Rowan Williams | |
|---|---|
| Província | Cantuária |
| Ordenação e Nomeação | |
| Ordenação | 2 de outubro de 1977 (diácono) 2 de julho de 1978 (padre) |
| Consagração | 01 de maio de 1992 |
| Dados pessoais | |
| Nome de batismo | Rowan Douglas Williams |
| Nascimento | 14 de junho de 1950 (76 anos) Swansea, Inglaterra |
| Nacionalidade | britânico |
| Residência | Lambeth Palace |
| Cônjuge | Jane Paul |
| Cargos anteriores | Arcebispo de Gales (2000–2002) Bispo de Monmouth (1992-2002) |
| Brasão | |
Rowan Douglas Williams, Barão Williams de Oystermouth PC FBA FRSL FLSW (Swansea, 14 de Junho de 1950) é um teólogo e poeta do País de Gales, ex-arcebispo da Cantuária e ex-chefe da Comunhão Anglicana.
Rowan Douglas Williams nasceu em uma família de língua galesa e estudou na Dynevor School em Swansea e no Christ's College, em Cambridge, onde cursou teologia, obtendo o bacharelado em 1971 e o mestrado em 1975. Obteve seu doutorado — sobre a teologia de Vladimir Lossky — no Wadham College, em Oxford, em 1975. Nos dois anos seguintes, foi professor no College of the Resurrection, perto de Leeds. Foi ordenado diácono na Michaelmas (2 de outubro) de 1977, por Eric Wall, Bispo de Huntingdon.
Retornando a Cambridge ainda em 1977, foi tutor no Westcott House e ordenado sacerdote na Petertide (2 de julho) de 1978, por Peter Walker, Bispo de Ely. A partir de 1980, igualmente foi vigário paroquial em St George's, Chesterton. Nesse período, entre 1981 e 1982, ainda foi cônego teólogo na Catedral de Leicester.
Em 1983, foi nomeado professor de Teologia na universidade e, no ano seguinte, tornou-se decano e capelão do Clare College. Durante seu período, em 1985, foi preso e multado por cantar salmos como parte de um protesto da Campanha pelo Desarmamento Nuclear na base aérea de Lakenheath.
Em 1986, retornou a Oxford como Professor Cátedra Lady Margaret de Teologia e cônego residente de Christ Church. Lá, recebeu o título de Doutor em Divindade em 1989.
Enquanto acadêmico, Dr. Williams era conhecido como um liberal consciencioso, apoiando os direitos dos homossexuais e a ordenação de mulheres na igreja. Em 1996, ele fundou o Instituto para o Estudo do Cristianismo e da Sexualidade e, no ano seguinte, foi indicado para o cargo de Bispo de Southwark. Porém, segundo o The Guardian, havia a opinião de que George Carey, seu antecessor como Arcebispo da Cantuária, retirou a oferta quando o Dr. Williams não aceitar parar de promover a causa dos direitos dos homossexuais.
Williams foi eleito Bispo de Monmouth em 5 de dezembro de 1991. Foi consagrado na Catedral de St Asaph, em 1º de maio de 1992, e entronizado na Catedral de St Woolos em 14 de maio.
Em dezembro de 1999, com a aposentadoria do Arcebispo Alwyn Rice Jones, foi eleito Arcebispo de Gales e entronizado na Catedral de St Woolos em 26 de fevereiro de 2000.
Após ser nomeado em 23 de julho de 2002, o Arcebispo Williams foi confirmado em 2 de dezembro de 2002 como o 104º bispo da Sé de Cantuária, na Catedral de São Paulo, em Londres, e entronizado em 27 de fevereiro de 2003, na Catedral da Cantuária. Ele foi o primeiro galês eleito para a Cantuária e o primeiro desde o século XIII a ser nomeado de fora da igreja inglesa.
Em 2005, o Príncipe Carlos casou-se com Camilla Parker Bowles, uma divorciada, numa cerimônia civil. Depois, Williams realizou uma cerimônia formal de bênção ao casal. De fato, os preparativos para o casamento e a cerimônia foram fortemente apoiados pelo Arcebispo, "em consonância com as diretrizes da Igreja da Inglaterra relativas ao novo casamento". O ato de penitência "fortemente redigido" do casal, uma oração confessional escrita por Tomás Cranmer, Arcebispo da Cantuária, ao Rei Henrique VIII, foi interpretado como uma confissão dos noivos de pecados passados, embora sem referência específica e indo "em certa medida para reconhecer preocupações" sobre as suas transgressões passadas.
Williams oficiou o casamento do Príncipe William e Catherine Middleton em 29 de abril de 2011.
Em 16 de novembro de 2011, Williams participou de um serviço especial na Abadia de Westminster para celebrar o 400º aniversário da Bíblia do Rei Jaime, na presença da Rainha Isabel, do Príncipe Filipe e do Príncipe Carlos, Patrono do King James Bible Trust.
Em 2012, ele anunciou que deixaria o cargo para assumir uma nova função como diretor do Magdalene College. Williams aposentou-se como Arcebispo da Cantuária em 31 de dezembro de 2012. Em 26 de dezembro de 2012, o número 10 de Downing Street anunciou a elevação de Williams à nobreza como par vitalício. Após a criação de seu título em 8 de janeiro e sua publicação no Diário Oficial em 11 de janeiro de 2013, ele foi apresentado aos bancos temporais da Câmara dos Lordes como Barão Williams de Oystermouth em 15 de janeiro de 2013, atuando como independente. Oystermouth faz parte da cidade e condado de Swansea.
Para marcar o fim do seu mandato como Arcebispo, Williams apresentou um documentário da BBC sobre a Catedral da Cantuária, no qual refletiu sobre o seu tempo no cargo. Intitulado Goodbye to Canterbury, o programa foi exibido em 1.º de janeiro de 2013.
Em 17 de janeiro de 2013, Williams foi admitido como o 35º Mestre do Magdalene College, Cambridge. Ele também foi nomeado professor honorário de Pensamento Cristão Contemporâneo pela Universidade de Cambridge em 2017. Em 18 de junho de 2013, a Universidade do Sul do País de Gales anunciou sua nomeação como seu novo chanceler, o chefe cerimonial da universidade.
Em 2015, foi noticiado que Williams havia escrito uma peça chamada Shakeshafte, sobre um encontro entre William Shakespeare e Edmund Campion, um padre jesuíta e mártir. Williams suspeita que Shakespeare era católico, embora não frequentasse a igreja regularmente. A peça estreou em julho de 2016 e foi bem recebida.
Aposentou-se da Câmara dos Lordes em 31 de agosto de 2020 e do Magdalene College naquele outono, retornando a Abergavenny em sua antiga Diocese de Monmouth. No ano seguinte, foi nomeado bispo assistente honorário das dioceses de Swansea e Brecon, de Llandaff e de Monmouth.
Ele é casado desde 1981 com Jane Paul, professora de teologia, a quem conheceu quando vivia e trabalhava em Cambridge. Eles têm um casal de filhos (Rhiannon e Pip).
Williams fala ou lê onze línguas: inglês, galês, espanhol, francês, alemão, russo, hebraico bíblico, siríaco, latim e grego antigo (koiné) e moderno. Ele aprendeu russo para poder ler as obras de Dostoiévski no original. Desde então, ele descreveu seu alemão falado como um "desastre" e disse que é "um leitor e escritor muito desajeitado de russo". Ele também afirmou que sabe um pouco de italiano, o que significa que ele conhece doze línguas.
Williams, um estudioso dos Padres da Igreja e historiador da espiritualidade cristã, escreveu em 1983 que a ortodoxia deveria ser vista “como uma ferramenta, e não como um fim em si mesma...”. Não é algo estático. Assim, “os estilos antigos sofrem crescente pressão, sendo necessário gerar uma nova linguagem”. Ele vê a ortodoxia como uma série de “diálogos”: um diálogo constante com Cristo, crucificado e ressuscitado; mas também o da comunidade de fé com o mundo – “uma empreitada arriscada”, como ele escreve. “Deveríamos ficar perplexos”, diz ele, “quando o mundo não é desafiado pelo Evangelho”. Isso pode significar que os cristãos não compreenderam os tipos de servidão aos quais o Evangelho se dirige. Ele também escreveu que “a ortodoxia é inseparável da prática sacramental... A eucaristia é o paradigma desse diálogo que é a ‘ortodoxia’”.
O bispo episcopal John Shelby Spong, um conhecido liberal, certa vez acusou Williams de ser um "neomedievalista", pregando a ortodoxia para as pessoas nos bancos da igreja, mas sabendo em particular que não era verdade. Em uma entrevista à revista Third Way, Williams respondeu:
Na verdade, sou muito mais conservador do que ele gostaria que eu fosse. Veja a Ressurreição. Acho que ele disse que, claro, eu sei o que todos os estudiosos renomados pensam sobre o assunto e, portanto, quando falo sobre o corpo ressuscitado, devo estar me referindo a algo diferente do túmulo vazio. Mas não estou. Não sei como convencê-lo, mas realmente não sei.
Criticado a respeito de suas falas e posições quando era apenas professor e acadêmico e a mudança posterior como bispo, Dr. Williams apontou que antes apresentava ideias como parte de uma "discussão teológica", mas, como chefe da Igreja, necessita articular os ensinamentos da igreja.
Embora geralmente considerado um anglo-católico, Williams tem amplas simpatias. Uma de suas primeiras publicações, na série Grove Books, predominantemente evangélica, tem o título Eucharistic Sacrifice: The Roots of a Metaphor.
As contribuições de Williams para as visões anglicanas sobre a homossexualidade eram consideradas bastante liberais antes de ele se tornar Arcebispo da Cantuária. Essas visões são evidentes em um artigo escrito por Williams chamado "The Body's Grace", que ele originalmente apresentou como o 10º Discurso Memorial Michael Harding em 1989 para o Movimento Cristão Lésbico e Gay, e que agora faz parte de uma série de ensaios reunidos no livro Theology and Sexuality. Na Conferência de Lambeth em julho de 1998, o então Bispo Rowan Williams de Monmouth se absteve e não votou a favor da resolução conservadora sobre sexualidade humana.
Pouco após sua eleição, ele foi criticado na imprensa por supostamente apoiar uma "organização pagã", a Welsh Gorsedd of Bards, que promove a língua e a literatura galesas e usa cerimônias druídicas, mas que na verdade não é de natureza religiosa. Ele foi nomeado druida branco honorário pela organização, por sua contribuição à língua e à cultura galesas, e criticou a imprensa por retratar o cargo como pagão.
Em fevereiro de 2003, antes da entronização de Rowan Williams como Arcebispo da Cantuária, o Papa João Paulo II lhe enviou uma mensagem. Em 4 de outubro do mesmo ano, o papa recebeu o arcebispo na Santa Sé.
Após a morte do Papa João Paulo II, o arcebispo Williams afirmou que "a vida do Papa foi uma demonstração de fé vivida na prática" e elogiou "a maneira como o Papa encarou a própria morte com coragem e aceitação". Ele aceitou um convite para comparecer ao seu funeral, sendo o primeiro Arcebispo da Cantuária a comparecer ao funeral de um Papa desde a ruptura, liderando uma comitiva da Comunhão Anglicana. Na ocasião, Williams usou o anel episcopal presenteado pelo Papa Paulo VI ao Arcebispo Michael Ramsey em 1966.
No mesmo ano, ele participou da inauguração papal do Papa Bento XVI, em 24 de abril, na Praça de São Pedro, tornando-se o primeiro Arcebispo da Cantuária em exercício a participar de tal ocasião, pelo menos desde a Reforma. Além do anel episcopal, ele usou uma cruz peitoral que lhe foi oferecida pelo Papa João Paulo II.
Williams disse em abril de 2010 que o escândalo de abuso sexual infantil na Igreja Católica na Irlanda tinha sido um "trauma colossal" para a Irlanda em particular. As suas declarações foram condenadas pelo segundo bispo católico mais sênior na Irlanda, o Arcebispo de Dublin, Diarmuid Martin, que disse que "Aqueles que trabalham pela renovação na Igreja Católica na Irlanda não precisavam deste comentário neste fim de semana de Páscoa e não o merecem."
Durante a visita de Estado de Bento XVI ao Reino Unido em setembro de 2010, os dois conduziram juntos uma missa na Abadia de Westminster.
Já no seu primeiro ano como primaz da Comunhão Anglicana, ele precisou enfrentar crises pela questão da homossexualidade no anglicanismo. A análise do The Guardian afirmou que "o Dr. Williams tornou-se muito mais conservador no cargo mais alto" e que ele "deixou claro que desejava a unidade mais do que a liberdade".
Em 20 de maio de 2003, Jeffrey John, um padre gay, foi nomeado bispo sufragâneo da Diocese de Oxford. Sua nomeação levou a controvérsias na Igreja da Inglaterra e na Comunhão Anglicana devido ao relacionamento de longo prazo de John com outro padre da Igreja da Inglaterra, apesar de declarar publicamente que seu relacionamento era celibatário. John recebeu críticas sobre sua nomeação tanto por sua postura em relação a questões gays quanto por não ter se arrependido publicamente de suas atividades sexuais passadas de forma a indicar que eram erradas. Vários líderes anglicanos conservadores em vários países declararam sua intenção de se separar da comunhão se a consagração fosse adiante. Preocupações com o potencial de divisão levaram o arcebispo Williams a pressionar John a renunciar. Em 6 de julho, ele teria retirado sua aceitação da nomeação para o bispado, embora mais tarde tenha surgido que ele não havia de fato concordado em fazê-lo. Nessa altura, o processo de sua assunção ao cargo já estava bastante avançado, com a ordenação marcada para 9 de outubro.
No mesmo ano, houve a eleição do padre episcopal assumidamente gay Gene Robinson, dos Estados Unidos, como bispo de New Hampshire. Após a aprovação de Robinson pela Convenção Geral da Igreja Episcopal, o arcebispo Williams declarou que "[a eleição] inevitavelmente terá um impacto significativo na Comunhão Anglicana em todo o mundo e é muito cedo para dizer qual será o resultado disso". Ele acrescentou: "Espero que a igreja na América e o resto da Comunhão Anglicana tenham a oportunidade de considerar esse desenvolvimento antes que decisões significativas e irrevogáveis sejam tomadas em resposta".
Em outubro de 2003, reunidos no Palácio de Lambeth para discutir a benção de uma união de mesmo sexo na Diocese de New Westminster (Canadá) e a eleição de Robinson na Igreja Episcopal, os primazes anglicanos alertam que sua consagração como bispo ameaçava o futuro da Comunhão. Nos dois meses seguintes, nove províncias da Comunhão declaram que sua comunhão com Igreja Episcopal foi quebrada após a consagração de Gene Robinson. Lutando para impedir o potencial cisma na Comunhão Anglicana, o Arcebispo Williams, que estava programado para comparecer à consagração de Robinson, desistiu devido à pressão dos conservadores.
Williams nomeou Robin Eames, Arcebispo de Armagh e Primaz de Toda a Irlanda, como presidente da Comissão de Lambeth sobre a Comunhão Anglicana, para examinar os desafios à unidade da Comunhão Anglicana, decorrentes da consagração de Gene Robinson e da bênção de uniões entre pessoas do mesmo sexo na Diocese de New Westminster. O Relatório de Windsor, como ficou conhecido, publicado em outubro de 2004, não adotou uma posição sobre a prática homossexual, mas, mesmo assim, recomendou uma moratória sobre novas consagrações de bispos ativamente homossexuais e ritos públicos de bênção de uniões entre pessoas do mesmo sexo, e pediu a todos os envolvidos na consagração de Robinson que "considerassem em consciência se deveriam se retirar das funções representativas na Comunhão Anglicana". O Relatório Windsor foi criticado pelos liberais por parecer dar como certo que as ações de New Hampshire e New Westminster — e a homossexualidade em geral — estavam erradas.
Em fevereiro de 2005, a questão da homossexualidade foi amplamente debatida em uma reunião regular dos Primazes da Comunhão Anglicana em Dromantine, na Irlanda do Norte. Os primazes emitiram um comunicado que reiterava a maioria das declarações do Relatório de Windsor, acrescentando que a Igreja Episcopal e a Igreja Anglicana do Canadá foram solicitadas a se retirarem voluntariamente do Conselho Consultivo Anglicano até a próxima Conferência de Lambeth em 2008.
Em novembro de 2005, após uma reunião de anglicanos do "Sul Global" no Cairo, na qual Williams se dirigiu a eles em termos conciliatórios, 12 primazes presentes enviaram-lhe uma carta criticando duramente sua liderança, afirmando que "Estamos preocupados com sua relutância em usar sua autoridade moral para desafiar a Igreja Episcopal e a Igreja Anglicana do Canadá".
Em 12 de fevereiro de 2008, o arcebispo anunciou a formação do Grupo de Continuação de Windsor (WCG), para abordar as questões remanescentes em torno do Relatório de Windsor e das várias respostas formais das províncias e instrumentos da Comunhão Anglicana. O WCG foi presidido pelo Bispo Clive Handford.
O problema de Robinson no episcopado continuou afetando a Comunhão. Em abril de 2008, bispo Robinson acusou o Arcebispo da Cantuária de não confrontar os críticos de sua nomeação; ao lembrar das ameaças de morte que recebeu e de precisar usar colete à prova de balas na consagração e em algumas aparições públicas, disse que a forma como Williams lidava com a retórica contra os anglicanos gays pode colocá-los em perigo. Williams não convidou Robinson para a Conferência de Lambeth, em julho de 2008, para evitar o aprofundamento da crise. Isso não impediu o boicote de 270 bispos conservadores, que criaram uma conferência concorrente no mês anterior, a GAFCON, exigindo que a Conferência "se arrependesse" pela ordenação de Gene Robinson. O não-convite de Gene Robinson não impediu que ele viajasse em julho para a Inglaterra, em uma visita privada, o que resultou em alguma cobertura da mídia, pois pregou em várias paróquias e organizou conferências com Sir Ian McKellen.
Em 9 de fevereiro de 2010, num discurso ao Sínodo Geral da Igreja da Inglaterra, Williams alertou que as lutas internas prejudiciais sobre a ordenação de mulheres como bispas e de padres homossexuais poderiam levar a uma divisão permanente na Comunhão Anglicana. Ele enfatizou que não "desejava nem apreciava" a perspectiva de divisão e apelou à Igreja da Inglaterra e aos anglicanos em todo o mundo para que recuassem de uma "traição" à missão de Deus e colocassem a obra de Cristo acima do cisma. Mas admitiu que, a menos que os anglicanos pudessem encontrar uma maneira de conviver com suas diferenças, a igreja se tornaria uma comunhão de vários níveis diferentes – um cisma em tudo, menos no nome.
Williams também disse que “pode ser que o pacto crie uma situação em que existam diferentes níveis de relacionamento entre aqueles que reivindicam o nome de anglicano", o que seria "um aspecto inevitável para limitar os danos que já estamos causando a nós mesmos”. Em tal estrutura, algumas igrejas receberiam a plena filiação à Comunhão Anglicana, enquanto outras teriam uma forma de filiação de nível inferior, com não mais do que o status de observador em algumas questões. Williams também usou seu discurso principal para apresentar um profundo pedido de desculpas pela maneira como havia falado sobre padres anglicanos gays “exemplares e sacrificiais” no passado.
Em 2002, Williams proferiu a palestra Richard Dimbleby e optou por abordar a natureza problemática do Estado-nação, bem como de seus sucessores. Ele citou o "Estado de mercado" como oferecendo uma visão inadequada de como um Estado deveria operar, em parte porque era suscetível a preocupações de curto prazo e restritas e em parte porque uma arena pública que se tornou neutra em relação a valores estava sujeita a desaparecer em meio à multiplicidade de interesses privados concorrentes.
Ele não é isento de críticas ao comunitarismo, mas suas reservas em relação ao consumismo têm sido um tema constante. Essas opiniões foram frequentemente expressas em termos bastante fortes; por exemplo, ele certa vez comentou que "Toda transação nas economias desenvolvidas do Ocidente pode ser interpretada como um ato de agressão contra os perdedores econômicos no jogo mundial."
Williams tem apoiado a campanha tributária Robin Hood desde março de 2010, reafirmando seu apoio em um artigo publicado no Financial Times em novembro de 2011. Ele também é um opositor declarado da evasão fiscal e um defensor da responsabilidade social corporativa, argumentando que "o crescimento econômico e a prosperidade visam servir ao bem humano, não a fins privados".
Williams reiterou sua oposição à ação americana em outubro de 2002, quando assinou uma petição contra a Guerra do Iraque, alegando que ela contrariava a ética das Nações Unidas e os ensinamentos cristãos, e que "reduzia inaceitavelmente o limiar da guerra". Novamente, em 30 de junho de 2004, juntamente com o então Arcebispo de Iorque, David Hope, e em nome de todos os 114 bispos da Igreja da Inglaterra, escreveu a Tony Blair expressando profunda preocupação com a política do governo britânico e criticando a conduta das tropas da coalizão no Iraque. A carta citava os abusos contra detentos iraquianos, descritos como "profundamente prejudiciais", e afirmava que os aparentes padrões duplos do governo "diminuem a credibilidade dos governos ocidentais". Em dezembro de 2006, expressou dúvidas, em entrevista ao programa Today da BBC Radio 4, sobre se havia feito o suficiente para se opor à guerra.
Em 5 de outubro de 2007, Williams visitou refugiados iraquianos na Síria. Em uma entrevista à BBC após a viagem, ele descreveu os defensores de um ataque dos Estados Unidos à Síria ou ao Irã como "criminosos, ignorantes e potencialmente assassinos". Alguns dias antes, o ex-embaixador dos EUA na ONU, John R. Bolton, havia defendido o bombardeio do Irã em uma reunião paralela da conferência do Partido Conservador. Na palestra do Programa Humanitas de Williams na Universidade de Oxford, em janeiro de 2014, ele "caracterizou o impulso de intervir como uma necessidade de ser visto fazendo algo em vez de nada" e defendeu "uma não-violência motivada religiosamente que se recusa a idolatrar a intervenção humana em todas as circunstâncias".
Ele estava em Nova Iorque na época dos ataques de setembro de 2001, a poucos metros do Marco Zero, proferindo uma palestra; posteriormente, escreveu um pequeno livro, Writing in the Dust, oferecendo reflexões sobre o evento. Em referência à Al-Qaeda, ele disse que os terroristas "podem ter objetivos morais sérios" e que "Bombas contra indivíduos maus não ajuda a entender nada".
Williams se manifestou contra a culpabilização dos muçulmanos após os atentados de 7 de julho de 2005 em Londres, em trens do metrô e um ônibus, que mataram 52 pessoas e feriram cerca de 700. A culpa inicial foi atribuída à Al-Qaeda, mas os muçulmanos em geral foram alvo de represálias: quatro mesquitas na Inglaterra foram atacadas e muçulmanos foram insultados verbalmente nas ruas, além de seus carros e casas terem sido vandalizados. Williams condenou veementemente os ataques terroristas e afirmou que eles não podiam ser justificados.
Em novembro de 2007, Williams concedeu uma entrevista à revista Emel, uma revista muçulmana britânica. Williams condenou os Estados Unidos e certos grupos cristãos pelo seu papel no Médio Oriente, enquanto as suas críticas a algumas tendências dentro do Islão passaram praticamente despercebidas. Conforme relatado pelo The Times, ele foi bastante crítico dos Estados Unidos, da Guerra do Iraque e dos sionistas cristãos, mas fez "apenas críticas moderadas ao mundo islâmico".
Em 2008, Williams argumentou que a adoção provisória da lei islâmica sharia como um meio válido de arbitragem (em questões como casamento) entre as comunidades muçulmanas no Reino Unido é "inevitável" e não deve ser resistida. As palavras de Williams foram interpretadas criticamente como propondo uma jurisdição paralela à lei civil para os muçulmanos (Sharia) e foram alvo de pedidos de renúncia por parte de elementos da imprensa e dos meios de comunicação. Ele também atraiu críticas de elementos da Comunhão Anglicana.
Em 15 de novembro de 2008, o arcebispo visitou o Templo Balaji em Tividale, West Midlands, em uma missão de boa vontade para representar a amizade entre o cristianismo e o hinduísmo. Em 6 de maio de 2010, Williams encontrou-se com o líder islâmico indiano Mohammed Burhanuddin , na Mesquita Huseini em Northolt, Londres, para discutir a necessidade de cooperação inter-religiosa; e plantou uma "árvore da fé" nos jardins da mesquita para simbolizar as muitas semelhanças entre as duas religiões.
Numa carta privada que vazou, Williams afirmou que "tinha sérias dúvidas sobre a compatibilidade entre a Maçonaria e a profissão cristã" e que, enquanto Bispo de Monmouth, impediu a nomeação de maçons para cargos de chefia em sua diocese. O vazamento dessa carta em 2003 causou controvérsia, que ele procurou amenizar pedindo desculpas pelo transtorno causado e declarando que não questionava "a boa-fé e a generosidade de maçons individualmente", principalmente porque seu pai havia sido maçom. No entanto, ele também reiterou sua preocupação com ministros cristãos que adotavam "um sistema privado de profissão e iniciação, envolvendo a prestação de juramentos de fidelidade".
Williams respondeu a uma controvérsia relativa ao ensino do criacionismo em academias privadas, dizendo que este não deveria ser apresentado nas escolas como uma alternativa à evolução. Quando questionado se se sentia confortável com o ensino do criacionismo, disse: "Penso que o criacionismo é, em certo sentido, uma espécie de erro categorial, como se a Bíblia fosse uma teoria como outras teorias" e "A minha preocupação é que o criacionismo possa acabar por reduzir a doutrina da criação em vez de a reforçar."
Williams manteve o apoio tradicional entre os anglicanos e seus líderes ao ensino da evolução como totalmente compatível com o cristianismo. Esse apoio remonta pelo menos ao período de Frederick Temple como arcebispo da Cantuária.
Em agosto de 2017, Williams condenou o antissemitismo e apoiou uma petição para remover as obras de David Irving e outros livros negacionistas do Holocausto da Universidade de Manchester. Numa carta à universidade, Williams disse: "Numa altura em que há, a nível nacional e internacional, um aumento mensurável na expressão de opiniões extremistas, creio que esta questão necessita de atenção urgente."
Em outubro de 2018, ele assinou o apelo à ação em apoio ao Extinction Rebellion.
Em março de 2022, após a invasão russa da Ucrânia, Williams instou os principais líderes da Igreja Ortodoxa Russa Fora da Rússia a apelarem a um cessar-fogo imediato na Ucrânia e à reabertura do diálogo diplomático. Em 3 de abril, no programa Sunday da BBC Radio 4, Williams afirmou que havia fortes razões para expulsar a Igreja Ortodoxa Russa do Conselho Mundial de Igrejas, dizendo: "Quando uma Igreja apoia ativamente uma guerra de agressão, deixando de condenar violações flagrantes de qualquer tipo de conduta ética em tempos de guerra, então outras Igrejas têm o direito de levantar a questão… Ainda aguardo que algum membro sénior da hierarquia ortodoxa diga que o massacre de inocentes é condenado inequivocamente por todas as formas de cristianismo."
Em 12 de abril de 2022, Williams pediu um cessar-fogo de Páscoa na Ucrânia. Ele fez suas observações em Chernivtsi, no evento "Fé na Ucrânia", organizado pelo Instituto Inter-religioso Elijah e pelo Departamento da Paz.
Em abril de 2022, Williams e vários outros líderes religiosos do Reino Unido assinaram uma carta aberta ao então primeiro-ministro Boris Johnson, instando-o a incluir uma proibição da terapia de conversão direcionada a pessoas transgênero, juntamente com a legislação planejada para proibir a terapia de conversão direcionada à sexualidade.
Também recebeu vários doutorados honorários: da Universidade de Gales (2003); em Direito Civil, Oxford (2005); em Divindade, Cambridge (2006); do Wycliffe College e do Trinity College, Universidade de Toronto (2007); em Divindade, Universidade de Durham (2008); da Universidade Rikkyo, Japão (2009); do Seminário Teológico Ortodoxo de São Vladimir, Nova Iorque (2010); da Universidade Católica de Lovaina (KU Leuven) (2012); em Teologia Pastoral, Universidade de Anglia Ruskin (2013); da Universidade do Sul do País de Gales (2013); em Divindade, Universidade de Edimburgo (2014); em Letras, Universidade Fordham (2014); em Direito, Universidade de Warwick (2016); em Divindade, Sewanee: A Universidade do Sul, Tennessee (2016); em Teologia, Universidade de Uppsala (2017); em Divindade, Universidade Yale (2018); do Seminário Teológico Geral, Nova Iorque (2019); em Divindade, Universidade Huron, Canadá (2019); e da Pontifícia Faculdade Teológica Teresianum (2024), entre outros.
Ele é reconhecido como um escritor, acadêmico e professor de teologia de destaque, tendo participado de diversas comissões teológicas, ecumênicas e educacionais. Publicou extensivamente sobre filosofia, teologia (especialmente o cristianismo primitivo e patrístico), espiritualidade e estética religiosa. Ao longo de sua carreira, também escreveu sobre temas morais, éticos e sociais e, como arcebispo, dedicou-se cada vez mais a questões culturais contemporâneas e de diálogo inter-religioso. Também é um poeta e tradutor de poesia renomado.