Geral de Pesos e Medidas da Convenção do Metro, realizada em Paris em outubro de 1907. O novo valor tornou-se obrigatório por lei na França logo em seguida; no entanto, a adesão foi mais gradual na Inglaterra, onde seu emprego havia sido autorizado pela Lei de Pesos e Medidas (Sistema Métrico) de 1897.
| Localidade | mg |
|---|---|
| Chipre | 187 |
| desconhecido | 188,6 |
| Brasil | 192,2 |
| Egito | 195 |
| Amboina | 197 |
| Florença | 197,2 |
| Quilate internacional Batávia, Bornéu, Leipzig |
205 |
| África do Sul (1) | 205,304 |
| Londres–Nova Iorque (1) | 205,303 |
| Espanha | 205,393 |
| Londres–Nova Iorque (2) | 205,409 |
| Berlim | 205,44 |
| Paris, Índias Orientais | 205,5 |
| África do Sul (2) | 205,649 |
| Amsterdã | 205,7 |
| Lisboa | 205,75 |
| Frankfurt (sobre o Meno) | 205,77 |
| Viena | 206,13 |
| Veneza | 207 |
| Madras | 207,353 |
| desconhecido | 213 |
| Bucareste | 215 |
| Livorno | 215,99 |
No Reino Unido, o quilate da Junta Comercial (Board of Trade carat) original equivalia a exatamente 3+1647⁄9691 grãos (~3,170 grãos = ~205 mg); em 1888, o valor oficial foi fixado em exatamente 3+17⁄101 grãos (~3,168 grãos = ~205 mg). Apesar de ser uma unidade não métrica, diversos países que já adotavam o sistema métrico chegaram a utilizá-la em razão de seu escopo específico de aplicação.
O quilate da Junta Comercial subdividia-se em quatro grãos de diamante, embora as medições comerciais fossem habitualmente expressas em frações múltiplas de +1⁄64 de quilate.
Havia também duas variedades de quilates de refinadores outrora utilizadas no Reino Unido: o quilate-libra (pound carat) e o quilate-onça (ounce carat). A libra troy dividia-se em 24 quilates-libra de 240 grãos troy cada; o quilate-libra subdividia-se em quatro grãos-libra de 60 grãos troy cada; e o grão-libra, por sua vez, dividia-se em quatro quartos-libra de 15 grãos troy cada. De modo análogo, a onça troy dividia-se em 24 quilates-onça de 20 grãos troy cada; o quilate-onça dividia-se em quatro grãos-onça de 5 grãos troy cada; e o grão-onça dividia-se em quatro quartos-onça de 1+1⁄4 grãos troy cada.
O solidus também funcionava como unidade ponderal no Império Romano. Registros documentais indicam que o peso de 72 moedas do tipo solidus equivalia a exatamente uma libra romana, e que o peso de um solidus correspondia a 24 siliquae (síliquas). Considera-se geralmente que a libra romana pesava cerca de 327,45 g (podendo oscilar até 5 g a menos). Consequentemente, o equivalente métrico de uma siliqua era de aproximadamente 189 mg. Os gregos empregavam uma unidade de massa similar e de valor equivalente.
A indicação da pureza do ouro em quilates descende diretamente da proporção de quilates e grãos de ouro contidos em uma moeda de solidus. A relação histórica de equivalência (1 solidus = 24 quilates; 1 quilate = 4 grãos) permanece em uso até os dias atuais. A obra Measures, Weights and Moneys of All Nations, de W. S. B. Woolhouse, registra a pureza do ouro em quilates de 4 grãos e a da prata em libras troy de 12 onças troy, contendo cada uma 20 pennyweights.