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Shruti ou Śruti (do Sânscrito "aquilo que é ouvido") é um cânon de escrituras hindus. Não data a um período particular, mas atravessa a história inteira do Hinduísmo, começando com os textos mais antigos conhecidos, com alguns Upanishads mais recentes chegando até os tempos modernos.
Shruti é dito de não ter autor; ao invés, acredita-se que tem gravações divinas dos "sons cósmicos da verdade", ouvidos por rishis.
Existem vários modos, que competem entre si, de definir Shruti. É mais comummente definido como sendo composto pelos quatro Vedas:
Algumas sub-divisões dentro das escrituras, como os Aranyakas, Brahmanas, e Upanishads, pertencem ao conjunto de trabalhos distintamente chamados de Shruti. Em adição, o Mahabharata (um Itihasa, ou "História", "Épico", também parte da classe das "escrituras amigáveis") é considerado Shruti por alguns e é, algumas vezes, chamado de 'quinto' Veda. Às vezes, o Bhagavad Gita, um capítulo do Mahabharata, é separadamente considerado digno da "posição" de Shruti.
A palavra sânscrita "श्रुति"(IAST,sa) possui múltiplos significados dependendo do contexto. Significa "ouvir, escutar", um chamado para "escutar um discurso", qualquer forma de comunicação que seja um agregado de sons (notícias, relatórios, rumores, ruídos, boatos). A palavra também é encontrada em textos antigos de geometria da Índia, onde significa "a diagonal de um tetrágono ou hipotenusa de um triângulo", e é um sinônimo de karna. A palavra śruti também é encontrada na antiga literatura musical indiana, onde significa "uma divisão particular da oitava, um quarto de tom ou intervalo" dentre vinte e dois tons maiores, menores e semitons enumerados. Na música, refere-se à menor medida de som que um ser humano pode detectar, e ao conjunto de vinte e dois śruti e quarenta e quatro meio-Shruti, que se estende de cerca de 250 Hz a 500 Hz, é chamada de oitava Shruti.
Em trabalhos acadêmicos sobre o hinduísmo, śruti se refere a antigos textos védicos da Índia. Monier-Williams traça a história contextual deste significado de śruti como, "aquilo que foi ouvido ou comunicado desde o princípio, conhecimento sagrado que foi apenas ouvido e transmitido verbalmente de geração em geração, o Veda, desde os primeiros Rixis (sábios) na tradição védica. Na literatura acadêmica, Śruti também é grafado como Shruti.
Os śrutis, os mais antigos dos quais remontam ao segundo milênio a.C., não haviam sido registrados por escrito na antiguidade. Essas tradições foram desenvolvidas e transmitidas oralmente, de geração em geração, por quase dois milênios. Quase todas as edições impressas disponíveis na era moderna são cópias de manuscritos que têm pouco mais de 500 anos.
Os antigos indianos desenvolveram técnicas para ouvir, memorizar e recitar śrutis. Muitas formas de recitação ou pathas foram criadas para auxiliar na precisão da recitação e na transmissão dos Vedas e outros textos de conhecimento de uma geração para a seguinte. Todos os hinos de cada Veda eram recitados dessa maneira; por exemplo, todos os 1.028 hinos com 10.600 versos do Rigveda foram preservados dessa forma; assim como todos os outros Vedas, incluindo os principais Upanishads, bem como os Vedangas.
Essas extraordinárias técnicas de retenção garantiram um Śruti preciso, fixado ao longo das gerações, não apenas em termos de ordem das palavras inalterada, mas também em termos de som. Que esses métodos foram eficazes é comprovado pela preservação do texto religioso indiano mais antigo, o Ṛgveda (c. 1500 a.C.).
Essa parte da educação de um estudante védico era chamada de svādhyāya. O método sistemático de aprendizagem, memorização e prática permitiu que esses textos fossem transmitidos de geração em geração com fidelidade extraordinária.
Quote: There are different views among Hindus about which scriptures are shruti and which fall into the other important category of sacred literature, smriti, that which is remembered or handed down.