Time | |
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Primeiro quadro da obra | |
| Língua de origem | inglês |
| Lançada em | 25 de março de 2013 |
| Terminou em | 26 de julho de 2013 |
| Autor(es) | Randall Munroe |
| Site oficial | xkcd.com/1190/ |
"Time" (lit. "Tempo") é a 1 190ª tira da webcomic xkcd, do cartunista estadunidense Randall Munroe. Ela se passa 11 mil anos no futuro na bacia do Mar Mediterrâneo durante uma suposta recorrência do Dilúvio Zancleano e apresenta dois personagens que partem em uma jornada para descobrir a causa do aumento do nível do mar. No final da história, eles voltam para salvar o seu povo de uma inundação iminente.
Os quadros da tira foram publicados periodicamente no site da webcomic entre 25 de março e 26 de julho de 2013, totalizando 3 102 imagens diferentes. Munroe concebeu a obra ao pensar sobre qual era o meio-termo entre uma tira diária e uma animação, algo que é possível com a distribuição pela internet. Ele também avaliou que uma obra menos acessível, como um quebra-cabeça, possa ser mais atraente. A história recebeu sugestões de especialistas de áreas como linguística, astronomia e botânica e possui uma língua fictícia que ainda não foi decifrada pela comunidade.
Descrita por Glen Tickle, do Geekosystem, como a "obra-prima" de Munroe, "Time" atraiu grande atenção e foi bem recebida na internet; vários projetos, wikis e comunidades online foram criados em torno dela. Em 2014, a obra ganhou o Prêmio Hugo na categoria Melhor História em Quadrinhos.
"Time" começa com dois bonecos palito, um homem e uma mulher, construindo castelos de areia numa praia. A mulher percebe que o mar está subindo. Depois de terminarem a construção e conseguirem impedir temporariamente que o mar o destruísse, os dois decidem partir em busca da causa da elevação do nível do mar. Assim que eles saem, a água começa a destruir o castelo.
O casal segue o curso de um rio desconhecido, observando a paisagem e encontrando vestígios de antigos acampamentos, árvores com marcações e um barco deteriorado. Apesar da possibilidade de atravessar o rio, eles decidem continuar pelas montanhas. Durante o percurso, o homem avista uma cobra e cai sobre a mulher. Mais adiante, os dois param para observar um pássaro e seu filhote no ninho. Ao descansarem perto de um pequeno riacho, descobrem uma cachoeira e, após contemplarem a paisagem, decidem explorar as montanhas.
Eles sobem até chegarem a uma pequena casa abandonada. Ali, o homem é atacado por um felino, que a mulher afugenta com um pedaço de madeira. O homem sai ileso, mas a mulher sofre um ferimento na perna. Para estancar o ferimento, os dois improvisam um curativo com uma bandeira que haviam levado enquanto construíam os castelos de areia. Eles decidem continuar a subida na esperança de encontrar pessoas e seguem em direção ao cume. Ao anoitecer, eles param para descansar ao ar livre. Pela manhã, eles seguem em frente, decididos a voltar caso não encontrem ninguém.

Os dois encontram uma estrutura e entram em contato com um povo que usa chapéus e cuja língua eles não conseguem entender. O grupo cuida dos ferimentos da mulher, os acolhe em seu assentamento e confirma que o nível do mar está, de fato, subindo. Eles são conduzidos a um castelo, onde encontram a líder dos habitantes locais, que consegue se comunicar parcialmente na língua dos visitantes. A líder explica que existe outro mar, bem maior, que antigamente era conectado ao mar próximo de onde o casal vive, mas que atualmente está isolado. Ela diz que a água está retornando a esse mar e que seu nível continuará subindo. Em seguida, ela mostra um mapa da região em que aparecem o castelo e os dois mares. Ela também mostra um desenho representando como o litoral ficará; ele se assemelha muito ao do Mar Mediterrâneo. Ao saberem que a elevação do nível da água inundaria sua terra natal em poucos dias, o homem e a mulher correm de volta para casa, guiando-se por mapas que a mulher havia roubado.
Ao voltarem para casa, eles e os demais habitantes planejam evacuar a região. Uma menina surge com uma jangada feita da madeira do castelo de areia do início da história, levando o grupo a mudar seus planos e subir o rio. Após ampliarem a embarcação, eles partem e se juntam a outros membros. Depois de uma noite à deriva, eles avistam terra e desembarcam. A história termina com o homem e a mulher, os últimos a deixar a jangada, explorando uma região desconhecida, enquanto o barco balança na água. Os cinco quadros finais, que mostram o barco balançando na água, estão sendo exibidos atualmente em loop no site do xkcd.

Randall Munroe, o criador da webcomic, descreveu os motivos para criar "Time" em uma entrevista com a revista Rolling Stone, em que ele afirmou que teve a ideia enquanto refletia sobre o espaço entre uma animação e uma tira diária, querendo fazer algo que ficasse no meio do caminho. À revista sueca Computer Sweden, Munroe disse que ele nunca tinha visto alguém fazer um projeto como esse e que "queria ver se daria certo". Ele afirmou que, em alguns casos, "as coisas ficam mais interessantes quando são difíceis de acessar", como em livros que propositalmente complicam a história. Munroe esperava que, conforme as pessoas fossem se interessando, o mundo e a linguagem despertassem o entusiasmo dos leitores mais profundamente. De acordo com ele, nada como "Time" foi feito antes porque é difícil alcançar as pessoas a cada hora sem uma ferramenta como a internet.
Após o fim de sua história, Munroe explicou diversos detalhes e aprofundou o contexto da obra em um artigo publicado na revista Wired. Ele comentou que "Time" se passa 11 mil anos no futuro, em uma civilização na qual a sociedade atual já está extinta há muito tempo. A história se passa na bacia do Mar Mediterrâneo, que evaporou em grande parte após atividades tectônicas terem isolado a região do Oceano Atlântico. Isso se baseia em um evento semelhante ocorrido há aproximadamente 5 milhões de anos—a Crise de Salinidade Messiniana. A inundação que ocorre no final da história é uma suposta recorrência do Dilúvio Zancleano. Munroe teria pesquisado a flora e a fauna da região e as incorporado à tira, oferecendo pistas sobre o local em que a história se passa. Segundo Munroe, ele recebeu "sugestões de botânicos e herpetologistas e tinha um arquivo com detalhes sobre todas as espécies que os personagens encontravam ou mencionavam, como palmeiras-anãs, zimbros, víboras-cornudas e jibóias-da-areia".
Na cena em que o homem e a mulher dormem, as estrelas no céu noturno ocupam o fundo. A cena foi feita com a ajuda de um software de astronomia para reproduzir o céu noturno do local onde os personagens se encontram, naquele momento específico, levando em conta a precessão projetada dos equinócios e o movimento estelar ao longo dos próximos 11 anos. O céu não inclui a estrela Antares, pois Munroe consultou o astrônomo Phil Plait, que lhe disse que a estrela poderia se tornar uma supernova antes da data em que se passa a história da obra.
A língua dos habitantes das montanhas (e a escrita em que é redigida) foi criada com a ajuda de um linguista e, até o momento, ainda não foi decifrada, embora o significado de algumas palavras e símbolos já tenha sido deduzido. Munroe não deu um nome ao idioma, mas os fãs o apelidaram de "Beanish" (em referência aos chapéus dos nativos, que se parecem com gorros), nome que mais tarde foi adotado pela mídia. Munroe deixou em aberto a possibilidade de usar a língua em uma futura história em quadrinhos.
Os quadros de "Time" eram originalmente atualizados a cada 30 minutos; no entanto, a partir do 240º quadro, as atualizações passaram a ser de hora em hora. Após o quadro 2 440, cinco quadros apareceram em rápida sucessão, mostrando um meteoro cruzando o céu. Após isso, as atualizações voltaram a ser de hora em hora. Os detalhes técnicos sobre a publicação da história em quadrinhos foram descritos em um site independente da seguinte forma:
Dentro da página, há um script que utiliza Ajax simples para baixar uma nova imagem de tempos em tempos. O script está minificado e, por isso, não é fácil de entender, mas há vários programadores dedicando tempo para decifrá-lo. A solicitação é redirecionada no servidor para uma nova imagem e é difícil ou impossível acessar as imagens futuras (elas podem ainda não ter sido feitas), mas, se você souber os links, poderá acessar as imagens anteriores. Isso fez com que vários sites reunissem os quadros para produzir um GIF animado ou um pseudo-vídeo que baixa cada quadro sequencialmente.
"Time" foi bem recebido na internet, com Cory Doctorow, do website Boing Boing, dizendo que a obra estava "indo muito bem" durante sua publicação e que tinha uma "trama impressionante" quando chegou ao fim. Laura Hudson, da Wired, descreveu a jornada como "épica", e Glen Tickle, do Geekosystem, referiu-se à tira como o "magnum opus" de Munroe. Tasha Robinson, do website The A.V. Club, comentou que o apelo de "Time" na capacidade do xkcd de proporcionar experiências criativas e compartilhadas, indo muito além das tradicionais tirinhas de humor.

A obra também foi mencionada pelo jornalista Jeff Blagdon, do The Verge, e pela blogueira Andrea Peterson, do jornal estadunidense The Washington Post. Em agosto de 2014, a HQ venceu o Prêmio Hugo na categoria Melhor História em Quadrinhos. Doctorow recebeu o prêmio em nome do autor, usando óculos de proteção e uma capa vermelha, que era como Munroe o havia desenhado em tirinhas anteriores, intituladas "Blagofaire" e "1337: Part 5".
A obra despertou uma atenção "obsessiva" entre os usuários do fórum do xkcd, onde um tópico de discussão acumulou 2 689 páginas e 107 526 publicações até o encerramento do fórum, em 2019. Os fãs criaram uma wiki dedicada especificamente a "Time" e um glossário de termos inventados para descrever a obra.