Salette Tavares

Salette Tavares
Nome completoMaria de La Salette Arraiano Tavares
Nascimento
Morte
30 de maio de 1994 (72 anos)

ResidênciaMouraria, Lisboa
NacionalidadePortugal Português
OcupaçãoEscritora
PrémiosPrémio P.E.N. Clube Português de Poesia (1993)
Magnum opusObra Poética – 1957/1973

Maria de La Salette Arraiano Tavares (Lourenço Marques, África Oriental Portuguesa, 31 de março de 1922 – Lisboa, 30 de maio de 1994), conhecida como Salette Tavares, foi uma escritora, poeta e ensaísta portuguesa.

Biografia

Salette Tavares nasceu a 31 de março de 1922, na cidade de Lourenço Marques (atualmente Maputo). Era filha do comerciante Francisco Tavares Duarte e de Guilhermina Arraiano Tavares, doméstica, ambos naturais da Covilhã (freguesias de Santa Maria e Conceição, respetivamente).

Aos onze anos mudou-se para Sintra (Portugal) e viveu sempre em Lisboa até 1994, ano em que morreu, a 30 de maio, aos 72 anos.

O Menino Ivo, 1978. Tapeçaria de Portalegre. Coleção de João Aranda Brandão.

Fez o curso de Ciências Histórico-Filosóficas na Universidade de Lisboa, licenciando-se em 1948 com a tese Aproximação ao pensamento concreto de Gabriel Marcel, que seria publicada nesse mesmo ano, em Lisboa.

A 5 de junho de 1950, casou civilmente em Lisboa com José Francisco Aranda García (Saragoça, Espanha, c. 1925 – 28 de julho de 1989), então estudante e mais tarde crítico de cinema e escritor surrealista, filho de Francisco Aranda Millán e de Gloria García Bernal, doméstica, natural de Ateca (província de Saragoça). A 21 de junho de 1950, casaram catolicamente na Sé de Lisboa. Por sentença transitada em julgado a 16 de julho de 1964, foi decretada a separação judicial de pessoas e bens entre o casal, que, contudo, permaneceu casado até à morte de José Aranda, em 1989.

Na década de 1950, lecionou História no ensino liceal e iniciou investigações com barro e olaria, experiências que viriam a traduzir-se na criação dos primeiros objetos de poesia espacial. Em 1957, publicou o primeiro volume de poesia, intitulado Espelho Cego. Foi também durante este período que obteve uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian, através da qual fez uma especialização em Estética (em França e Itália, com Mikel Dufrenne, Étienne Souriau e Gillo Dorfles).

Em 1959, traduziu e prefaciou a edição portuguesa de Pensamentos de Pascal. No mesmo ano, traduziu As maravilhas do cinema de Georges Sadoul. Uma tradução de Fuenteovejuna, de Lope de Vega, permanece, até hoje, inédita.

Em 1964, a par de ter colaborado com “Brin Cadeiras” no primeiro número da revista Poesia Experimental (António Aragão e Herberto Helder orgs.,Cadernos de Hoje), viajou para os Estados Unidos, onde visitou as cidades de Nova Iorque, Chicago e Filadélfia. Durante esse período, estabeleceu contacto com Philip Johnson, Frank Lloyd Wright e Mies Van der Rohe, tendo visitado vários museus e coleções particulares.

É considerada uma das figuras incontornáveis da Poesia Experimental Portuguesa, tendo participado em diversas atividades promovidas no decorrer dos anos 1960-1980. Integrou a exposição coletiva Visopoemas (1965), participou no happening Concerto e Audição Pictórica (realizado na Galeria Divulgação, com Jorge Peixinho, António Aragão, E. M. de Melo e Castro, Mário Falcão, Clotilde Rosa e Manuel Baptista) e, em 1966, voltou a colaborar no segundo número da revista Poesia Experimental, apresentando “Brincade Iras / irras / B irras”.

Durante os anos 1960, escreveu Poemas do Soporífero, obra que permaneceu inédita até à sua inclusão em Obra Poética 1957-1971, e publicou as obras Concerto em Mi Maior para Clarinete e Bateria (1964), 14563 Letras de Pedro Sete (1965) e Quadrada (1967).

Após o regresso a Portugal, lecionou Estética na Sociedade Nacional de Belas Artes, tendo publicado as lições correspondentes, sem ilustrações, na revista Brotéria. Um livro intitulado A Dialética das Formas, que constitui uma versão mais completa dessas mesmas lições, esteve composto em 1972, mas permanece inédito.

No ano de 1971, publicou Lex Icon, obra cuja edição italiana (1977) conta com um prefácio da autoria de Gillo Dorfles. Em 2024, a obra foi traduzida para inglês por Isabel Sobral Campos e Kristofer J. Petersen-Overton, tendo sido publicada pela editora norte-americana Ugly Duckling Presse.

Durante os anos 1970, Salette Tavares foi presidente da AICA portuguesa, tendo também dado a conhecer a sua obra em diversas exposições, em Portugal e no estrangeiro. Em 1979, apresentou a exposição retrospetiva Brincar, na Galeria Quadrum.

Foi responsável pela divulgação, em Portugal, da Teoria da Informação de Abraham Moles, da análise estruturalista da arquitetura e da Estética Nova de Wilhelm Worringer.

Exposições

Obras Seleccionadas

Obras publicadas em vida
Edições póstumas

Ver também

Referências

  1. 1 2 «Livro de registo de casamentos da 3.ª Conservatória do Registo Civil de Lisboa (1950-04-26 - 1950-06-15)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. fls. 549 e 549v, assento 548
  2. ↑ Infopédia. «Salette Tavares - Infopédia». Infopédia - Dicionários Porto Editora. Consultado em 9 de julho de 2021. Cópia arquivada em 11 de julho de 2021
  3. 1 2 «Tavares, Salette». Ulyssei@s, uma enciclopédia digital sobre Escritores e outros Criadores em Deslocação
  4. 1 2 «Salette Tavares». MUSEU NACIONAL DE ARTE CONTEMPORÂNEA DO CHIADO. Consultado em 9 de julho de 2021
  5. ↑ «Aproximação do pensamento concreto de Gabriel Marcel». Metro Boston Library Network (em inglês). Consultado em 9 de julho de 2021
  6. ↑ «El Sol (Madrid. 1917). 25/10/1918». Hemeroteca Digital. Biblioteca Nacional de España. Consultado em 28 de junho de 2023
  7. ↑ «Salette Tavares - Ulyssei@s». Cópia arquivada em 6 de março de 2026
  8. ↑ «Pensamentos / Blaise Pascal, trad. e pref. de Salette Tavares». catalogo.bnportugal.pt. Consultado em 9 de julho de 2021. Cópia arquivada em 12 de julho de 2021
  9. ↑ «As maravilhas do cinema / Georges Sadoul, trad. de Salette Tavares». catalogo.bnportugal.pt. Consultado em 9 de julho de 2021. Cópia arquivada em 12 de julho de 2021
  10. ↑ «Curriculum Vitae – Arquivo Digital da PO.EX». 10 de maio de 1985. Consultado em 18 de outubro de 2024
  11. ↑ «Tavares, Salette – Ulyssei@s». Consultado em 18 de outubro de 2024. Cópia arquivada em 6 de março de 2026
  12. 1 2 Alves, Margarida Brito (31 de julho de 2017). «Entre a casa, o mar e a galeria. Os objetos animados de Salette Tavares». MIDAS. Museus e estudos interdisciplinares (8). ISSN 2182-9543. doi:10.4000/midas.1251. Consultado em 9 de julho de 2021. Cópia arquivada em 6 de outubro de 2025
  13. ↑ «Brincar [Introdução e catálogo das obras expostas] – Arquivo Digital da PO.EX». 3 de março de 1979. Consultado em 18 de outubro de 2024
  14. ↑ «Obras de Salette Tavares no catálogo da Biblioteca Nacional de Portugal». catalogo.bnportugal.pt. Consultado em 9 de julho de 2021
  15. ↑ «Lex icon / Salette Tavares». catalogo.bnportugal.pt. Consultado em 9 de julho de 2021. Cópia arquivada em 11 de julho de 2021
  16. ↑ «Brincar: brincadeiras / Salette Tavares». catalogo.bnportugal.pt. Consultado em 9 de julho de 2021
  17. ↑ «Poesia gráfica [ Visual gráfico] : Salette Tavares». catalogo.bnportugal.pt. Consultado em 9 de julho de 2021. Cópia arquivada em 9 de julho de 2021
  18. ↑ «Salette Tavares : poesia especial». catalogo.bnportugal.pt. Consultado em 9 de julho de 2021. Cópia arquivada em 11 de julho de 2021
  19. ↑ Tavares, Salette (2019). «Irrar». Arquivo Digital da PO.EX. Cópia arquivada em 16 de junho de 2024
  20. ↑ Portela, Manuel (2019). «Prefácio de Manuel Portela ao livro «O Kágado» de Salette Tavares.». Arquivo Digital da PO.EX
  21. ↑ Torres, Rui (2019). «"Outra Outra" - Prefácio de Rui Torres ao livro «Outro Outro», de Salette Tavares.». Arquivo Digital da PO.EX
  22. ↑ Tavares, Salette. «Lex Icon (2ª ed.)». Arquivo Digital da PO.EX
  23. ↑ Tavares, Salette. «Obra Poética 1957-1994». Arquivo Digital da PO.EX. Cópia arquivada em 23 de maio de 2024
  24. ↑ «Antologia. Poesia». Arquivo Digital da PO.EX. Cópia arquivada em 16 de junho de 2024
  25. ↑ «Cartas e Letras de Pedro Sete». Arquivo Digital da PO.EX. Cópia arquivada em 16 de junho de 2024

Bibliografia

Ligações Externas

  1. ↑ «Salette Tavares e a Poesia Experimental – Arquivo Digital da PO.EX». 9 de março de 1995. Consultado em 18 de outubro de 2024. Cópia arquivada em 19 de junho de 2024