José Jambo Filho (Santos, 18 de junho de 1933 — São Paulo, 25 de março de 2007), mais conhecido no universo do carnaval como Seu Chiclé, foi um sambista, ritmista e dirigente de carnaval brasileiro. É reconhecido historicamente como um dos presidentes mais longevos e vitoriosos da escola de samba paulistana Vai-Vai.
Nascido na cidade litorânea de Santos, mudou-se para a capital paulista em 1948, integrando-se profundamente à sociabilidade do bairro do Bixiga. Sua trajetória na agremiação Vai-Vai teve início na área musical na década de 1950. Durante a década de 1960, quando a entidade ainda operava sob a estrutura de cordão carnavalesco, Chiclé notabilizou-se como ritmista, sendo creditado pela historiografia institucional e musicológica do samba paulistano como o responsável por introduzir o instrumento repique (ou repenique) na bateria da agremiação.
Com a transição do Vai-Vai para escola de samba (ocorrida definitivamente em 1974), Chiclé ascendeu politicamente na entidade. Sucedeu o histórico dirigente Pé Rachado (Sebastião Eduardo do Amaral) na presidência, tornando-se o segundo presidente da escola nessa nova formatação. Sua gestão durou cerca de duas décadas, encerrando-se nos anos 2000, quando foi sucedido por Sólon Tadeu Pereira.
Durante seu mandato, o Vai-Vai consolidou sua hegemonia no carnaval de São Paulo, conquistando diversos títulos do Grupo Especial, com destaque histórico para a conquista de três campeonatos consecutivos (o tricampeonato de 1986, 1987 e 1988).
A administração de Seu Chiclé foi caracterizada pela forte mobilização da comunidade italo-afro-brasileira do Bixiga. Um episódio emblemático de sua gestão — frequentemente citado na memória oral da escola pelo baluarte Fernando Penteado – ocorreu no carnaval de 1982, durante os preparativos para o enredo Orum Ayê - Eterno Amanhecer. Diante da escassez de espelhos para finalizar a decoração do carro abre-alas às vésperas do desfile, Chiclé concedeu uma entrevista, transmitida ao vivo pela Rádio Bandeirantes, afirmando com ironia que a escola tinha problemas porque "estava tudo certo". Em resposta ao desespero nos bastidores relatado na transmissão, moradores do bairro e componentes se mobilizaram rapidamente, retirando espelhos de seus próprios móveis residenciais e levando-os à quadra, garantindo a conclusão da alegoria e o campeonato daquele ano.
Paralelamente à sua atuação na infraestrutura do carnaval, José Jambo Filho exercia atividade comercial na área varejista, sendo proprietário de uma floricultura na capital.
Seu Chiclé viveu seus últimos anos no bairro da Casa Verde. Faleceu em 25 de março de 2007, aos 73 anos, na cidade de São Paulo.
Em reconhecimento ao seu legado para a cultura popular, foi homenageado no carnaval de 2010 pela escola de samba Mancha Verde, que dedicou um setor do seu desfile aos grandes mestres e baluartes da história do carnaval paulistano.
| Precedido por Pé Rachado |
Presidente da Escola de Samba Vai-Vai 1981 — 2006 |
Sucedido por Sólon Tadeu Pereira |