| ueno bank | |
|---|---|
| Razão social | Ueno Bank S.A. |
| Nome(s) anterior(es) | Financiera El Comercio Financiera Ueno |
| Sociedade anônima | |
| Atividade | Serviços bancários |
| Fundação | 26 de abril de 1976, como Financiera El Comercio |
| Destino | Em processo de resolução bancária desde 3 de novembro de 2026 |
| Sede | Assunção, Paraguai |
| Serviços | Contas digitais, pagamentos, cartões e empréstimos |
| Ativos | ₲ 21,10 trilhões, em 2025 |
| Lucro | ₲ 313,86 bilhões, em 2025 |
| Website | https://www.ueno.com.py/ |
Ueno Bank S.A., com a marca ueno bank, foi um banco do Paraguai, com sede em Assunção, que oferecia contas e pagamentos por aplicativo, cartões de crédito e empréstimos. Sua origem está na Financiera El Comercio, fundada em 1976, que passou a usar o nome Ueno em 2021 e iniciou as operações como banco em dezembro de 2023. Em 2024, incorporou o Visión Banco e sua rede de atendimento.
Em novembro de 2026, o Banco Central do Paraguai colocou a instituição em processo de resolução bancária, após constatar insuficiência de capital diante das exigências regulatórias. Os serviços foram suspensos, e interventores assumiram a verificação do patrimônio e a preservação dos ativos. A crise provocou investigações criminais e protestos e levou o presidente Santiago Peña a anunciar sua renúncia em 5 de novembro.
A Financiera El Comercio foi constituída em 26 de abril de 1976 e obteve o reconhecimento de sua personalidade jurídica em julho daquele ano. Operou como financeira até novembro de 2023. Outra empresa que deu origem ao banco foi a CrediCentro, uma casa de crédito criada por Víctor Hugo Vázquez no Mercado 4 de Assunção, na década de 1980.
Em junho de 2021, a El Comercio anunciou a intenção de absorver a CrediCentro. Os acionistas aprovaram as bases das negociações em assembleia de 16 de julho, enquanto a conclusão da operação ainda dependia de aprovação do Banco Central. Em 6 de setembro, o BCP autorizou a compra de ações da El Comercio pelo Grupo Vázquez, que passou a controlar a financeira. A empresa adotou a denominação Financiera Ueno em 2021. Carlos Carvallo Spalding presidiu a instituição entre 2021 e 2023, antes de assumir a presidência do BCP.
O Banco Central concedeu a licença bancária em 22 de novembro de 2023, e as operações como Ueno Bank começaram em 1 de dezembro. A incorporação do Visión Banco foi formalizada em junho de 2024 e passou a valer em 1 de julho, quando a licença da entidade absorvida foi revogada. A operação acrescentou à rede do Ueno quase setenta pontos de atendimento e o acesso a correspondentes não bancários. Em dezembro de 2024, o banco anunciou ter ultrapassado um milhão de cartões de crédito ativos.
Em agosto de 2025, foram divulgados na internet dados atribuídos a cerca de 250 mil clientes do banco. Juan Manuel Gustale, então presidente da instituição, contestou que o sistema bancário tivesse sido invadido e afirmou que a base reunia informações de origens diferentes. O BCP iniciou a apuração do caso.
Em 22 de dezembro de 2025, o OTP Bank, da Hungria, investiu 30 milhões de dólares na U Holdings SARL, sediada em Luxemburgo, por meio de um aumento de capital. A U Holdings era a controladora do Ueno Bank. Em março de 2026, o banco colocou 350 milhões de dólares em títulos de dívida no mercado internacional, com prazo de cinco anos e juros anuais de 6,70%.
Em decisão unânime de 2 de novembro de 2026, anunciada no dia seguinte, a diretoria do BCP iniciou o procedimento de resolução do Ueno Bank, previsto na Lei n.º 2.334/2003. Ajustes nas demonstrações financeiras, realizados durante um processo de regularização, haviam levado o índice de solvência do banco a menos da metade do mínimo exigido. Foram nomeados interventores para verificar o patrimônio e preservar os ativos.
Em 3 de novembro, o aplicativo e os cartões deixaram de funcionar, impedindo o acesso dos clientes aos serviços e aos depósitos. O Fundo de Garantia de Depósitos previa cobertura de até 75 salários mínimos mensais por pessoa física ou jurídica em cada instituição, equivalentes a 228,3 milhões de guaranis na data do anúncio.
Carvallo apresentou sua renúncia à presidência do Banco Central no mesmo dia, e Liana Caballero assumiu interinamente o cargo. O Ministério Público paraguaio também ordenou a detenção de oito dirigentes do Ueno.
Em junho de 2026, o banco informava ter mais de 2,9 milhões de clientes e processar mais de três milhões de transações diárias. A suspensão dos serviços interrompeu pagamentos, transferências e o acesso a recursos usados para despesas correntes. Mais de 32 mil aposentados recebiam seus benefícios por meio da instituição. A associação de importadores e comerciantes do Paraguai relatou uma "semiparalisia" do comércio, devido à dependência dos pagamentos eletrônicos realizados pelo banco.
O Instituto de Previdência Social do Paraguai, IPS, mantinha cerca de 355 milhões de dólares em certificados de depósito e títulos financeiros do Ueno, aproximadamente 9% de sua carteira de investimentos. A Administração Nacional de Eletricidade e a Itaipu Binacional também tinham recursos na instituição. O banco administrava aproximadamente 850 milhões de dólares em recursos públicos quando sofreu a intervenção.
Em 5 de novembro, o BCP anunciou o início do pagamento da garantia a um primeiro grupo de depositantes: aqueles com até dez milhões de guaranis em depósitos, sem dívidas com o Ueno e com conta habilitada em outro banco ou financeira do país. Para esse grupo, previu o pagamento integral dos depósitos. O comunicado informou que os demais grupos seriam atendidos conforme o avanço do processo e dentro do prazo legal.
Na mesma data, o Banco Central anunciou uma plataforma para os depositantes consultarem a instituição designada para receber o pagamento, substituindo a comunicação inicialmente prevista por correio eletrônico.
Depois da denúncia apresentada pelo BCP, o Ministério Público abriu uma investigação sobre operações do banco. Miguel Vázquez e outros dirigentes se apresentaram às autoridades nos dias seguintes à intervenção. Em 5 de novembro, o juiz Rodrigo Estigarribia decretou prisão preventiva para seis ex-dirigentes, entre eles Vázquez e o presidente da instituição, Juan Manuel Gustale, e prisão domiciliar com monitoramento eletrônico para outras duas investigadas. Naquela data, a causa reunia 27 acusados por delitos que incluíam lesión de confianza e tentativa de estelionato.
A crise levou Santiago Peña, presidente do país, a cancelar sua participação na Cúpula Ibero-Americana de Madrid. Parlamentares da oposição e dissidentes do Partido Colorado passaram a defender sua destituição. Peña classificou o caso como um problema de uma instituição, enquanto a Associação de Bancos do Paraguai afirmou que o restante do sistema continuava operando normalmente. O presidente havia tido participação na holding ligada ao Ueno, vendida em 2025.
Em 5 de novembro, depois de perder apoio dentro do próprio partido e em meio a protestos e à preparação de um processo de destituição no Congresso, Peña anunciou sua renúncia. Afirmou que pretendia preservar a estabilidade do país e as instituições democráticas e que a devolução dos recursos aos depositantes deveria ser assegurada. A Reuters informou que o vice-presidente Pedro Alliana deveria substituí-lo.
Antes da suspensão das operações, o Ueno oferecia abertura de contas por aplicativo, transferências, pagamentos por código QR, cartões de crédito e débito e empréstimos. Mantinha atendimento presencial e uma rede de correspondentes para operações em dinheiro. Em 2025, recebeu o prêmio Platino de Inclusão Financeira da Fintech Americas.
As demonstrações publicadas para o encerramento de 2025 apresentavam os seguintes valores, anteriores aos ajustes que levaram ao processo de resolução em 2026.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Ativos totais | 21 095 541 966 861 |
| Patrimônio líquido | 2 117 665 237 768 |
| Receitas financeiras | 1 091 048 762 027 |
| Resultado operacional líquido | 466 535 655 033 |
| Lucro líquido após o imposto de renda | 313 857 395 935 |
Em agosto de 2023, a Ueno firmou um acordo de patrocínio com a Associação Paraguaia de Futebol, que abrangia a seleção e as competições da entidade, com exceção da Copa Paraguai. A parceria previa o uso de serviços digitais nos estádios. A marca também passou a integrar a denominação comercial do Estádio Defensores del Chaco.
Em 2024, a instituição firmou contratos com o Olimpia, o Cerro Porteño, o Guaraní e o Sportivo Luqueño. Os acordos envolveram publicidade nos uniformes, pagamentos digitais e direitos de denominação de estádios. O estádio do Olimpia passou a usar o nome comercial Ueno Osvaldo Domínguez Dibb. O banco patrocinou os Jogos Pan-Americanos Júnior de 2025, em Assunção, e a corrida beneficente da Fundação Dequení.
Na área de entretenimento, estabeleceu uma parceria com a produtora G5pro em 2024. Também firmou acordos com a Aldeas Infantiles SOS Paraguay para projetos de educação infantil e com a Rede SUMMA para a contratação de pessoas com deficiência.