A diversidade morfológica é bastante alta; a maioria das espécies assemelha-se a toutinegras, gaios ou tordos. Este grupo está entre as famílias de aves do Velho Mundo com o maior número de espécies ainda sendo descobertas.
Características
Os tagarelas são aves de pequeno a médio porte. Possuem pernas fortes, e muitos são bastante terrestres. Normalmente têm bicos generalizados, semelhantes aos de um tordo ou toutinegra, exceto os membros dos gênerosPomatorhinus e Erythrogenys, que portam de bicos grossos e curvados. A maioria tem plumagem predominantemente marrom com tons de cinza, e pouco dimorfismo sexual, mas também existem muitas espécies de cores mais vivas.
Este grupo não é migratório, e a maioria das espécies possuem asas curtas e arredondadas e um voo fraco. Vivem em ambientes levemente arborizados ou em cerrados, variando desde pântanos a quase desertos. São principalmente insetívoros, embora muitos também alimentam-se de bagas, e espécies maiores até comem pequenos lagartos e outros vertebrados.
Os tagarelas vivem em comunidades e são altamente sociáveis, defendendo territórios conjuntamente. Muitos até se reproduzem em comunidade, com um par dominante construindo um ninho e o restante ajudando a defender e criar seus filhotes. Os machos jovens permanecem com o grupo, enquanto as fêmeas se afastam para encontrar um novo grupo e, assim, evitar a endogamia. Fazem ninhos de galhos e os escondem na vegetação densa.
Sistemática
Taxonomia
A sistemática dos timaliídeos tem sido contestada há muito tempo. Durante grande parte do século XX, a família foi usada como um "táxon de descarte" para inúmeras aves canoras do Velho Mundo difíceis de serem categorizadas (como Picathartidae). O ornitólogo alemão Ernst Hartert fez uma piada quando, em 1910, resumiu essa atitude com a afirmação de que, nos passeriformes: "Was man nicht unterbringen kann, sieht man als Timalien an." (O que não se pode categorizar sistematicamente é considerado um tagarela).
Os taxóns mais obviamente deslocados foram removidos aos poucos no final do século passado. Desde então, com o auxílio de dados de sequência de DNA, foi confirmado que mesmo o grupo restante não é monofilético. A análise dos dados do mtDNAcitocromo b 12S/16S rRNA (Cibois 2003a) alegou que os timaliídeos foram estudados através do que essencialmente era uma politomia mal resolvida com os silviídeos e zosteropídeos.
Classificação
A família atualmente inclui 56 espécies divididas nos seguintes 10 gêneros:
↑Cai, T.; Cibois, A.; Alström, P.; Moyle, R.G.; Kennedy, J.D.; Shao, S.; Zhang, R.; Irestedt, M.; Ericson, P.G.P.; Gelang, M.; Qu, Y.; Lei, F.; Fjeldså, J. (2019). «Near-complete phylogeny and taxonomic revision of the world's babblers (Aves: Passeriformes)». Molecular Phylogenetics and Evolution. 130: 346–356. PMID30321696. doi:10.1016/j.ympev.2018.10.010
↑Gill, Frank; Donsker, David; Rasmussen, Pamela, eds. (Janeiro de 2021). «Babblers & fulvettas». IOC World Bird List Version 11.1. International Ornithologists' Union. Consultado em 17 de junho de 2021
↑Collar, N. J.; Robson, C. (2016). «Scimitar-babblers and allies». In: del Hoyo, J.; Elliott, A.; Sargatal, J.; Christie, D. A.; de Juana, E. Handbook of the Birds of the World. 2: Passerines. Barcelona: Lynx Edicions
Leitura adicional
Alström, P; Ericson, P. G.; Olsson, U; Sundberg, P (2006). «Phylogeny and classification of the avian superfamily Sylvioidea». Molecular Phylogenetics & Evolution. 38 (2): 381–97. PMID16054402. doi:10.1016/j.ympev.2005.05.015
Cibois, Alice (2003b). «Sylvia is a babbler: taxonomic implications for the families Sylviidae and Timaliidae». Bull. B. O. C.123: 257–261
Cibois, Alice; Slikas, Beth; Schulenberg, Thomas S.; Pasquet, Eric (2001). «An endemic radiation of Malagasy songbirds is revealed by mitochondrial DNA sequence data». Evolution. 55 (6): 1198–1306. PMID11475055. doi:10.1554/0014-3820(2001)055[1198:AEROMS]2.0.CO;2
Cibois, Alice; Kalyakin, Mikhail V.; Lian-Xian, Han; Pasquet, Eric (2002). «Molecular phylogenetics of babblers (Timaliidae): Revaluation of the genera Yuhina and Stachyris». Journal of Avian Biology. 33 (4). 380páginas. doi:10.1034/j.1600-048X.2002.02882.x
Collar, N. J. & Robson, C. 2007. Family Timaliidae (Babblers) pp.70–291 in; del Hoyo, J., Elliott, A. & Christie, D.A. eds. Handbook of the Birds of the World, Vol. 12. Picathartes to Tits and Chickadees. Lynx Edicions, Barcelona.
Ericson, Per G.P.; Johansson, Ulf S. (2003). «Phylogeny of Passerida (Aves: Passeriformes) based on nuclear and mitochondrial sequence data». Molecular Phylogenetics and Evolution. 29 (1): 126–38. PMID12967614. doi:10.1016/S1055-7903(03)00067-8
Nguembock, Billy; Fjeldså, Jon; Tillier, Annie; Pasquet, Eric (2007). «A phylogeny for the Cisticolidae (Aves: Passeriformes) based on nuclear and mitochondrial DNA sequence data, and a re-interpretation of an [sic] unique nest-building specialization». Molecular Phylogenetics and Evolution. 42 (1): 272–86. PMID16949311. doi:10.1016/j.ympev.2006.07.008
Pasquet, Eric; Bourdon, Estelle; Kalyakin, Mikhail V.; Cibois, Alice (2006). «The fulvettas (Alcippe, Timaliidae, Aves): a polyphyletic group». Zoologica Scripta. 35 (6). 559páginas. doi:10.1111/j.1463-6409.2006.00253.x
Reddy, Sushma; Cracraft, Joel (2007). «Old World Shrike-babblers (Pteruthius) belong with New World Vireos (Vireonidae)». Molecular Phylogenetics and Evolution. 44 (3): 1352–1357. PMID17412613. doi:10.1016/j.ympev.2007.02.023
Schulenberg, T.S. (2003): The Radiations of Passerine Birds on Madagascar. In: Goodman, Steven M. & Benstead, Jonathan P. (eds.): The Natural History of Madagascar: 1130–1134. University of Chicago Press. ISBN0-226-30306-3