Tartesso | |||||||||
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Tartesso c. 500 a.C. | |||||||||
| Continente | Europa | ||||||||
| Região | Península Ibérica | ||||||||
| Países atuais | Espanha e Portugal | ||||||||
| Língua | tartessiano | ||||||||
| História | |||||||||
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Tartesso foi, segundo descobertas arqueológicas, uma civilização histórica situada ao sul da Península Ibérica, caracterizada por um misto de traços ibéricos pré-históricos e fenícios. Tinha o seu próprio sistema de escrita, identificado como tartessiano, presente em 97 inscrições no idioma tartesso. Tartesso é também a designação usada pelos gregos para a primeira civilização ibérica.
Nos registos históricos, Tartesso (em grego: Ταρτησσός) é descrita como uma cidade portuária semimítica na costa sul da Península Ibérica, onde hoje é a moderna Andaluzia, na Espanha, na foz do rio Guadalquivir. Aparece em fontes gregas e do Oriente Próximo a partir do primeiro milênio a.C. Heródoto, por exemplo, relata que se situava além das Colunas de Hércules. Autores romanos tendiam a repetir as fontes gregas, mas por volta do final do primeiro milénio a.C. há indícios de que o nome Tartesso caiu em desuso e que a cidade se teria perdido devido a uma inundação, ainda que vários autores tenham tentado identificá-la por meio de outras cidades na área.[necessário esclarecer]
Tartesso era rica em metais. No século IV a.C., os historiador Éforo de Cime descreveu Tartesso como "um mercado muito próspero chamado Tartesso, com muito estanho transportado pelo rio, bem como ouro e cobre das terras celtas". O comércio de estanho era muito lucrativo na Idade do Bronze, uma vez que é um componente essencial do bronze e é comparativamente raro. Heródoto refere-se a um rei de Tartesso, Argantonio, presumivelmente coroado por sua riqueza em prata. Tartesso era um importante parceiro comercial dos fenícios, cuja presença na Ibéria data do século VIII a.C. e que construíram um porto próprio na região de Gadir (em grego: Γάδειρα; em latim: Gades, o que é hoje Cádis).
No século VI a.C., Tartesso parece desaparecer abruptamente da história, talvez eliminada por Cartago que, depois da batalha de Alália, teria feito pagar a aliança com os gregos. Outros dizem que foi refundada, sob condições pouco claras, com o nome de Carpia. Os romanos chamaram à ampla baía de Cádis Tartessius Sinus, mas o reino de Tartesso já não existia.


Diversas fontes antigas, como Aristóteles, referem-se a Tartesso como um rio. Aristóteles afirma que ele nasce na montanha Pirene (geralmente aceitado pelos historiadores modernos como os Pirenéus) e deságua no mar além das Colunas de Hércules, o atual Estreito de Gibraltar. Nenhum rio que combine com esta descrição, existe dentro da Península Ibérica.
De acordo com o geógrafo e explorador grego Píteas, do século IV a.C., citado por Estrabão no século I d.C., a pátria ancestral dos túrdulos localizava-se ao norte da Turdetânia, a região onde se situava o reino de Tartesso, no vale do rio Bétis (o atual vale do Guadalquivir ), no sul da Espanha.
Pausânias, escrevendo no século II, identificou o rio e forneceu detalhes sobre a localização da cidade:
Dizem que Tartesso é um rio na terra dos Ibéricos, que deságua no mar por duas bocas e que entre essas duas bocas fica uma cidade com o mesmo nome. O rio, que é o maior da Ibéria e sujeito a marés, era chamado pelos mais recentes de Betetis e há quem pense que Tartesso era o antigo nome de Carpia, uma cidade dos ibéricos.
O rio conhecido em sua época como Baetis é agora o Guadalquivir. Assim, Tartesso pode estar soterrado, pensou Schulten, sob os pântanos em constante mudança.
Até hoje, desconhece-se a localização exata de Tartesso. As suas ruínas, provavelmente foram enterradas sob camadas de sal marinho que substituíram antigos estuários e dunas na moderna desembocadura única do Guadalquivir. O delta fluvial foi gradualmente bloqueado por uma enorme faixa de areia que se estende da foz do Rio Tinto, perto de Palos de la Frontera, até Almonte, a margem oposta a Sanlúcar de Barrameda. A área agora está protegida como Parque Nacional de Doñana.
No século I, Plínio, o Velho identificou incorretamente a cidade de Carteia como a Tartesso mencionada nas fontes gregas, enquanto Estrabão apenas comentou. Carteia é identificada como El Rocadillo, perto de S. Roque, Província de Cádiz, a alguma distância do Guadalquivir. No século II, Apiano pensava que Carpesso (Cárpia) era anteriormente conhecida como Tartesso. O nome Cárpia sobrevive ainda hoje, por exemplo na cidade andaluza de El Carpio.
Apesar de existirem numerosos restos arqueológicos no sul da Espanha, como o tesouro de Aliseda ou o tesouro do Carambolo, que se consideram pertencentes à cultura tartessa, a cidade de Tartesso ainda não foi encontrada. A sua possível localização foi objeto de estudo pelo arqueólogo e hispanista alemão Adolf Schulten (1870–1960), que morreu sem ver cumprido seu sonho de encontrar a cidade.
Não é certo que tenha existido uma cidade com este nome, dado que ainda não se encontrou sua localização, ainda que estejam perfeitamente documentados outros povoados ao longo do vale do Guadalquivir, território de expansão da civilização dos Tartesso. Provavelmente, a cidade e a civilização já existiam antes de 1 000 a.C., dedicadas ao comércio, à metalurgia e à pesca. A posterior chegada dos fenícios e seu estabelecimento em Gadir (actual Cádis), talvez tenha estimulado o seu imperialismo sobre as terras e cidades em redor, a intensificação da exploração das minas de cobre e prata.
Os tartessos converteram-se nos principais fornecedores de bronze e prata do Mediterrâneo, assim como faziam a navegação até às ilhas Cassitérides, de onde importaram o estanho necessário para a produção de bronze, ainda que também o obtivessem pela lavagem de areias do rio Tartesso, que continha estanho.
O geógrafo Pausânias, escreveu que Myrion, o tirano de Sicião, tinha um grande tesouro, acumulado para comemorar a vitória na corrida de bigas nos Jogos Olímpicos. Neste tesouro, ele mandou construir duas câmaras em diferentes estilos, uma em estilo dórico, a outra em estilo jónico, com bronze que, segundo os élidos, era de Tartesso.
Desde os classicistas do início do século XX, os arqueólogos bíblicos identificam frequentemente o topónimo Társis, presente no Antigo Testamento aparecem referências a Társis ("Tarshish" ou Tarsisch).
De facto, o rei Salomão tinha navios de Társis no mar junto com as naves de Hirão. As naves de Társis vinham uma vez a cada três anos e traziam ouro, prata, marfim, bugios e pavões.
Embora outros associem Társis a Tarso, na Anatólia, ou a outros locais que se estendem até à Índia. Társis, tal como Tartesso, está associada a uma vasta riqueza mineral (Faixa Piritosa Ibérica).
Em 1922, Adolf Schulten disse que Tartesso era a origem ocidental — e inteiramente europeia — da lenda da Atlântida.
Em 2011, uma equipa liderada por Richard Freund afirmou ter encontrado fortes indícios da localização no Parque Nacional de Doñana, com base em levantamentos subterrâneos e subaquáticos e na interpretação do sítio arqueológico de Cancho Roano como «cidades memoriais» reconstruídas à imagem da Atlântida. Cientistas espanhóis afirmaram que Freund estava a sensacionalizar o seu trabalho. O antropólogo Juan Villarías-Robles, que trabalha com o Conselho Superior de Investigações Científicas Espanhol, afirmou que «Richard Freund era um recém-chegado ao nosso projeto e parecia estar envolvido na sua própria questão muito controversa relativa à busca do rei Salomão por marfim e ouro em Tartesso, a povoação bem documentada na área de Doñana, fundada no primeiro milénio a.C.», e descreveu as suas alegações como «fantasiosas».

Através de gerações chegaram-nos documentos que falam dos lendários líderes de Tartesso. Trata-se de personagens mitológicos, cuja existência real é tão duvidosa como a de Hércules. Sobre esses monarcas, constantes da lendária Monarquia Lusitana, escreveu-se recentemente a Tragicomédia de Gargoris e Habidis (1978), que menciona um sistema social baseado na exploração do homem pelo homem, nascido depois do descobrimento da agricultura.
Os sítios de ocupação tartéssica da Idade do Bronze Final não eram particularmente complexos: "um modo de produção doméstico parece ter predominado" é uma avaliação comum. Uma geração anterior de arqueólogos e historiadores adotou uma abordagem normativa para a adoção primitiva dos tartéssicos, de estilos e técnicas Púnicas. Como se uma cultura menos desenvolvida, tenha adotado traços culturais melhores e mais evoluídos, e encontrou paralelos orientais para a cultura material da Idade do Ferro Inicial nos sítios tartéssicos. Uma geração posterior tem se preocupado mais com o processo pelo qual as instituições locais evoluíram.

A emergência de novas descobertas arqueológicas na cidade de Huelva está a provocar a revisão dessas visões tradicionais. Só em dois lotes adjacentes, que somam 2.150 metros quadrados, encontram-se vestígios de arqueologia. Entre a Praça Las Monjas e a Rua Mendez Nuñez, foram exumados cerca de 90.000 peças cerâmica de origem indígena, fenícia e importada da Grécia, dos quais 8.009 permitiram a identificação do seu tipo. Esta cerâmica, datada do século X ao início do VIII a.C., é anterior às descobertas de outras colônias fenícias; juntamente com vestígios de numerosas atividades, as descobertas de Huelva revelam um importante emporium (centro industrial e comercial) neste local, que durou vários séculos. Descobertas semelhantes em outras partes da cidade permitem estimar a habitação proto-histórico de Huelva em cerca de 20 hectares, uma área considerável para um sítio na Península Ibérica durante esse período.
A datação por carbono-14 calibrada, realizada pela Universidade de Groningen em ossos de gado associados, bem como a datação baseada em amostras de cerâmica, permite uma cronologia de vários séculos, abrangendo o estado da arte do artesanato e da indústria desde o século X a.C., como segue: cerâmica (tigelas, pratos, crateras, vasos, ânforas, etc.), caldeiras de fundição, bicos de fundição, pesos, peças de madeira com acabamentos requintados, partes de navios, crânios de bovídeos, colares, fíbulas, ossos de tornozelos, ágata, marfim – com a única oficina do período comprovada até agora no Ocidente –, ouro, prata, etc.
A existência de produtos e materiais estrangeiros, juntamente com os locais, sugerem que o antigo porto de Huelva era um importante centro de recepção, fabrico e envio de diversos produtos de diferentes e distantes origens. A análise de fontes escritas e dos produtos exumados, incluindo inscrições e milhares de cerâmicas gregas, algumas das quais são obras de excelente qualidade de ceramistas e pintores conhecidos, levou alguns estudiosos a sugerir que este local pode ser identificado não apenas com Társis, mencionado na Bíblia, na estela assíria de Assaradão e, talvez, na inscrição fenícia da Pedra de Nora, mas também com o Tartesso das fontes gregas – interpretando o rio Tartesso como equivalente ao atual rio Tinto e o lago Ligostino ao estuário conjunto dos rios Odiel e Tinto, que fluem a oeste e a leste da península de Huelva.
A maioria dos sítios arqueológicos foi inexplicavelmente abandonada no século V a.C.
Há poucos dados, mas presume-se que tal como os outros povos do mediterrâneo também tinham uma religião politeísta. Acredita-se que também poderiam adorar uma deusa produto da aculturação fenícia comparável a Astarte ou Potnia. Também pode ter havido uma divindade masculina, o deus Baal fenício ou Melcarte. Encontraram-se santuários de estilo fenício no sitio arqueológico de Cástulo (no município de Linares, Jaén). Foram descobertas várias oferendas votivas em diversos pontos da Andaluzia e noutras partes mais distantes, como Salamanca, de proveniência desconhecida. No aspeto religioso a aculturação fenícia apenas se verificou em alguns sítios.