| Termodinâmica |
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Sublimação é a transição de fase direta de uma substância do estado sólido para o estado gasoso, sem passar pelo estado líquido. Em inglês, o verbo correspondente é sublime e, com menor frequência, sublimate. Sublimate também pode designar o produto obtido por sublimação. Entre os exemplos facilmente observáveis estão a sublimação do gelo seco em condições ambientes e a do iodo sólido quando aquecido.
O processo inverso é a deposição, também chamada de dessublimação ou ressublimação, na qual uma substância passa diretamente do gás para o sólido sem atravessar a fase líquida.

Em um diagrama de fase de uma substância pura, a curva de sublimação é a fronteira de equilíbrio entre as fases sólida e gasosa. A pressão ao longo dessa curva é chamada de pressão de sublimação ou pressão de equilíbrio sólido-vapor. Para uma pressão inferior à pressão do ponto triplo, a interseção dessa pressão com a curva sólido-vapor determina a temperatura na qual sólido e vapor coexistem em equilíbrio. A curva termina no ponto triplo, onde as fases sólida, líquida e gasosa coexistem.
Uma fase sólida pode coexistir em equilíbrio com seu vapor, cuja pressão depende da temperatura. Em muitos materiais essa pressão é tão baixa que a perda de matéria para a fase gasosa não é perceptível em condições comuns. Quando um sólido está em contato com uma mistura gasosa, a pressão relevante para a troca de matéria entre o sólido e seu vapor é a pressão parcial da própria substância, e não a pressão total do sistema. Se a pressão parcial do vapor junto à superfície estiver abaixo da pressão de equilíbrio do sólido na mesma temperatura, há transferência líquida de matéria do sólido para o gás. Se estiver acima, predomina a deposição.
A condição relativa ao ponto triplo não significa que a pressão total do ambiente precise estar abaixo da pressão do ponto triplo. Em uma atmosfera composta também por outros gases, a pressão total pode ser muito maior. É a pressão parcial do vapor da própria substância que determina, junto com a temperatura da superfície, a direção líquida da transferência de massa. Por isso, o gelo pode sublimar em ar seco sob pressão atmosférica, embora a pressão total do ar seja muito superior à pressão do ponto triplo da água.
A taxa de sublimação depende da temperatura, da pressão de vapor de equilíbrio na superfície e da pressão parcial do vapor no meio ao redor. A retirada do vapor da vizinhança da superfície mantém uma diferença de pressão que favorece a transferência de matéria. Em um sistema constituído apenas pela substância, a fase líquida não é estável em equilíbrio abaixo da pressão do ponto triplo, e o aquecimento do sólido pode levá-lo diretamente à fase gasosa.
Para alguns elementos, a fase líquida exige pressões muito superiores à atmosférica. No carbono, o ponto triplo entre grafite, líquido e vapor fica na ordem de 10 MPa. O arsênio também sublima sob pressão atmosférica antes de alcançar condições em que a fase líquida é estável.
A sublimação absorve energia e é uma transformação endotérmica. A energia fornecida permite que partículas deixem a estrutura do sólido e passem à fase de vapor. Pela lei de Hess, a entalpia de sublimação pode ser obtida como a soma das entalpias de fusão e vaporização quando todas são referidas à mesma temperatura. Valores determinados nas respectivas temperaturas de fusão e ebulição não podem ser simplesmente somados sem as correções térmicas necessárias entre essas temperaturas.
A vaporização, passagem do líquido para o gás, costuma ser dividida em evaporação e ebulição. A evaporação ocorre na superfície do líquido. Na ebulição, formam-se bolhas no interior do líquido quando as condições de pressão e temperatura permitem sua existência.
Não há uma divisão terminológica equivalente, de uso geral na termodinâmica, para a passagem do sólido ao gás. Uma perda lenta de moléculas da superfície de um sólido e a transição que ocorre na fronteira de equilíbrio sólido-vapor recebem o nome de sublimação. Expressões como "sublimação gradual" e "sublimação rápida" não constituem categorias termodinâmicas padronizadas.
A definição mais simples de sublimação considera uma substância que passa diretamente da fase sólida à fase de vapor. Certos sólidos apresentam um caso mais complicado, pois a passagem para a fase gasosa ocorre junto com uma reação de dissociação.
O cloreto de amônio é um exemplo. Seu equilíbrio com a fase gasosa pode ser representado por
e envolve amônia e cloreto de hidrogênio no vapor. Para esse sistema são medidos pressão e entalpia de sublimação, embora a dissociação na fase gasosa possa não ser completa. O caso difere de uma sublimação simples, na qual as espécies químicas presentes no sólido e no vapor são as mesmas.
A combustão de uma vela de parafina, por exemplo, não é sublimação. O material reage com oxigênio e forma produtos como dióxido de carbono e vapor de água.
Em usos históricos, sublimação também podia designar um processo em duas etapas, no qual uma substância era convertida em vapor e depois voltava ao estado sólido por deposição. Esse emprego também faz parte do vocabulário histórico da alquimia.


O dióxido de carbono sólido, chamado de gelo seco, sublima a aproximadamente −78,46 °C sob pressão de 101,325 kPa. Seu ponto triplo fica a 216,5909 K, ou cerca de −56,56 °C, e 0,51795 MPa. Acima dessa pressão existe uma região do diagrama de fase na qual o dióxido de carbono líquido é estável.
A neve e o gelo podem sublimar abaixo da temperatura de fusão quando a pressão parcial do vapor de água no ar é menor que a pressão de vapor de equilíbrio sobre o gelo. A baixa umidade relativa e os ventos secos favorecem esse processo. A perda de neve por sublimação pode ocorrer mesmo quando a temperatura permanece abaixo de 0 °C.
No ciclo da água, a sublimação transfere parte da água presente em neve e gelo diretamente para a atmosfera na forma de vapor. Uma peça de roupa molhada deixada ao ar livre sob temperatura abaixo de 0 °C pode primeiro congelar e depois secar lentamente porque o gelo presente no tecido sublima.
Na liofilização, o material é primeiro congelado. Durante a secagem primária, a pressão parcial da água na câmara é mantida abaixo da pressão de vapor do gelo na temperatura do produto, e calor é fornecido para sustentar a sublimação. O vapor atravessa a camada já seca e é removido da região do produto, normalmente em direção a um condensador frio. A diferença entre a pressão de vapor do gelo na frente de sublimação e a pressão parcial da água na câmara fornece a força motriz para a transferência de massa. Pressões muito baixas não aumentam indefinidamente a velocidade de secagem, pois a transferência de calor, a resistência ao fluxo do vapor e as características do equipamento também limitam o processo.
A queimadura de congelador envolve perda de água da superfície de alimentos congelados. O gelo superficial sublima, e o vapor pode ser transportado e se depositar em regiões mais frias.
Na glaciologia, a sublimação do gelo é um dos processos de ablação de geleiras e campos de neve.
O processo também foi observado em Marte. Em junho de 2008, imagens obtidas pela Phoenix Mars Lander mostraram pequenos blocos de gelo expostos pela escavação da trincheira informalmente chamada "Dodo-Goldilocks". Parte desse gelo desapareceu ao longo de quatro dias por sublimação.


O naftaleno é um composto orgânico empregado tradicionalmente em produtos contra traças, como bolas de naftalina. Suas moléculas são apolares e, no sólido, interagem principalmente por forças de van der Waals. A 25 °C, sua pressão de vapor é de aproximadamente 11 Pa, suficiente para produzir perda perceptível do sólido por sublimação. Sua entalpia de sublimação a 298,15 K é de cerca de 72,8 kJ/mol em uma avaliação de dados experimentais. Em uma superfície fria, o vapor pode voltar a se depositar formando cristais semelhantes a agulhas.
O iodo sólido produz vapor violeta visível quando aquecido. Isso não significa que o iodo seja incapaz de existir como líquido à pressão atmosférica. Seu ponto de fusão é de cerca de 113,7 °C e seu ponto de ebulição é de cerca de 184,4 °C sob pressão atmosférica. Abaixo da temperatura de fusão, o sólido já possui pressão de vapor e pode sublimar.
Na ciência forense, vapor de iodo pode ser empregado para tornar visíveis impressões digitais latentes sobre papel.

Sob pressão atmosférica, o arsênio sublima por volta de 614 °C. Seu ponto triplo fica próximo de 817 °C, de modo que a obtenção da fase líquida exige pressão muito superior à atmosférica.
Elementos com pressão de vapor relativamente alta exigem cuidado em sistemas de ultra-alto vácuo. O cádmio e o zinco, inclusive quando presentes em revestimentos ou ligas, podem gerar vapor indesejado. Componentes que contêm esses elementos são evitados em certos sistemas de ultra-alto vácuo.


A sublimação é usada por químicos para purificar compostos. Um sólido é colocado em um aparelho de sublimação e aquecido, muitas vezes sob vácuo. O componente suficientemente volátil passa à fase gasosa e depois se deposita como sólido sobre uma superfície resfriada, como um dedo frio. Impurezas menos voláteis permanecem no recipiente aquecido. Depois do resfriamento, o produto depositado pode ser recolhido.
A redução da pressão parcial do vapor no aparelho favorece a transferência do sólido para a fase gasosa e facilita a retirada do vapor formado. Isso permite purificar muitos compostos a temperaturas menores ou obter taxas maiores do que em um recipiente no qual o vapor se aproxima do equilíbrio. A técnica pode ser útil quando temperaturas mais altas provocariam fusão ou degradação térmica.
Para separações mais refinadas, pode-se estabelecer um gradiente de temperatura ao longo de um tubo evacuado. O material inicial fica na extremidade quente. O vapor migra em direção às regiões mais frias e diferentes substâncias se depositam em zonas determinadas por suas volatilidades. Compostos muito voláteis podem alcançar uma armadilha fria, enquanto materiais pouco voláteis permanecem junto à região aquecida.
A sublimação em gradiente térmico também pode purificar semicondutores orgânicos de baixa massa molecular. A concentração de impurezas nesses materiais pode afetar o funcionamento de dispositivos de eletrônica orgânica.
Uma modalidade de corte a laser recebe o nome de corte por sublimação ou corte por vaporização. O material é removido da região do corte predominantemente na fase gasosa, com pouca ou nenhuma fase fundida permanecendo na fenda. O nome não significa que todo material tratado sofra sublimação no sentido termodinâmico estrito. Em grafite, a transformação pode ocorrer por sublimação. Em materiais como o acrílico, ocorre vaporização. Muitos polímeros e a madeira sofrem decomposição química seguida pela liberação de componentes voláteis.
Na alquimia, uma protociência que antecedeu parte das técnicas empregadas pela química e pela medicina, sublimação era o nome dado a operações nas quais uma substância era aquecida até produzir vapor e depois se depositava na região superior e mais fria do recipiente. Eram usados recipientes como a retorta e o alambique. O termo podia abranger transformações semelhantes fora desse procedimento de laboratório.
Autores alquímicos como Basilio Valentim e George Ripley empregaram o termo, que também ocorre no Rosarium philosophorum. A sublimação fazia parte das operações associadas ao magnum opus. Nesse vocabulário, a passagem entre "corpos" e "espíritos" podia receber interpretações que iam além da mudança física entre sólido e vapor.
Em Le char triomphal de l'antimoine, publicado em 1646 e atribuído a Basilio Valentim, aparece uma comparação com a espagiria, na qual uma sublimação vegetal poderia separar os "espíritos" presentes no vinho e na cerveja. Ripley deu ao processo uma leitura em que o corpo se tornava espiritual e o espírito se tornava corpóreo. Em seu Compound of Alchemy, escreveu:
E fazemos sublimações por três causas,
A primeira causa é tornar espiritual o corpo.
A segunda é que o espírito possa tornar-se corpóreo,
E com ele se fixe e se torne consubstancial.
A terceira causa é que, de sua origem impura,
Ele possa ser limpo, e sua salinidade sulfurosa
Possa nele diminuir, pois ela é nociva.
A entalpia de sublimação de sólidos moleculares pode ser aproximada a partir da energia reticular quando são adotadas hipóteses simplificadoras sobre o cristal e a fase gasosa. Para cristais moleculares tratados como conjuntos de moléculas rígidas, uma aproximação usada em cálculos de estrutura cristalina considera o gás como ideal, supõe que as contribuições vibracionais intramoleculares sejam semelhantes nas fases sólida e gasosa e aproxima as contribuições térmicas dos movimentos externos por equipartição.
Nessas condições, a correção térmica aproximada entre a energia reticular estática e a entalpia de sublimação é −2RT. Se representa a energia de formação do cristal a partir de moléculas isoladas e é tomada como negativa, a expressão é
A expressão não é uma identidade termodinâmica geral. Cálculos explícitos dos modos vibracionais do cristal podem ser necessários para obter valores mais precisos, e mudanças de conformação ou de energia intramolecular entre as fases também limitam essa aproximação. Modelos relacionados foram aplicados à estimativa da termodinâmica de sublimação de moléculas orgânicas cristalinas.
A impressão por sublimação de corantes é um processo de impressão digital por transferência empregado principalmente com poliéster e materiais revestidos com polímeros. Pode ser usada em tecidos, placas, canecas e outros objetos cuja superfície seja compatível com os corantes escolhidos.
No processo, corantes dispersos são impressos sobre papel de transferência, frequentemente por impressão por jato de tinta. Depois que a camada impressa seca, o papel é colocado em contato com o substrato e aquecido em uma prensa térmica. O aquecimento volatiliza os corantes dispersos e permite sua transferência do papel e sua difusão para o poliéster. A pressão de vapor e a entalpia de sublimação dos corantes dispersos são propriedades usadas para caracterizar seu comportamento em processos de transferência térmica.
A transferência depende da combinação de temperatura, tempo, pressão, corante, papel e substrato. Em experimentos com tecidos de poliéster, temperaturas entre 170 °C e 210 °C foram avaliadas para a transferência térmica de corantes. As condições usadas na produção variam conforme o sistema de impressão e o material.
Quando o corante possui afinidade adequada pelo polímero, suas moléculas difundem-se no substrato aquecido e permanecem nele após o resfriamento, em vez de formar apenas uma camada de tinta sobre a superfície.
| De \ Para | Sólido | Líquido | Gás | Plasma |
|---|---|---|---|---|
| Sólido | - | Fusão | Sublimação | - |
| Líquido | Solidificação | - | Vaporização | - |
| Gás | Deposição | Condensação | - | Ionização |
| Plasma | - | - | Recombinação | - |