| Rhythm and blues | |
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Ruth Brown, a "Rainha do R&B". | |
| Origens estilísticas | |
| Contexto cultural | Décadas de 1940 e 1950 nos Estados Unidos |
| Instrumentos típicos | |
| Formas derivadas |
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| Subgêneros | |
| Gêneros de fusão | |
Rhythm and blues, frequentemente abreviado como R&B ou R'n'B, é um gênero de música popular que se originou nas comunidades afro-americanas na década de 1940. O termo foi originalmente usado por gravadoras para descrever gravações comercializadas predominantemente para afro-americanos, numa época em que a "música rock, baseada em jazz... [com uma] batida pesada e insistente" estava começando a se tornar mais popular. No rhythm and blues comercial, típico das décadas de 1950 a 1970, as bandas geralmente consistiam em um piano, uma ou duas guitarras, baixo, bateria, um ou mais saxofones e, às vezes, vocais de apoio. Os temas das letras de R&B frequentemente encapsulam a história e a experiência afro-americana de dor e a busca por liberdade e alegria, bem como triunfos e fracassos em termos de racismo social, opressão, relacionamentos, economia e aspirações.
O termo "rhythm and blues" passou por diversas mudanças de significado. No início da década de 1950, era frequentemente aplicado a gravações de blues. A partir de meados da década de 1950, após esse estilo musical ter contribuído para o desenvolvimento do rock and roll, o termo "R&B" passou a ser usado em um contexto mais amplo. Referia-se a estilos musicais que se desenvolveram e incorporaram o blues elétrico, bem como a música gospel e a soul. Na década de 1970, o termo "rhythm and blues" mudou novamente e passou a ser usado como um termo genérico para soul e funk.
No final da década de 1980, surgiu um novo estilo de R&B, conhecido como R&B contemporâneo. Essa forma contemporânea combina rhythm and blues com vários elementos de pop, soul, funk, disco, hip-hop e música eletrônica.
Durante a Segunda Guerra Mundial, devido à dificuldade de manter agenda de shows lucrativos, os líderes de algumas ‘’big bands’’ foram forçados a reduzir o tamanho dos grupos, no fim dos anos de 1930. Estas grandes bandas reduzidas especializaram-se em hard-swing, boogie-woogie, mais simples e temperados com letras bem humoradas e performances aguerridas. Elas foram chamadas de jump blues. Um detalhe importante é que esses grupos também chamados de combo blues surgiram também devido às dificuldades que os negros sentiam para manter o nível de vida nas grandes cidades. Foi na época da migração dos negros pra as grandes cidades, e foi também no pós guerra que o consumismo aumentou. A guitarra elétrica ou guitarra acústica amplificada, passa a ser mais presente no blues, principalmente o de Chicago.
O R&B, além de suas raízes no country blues (Delta blues e Piedmont blues) e antigas formas de música americana, foi influenciado também pela música cubana.
Foi na década de 1920 que a indústria fonográfica separou a música negra como race records para música afro-americana e hillbilly para música de branco. O termo hillbilly, considerada degradante, foi rotulada de old-time music como eufemismo pela Okeh Records para descrever a forma de música de Fiddlin' John Carson, já que a Okeh havia criado a race records 3 anos antes com o sucesso do blues de Mamie Smith. O termo "country music" foi adotado nos anos de 1940 para evitar o termo hillbilly ainda usado na época. Substituiu também o termo old-time music. Não havia uma divisão muito clara das duas músicas, exceto a etnia. Negros e brancos dividiam o mesmo repertório como músicos livres, e foi separado na imigração dos negros para áreas urbanas na década de 1920 em simultâneo com o desenvolvimento da indústria fonográfica. Blues serviu como código por uma gravação designada a vendas para negros, além do racismo.
A Okeh foi a primeira gravadora de race records e a gravar música country.
A troca de influencia de raças já havia começado, segundo o historiador Bill Edwards, antes da Feira Mundial de Chicago de 1893 (data formal do surgimento do ragtime) em botecos americanos e dos bairros de bordéis, concorrendo, negociando e trocando tradições musicais, no caso estilos europeus e ritmos africanos. Assim se desenvolve o ragtime, e, depois surge a primeira variante do rag, o jazz, brotando através do ragtime e do blues. Os brancos por sua vez passam a ser cada vez mais presentes, e nos anos de 1930 com a influência da instrumentação do clássico passam a desenvolver as big bands, como exemplo Paul Whiteman e sua orquestra.
Com as big bands surge o swing, com uns dos pioneiros Benny Goodman, Glenn Miller, Count Basie, entre outros. E um dos maiores nomes do rhythm & blues é um branco, o multi-instrumentista Johnny Otis, também líder de bandas de swing nos anos de 1940.
Outros exemplos desta troca de influências são a música cajun, creole e zydeco, este último sendo uma influencia do rhythm and blues.
No ano de 1938 ocorreu o primeiro maior evento de música de origem “inicial negra” do país, no Carnegie Hall, chamado de ‘’From Spirituals To Swing’’ onde tocaram várias "feras" do swing, blues, boogie-woogie como, Benny Goodman, Count Basie, Meade Lux Lewis, entre outros . Lá se destacou o boogie woogie com Big Joe Turner e Pete Johnson com Roll Em’ Pete, considerada das mais antigas gravações de rock, embora seja ainda um boogie bem rápido cantado, lembrando o seu primo stride em instrumental e andamento.
A partir deste evento, surgiu a "loucura boogie" (boogie crazy), onde todos os estilos passaram a implementar o boogie-woogie nas canções, e o gênero passa a ser sucesso no país.
O boogie se desenvolveu no início do século XX principalmente nas honky tonks, bares que tinham de tudo, dança e música de várias etnias, além dos pianos verticais e malcuidados, onde negros e brancos frequentavam. Os negros eram da influencia tonal do blues na música honky tonk, música esta baseada nos ragtimes, e enfatizava mais o lado percussivo ou rítmico. A música honky tonk foi responsável pelo desenvolvimento do country moderno e do western swing. Diferente do boogie-woogie, o stride, que vinha de Harlem, era mais rápido e virtuoso.
Assim como o boogie-woogie, seu irmão stride surgiu do ragtime na mesma época, ou seja, de uma diversidade etnocultural, ou uma homogeneidade identitária. O ragtime foi importante para o surgimento do jazz, sendo o stride uma das manifestações mais antigas do antigo jazz.
Músicos de country desenvolvem o bluegrass (estilo acústico), western swing, e, o swing desenvolve o jump blues, com uma volta às origens simples do blues e boogie woogie, porém mais harmônico que o blues e mais simples que o swing.
Um dos pioneiros a fazer sucessos no gênero foi Louis Jordan and His Tympany Five, com músicas jazz-blues, passa a fazer sons mais dançantes e simples atingindo um público maior, quebrando a separação dos públicos branco e negro. O exemplo mais concreto de reconhecimento deste gênero foi Caldonia em 1945. Um outro exemplo jump dele é a ‘’G.I Jive’’ de 1944.
O jump blues foi a primeira manifestação reconhecida do estilo musical rhythm and blues, sendo Louis Jordan conhecido como o pai do rhythm and blues. Caledonia é considerado como o nascimento do rock & roll. Por outro lado, com o impulso do jazz dos anos de 1930, o avanço do boogie-woogie e pelo avanço tecnológico, os músicos influenciados fortemente pelo blues clássico passam a desenvolver o bar blues, onde eram tocados em guetos de Chicago, Detroit, que, era caracterizado pela presença da gaita. Pouco depois seria popularizado por Muddy Waters, Howlin' Wolf, Elmore James, entre outros.
O termo por sua vez foi criado por Jerry Wexler em 1948 para tentar quebrar o termo race music popularizado pela Race Records, lembrando que, mesmo sendo uma música com certa influência de ambas as raças, era predominada por músicos negros. O R&B em sua abreviação se refere também a tudo que envolvia e envolve até hoje a música negra, chamado de R&B Charts (paradas de R&B).
Nas paradas de R&B também incluíam blues genuínos, melódicos, jazz, swing, boogie woogie e gospel, gravados por músicos negros.
O Rock & Roll Hall of Fame identifica alguns dos criadores do rhythm and blues na big band de Joe Turner, nos Tympany Five de Louis Jordan, em James Brown e LaVern Baker. Essa fonte afirma que “Louis Jordan se juntou a Turner para lançar as bases do R&B nos anos 1940, gravando uma obra-prima swingada do rhythm & blues atrás da outra”.
Outros artistas que foram “marcos fundamentais do R&B e de sua transformação em rock & roll” incluem Etta James, Fats Domino, Roy Brown, Little Richard e Ruth Brown. Também se destacaram os grupos de doo wop, entre eles The Orioles, The Ravens e The Dominoes.
O termo "rock and roll" tinha uma forte conotação sexual no jump blues e no R&B, mas quando o DJ Alan Freed se referiu ao rock and roll nas rádios tradicionais em meados da década de 1950, "o componente sexual havia sido reduzido o suficiente para que se tornasse um termo aceitável para dançar".
Foi na época do swing que a guitarra elétrica passa a ser construída pela companhia Rickenbacker, vindo de guitarra havaiana, e depois construindo a guitarra elétrica. Os primeiros guitarristas a usarem a guitarra elétrica foram do swing e western swing. Consta que a primeira gravação de guitarra elétrica foi em 1935 por Jim Boyd para o western swing. Passou a ser usada mais constantemente, e Les Paul (músico de country e jazz) cria no início dos anos de 1940 a guitarra de corpo sólido, a ‘’log guitar’’. Agora o rhythm & blues de Chicago com Muddy Waters e contemporâneos, de Memphis com B.B. King, começam a usar definitivamente a guitarra elétrica, além da fender telecaster.
Exemplo é o jump blues de 1945 de T-Bone Walker com uma guitarra forte e suja na T-Bone Boogie entre outros jumps com bastante guitarra em 1946 e 1947 dele, e em 1946 de Joe Turner com guitarra mais presente, a My Gal’s A Jockey, além da Salt Pork, West Virginia de 1946 de Louis Jordan com solo de guitarra presente, e por fim, o blues de chicago passa a desenvolver um blues mais pesado.
Segundo Fats Domino, o rhythm and blues não tem diferença do rock and roll, e Joe Turner disse uma certa vez; Rock 'n' roll não é nada mais do que um nome diferente para o mesmo tipo de música que ando cantando por toda a minha vida. Com a explosão do rock and roll, o rhythm and blues se fortalece ritmicamente evoluindo em mais estilos como o soul, no exemplo de I Got Woman de Ray Charles, um dos maiores clássicos do rock ’n’ roll, com influencia mais explícita do spirituals, e também Little Richard que foi o ídolo de James Brown e Otis Redding.
Uma publicação da Smithsonian Institution oferecia este resumo das origens do gênero em 2016:
"Uma música claramente afro-americana que se alimenta dos profundos afluentes da cultura expressiva afro-americana, é uma amálgama de jump blues, big band swing, gospel, boogie e blues que se desenvolveu inicialmente ao longo de um período de trinta anos, abrangendo a era da segregação racial legalmente sancionada, os conflitos internacionais e a luta pelos direitos civis."