| Umkhonto | |
|---|---|
Sistema de lançamento terrestre do míssil Umkhonto. | |
| Tipo | Míssil superfície-ar de curto a médio alcance |
| Histórico de produção | |
| Fabricante | Denel Dynamics |
| Especificações | |
| Peso | 130 kg (290 lb) |
| Comprimento | 3,32 m (10,9 ft) |
| Diâmetro | 180 mm (7,1 in) |
O Umkhonto (na língua ngúni: Lança) é uma família de mísseis superfície-ar de lançamento vertical desenvolvida pela empresa sul-africana Denel Dynamics. O Umkhonto foi projetado como um sistema moderno de defesa antiaérea de curto a médio alcance, com capacidade de engajamento sob quaisquer condições meteorológicas. Operando em velocidades supersônicas, utiliza tecnologia de guiamento por infravermelho e radar para fornecer defesa pontual e de área aproximada contra ataques de aeronaves, drones e mísseis antinavio.
A Denel desenvolveu o sistema inicialmente para dotar as quatro fragatas da Classe Valour da Marinha da África do Sul de capacidade de defesa antiaérea, tendo o primeiro disparo naval bem-sucedido ocorrido em 2005 a bordo da fragata SAS Amatola. O Exército da África do Sul também selecionou o vetor para substituir o obsoleto sistema móvel Cactus (Crotale). No mercado internacional, o míssil obteve contratos de exportação com as marinhas da Finlândia e da Argélia.
O sistema é disponibilizado em três versões principais: curto alcance com guiamento por infravermelho (Umkhonto-IR), médio alcance com guiamento por infravermelho estendido (Umkhonto-ER-IR) e uma variante de longo alcance com guiamento por radar ativo além do alcance visual (Umkhonto-R).
O Umkhonto foi projetado para contrapor uma ampla gama de ameaças aéreas simultâneas, incluindo caças de alto desempenho, helicópteros de ataque, mísseis antinavio, mísseis antirradiação, aeronaves remotamente pilotadas e mísseis de cruzeiro supersônicos. Integrado a radares de vigilância tridimensional e sistemas modernos de controle de tiro, o sistema possui capacidade multialvo em cenários de saturação de defesas.
Antes do lançamento, o alvo é detectado e acompanhado pelo radar tridimensional da plataforma de tiro. Após o disparo vertical, o míssil navega em direção ao ponto de interceptação guiado por seu sistema de navegação inercial de bordo. Na fase final de aproximação, ativa seu sensor infravermelho de duas cores e trava no alvo. Atualizações de trajetória são transmitidas continuamente via enlace de dados (datalink), permitindo corrigir o voo contra manobras evasivas da aeronave inimiga.
O controle aerodinâmico é executado por quatro aletas de cauda articuladas e palhetas de empuxo vetorial (TVC) instaladas diretamente no bocal de exaustão do motor-foguete (solução similar à empregada no míssil ar-ar A-Darter), possibilitando manobras de até 40 g. O motor utiliza propelente sólido de baixa emissão de fumaça para dificultar a detecção visual. O contêiner de transporte e lançamento é selado cilindricamente, possuindo dutos internos que direcionam os gases quentes da partida vertical para cima. A confiabilidade do sistema é garantida por rotinas de autoteste integrado (BIT), reduzindo a demanda de manutenção no escalão de linha de frente.
A pesquisa e desenvolvimento do Umkhonto teve início em 1993, após a descontinuação do projeto do míssil de curto alcance ZA-HVM (baseado no protótipo SAHV-3 e no canhão antiaéreo ZA-35), originalmente voltado a substituir o sistema Cactus em serviço desde 1971. A África do Sul optou por desenvolver um sistema nacional próprio diante dos custos proibitivos de mísseis ocidentais (como o sistema Aegis) e das restrições orçamentárias pós-apartheid.[carece de fontes]

O projeto conceitual foi concluído no final da década de 1990, entrando o Umkhonto-IR em produção piloto em 2001. Ensaios em terra foram realizados em julho de 2005 no campo de provas de Overberg, interceptando drones supersônicos Skua. A variante naval foi integrada ao programa de aquisição das novas fragatas do Pacote Estratégico de Defesa de 1999, com testes reais executados a bordo da fragata SAS Amatola em novembro de 2005 perto do Cabo das Agulhas. Os disparos de validação demonstraram que o tempo decorrido entre a detecção do alvo e o impacto simulado foi inferior a 30 segundos, mesmo sob condições de mar agitado e oscilações pronunciadas de caturro e balanço da embarcação. Testes posteriores durante a Operação Good Hope III em 2008 comprovaram a capacidade de abater alvos supersônicos e subsônicos em voo rasante sobre o mar.
Em 2002, a Marinha da Finlândia selecionou o Umkhonto-IR para equipar as quatro lanchas rápidas de ataque com mísseis da Classe Hamina no âmbito do Projeto Esquadrão 2000, superando concorrentes como o sistema norte-germânico RAM e o sueco RBS 23 BAMSE. O vetor sul-africano foi selecionado igualmente para modernizar os dois navios lança-minas da Classe Hämeenmaa em 2006.
A Denel Dynamics e a Marinha Finlandesa estabeleceram um programa de cooperação técnica para otimizar o desempenho do míssil no ambiente específico do Mar Báltico. Foi introduzido um algoritmo avançado na cabeça de busca para discriminar alvos contra a interferência de fundo (clutter) gerada por ilhas e costas recortadas. Essa versão, designada Umkhonto-IR Block II, incorporou trajetórias de voo mais eficientes que elevaram o alcance máximo para 15 km (com incrementos posteriores para até 20 km) e maior resistência a contra-medidas eletrônicas. Ensaios de tiro real conduzidos pelas forças armadas finlandesas em Uusimaa confirmaram o abate de dois drones de alta velocidade Banshee, resultando na padronização da produção mundial da Denel no padrão Block II e na descontinuação do Block I.

Após os ensaios costeiros iniciais, a Denel realizou em outubro de 2013 uma campanha de tiro real com a variante terrestre do Umkhonto-IR Block II no Campo de Testes de Overberg. Três mísseis interceptaram com sucesso alvos aéreos LOCATS a distâncias de 15 km e 20 km.
O Exército Sul-Africano estruturou o programa GBADS (Ground-based Air Defence System) para dotar suas brigadas de uma defesa antiaérea móvel integrada, combinando o lançador terrestre móvel do Umkhonto, mísseis portáteis Starstreak, radares de vigilância tridimensional e canhões antiaéreos duplos de 35 mm.
O Lançador Terrestre Móvel (GBL) desenvolvido pela Denel consiste em um módulo vertical autônomo com oito contêineres de tiro montado sobre caminhão militar, transportável por via rodoviária, marítima ou aeronaves de carga, permitindo pronta operação e integração a redes de defesa antiaérea.
Primeira variante operacional em série, pioneira no emprego de lançamento vertical com cabeça de busca por infravermelho e travamento pós-lançamento (LOAL). Equipa as fragatas sul-africanas da Classe Valour desde 2006 e foi descontinuada após o desenvolvimento do padrão Block II.
Versão aperfeiçoada com algoritmos aprimorados para filtragem de interferências de costa e ilhas, alcance cinético expandido e maior resistência a contramedidas eletrônicas. Equipa as forças navais da Finlândia, Argélia e África do Sul.
Variante com motor-foguete de maior diâmetro e queima estendida apresentada na feira IDEX em 2017, projetada para competir no segmento de defesa naval de médio alcance com sistemas como o MBDA Aster 15 e o CAMM.
Versão de longo alcance além do alcance visual (BVR) projetada para incorporar cabeça de busca com guiamento ativo por radar (ARH) em substituição ao sensor infravermelho, aumentando a probabilidade de acerto e o alcance eficaz contra alvos em qualquer condição meteorológica.