Suricata suricatta

Suricata suricatta
Intervalo temporal:
Pleistoceno Inferior – Presente
2,59–0 Ma
↓
Classificação científica edit
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Carnivora
Família: Herpestidae
Gênero: Suricata
Espécies:
S. suricatta
Nome binomial
Suricata suricatta
(Schreber, 1776)
Subespécies
Lista
  • S. s. suricatta (Schreber, 1776)
  • S. s. majoriae Bradfield, 1936
  • S. s. iona Crawford-Cabral, 1971
Sinónimos
Lista
  • Rhyzaena Wagner, 1841
  • Viverra suricatta Schreber, 1776
  • V. tetradactyla Pallas, 1777
  • Mus zenik Scopoli, 1786
  • Suricata capensis Desmarest, 1804
  • S. viverrina Desmarest, 1819
  • S. namaquensis (Thomas and Schwann, 1905)
  • S. hamiltoni (Thomas and Schwann, 1905)
  • S. lophurus (Thomas and Schwann, 1905)
  • S. hahni (Thomas, 1927)
  • S. majoriae Bradfield, 1936
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O suricato (Suricata suricatta), também conhecido como suricata ou suricate, é uma espécie de mamífero da família Herpestidae. É a única espécie descrita para o gênero Suricata. Pode ser encontrada na África do Sul, Botsuana, Namíbia e Angola. Estes animais têm cerca de meio metro de comprimento (incluindo a cauda), em média 730 gramas de peso, e pelagem acastanhada. Os suricatas alimentam-se de pequenos artrópodes, principalmente escaravelhos e aranhas. Têm garras afiadas nas patas, que lhes permitem escavar a superfície do chão e tem dentes afiados para penetrar nas carapaças quitinosas das suas presas. Outra característica distinta é a sua capacidade de se elevarem nas patas traseiras, utilizando a cauda como terceiro apoio.

Distribuição e Habitat

Os suricatos (Suricata suricatta) são animais que vivem exclusivamente no continente africano em estado selvagem, com distribuição geográfica condizente com as suas necessidades de sobrevivência e proteção. Sua ocorrência natural é restrita no sul do continente africano.

  1. Deserto do Kalahari: Local de ocorrência principal da espécie. Apesar de ser nomeado "deserto" o local apresenta locais semi áridos que oferece um rico solo firme, onde os suricatos vivem e criam suas tocas.
  2. Deserto do Namibe: Local extremamente quente e seco, onde os suricatos vivem ás margens dos matagais, local que oferece proteção contra predadores e o clima extremo.

Diferente de muitos mamíferos pequenos que buscam matos densos para se abrigarem, os suricatos dependem de savanas abertas, planícies de capim e matagais secos. Como são animais diurnos e presas por aves de rapina, eles precisam de um campo de visão aberta e bem ampla, facilitando na identificação de possíveis perigos, a exemplo dos chacais.

Etimologia

O nome suricata vem do francês "suricate", cuja etimologia é desconhecida, assume-se que venha de uma língua da África meridional.

Descrição

Um grupo de suricatas no Zoo de Auckland.

Possuem listras paralelas em suas costas, que se estendem desde a base da cauda até os ombros. Os padrões de listras são únicos para cada suricata.

Ecologia

Os suricatas são exclusivamente diurnos e vivem em colónias de até 40 indivíduos, que constroem um complicado sistema de túneis no subsolo, onde permanecem durante a noite. Têm uma longevidade entre 5 a 12 anos, atingindo até aos 15 em cativeiro. Dentro do grupo, os animais revezam-se nas tarefas de vigia e proteção das crias da comunidade. O sistema social dos suricata é complexo e inclui uma linguagem própria que parece indicar, por exemplo, o tipo de um predador que se aproxima. Atingem a maturidade sexual com um ano de idade, podendo ter de três a cinco filhotes por ninhada. Podem ter até quatro ninhadas por ano. Se reproduzem em qualquer época do ano, mas a maioria dos nascimentos ocorrem nas estações mais quentes. Estudos mostram que os suricatas são capazes de ensinar ativamente suas crias a caçarem, um método semelhante à capacidade humana de ensinar. As suricata desenvolveram um modo específico de enfrentar cada predador, no caso de aves de rapina, escondem-se dentro das galerias, no caso de chacal ou hiena, irão tentar afugentá-lo com sombras e barulhos, no caso de cobra irão lutar com ela e até mesmo comê-la.

Dieta

A suricata (Suricata suricatta) possui dieta carnívora com forte tendência insetívora, sendo classificada como predador oportunista e generalista. Alimenta-se principalmente de artrópodes, como coleópteros (escaravelhos) e suas larvas, lepidópteros (borboletas e mariposas) e himenópteros (formigas, abelhas e vespas). Complementa a dieta com aracnídeos (escorpiões, aranhas e solífugos), miriápodes, répteis (lagartixas, lagartos e cobras pequenas), anfíbios, pequenas aves e mamíferos. As suricatas são imunes ao veneno de escorpiões, o que lhes permite caçá-los com frequência. Embora predominantemente carnívoras, também consomem matéria vegetal ocasionalmente, como frutos (incluindo melões-citron), tubérculos, raízes (para obtenção de água) e até mesmo trufas do deserto (Kalaharituber pfeilii) quando disponíveis.

A composição da dieta sofre variações sazonais: o consumo de coleópteros adultos é positivamente correlacionado com a precipitação e negativamente com a temperatura, enquanto larvas de insetos apresentam picos em março e maio, e os répteis são mais consumidos em fevereiro, março e julho. A taxa de ingestão de alimentos é significativamente menor no inverno, e fêmeas grávidas ou lactantes forrageiam em taxas mais elevadas que os machos durante o período reprodutivo.

O forrageamento ocorre em bandos coesos, com os indivíduos mantendo-se geralmente a menos de 5 metros de distância, e ocupa de cinco a oito horas diárias. Utilizam o olfato para localizar as presas, cavando o solo ou revirando pedras, e raramente perseguem ativamente as presas, embora possam correr atrás de lagartixas por alguns metros. Durante a atividade, alguns membros atuam como sentinelas, e um mesmo local só é revisitado após cerca de uma semana para garantir a renovação do alimento. As crias com mais de dois meses são ensinadas a caçar por fêmeas adultas em "escolas" de caça, aprendendo a manusear presas perigosas em poucas semanas. A atividade é ajustada termorregulatoriamente, com pausas (sesta) durante o calor extremo do verão e redução do período ativo no inverno; a competição direta por alimento entre os membros do grupo é rara, devido à alta renovação das presas insetívoras.

Adaptações a regiões quentes

Os suricatos habitam regiões caracterizadas por condições climáticas severas, apresentando adaptações físicas e comportamentais para essas adversidades. Para suportar as baixas temperaturas noturnas típicas dos desertos, esses animais possuem uma área do ventre com pelagem escassa e pele escura.. Ao amanhecer, é comum observá-los posicionados de pé, apoiados nas patas traseiras, expondo o ventre ao sol para absorver calor rapidamente e auxiliar na termorregulação. Para lidar com a intensa luminosidade do dia, apresentam uma coloração escura ao redor dos olhos, característica que reduz o ofuscamento solar e melhora a acuidade visual na detecção de predadores aéreos. Além disso, devido à constante escassez hídrica de seu habitat semiárido, a espécie obtém praticamente toda a água necessária para sua sobrevivência através da dieta. A hidratação ocorre pela ingestão da umidade presente em suas presas, como insetos e escorpiões, e em raízes, o que elimina a necessidade de ingerir água na forma líquida.

Ecologia comportamental e dinâmica social

Suricatos (Suricata suricatta) apresentam um sistema social altamente cooperativo. Os grupos familiares, conhecidos como clãs, normalmente são compostos por 3 a 30 indivíduos. A reprodução concentra-se em um casal dominante, enquanto os demais membros do grupo atuam como auxiliares, realizando atividades como alimentação dos filhotes, vigilância, defesa do território, manutenção das tocas e cuidado da prole durante o forrageamento dos adultos. Essa divisão de tarefas reduz os custos individuais da reprodução e permite que diferentes funções sejam realizadas simultaneamente. A presença de indivíduos auxiliares aumenta a sobrevivência dos filhotes e o sucesso reprodutivo do casal dominante, tornando a cooperação uma estratégia fundamental para a manutenção dos grupos familiares.

Nos grupos de suricatos, os indivíduos permanecem unidos durante praticamente todas as atividades diárias, compartilhando cuidados parentais e cooperando na defesa do grupo e dos recursos utilizados pela colônia. A cooperação entre indivíduos aparentados aumenta a eficiência da utilização dos recursos disponíveis e representa uma importante adaptação aos ambientes áridos do sul da África.

Sistema de vigilância

Durante o período de forrageamento, a segurança do grupo depende de uma divisão bem definida das funções desempenhadas por cada indivíduo. Enquanto a maior parte do grupo procura alimento, um indivíduo permanece em posição elevada atuando como sentinela, monitorando continuamente a aproximação de predadores terrestres e aéreos. Essa função é alternada entre diferentes membros ao longo do dia, permitindo que os custos da vigilância sejam compartilhados. Essa estratégia permite que os demais indivíduos continuem na busca por alimento durante mais tempo, sem aumentar o risco de predação.

Os sentinelas produzem vocalizações específicas durante a vigilância. Chamados de monitoramento indicam que o ambiente permanece seguro, enquanto chamados de alarme variam conforme o tipo de predador e o grau de urgência da ameaça, permitindo respostas comportamentais diferentes para cada situação.

Além desses chamados de alarme, os suricatos ajustam a comunicação vocal de acordo com o contexto, complementando assim a vigilância visual e aumentando a capacidade do grupo de responder às ameaças.

Sistema de tocas

Os suricatas são usuários obrigatórios de tocas secundárias e, no Deserto do Kalahari, utilizam tocas escavadas por oricteropos (Orycteropus afer), porcos-espinhos-do-cabo (Hystrix africaeaustralis), lebres-saltadoras (Pedetes capensis) e esquilos-terrestres-do-cabo (Geosciurus inauris), que podem ser reformadas em vez de serem escavadas por eles mesmos. São diurnos, adaptados ao deserto, que vivem em grupos com estrutura familiar, nos quais a reprodução é direcionada para um casal reprodutor dominante. Todas as noites, os grupos se recolhem a uma das muitas tocas de dormir dentro de seu território, geralmente utilizando a mesma toca por até uma semana antes de trocar. As tocas também servem como abrigos durante as primeiras 3 a 4 semanas de desenvolvimento dos filhotes, quando os cuidadores dedicados permanecem no subsolo com os filhotes enquanto o resto do grupo busca alimento. Durante o dia, os grupos se movem de forma coesa por toda a sua área de vida e se alimentam principalmente de invertebrados que vivem na superfície e em águas rasas, ocasionalmente utilizando buracos e tocas como refúgio em resposta a predadores. Exceto em circunstâncias excepcionais, os suricatas obtêm toda a água de que precisam de seus alimentos, portanto, diferentemente de muitos mamíferos do Kalahari, seu uso do espaço não é limitado pela água superficial.

As suricatas não podem cavar novas tocas para dormir e se reproduzir e devem usar aquelas abandonadas por outras espécies, o que pode gerar compensações no uso diário do espaço se os refúgios noturnos estiverem longe das áreas de forrageamento ideais. O uso do espaço é fortemente ancorado pela localização da toca, com tocas em lagoas calcárias e leitos de rios secos ("areia branca") sendo preferidas durante todo o ano e apresentando menores taxas de troca de toca. Contudo, as áreas de areia branca não eram as preferidas para forrageamento e resultavam em menor ganho de peso, particularmente durante a estação seca. Consequentemente, os suricatas enfrentavam um dilema entre a localização ideal de suas tocas e áreas produtivas de forrageamento, como indicado por deslocamentos mais rápidos, longos e energeticamente mais dispendiosos ao atravessarem ou acordarem em areias brancas.

Termorregulação

A temperatura máxima diária do ar ( Tmax ) nas zonas áridas do sul da África aumentou nas últimas três décadas e prevê-se que continue a aumentar, estando associada a uma maior ocorrência de secas e à redução da disponibilidade de alimentos para muitas espécies. A necessidade de compensar a perda de água por evaporação em aves e mamíferos aumenta com o aumento das temperaturas ambientais, exigindo uma maior ingestão de água. Além disso, temperaturas do ar mais elevadas estão associadas a uma seleção mais frequente de microambientes mais frios, reduzindo o tempo de forrageamento. Em dias quentes, que estão se tornando cada vez mais frequentes, os suricatas que estão forrageando ativamente podem experimentar aumentos rápidos na temperatura corporal e perda de água por evaporação devido ao seu pequeno tamanho e à alta relação superfície/volume, e os indivíduos raramente continuam a forragear durante os períodos do meio-dia, quando as temperaturas do ar são mais altas, o que os leva a buscar refúgio dentro dos túneis para evitar perdas de água e/ou efeitos adversos das temperaturas mais altas.

Referências

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