| Irrigação | |
|---|---|
A irrigação controla quando e onde a água chega às culturas, complementando ou substituindo a chuva onde ela não basta. | |
| Área | Agricultura, agronomia e engenharia agrícola |
| Finalidade | Aplicação controlada de água a culturas e áreas vegetadas |
| Métodos | Irrigação superficial, por aspersão, microirrigação e subirrigação |
| Fontes de água | Águas superficiais, águas subterrâneas, água de reúso e outras fontes |
| Manejo | Umidade do solo, evapotranspiração e necessidade da cultura |
| Riscos | Salinidade do solo, poluição da água e esgotamento de aquíferos |
Irrigação é o fornecimento controlado de água ao solo para ajudar no cultivo de culturas, plantas ornamentais, jardins e gramados. Ela permite cultivar onde a chuva é insuficiente e também completar a precipitação durante períodos secos. Em muitos projetos, a irrigação trabalha junto com a drenagem, que retira o excesso de água da superfície e das camadas ocupadas pelas raízes.
A água pode chegar às plantas por gravidade, por aspersores ou por pequenos emissores instalados perto delas. Na irrigação superficial, ela corre pelo terreno. Na aspersão, passa por tubulações sob pressão e cai sobre a cultura como uma chuva controlada. A microirrigação trabalha com vazões menores e concentra a aplicação perto das raízes, enquanto a subirrigação umedece o solo a partir de baixo.
A fonte pode ser um rio, um reservatório, um poço, água da chuva armazenada ou água residual tratada. O método escolhido depende do clima, do solo, da cultura, do relevo, da qualidade da água e da infraestrutura disponível. Em regiões úmidas, a irrigação pode ser usada apenas em parte do ano. Em áreas áridas, ela pode fornecer quase toda a água de que a lavoura precisa.
O fornecimento de água precisa acompanhar a necessidade da planta e a capacidade do solo de armazenar e drenar essa água. Aplicações excessivas podem encharcar o solo, transportar nutrientes e contaminantes ou favorecer o acúmulo de sais, enquanto o bombeamento acima da recarga pode reduzir reservas subterrâneas.
As plantas retiram do solo a água de que precisam para crescer, formar folhas, flores, frutos e sementes. Parte dessa água vem da chuva, mas a quantidade disponível muda com o clima, a estação do ano e o próprio solo. Quando a chuva não repõe o que a cultura perde por evaporação e transpiração, a umidade do solo diminui e a planta pode entrar em estresse hídrico. O crescimento fica mais lento, a produção pode cair e, se a falta de água for intensa ou prolongada, parte da lavoura pode não completar seu desenvolvimento.

A irrigação fornece água quando a chuva não basta ou chega fora do período em que a cultura mais precisa dela. Em regiões úmidas, pode entrar em uso apenas durante semanas mais secas. Em áreas áridas ou com uma estação seca longa, certas culturas dependem dela durante grande parte do ciclo. A quantidade que precisa ser aplicada não é igual em todos os lugares, porque uma parcela da necessidade da planta pode ser atendida pela própria chuva e pela água que já estava armazenada no solo.
Essa diferença entre a água de que a cultura precisa e a água que o ambiente já fornece é a base do planejamento da irrigação. Ela explica por que a mesma cultura pode precisar de pouca água adicional em um lugar e depender de aplicações frequentes em outro.

As estatísticas de irrigação usam medidas que não significam a mesma coisa. Uma área equipada para irrigação tem infraestrutura capaz de levar água ao campo, mas pode não receber água em todas as safras, enquanto a área efetivamente irrigada é a parte que recebeu água no período observado. Área física, produção colhida e valor econômico da produção também precisam ser lidos separadamente, porque cada medida responde a uma pergunta diferente.
Em 2023, o mundo tinha 355 milhões de hectares equipados para irrigação, 23% a mais que os 289 milhões de hectares de 2000 e mais que o dobro da área dos anos 1960. A Ásia reunia 71% desse total, as Américas 16% e a Europa 8%. A Índia tinha 76 milhões de hectares equipados, a China 75 milhões e os Estados Unidos 25 milhões. Entre 2000 e 2023, China e Índia acrescentaram, respectivamente, 21 milhões e 15 milhões de hectares às suas áreas equipadas.
As terras cultivadas equipadas para irrigação correspondem a cerca de 23% do total e respondem por 48% do valor global das culturas agrícolas. Em média, o rendimento físico das terras irrigadas é 76% superior ao das terras de sequeiro. Outra estimativa, que usa uma definição mais ampla de área cultivada e mede alimentos em vez de valor econômico, coloca as terras irrigadas em cerca de 20% da área cultivada e em aproximadamente 40% dos alimentos produzidos no mundo.

No ano 2000, estimava-se em 2.788.000 km² a área mundial de terras férteis com infraestrutura de irrigação. Cerca de 68% ficava na Ásia, 17% nas Américas, 9% na Europa, 5% na África e 1% na Oceania. As maiores faixas contínuas com alta densidade de irrigação estavam no norte e no leste da Índia e no Paquistão, ao longo dos rios Ganges e Indo, nas bacias do Hai He, do Rio Amarelo e do Yangtzé, na China, ao longo do Nilo, no Egito e no Sudão, e na bacia dos rios Mississippi e Missouri, no sul das Grandes Planícies e em partes da Califórnia, nos Estados Unidos. Áreas menores estavam espalhadas por quase todas as regiões povoadas do planeta.

A distribuição da irrigação resulta de uma combinação de clima, rios, aquíferos, relevo, tipo de agricultura e infraestrutura. Em parte da Ásia, grandes redes de canais e poços abastecem áreas cultivadas muito extensas. Em outros lugares, a irrigação fica concentrada em vales, planícies ou zonas próximas de reservatórios. A expansão asiática do século XX também integrou a Revolução verde, quando novas variedades agrícolas passaram a ser usadas junto com fertilizantes, controle de pragas e maior oferta de água.
Os países em que o português é língua oficial têm climas, cultivos e disponibilidades de água muito diferentes. Por isso, os números nacionais abaixo não formam uma tabela comparável de um único ano. Em alguns países há estatísticas recentes, enquanto em outros os levantamentos disponíveis são bem mais antigos. A diferença entre área equipada e área realmente irrigada também pode ser grande.
No Brasil, a área equipada para irrigação chegou a 8,2 milhões de hectares em 2021. Cerca de 5,3 milhões usavam água retirada de mananciais e outros 2,9 milhões correspondiam principalmente à fertirrigação com água de reúso. Em 2024, a agricultura irrigada respondeu por 1.056,3 m³/s, ou 50,3% de toda a retirada nacional de água para usos consuntivos. No mesmo ano, havia 33.846 pivôs centrais irrigando 2.200.960 hectares.

No Brasil, quem concede o direito de usar água para irrigação depende de qual esfera pública responde pelo corpo hídrico. A ANA emite outorgas para rios, reservatórios, lagos e lagoas de domínio da União. Órgãos estaduais ou do Distrito Federal cuidam das águas de domínio estadual e das águas subterrâneas.
Em Portugal, onde a agricultura irrigada costuma ser chamada de regadio, cerca de 637,5 mil hectares tinham condições para receber rega em 2023 e 585,5 mil hectares foram efetivamente irrigados. Em partes do sul do país, onde a oferta de água é mais limitada, a rega divide o recurso disponível com o abastecimento das populações e outros usos.


Em Cabo Verde, a irrigação permite produzir em ilhas onde a chuva é baixa e irregular. A água pode vir de reservas subterrâneas, barragens, dessalinização e reúso, e o gotejamento é usado para reduzir perdas durante a aplicação. Em 2025, a cana-de-açúcar ocupava mais de 3 mil hectares, cerca de 62% da área irrigada do país. O desempenho dos sistemas de gotejamento, porém, depende do projeto, da manutenção e do conhecimento técnico de quem os opera. Em Moçambique, um levantamento usado pelo AQUASTAT estimou 118.120 hectares equipados para irrigação no começo dos anos 2000, mas apenas 40.463 hectares efetivamente irrigados em 2002. A maior parte dos sistemas usava água de rios, enquanto a captação subterrânea tinha participação pequena. Os números são antigos, mas ajudam a mostrar por que "área equipada" e "área irrigada" não devem ser tratadas como sinônimos. Em Angola, levantamentos antigos chegaram a totais muito diferentes: o AQUASTAT reuniu uma estimativa de cerca de 80 mil hectares equipados e outra, baseada em uma definição distinta, de 340.478 hectares em 2005. Para 1997, a área efetivamente usada para irrigação foi estimada em 35 mil hectares. A diferença entre os levantamentos mostra como a definição adotada e o estado de funcionamento das obras podem alterar bastante um total nacional.

Na Guiné-Bissau, parte do manejo da água está ligada ao cultivo de arroz em antigas áreas de mangue. Diques e parcelas armazenam água doce da estação chuvosa, que ajuda a retirar sais do solo e a manter condições adequadas ao arroz. Quando a chuva é mal distribuída, a salinidade pode aumentar e reduzir a produção. Um levantamento de 1996 registrou 22.558 hectares equipados, somando sistemas com controle de água e zonas úmidas preparadas para cultivo. Em São Tomé e Príncipe, o governo preparou uma estratégia nacional de irrigação para organizar melhor o uso agrícola da água. Comunidades produtoras de hortaliças também receberam sistemas de gotejamento e outros equipamentos para levar água às culturas. No Timor-Leste, obras de irrigação abastecem áreas de cultivo de arroz e exigem manutenção das estruturas que conduzem a água. Em janeiro de 2026, dois sistemas inaugurados em Lautém e Baucau foram projetados para abastecer, juntos, cerca de 1.220 hectares de arrozais. O programa governamental para 2023-2028 estabeleceu a meta de ampliar a área de arroz irrigado para 50 mil hectares até 2028. Na Guiné Equatorial, as informações disponíveis são mais escassas, e o mapa global do AQUASTAT baseado em dados reunidos para meados dos anos 2000 não registrava área equipada para irrigação no país. Esse dado deve ser lido como um retrato da informação disponível naquele levantamento, e não como uma afirmação de que nenhuma irrigação exista depois dele.

A irrigação pode retirar água de reservas subterrâneas, por nascentes ou poços, e de águas superficiais, como rios, lagos e reservatórios. Também pode aproveitar águas residuais tratadas, água dessalinizada e água de drenagem, desde que a qualidade seja adequada ao cultivo e ao método empregado.

A água superficial pode chegar ao campo por gravidade ou ser bombeada, enquanto a água subterrânea exige poços ou outras estruturas de captação. Em qualquer dos casos, a retirada precisa caber dentro da disponibilidade da fonte, porque um rio muito desviado ou um aquífero explorado acima da recarga pode perder capacidade de abastecimento.
Na captação de água da chuva, o escoamento de telhados, terrenos ou cursos temporários é recolhido e concentrado para uso produtivo. A água pode permanecer armazenada no próprio solo da área cultivada ou ser guardada em reservatórios para outro momento.
A irrigação por enxurrada, chamada também de spate irrigation, aproveita cheias de rios e uádis. A água é desviada para áreas agrícolas, onde se infiltra e fica disponível no solo depois que a cheia passa. Como a vazão pode variar muito de uma cheia para outra, o sistema depende de estruturas que consigam conduzir a água em pouco tempo sem destruir os canais ou a área cultivada.
Águas residuais municipais, depois de tratadas e recicladas, podem ser usadas para irrigar. Se ainda contiverem nitrogênio, fósforo e potássio, parte desses nutrientes pode ser aproveitada pelas plantas. Em algumas regiões, o reúso custa menos que outras fontes e oferece água com maior regularidade.

Quando a água tratada fornece nitrogênio e fósforo em quantidades aproveitáveis, a necessidade de fertilizantes minerais pode diminuir. O reúso agrícola também recupera parte dos nutrientes que já estavam nas águas residuais. O uso seguro depende do tratamento e de medidas de controle escolhidas para a cultura, o método de irrigação e as pessoas que podem entrar em contato com a água ou com os alimentos.
Onde o saneamento é insuficiente e a água é escassa, também ocorre irrigação com águas residuais municipais sem tratamento ou tratadas apenas em parte. Nesses casos, patógenos e contaminantes químicos podem chegar aos campos. As diretrizes da Organização Mundial da Saúde recomendam combinar medidas de proteção escolhidas conforme a qualidade da água, a cultura, o método de irrigação e o grupo exposto.
A água residual pode carregar, além de microrganismos nocivos, metais pesados, pesticidas, fármacos e produtos de higiene pessoal. Quanto dessas substâncias fica no solo ou entra nas plantas depende da composição do efluente, das características do solo e da cultura irrigada.

Além das águas residuais tratadas, outras fontes possíveis são a água de drenagem, a água salina e a água dessalinizada. Antes de usá-las, é preciso considerar a qualidade da água, a tolerância da cultura e o manejo necessário para evitar acúmulo de sais, contaminantes ou outros problemas.
Em regiões áridas, até a umidade do ar pode entrar no abastecimento de água para as plantas. Em Lanzarote, nas Ilhas Canárias, agricultores cobrem o solo com fragmentos de rocha vulcânica, que conservam a umidade e reduzem a evaporação. A cobertura permite cultivar em condições muito secas, em grande parte sem irrigação convencional. Coletores de neblina usam telas para interceptar gotículas suspensas no ar. A água escorre para calhas e reservatórios e pode ser usada na irrigação.
Em 2019, uma empresa de Glasgow ajudou um agricultor na Escócia a cultivar plantas comestíveis de marisma com água do mar. Cerca de 0,4 hectare de terra antes marginal recebeu salicórnia, seablite e áster-marinho, plantas vendidas por valor superior ao da batata. A área era inundada duas vezes por dia para imitar as marés, usando água do mar bombeada com energia eólica. O projeto também buscava recuperar o solo e armazenar carbono.

Entre a fonte de água e a parcela irrigada, o caminho pode passar por uma estrutura de captação ou estação de bombeamento, uma rede de adução, uma rede de distribuição, os equipamentos que aplicam a água no campo e a drenagem. A captação põe a água dentro do sistema. A adução a transporta até a rede de distribuição, que a reparte entre os campos. Dentro de cada parcela, os equipamentos de aplicação controlam onde e quanto irrigar, enquanto a drenagem retira o excesso trazido pela irrigação ou pela chuva. Canais, tubulações, comportas e dispositivos de medição e controle podem fazer parte dessas redes.

A escolha do método determina como a água sai do sistema e chega às plantas, mas qualquer método busca entregar à cultura a água de que ela precisa sem excesso desnecessário. Em uma irrigação suplementar, a aplicação completa a precipitação quando a chuva não atende toda a necessidade da cultura. Se não houver chuva aproveitável, a irrigação precisa fornecer a água necessária ao cultivo. Em algumas situações, a água também é aplicada para proteger culturas contra geadas.
Solo, declive, clima, qualidade e disponibilidade da água, tipo de cultura, mão de obra, custos, manutenção e experiência com irrigação pesam na escolha do método. Solos arenosos armazenam menos água e costumam deixá-la infiltrar mais depressa, o que pede aplicações menores e mais frequentes. Nesses solos, aspersão ou gotejamento podem funcionar melhor que métodos superficiais. Em terrenos inclinados ou irregulares, sistemas pressurizados reduzem a necessidade de nivelamento, enquanto ventos fortes podem atrapalhar a distribuição por aspersão.
Na irrigação superficial, também chamada irrigação por gravidade, a água avança sobre o terreno e se infiltra no solo enquanto percorre a parcela. Ela pode ser conduzida por bacias, faixas ou sulcos, e seu movimento depende da gravidade e do relevo. Quando a área cultivada fica inundada ou quase inundada durante a aplicação, o método costuma ser chamado de irrigação por inundação.
Usada há milhares de anos, a irrigação superficial pode exigir menos equipamento pressurizado que a aspersão ou o gotejamento, mas o resultado depende de como a água se move pelo campo. Nivelamento, vazão, tempo de aplicação, infiltração do solo e manejo alteram a quantidade que chega a cada parte da parcela. Em arrozais, bacias ou terraços podem manter uma lâmina de água entre diques. Em outros cultivos, a água percorre sulcos ou faixas antes de infiltrar.

Em algumas cidades, a mesma técnica de inundação usada no campo também irriga jardins e gramados. Na região de Phoenix, no Arizona, por exemplo, pequenos diques de terra cercam a área que receberá água, liberada em horários definidos pelo distrito local de irrigação.
Na irrigação por enxurrada, ou spate irrigation, cheias de rios e uádis são desviadas por estruturas de captação e canais até as áreas agrícolas. A água se espalha pela parcela e se infiltra, deixando no solo a umidade que sustentará o cultivo depois que a cheia recuar. O método é usado em regiões áridas e semiáridas onde os fluxos de água duram pouco tempo.

A microirrigação, também chamada irrigação localizada ou irrigação de baixo volume, leva água por uma rede de tubos que trabalha com baixa pressão e libera pequenas vazões em cada planta ou perto dela. O grupo abrange gotejadores individuais, gotejamento subterrâneo, microaspersores e pequenos borbulhadores. Em alguns usos, o termo irrigação por gotejamento também é empregado para se referir à microirrigação.

Na microaspersão, pequenos emissores lançam jatos finos sobre uma parte limitada do solo. Cada emissor molha uma área maior que um gotejador isolado, o que pode deixar um volume maior de solo acessível às raízes, sobretudo em árvores. Como os bocais costumam ser maiores que os dos gotejadores, o risco de entupimento é menor, mas a água ainda precisa ser filtrada. O sistema usa tubulações semelhantes às do gotejamento e trabalha com baixas pressões e vazões.

Na irrigação por gotejamento, a água sai aos poucos na zona radicular ou muito perto dela. Como o método reduz o escoamento superficial e molha uma área menor do solo, sistemas bem projetados, mantidos e manejados podem alcançar eficiência de aplicação perto de 80% a 90%.
A mesma rede de gotejamento pode transportar fertilizantes dissolvidos, prática chamada fertirrigação, e também pode trabalhar sob cobertura plástica do solo.
Se a água aplicada ultrapassa o que o solo consegue armazenar ao alcance das raízes, parte dela continua descendo. Esse movimento para camadas mais profundas é chamado percolação profunda. Em terrenos inclinados ou em linhas longas, emissores com compensação de pressão ajudam a manter vazões mais parecidas entre pontos diferentes da tubulação. O gotejamento também exige filtragem e regulagem de pressão compatíveis com os emissores e pode usar controladores e válvulas para automatizar setores.

Na irrigação por aspersão, a água percorre tubulações sob pressão e sai pelos aspersores, formando gotas que caem sobre a cultura. Os equipamentos podem permanecer fixos, ser movidos entre irrigações ou fazer parte de máquinas que se deslocam pelo campo. Aspersores de impacto, rotores e canhões trabalham com pressões, vazões e áreas molhadas diferentes. Os canhões usam vazões e pressões maiores para alcançar distâncias maiores.
Alguns aspersores ficam sobre plataformas móveis ligadas à fonte por mangueiras. Nos sistemas viajantes de carretel, uma mangueira de polietileno é enrolada devagar em um tambor e puxa o aspersor pelo campo enquanto a água é aplicada. Outros modelos carregam um canhão ou uma barra de aspersores e avançam por uma faixa do terreno. Um único conjunto pode irrigar partes sucessivas da área.

No pivô central, uma longa tubulação sustentada por torres com rodas gira em torno do ponto que fornece a água. Como os aspersores avançam em círculo ao redor desse ponto, a área irrigada fica aproximadamente circular. Conforme o projeto, os emissores ficam presos à tubulação principal ou descem por tubos suspensos.
Em muitos pivôs, tubos de descida aproximam os aspersores das plantas. Com menos distância entre o emissor e a cultura, o vento interfere menos na trajetória das gotas e as perdas durante a aplicação podem diminuir. Esses tubos também podem terminar em mangueiras de arraste ou borbulhadores que depositam água perto do solo. Uma variante é a LEPA, sigla inglesa de Low Energy Precision Application, aplicação de precisão com baixa energia. Em sistemas LEPA, as fileiras podem acompanhar a trajetória circular do pivô para que os emissores passem entre as plantas. Sistemas de taxa variável podem usar GPS para saber em que ponto do campo o pivô está e, a partir disso, mudar a velocidade ou a quantidade de água aplicada.
No sistema de deslocamento lateral, também chamado linha lateral sobre rodas, uma fileira de tubos apoiada em grandes rodas atravessa o campo com aspersores distribuídos ao longo do conjunto. A própria tubulação conduz a água e também forma o eixo das rodas. Depois de irrigar uma faixa, o fornecimento é interrompido, a linha é drenada e o equipamento segue para a posição seguinte.
Como a linha sobre rodas permanece parada durante a aplicação e precisa ser movida entre uma posição e outra, o operador participa mais do processo que em sistemas de movimento contínuo. Um mecanismo de acionamento, em geral perto do centro, gira as seções conectadas da tubulação como um único eixo. O alinhamento da linha e a distância percorrida entre posições alteram a uniformidade da irrigação.

O uso da linha sobre rodas depende da vazão disponível, da pressão, da distância entre os aspersores, do vento e da altura da cultura. Para não aplicar água demais nem de menos, o tempo em cada posição precisa combinar com a capacidade do solo de armazenar água e com o intervalo até a irrigação seguinte.
Em campos agrícolas, a subirrigação fornece água pela parte de baixo da zona das raízes. Para isso, o sistema eleva ou abaixa o lençol freático e depende de solo e relevo que permitam formar e controlar esse nível temporário de água. Tubulações de drenagem controlada, valas, estruturas de controle e bombas podem ser usadas para regulá-lo. O princípio é, em certo sentido, o inverso da drenagem.
Em estufas, a subirrigação pode alimentar plantas em vasos por sistemas de fluxo e refluxo, nos quais uma solução de água e nutrientes inunda por alguns minutos uma bancada ou bandeja estanque e depois volta ao tanque para ser usada de novo. Em sistemas com calhas, a solução passa pela base dos vasos e é recolhida no fim da linha. Essa recirculação reduz o descarte de água e nutrientes, mas exige controle da solução e limpeza do sistema.
Em recipientes autoirrigáveis, o mesmo princípio aparece em escala doméstica. Um reservatório fica abaixo do substrato, e um pavio puxa a água para cima por capilaridade. Enquanto houver água no reservatório, o meio de cultivo pode permanecer úmido sem rega pela superfície.

Decidir quando irrigar e quanto aplicar exige observar a cultura, sua fase de crescimento, o clima e a quantidade de água que o solo consegue guardar para as raízes. Essa decisão pode se apoiar na observação do campo e na experiência do agricultor, ou usar sensores de umidade do solo e estimativas de evapotranspiração. A combinação escolhida depende dos dados, dos equipamentos e do conhecimento disponíveis em cada local.
Os valores abaixo mostram quanta água uma cultura pode precisar ao longo de seu ciclo de crescimento. Essa água não precisa vir toda da irrigação, porque parte pode ser fornecida pela chuva e pela água já armazenada no solo.
| Cultura | Necessidade de água no ciclo total de cultivo, em mm |
|---|---|
| Cana-de-açúcar | 1.500–2.500 |
| Banana | 1.200–2.200 |
| Café | 900–1.200 |
| Laranja | 900–1.200 |
| Limão | 900–1.200 |
| Milho | 500–800 |
| Batata | 500–700 |
| Mandioca | 400–750 |
| Tomate | 400–800 |
| Soja | 450–700 |
| Trigo | 450–650 |
| Cevada e aveia | 450–650 |
| Feijão | 300–500 |
| Repolho | 350–500 |
| Cebola | 350–550 |
| Ervilha | 350–500 |
Um sistema pode distribuir água de modo bastante uniforme, fazendo com que plantas de pontos diferentes do campo recebam quantidades parecidas. A eficiência de aplicação responde a outra pergunta: de toda a água aplicada, que fração ficou armazenada na zona das raízes e disponível para a cultura? Para expressar essa fração em porcentagem, divide-se a água armazenada na zona das raízes pela água aplicada ao campo e multiplica-se o resultado por 100:
Uma eficiência de aplicação maior pode reduzir o gasto de energia no bombeamento e diminuir escoamento ou percolação profunda desnecessários, mas não diz, sozinha, quanto a cultura produzirá. Também é preciso distinguir a água que sai de uma parcela da água que realmente deixa de estar disponível na bacia. Parte do escoamento ou da percolação pode voltar a rios ou aquíferos e ser usada em outro lugar. Uma economia medida dentro da propriedade não se transforma automaticamente na mesma economia de água em escala regional.
Projeto e manejo precisam trabalhar juntos para melhorar a eficiência e a uniformidade. O projeto pode mudar o método, as vazões, as pressões ou o espaçamento entre emissores. O manejo define quando irrigar e quanto aplicar em cada vez.

Em jardins, parques e outras áreas verdes, a irrigação trabalha com o mesmo problema básico encontrado na agricultura: repor a água que a chuva e o solo não conseguem fornecer no momento necessário. A escala é menor, mas a escolha entre aspersores, gotejamento, mangueiras ou rega manual também depende do clima, das plantas e da disponibilidade de água.
Na Austrália, pequenos aspersores ligados a mangueiras se tornaram comuns e passaram a usar temporizadores para controlar os horários de rega. Na década de 1960, a empresa Hugall & Hoile, de Perth, na Austrália Ocidental, criou um sistema chamado reticulation, no qual o jardim era dividido em setores. solenoides funcionavam como válvulas elétricas ligadas a um temporizador mecânico. O sistema se espalhou pela cidade e, cerca de vinte anos depois, aproximadamente metade das casas de Perth tinha aspersores automatizados. Robert Hugall ficou conhecido localmente como "pai da irrigação de quintal". O ex-jogador de críquete australiano Wally Edwards entrou no mercado de sistemas domésticos de irrigação no início dos anos 1990 por meio da Holman Industries.
À medida que partes da Austrália enfrentam temperaturas mais altas e períodos secos mais intensos pela mudança climática, sistemas de gotejamento passaram a ser usados para reduzir o consumo de água. Usinas de dessalinização também foram construídas ou reativadas em Perth, Sydney, Melbourne, Adelaide e Brisbane para ampliar o abastecimento disponível, inclusive para manter plantas e árvores nas cidades. O xeropaisagismo, que escolhe plantas e soluções de projeto adaptadas a pouca água, também pode reduzir a necessidade de irrigação.

A agricultura retira água dos mesmos recursos hídricos que abastecem cidades, indústrias, ecossistemas e outros usos. Mais de 60% das terras irrigadas ficam em áreas com estresse hídrico alto ou muito alto, e a mudança do clima pode elevar a demanda de água por evapotranspiração em 20% a 30% até 2050. O manejo da irrigação precisa considerar quanto resta para os demais usuários e para os sistemas naturais, principalmente onde a oferta já é limitada.
Quando duas propriedades, cidades, indústrias ou ecossistemas dependem da mesma fonte, decidir quem pode retirar água e em que quantidade passa a fazer parte do manejo. Direitos de uso de águas superficiais podem gerar disputas entre usuários que dependem da mesma fonte.


Um sistema de irrigação precisa levar água suficiente às plantas sem deixar excesso na zona das raízes. Em áreas sujeitas à salinização, repor apenas a água perdida por evapotranspiração pode não bastar para empurrar os sais para camadas mais profundas. A lixiviação precisa de água em quantidade adequada e de drenagem capaz de retirar a solução salina do perfil do solo. A quantidade necessária depende da qualidade da água e da tolerância da cultura aos sais.
Quando água demais desce pelo solo e a drenagem não consegue removê-la, o lençol freático pode subir. A zona das raízes fica encharcada e os sais podem se concentrar perto da superfície. Em áreas irrigadas vulneráveis a esse problema, sistemas de drenagem retiram o excesso e ajudam a manter o lençol em uma profundidade adequada.
A composição da água também pode diminuir a infiltração quando há excesso de sódio em relação ao cálcio e ao magnésio. Essa relação, medida pela razão de adsorção de sódio, favorece a dispersão das partículas do solo e pode degradar sua estrutura superficial. O risco também depende da salinidade da água.

Quando a irrigação muda grandes volumes de água de lugar, seus efeitos podem alcançar rios, aquíferos, solos e habitats. Em alguns projetos, desvios de águas superficiais secaram fontes e deixaram o clima regional mais extremo. Quando se retira de um aquífero mais água do que entra pela recarga, seu nível pode baixar e deixar menos água subterrânea disponível. Esse desequilíbrio também pode causar subsidência do terreno e, perto do litoral, permitir que água salgada avance para o aquífero. A irrigação depende de aquíferos intensamente explorados em regiões como a Planície do norte da China, o Panjabe e as Grandes Planícies dos Estados Unidos.
Água aplicada em excesso ou de forma muito desigual pode aumentar o escoamento pela superfície, a infiltração para camadas profundas e os fluxos que voltam a rios ou aquíferos. Esses caminhos podem carregar nutrientes, pesticidas e outros contaminantes. Quando chegam em excesso aos corpos d'água, nitrogênio e fósforo podem alimentar a eutrofização.

Em sistemas de microirrigação, algas, bactérias e lodos biológicos podem entupir filtros, tubulações e emissores. Filtração e limpeza das linhas fazem parte da manutenção. Dependendo da origem da água e do tipo de entupimento, também podem ser usados cloro ou outros biocidas.
O resultado de um sistema pode mudar de uma parte do campo para outra e também de uma época para outra. Avaliá-lo pode exigir medidas de produtividade, eficiência, equidade e adequação, o que torna difícil comparar propriedades ou bacias apenas por um único número.

Canais, reservatórios e mudanças no regime da água podem criar condições favoráveis a vetores de doenças, aumentando a transmissão de malária e esquistossomose em alguns lugares. Governos também usaram projetos de irrigação para estimular migrações e escolher grupos que ocupariam certas áreas. Alguns programas nacionais de grande escala custaram mais do que o valor acrescentado pelas colheitas.
Para pequenos agricultores, adotar irrigação por gotejamento não depende apenas de comprar o equipamento. Custos, manutenção, conhecimento técnico e a forma local de organizar a água também interferem no uso do sistema.
A palavra "irrigação" vem do latim irrigatione, ligada à ideia de levar água a uma área ou espalhá-la sobre ela. Muito antes de bombas, aspersores e sensores, agricultores já abriam canais, erguiam diques, armazenavam cheias e elevavam água para cultivar em lugares onde a chuva não chegava na quantidade ou no momento necessário.

Escavações arqueológicas encontraram sistemas de irrigação em lugares onde a chuva não bastava para a agricultura de sequeiro. Alguns dos vestígios mais antigos conhecidos datam do sexto milênio a.C. no Cuzistão, no sudoeste do Irã. Em Choga Mami, no atual Iraque e perto da fronteira com o Irã, canais de irrigação já funcionavam por volta de 6000 a.C.
Nas planícies aluviais da Civilização do Vale do Indo, a irrigação começou por volta de 4500 a.C. e permitiu ampliar as áreas ocupadas por comunidades agrícolas. Entre as obras construídas estavam reservatórios artificiais em Girnar, datados de cerca de 3000 a.C., e sistemas de canais por volta de 2600 a.C. A agricultura em grande escala dependia de uma extensa rede de canais.

Na planície da Mesopotâmia, agricultores usavam irrigação pelo menos desde o terceiro milênio a.C. Pequenos canais levavam água regularmente aos campos durante a estação de crescimento, uma forma de irrigação perene. No Antigo Egito, diques formavam bacias que recebiam água durante as cheias do Nilo. A água ficava retida até o sedimento fértil se depositar, e o excesso voltava ao curso d'água. Por volta de 1800 a.C., o faraó Amenemés III, da XII dinastia, pode ter usado o lago natural do Oásis de Faium para guardar parte da água das cheias e aproveitá-la na estação seca.
Na Núbia, a irrigação usou um equipamento semelhante a uma roda d'água chamado sakia. A prática começou na região entre o terceiro e o segundo milênios a.C. A água vinha principalmente das cheias do Nilo e de outros rios no território do atual Sudão.
Na África subsariana, comunidades da região do Rio Níger combinaram cheias sazonais e coleta de água para manter cultivos onde a estação úmida e a seca se alternam de forma acentuada. Terraços irrigados também foram usados na Síria antiga, na Índia e na China.
Na Pérsia Antiga, em grande parte no território do atual Irã, a irrigação já permitia cultivar cevada no sexto milênio a.C. em áreas onde a chuva era insuficiente. Por volta de 800 a.C., os qanats passaram a conduzir água subterrânea por gravidade. Esses sistemas usam poços verticais ligados a túneis de pequena inclinação, levando água até áreas habitadas ou cultivadas. Alguns qanats ainda são usados. No mundo helenístico e romano, rodas com compartimentos, correntes de recipientes, parafusos e bombas mecânicas passaram a elevar água para a agricultura e para as cidades. A sāqiya, movida por animais e engrenagens, foi uma forma posterior dessa família de máquinas.

No Sri Lanka, as obras de irrigação mais antigas que podem ser reconhecidas com segurança remontam a cerca de 300 a.C., quando o rei Pandukabhaya mandou construir o reservatório Abhayawewa em Anuradapura. Outros reservatórios e canais foram construídos nos séculos seguintes para guardar e distribuir água, sobretudo aos arrozais. Quase todas as grandes obras antigas conhecidas receberam reparos ou foram reconstruídas em épocas posteriores. Entre 1153 e 1186, o reinado de Parakrama Bahu reuniu novas construções e a restauração de sistemas anteriores.

Na China antiga, Sunshu Ao, do século VI a.C. e do Período das Primaveras e Outonos, e Ximen Bao, do século V a.C. e do Período dos Estados Combatentes, trabalharam em grandes obras de irrigação. Em Sichuan, então parte do Estado de Qin, o engenheiro e hidrólogo Li Bing projetou o Sistema de irrigação de Dujiangyan, construído em 256 a.C. A rede ainda fornece água a uma grande área agrícola. No século II d.C., durante a dinastia Han, bombas de corrente elevavam água. Elas podiam ser acionadas por pedais, rodas d'água ou mecanismos movidos por bois. A água abastecia obras públicas, bairros residenciais e jardins palacianos, mas seguia principalmente para canais de irrigação agrícola.

Na Coreia da dinastia Joseon, o príncipe herdeiro Yi Hyang, futuro rei Munjong, concebeu em 1441 o cheugugi, coreano: 측우기, um recipiente padronizado para medir chuva, durante o reinado de Sejong, o Grande. Em 1442, o governo instalou uma rede nacional de observação com instrumentos e procedimentos padronizados. A agricultura dependia fortemente da quantidade e do momento das chuvas, e essas medições ajudavam a administrar a água disponível para as colheitas.

No deserto do norte do Peru, o vale de Zaña, perto de Nanchoc, guarda os canais de irrigação mais antigos conhecidos das Américas. A datação por radiocarbono colocou alguns deles em pelo menos 3400 a.C., e há indícios de que possam chegar a 4700 a.C. Esses canais levavam água a cultivos de amendoim, abóbora, mandioca, quenopódios, parentes da quinoa, e, mais tarde, milho.

No território dos atuais Estados Unidos, o canal agrícola mais antigo conhecido foi construído entre 1200 e 800 a.C. em Marana, no Arizona, perto de Tucson, e foi descoberto em 2009. Ele é anterior à cultura Hohokam e foi aberto por um povo não identificado. Séculos depois, os Hohokam construíram extensas redes de canais ao longo dos rios Salt e Gila para irrigar áreas agrícolas do atual Arizona. Essas redes formavam os maiores sistemas de irrigação do Novo Mundo ao norte do Peru.
Os Hohokam cultivavam algodão, tabaco, milho, feijão e abóboras e também colhiam plantas silvestres. Nas fases finais dessa cultura, praticaram agricultura de sequeiro em grande escala, principalmente para cultivar agave como alimento e fibra. Com canais e técnicas adaptadas ao deserto, populações rurais puderam se concentrar em assentamentos permanentes.

A área irrigada mundial cresceu de 8 milhões de hectares em 1800 para 94 milhões em 1950 e 235 milhões em 1990. Nesse último ano, terras irrigadas respondiam por 30% dos alimentos produzidos no mundo. A expansão usou canais de desvio de águas superficiais, bombeamento de águas subterrâneas e barragens. Governos nacionais conduziram a maior parte das obras dentro de seus territórios, mas investidores privados e governos estrangeiros também financiaram projetos fora de suas fronteiras, entre eles os Estados Unidos, a China e países europeus como o Reino Unido. Com água disponível onde a chuva não bastava, áreas antes limitadas pelo clima passaram a receber culturas comerciais. Trigo, arroz e algodão estiveram entre as culturas escolhidas por programas que buscavam reduzir a dependência de importações. No século XX, a disputa pelo comércio de algodão levou governos a instalar sistemas em territórios sob seu controle. O Reino Unido ampliou a irrigação na Índia, o Império Otomano no Egito, a França na Argélia, Portugal em Angola, a Alemanha no Togo e a União Soviética na Ásia Central.

No Egito, Maomé Ali Paxá ampliou a irrigação em meados do século XIX para reduzir a dependência em relação ao Império Otomano e aumentar o comércio com a Europa, sobretudo as exportações de algodão. Seu governo propôs trocar parte da irrigação em bacias, baseada nas cheias anuais do Nilo, por barragens de derivação no baixo curso do rio, que permitiam produzir algodão de forma mais contínua. O país dedicava 105 mil hectares ao algodão em 1861 e quintuplicou essa área até 1865. A maior parte das exportações seguia para a Inglaterra, e a falta de algodão causada pela Guerra Civil Americana na década de 1860 consolidou o Egito como fornecedor do mercado britânico.
Como a economia egípcia passou a depender mais do algodão, até pequenas cheias do Nilo se tornaram um problema maior, porque essa cultura sofria mais com inundações do que cevada ou trigo. A Revolta de Urabi, iniciada antes da ocupação britânica, terminou em 1882 com a derrota das forças de Urabi e a ocupação do Egito pelo Reino Unido. As autoridades britânicas aceleraram a conversão para irrigação perene com obras como a Barragem do Delta, a Barragem de Assiut e a primeira represa de Assuã. A mudança reduziu o controle local sobre a água, dificultou a agricultura de subsistência e o plantio de outras culturas e levou parte dos camponeses à falência.

No século XX, governos coloniais e pós-coloniais construíram sistemas de irrigação em diferentes partes da África, com objetivos e resultados que variaram bastante. No leste do Quênia, o projeto do rio Tana, concluído entre 1948 e 1963, abriu novas terras à agricultura. O governo queniano tentou reassentar ali pessoas detidas durante a Revolta dos Mau-Mau. Na Líbia, o Grande Rio Artificial foi planejado para levar água de aquíferos fósseis do Saara até as áreas povoadas da costa, atendendo cidades, lavouras e indústrias. A autoridade responsável pelo projeto foi criada por lei em 1983, e a primeira fase começou a operar no início da década de 1990.
Na União Sul-Africana, um departamento de irrigação criado em 1912 passou a investir em reservatórios e sistemas de rega. O governo também usou barragens e projetos agrícolas para executar políticas raciais e sociais, oferecendo trabalho de construção a brancos pobres e ampliando propriedades agrícolas brancas. A Barragem de Hartbeespoort, iniciada em 1916, foi apresentada como forma de melhorar a condição dos chamados "brancos pobres" e acabou concluída com empregos reservados a trabalhadores brancos. Os projetos de Pretória, Kammanassie e Buchuberg, no Rio Orange, seguiram políticas semelhantes nas décadas de 1920 e 1930.

Nos Estados Unidos, a área irrigada passou de cerca de 121 mil hectares em 1880 para 1,66 milhão em 1890 e 2,95 milhões em 1900. Cerca de dois terços da água vinham de fontes subterrâneas ou de pequenos açudes e reservatórios, e o restante de grandes barragens. No oeste, contar com água controlada tornava as colheitas menos dependentes da chuva do que em muitas áreas do leste. Defensores da irrigação afirmavam que essa previsibilidade também facilitava o acesso dos agricultores ao crédito bancário.
Nas Grandes Planícies, grande parte da irrigação passou a depender dos aquíferos. Agricultores euro-americanos que ocuparam a região no século XIX plantaram trigo, milho e alfafa, mas a pouca chuva limitava a produção. Do fim do século XIX à década de 1930, bombas movidas a vento retiravam água subterrânea, embora sua potência fosse baixa. Bombas a gasolina, difundidas em meados dos anos 1930, permitiram aprofundar os poços no Aquífero de Ogallala. Antes da difusão do pivô central de irrigação depois da Segunda Guerra Mundial, tubos e aspersores precisavam ser dispostos no campo, o que exigia bastante trabalho. Na década de 1970, a retirada de água do aquífero era dez vezes maior que a recarga e, em 1993, metade da água acessível havia sido retirada.

O governo federal financiou e conduziu grande parte dos projetos de irrigação no oeste dos Estados Unidos, com obras na Califórnia, no Colorado, no Arizona e em Nevada. As primeiras tentativas distribuíam terras e deixavam aos colonos a tarefa de encontrar água, mas tiveram pouco resultado. O Congresso aprovou o Desert Land Act em 1877 e o Carey Act em 1894 sem produzir grande expansão da irrigação. Em 1902, o National Reclamation Act destinou receitas da venda de terras públicas do oeste, em lotes de até cerca de 65 hectares, a projetos em regiões áridas. Os congressistas que aprovaram a lei e seus apoiadores mais ricos defendiam que a irrigação aumentaria as exportações, "recuperaria" o oeste para a agricultura e levaria famílias pobres do leste a migrar para a região.
O National Reclamation Act deu ao governo federal um alcance maior sobre a irrigação do oeste, mas sua execução se afastou do plano inicial. O Reclamation Service concentrou recursos na construção de grandes barragens, como a Represa Hoover, em vez de priorizar o assentamento de agricultores. No século XX, o Congresso e governos estaduais entraram em conflitos cada vez mais frequentes com o órgão. A postura de Frederick Newell, chefe do serviço, a queda dos preços agrícolas, as disputas sobre adiamento de dívidas e a decisão de não iniciar novas obras antes de concluir as antigas alimentaram as críticas. O Reclamation Extension Act of 1914 transferiu ao Congresso parte das decisões sobre os projetos num momento em que o Reclamation Service perdia apoio político.
Na Bacia do Colorado, o Rio Colorado e seus afluentes fornecem água para irrigar cerca de 2,2 milhões de hectares nos Estados Unidos. No processo de 1952 Arizona v. California, o Arizona pediu maior acesso ao rio alegando que suas águas subterrâneas não sustentariam uma economia agrícola fortemente dependente de irrigação, e obteve decisão favorável. Na Califórnia, a irrigação se expandiu no Vale de San Joaquin a partir da década de 1870, e o Wright Act of 1887 autorizou comunidades agrícolas a construir e operar suas próprias obras. O Rio Colorado também abastece grandes áreas agrícolas do Vale Imperial por meio do All-American Canal, construído com financiamento federal.

Quando os bolcheviques conquistaram a Ásia Central em 1917, cazaques, uzbeques e turcomenos já usavam irrigação, mas em escala limitada. Imigrantes eslavos enviados à região pelo governo czarista levaram rodas d'água, o uso de arrozais para recuperar solos salinizados e canais subterrâneos. Autoridades russas julgavam essas técnicas rudimentares e ineficientes, mas o governo czarista as manteve até o fim do século XIX por falta de alternativas.
Em 1911, antes da conquista soviética da região, o governo russo aceitou uma proposta norte-americana para enviar especialistas hidráulicos à Ásia Central e avaliar a irrigação em grande escala. Um decreto de Lenin de 1918 incentivou novos projetos, e as obras começaram a avançar na década de 1930. Stalin e outros dirigentes soviéticos priorizaram grandes projetos hidráulicos, sobretudo ao longo do Rio Volga. A política respondia em boa parte ao medo de depender do algodão dos Estados Unidos e à meta de produzir matéria-prima suficiente dentro do território soviético. A indústria têxtil russa havia crescido no século XIX, mas a Ásia Central recebia chuva insuficiente para cultivar algodão sem irrigação.
A expansão trouxe custos que nem sempre ficavam dentro das áreas irrigadas. Desvios secaram fontes de água e alteraram o clima regional, enquanto bombeamento excessivo causou subsidência e salinização, e água salina prejudicou lavouras e abastecimento humano. Em alguns lugares, canais e reservatórios criaram condições favoráveis a surtos de malária e esquistossomose. Governos também usaram projetos para dirigir migrações de população. Certas obras nacionais custaram mais do que o valor agrícola adicional que produziram.

Barragens de irrigação nos rios Don e Kuban reduziram o fluxo de água doce para o Mar de Azov e aumentaram sua salinidade. Outros locais também sofreram com esgotamento e acúmulo de sais. Na década de 1950, o governo soviético passou a desviar o Syr Darya e o Amu Darya, que alimentavam o Mar de Aral. Antes dos desvios, os dois rios levavam cerca de 55 km³ de água por ano ao mar. Depois, esse volume caiu para aproximadamente 6 km³. A partir da década de 1960, a superfície do Mar de Aral encolheu até chegar a cerca de 10% de sua área original, deixando grande parte do antigo leito exposta como o deserto de Aralkum. O vento passou a carregar sais e poeira do leito seco, piorando a qualidade do ar nas áreas próximas.

Em 1975, a União Soviética usava oito vezes mais água do que em 1913, principalmente para irrigação. O crescimento das áreas irrigadas perdeu ritmo no fim dos anos 1980, quando a Ásia Central chegou a 7 milhões de hectares irrigados. Em 1986, Mikhail Gorbachev cancelou um plano para inverter o fluxo dos rios Óbi e Ienissei e levar água para irrigação. Com a dissolução da União Soviética, em 1991, terminou o investimento russo no sistema de irrigação de algodão da Ásia Central.

Em 2023, a UNESCO inscreveu Traditional irrigation: knowledge, technique, and organization na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. A inscrição abrange práticas da Áustria, Bélgica, Alemanha, Itália, Luxemburgo, Países Baixos e Suíça. A água é desviada por gravidade de nascentes, cursos d'água e geleiras, seguindo por canais e valas construídos à mão. Os praticantes dividem entre si os dias e horários de uso.
A Comissão Internacional de Irrigação e Drenagem mantém o programa World Heritage Irrigation Structures, um cadastro de obras de irrigação ou drenagem com mais de cem anos que atendam aos critérios definidos pelo programa. Podem entrar barragens, reservatórios, estruturas de desvio, canais, rodas d'água, picotas e obras de drenagem usadas no manejo agrícola da água.
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