O teniposido (português europeu) ou teniposídeo (português brasileiro) é um fármaco antineoplásico citotóxico pertencente à classe das epipodofilotoxinas, desenvolvido como um derivado semissintético da podofilotoxina, uma substância de origem botânica extraída das raízes da planta Podophyllum peltatum. O seu mecanismo de ação assenta na inibição da enzima topoisomerase II, ligando-se a esta e ao ADN celular para formar um complexo estável que impede a religação das cadeias genéticas; este processo resulta na acumulação de quebras na estrutura do ADN, bloqueando o ciclo celular nas fases S e G2 e forçando a apoptose das células tumorais. Clinicamente, o teniposido é administrado por via intravenosa e encontra a sua principal indicação no tratamento de neoplasias hematológicas, destacando-se na leucemia linfoblástica aguda refratária em idade pediátrica, linfomas malignos e certos tumores sólidos e intracranianos, como o neuroblastoma e o glioblastoma. Sendo um quimioterápico potente, o seu perfil de toxicidade inclui efeitos adversos graves, como a mielosupressão acentuada (leucopenia, trombocitopenia e anemia), toxicidade gastrointestinal e alopecia. Adicionalmente, este fármaco destaca-se por apresentar uma incidência notavelmente elevada de reações de hipersensibilidade (RHS) de cariz infusional, as quais flutuam entre 5 e 53% dos casos e tendem a manifestar-se logo nos primeiros minutos da primeira ou segunda exposição por via de um mecanismo predominantemente não alérgico. Estas reações manifestam-se clinicamente através de sintomas agudos como hipotensão arterial severa, broncoespasmo, flush facial e dor abdominal intensa, exigindo na prática clínica protocolos rigorosos de suporte que englobam a administração de uma pré-medicação sistemática baseada em corticosteroides e anti-histamínicos, o controlo e desaceleração do ritmo de perfusão intravenosa e a rigorosa monitorização dos sinais vitais. Além disso, a sua manipulação e administração exigem cuidados extremos devido a uma vasta lista de incompatibilidades físico-químicas, apresentando reações de precipitação direta ou inativação quando em contacto com fármacos como a amiodarona, a carboplatina, o diazepam, a heparina e diversos antibióticos (como a ampicilina e a ceftriaxona), além de ser incompatível com soluções concentradas do próprio teniposido acima de 100 mg/L ou veículos que contenham determinados açúcares como a frutose.