| CAMM Common Anti-Air Modular Missile | |
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Concepção gráfica computadorizada | |
| Tipo | Míssil antiaéreo e antimíssil |
| Local de origem | Reino Unido Reino Unido & Itália (CAMM-ER) Reino Unido & Polônia (CAMM-MR) |
| História operacional | |
| Em serviço |
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| Guerras | Crise do Mar Vermelho |
| Histórico de produção | |
| Criador | MBDA UK MBDA (CAMM-ER) |
| Variantes | CAMM (Sea Ceptor / Land Ceptor), CAMM-ER, CAMM-MR |
| Especificações | |
| Peso | CAMM: * Míssil: 99 kg (218 lb) * No tubo: 181 kg (399 lb) CAMM-ER: * Míssil: 166 kg (366 lb) * No tubo: 250 kg (550 lb) |
| Comprimento | CAMM: * Míssil: 3,2 m (10 ft 6 in) * Tubo: 3,4 m (11 ft 2 in) CAMM-ER: * Míssil: 4,2 m (13 ft 9 in) * Tubo: 4,4 m (14 ft 5 in) |
| Ogiva | Alto-explosivo de fragmentação |
| Peso da ogiva | 10 kg (22 lb) |
| Detonador | Espoleta de proximidade a laser e espoleta de impacto |
| Motor | Foguete de combustível sólido |
| Envergadura | 450 mm (18 in) |
| Alcance operacional (míssil) |
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| Altitude de vôo | CAMM & CAMM-ER: 10 000 m (33 000 ft) |
| Velocidade | Mach 3 (1.029 m/s) |
O CAMM (Common Anti-Air Modular Missile) é uma família de mísseis superfície-ar desenvolvida pela MBDA UK para o Reino Unido. O CAMM é derivado do míssil ar-ar de curto alcance ASRAAM (Advanced Short-Range Air-to-Air Missile), compartilhando com este diversos componentes e características estruturais, mas incorporando aviônica modernizada, sistema de lançamento vertical a frio (soft vertical launch) e uma cabeça de busca por radar terminal ativo. A família CAMM encontra-se em serviço ativo ou encomendada pelas forças armadas de múltiplos países.
Na Marinha Real Britânica, o CAMM — variante de defesa de ponto e de área local com alcance superior a 25 quilômetros (16 mi) — constitui o elemento interceptor do sistema de defesa antiaérea Sea Ceptor, que substituiu os mísseis Sea Wolf nas fragatas da Tipo 23 a partir de 2018. Em 2023, previa-se o armamento das fragatas da Tipo 26 e da Tipo 31 planejadas para 2028, além da substituição dos mísseis Aster 15 nos contratorpedeiros da Tipo 45. No Exército Britânico, o CAMM opera como o míssil interceptor do sistema de defesa antiaérea Sky Sabre / Land Ceptor, substituindo o sistema Rapier a partir de 2021. As tecnologias desenvolvidas para o programa CAMM também foram aproveitadas na modernização do ASRAAM em serviço na Força Aérea Real.
Uma variante de alcance estendido, o CAMM-ER, foi desenvolvida em parceria pelo Reino Unido e pela Itália, alcançando alvos a mais de 45 quilômetros (28 mi) de distância. No Brasil, a Avibras anunciou em 2014, em cooperação com a MBDA, o desenvolvimento do míssil AV-MMA (Míssil de Média Altitude da Avibras), baseado na arquitetura do CAMM, com alcance superior a 40 quilômetros (25 mi) para emprego no sistema de artilharia de saturação Astros 2020 e em navios de escolta da Marinha do Brasil. Uma versão de médio alcance de maior porte, o CAMM-MR, com raio de interceptação acima de 100 quilômetros (62 mi), começou a ser projetada em 2022 pelo Reino Unido e pela Polônia para equipar as futuras fragatas polonesas da classe Wicher e as baterias do sistema de defesa antiaérea Wisła.
O míssil modular antiaéreo comum tem suas origens no Programa de Demonstração de Tecnologia (TDP), financiado em conjunto pela MBDA e pelo Ministério da Defesa britânico (MoD) como parte do projeto FLAADS (Future Local Area Air Defence System). O programa FLAADS integrou a iniciativa setorial Team Complex Weapons (parceria industrial britânica congregando empresas como a MBDA e a Thales UK) destinada a fornecer armamentos de precisão e salvaguardar a soberania tecnológica do Reino Unido no setor de defesa. O objetivo do FLAADS consistia em desenvolver uma plataforma modular comum (CAMM) apta a equipar as forças armadas nos ambientes aéreo, terrestre e naval. Durante as fases iniciais do programa, foram estabelecidos os requisitos operacionais para neutralizar ameaças aéreas contemporâneas e futuras caracterizadas por alta velocidade terminal, manobras evasivas acentuadas, baixa assinatura de radar e contramedidas eletrônicas avançadas.
A Fase 1 do TDP validou tecnologias críticas de lançamento vertical a frio (SVL), a cabeça de busca por radar ativo de custo reduzido, o enlace de dados bidirecional de banda dupla e a arquitetura aberta programável. A Fase 2 teve início em 2008, abrangendo a fabricação de subsistemas de voo, ensaios de guiamento no meio do curso e testes com a cabeça de busca aerotransportada a bordo de uma aeronave experimental Hawker Siddeley Andover operada pela QinetiQ. O sistema de lançamento a frio foi demonstrado em uma sucessão de testes a partir de 2003, culminando no disparo bem-sucedido de um míssil completo em maio de 2011. Em janeiro de 2012, o Ministério da Defesa britânico concedeu à MBDA um contrato de 483 milhões de libras para o desenvolvimento do sistema FLAADS (Maritime) com vistas a substituir os mísseis Sea Wolf nas fragatas Tipo 23, projeto então denominado Sea Ceptor.
Em 2013, a MBDA e a Thales UK divulgaram o escopo da cooperação técnica no programa CAMM/FLAADS. Contratos de produção na ordem de 1 milhão de libras foram transferidos para as instalações da Thales em Belfast, contemplando modelagem térmica interna, análise estrutural e usinagem de precisão de componentes. As instalações da Thales em Basingstoke foram contratadas para o fornecimento das espoletas a laser de proximidade do CAMM sob um acordo de 11 milhões de libras, desenvolvendo também unidades de segurança e armação do míssil.
Ao longo desse processo, o ASRAAM serviu como base de projeto aerodinâmico para o novo armamento, ao qual foram adicionados novos softwares de controle, pacote de vetoração e rotação inicial (turnover pack), aletas cruciformes dobráveis, cabeça de busca por radiofrequência ativa (RF) e terminal de enlace de dados. Outros subsistemas foram aproveitados de programas prévios: cerca de 70% do software de comando e controle foi adaptado do sistema PAAMS (Principal Anti-Air Missile System) utilizado nos contratorpedeiros Tipo 45, além de componentes eletrônicos derivados do míssil Sea Wolf Block 2. Em contrapartida, inovações criadas para o CAMM foram retroalimentadas no desenvolvimento do míssil ASRAAM na atualização Block 6. A modularidade estrutural reduziu expressivamente os custos globais de desenvolvimento do vetor.
Em janeiro de 2015, o governo britânico formalizou a assinatura de um contrato de desenvolvimento e produção em série com a MBDA.
Em setembro de 2017, realizou-se o primeiro disparo real de qualificação do sistema naval Sea Ceptor (CAMM) a partir da fragata Tipo 23 HMS Argyll. Em 24 de junho de 2021, a MBDA anunciou que a versão de longo alcance CAMM-ER havia concluído com sucesso seus testes de disparo real em um campo de provas na Itália.
Em 13 de março de 2024, a MBDA anunciou uma meta de triplicação da taxa mensal de produção da família de mísseis CAMM entre 2022 e 2026, duplicando a capacidade industrial de suas instalações em Bolton (Reino Unido) e estabelecendo uma segunda linha de montagem final para o míssil CAMM-ER na Itália.
As variantes da família CAMM compartilham uma série de tecnologias e padrões operacionais.
O sistema de guiamento do míssil combina um enlace de dados bidirecional para atualização de trajetória a meio-curso e retargeting com uma cabeça de busca por radar ativo (RF) equipada com amplificador de potência em estado sólido de nitreto de gálio (GaN), proporcionando guiamento terminal de alta precisão (trancamento após o lançamento ou lock-on after launch - LOAL) em quaisquer condições meteorológicas. Como as correções de curso são transmitidas via enlace de dados, as coordenadas do alvo até a fase de engajamento terminal podem ser geradas pelos canais de controle de tiro dos próprios radares de vigilância tridimensional (3D) modernos, dispensando a necessidade de radares de controle de tiro dedicados ou iluminadores de alvos nos navios ou baterias terrestres, o que reduz custos de aquisição, peso no mastro e complexidade de manutenção. Esse arranjo possibilita a recepção de dados de engajamento a partir de múltiplas fontes externas conectadas a redes táticas conjuntas (como o padrão Link 16 da OTAN), permitindo que aeronaves de patrulha e outros sistemas de armas forneçam coordenadas de tiro remotas. A integração desses sensores confere alta cadência de disparo contra ataques de saturação e diversidade de alvos aéreos, além de assegurar uma capacidade secundária contra alvos de superfície (modo míssil superfície-superfície). Especialistas apontam, todavia, que a forte dependência de enlaces de dados pode suscitar vulnerabilidades frente a ambientes de intensa guerra eletrônica.
O CAMM adota um sistema de lançamento a frio denominado Lançamento Vertical Suave (Soft Vertical Launch - SVL). Diferente dos lançamentos convencionais a quente (nos quais o motor-foguete entra em combustão direta no interior do silo), o método SVL utiliza um gerador de gás para ejetar pneumaticamente o míssil para fora do tubo de acondicionamento; uma vez no ar, microfoguetes direcionais situados na parte superior do míssil giram o corpo da arma na direção exata do alvo antes da ignição do motor principal. Proporcionando cobertura em 360°, esse conceito técnico oferece vantagens estratégicas:
Os mísseis da família CAMM são projetados como munições seladas livres de manutenção durante sua vida útil em estoque (estimada entre 10 e 20 anos), permanecendo protegidos dentro dos casulos de lançamento até o momento do disparo. A programação emprega arquitetura de sistemas abertos, facilitando a integração contínua com novos radares e sistemas de gerenciamento de combate ao longo de sua vida operacional. Todas as versões são certificadas como munição insensível segundo os padrões internacionais de segurança.
As munições CAMM podem ser empregadas de forma intercambiável tanto por baterias terrestres quanto por plataformas navais, racionalizando estoques e cadeias logísticas entre diferentes ramos militares.


A variante terrestre do sistema CAMM é comercializada sob o pacote EMADS (Enhanced Modular Air Defence Solutions) ou como "Land Ceptor".
O sistema utiliza a unidade de lançamento inteligente iLauncher (Intelligent Launcher), um veículo lançador paletizado e modular montado sobre chassi veicular 8x8, com capacidade para transportar e lançar até oito mísseis CAMM ou CAMM-ER. O iLauncher incorpora o mastro de enlace de dados bidirecional para comunicações com os mísseis em voo e pode integrar torretas eletro-ópticas para aquisição passiva de alvos na linha de visada. A viatura conta com mecanismo de autorrecarregamento por gancho e troca rápida de contêineres com apoio de guindaste de bordo (reduzindo pela metade o tempo de remuniciamento em relação ao antigo Rapier). É provido de fonte de energia autônoma e equipamentos internos de diagnóstico, permitindo sua operação remota no solo e de forma desconectada do veículo transportador.
Na configuração EMADS, o CAMM e o iLauncher operam em conjunto com variados radares de vigilância e postos de comando tático, integrando-se a arquiteturas avançadas como o IBCS (Integrated Air and Missile Defence Battle Command System) da Northrop Grumman. A comunicação sem fio por enlace de dados dispensa o cabeamento físico entre as viaturas lançadoras, sensores de radar e centros de comando, agilizando o desdobramento no terreno e permitindo a dispersão tática dos componentes da bateria a distâncias de até 15 quilômetros (9,3 mi), aumentando a sobrevivência contra fogos de contrabateria.
A aplicação naval da família CAMM é designada comercialmente como "Sea Ceptor". O sistema pode ser embarcado em navios de pequeno porte a partir de 50 metros (160 ft) de comprimento (como navios-patrulha oceânicos) até grandes escoltas de superfície (contratorpedeiros e fragatas), demandando apenas a instalação de computadores de tiro dedicados e antenas externas para transmissão do enlace de dados com os mísseis.
A técnica de lançamento a frio simplifica a integração do Sea Ceptor a bordo em virtude da ausência de dutos de exaustão de chamas.
A configuração mais econômica utiliza células de lançamento vertical individuais instaladas em grupos compactos (conhecidos informalmente na Marinha Britânica como mushroom farms em razão do formato de cogumelo das coberturas protetoras dos silos). Módulos padronizados de lançamento contendo conjuntos de seis células foram desenvolvidos para novas construções navais.
Alternativamente, por meio do sistema adaptador ExLS (Host Extensible Launching System) da Lockheed Martin, os mísseis CAMM, CAMM-ER e CAMM-MR podem ser acondicionados em células de lançadores verticais multifuncionais maiores, como o Mark 41 ou Mark 57, permitindo o empacotamento múltiplo (quad-pack com até quatro mísseis por célula do Mk 41). O sistema de lançamento vertical francês Sylver também é compatível com a família CAMM. A linha ExLS dispõe ainda de um lançador modular autônomo de três células concebido como alternativa intermediária para embarcações que não comportam o peso do Mk 41. O estaleiro francês Naval Group desenvolveu uma solução de lançamento a frio dedicada com capacidade para até 24 mísseis CAMM ou CAMM-ER destinada a equipar as fragatas da classe FDI para o mercado externo.
A variante de defesa de ponto e defesa de área local. O CAMM pesa 99 kg (218 lb), mede 3,2 m (10 ft 6 in) de comprimento e possui 166 mm (6,5 in) de diâmetro. Incorporando o mesmo motor-foguete do ASRAAM, o CAMM possui um teto de voo de 10 km (6,2 mi), um alcance operacional mínimo informado de menos de 1 quilômetro (0,62 mi) e um alcance máximo superior a 25 km (16 mi), embora a IHS Jane's tenha reportado que testes práticos demonstraram a capacidade do míssil atingir até 60 km (37 mi). Esses alcances são significativamente superiores tanto ao envelope de 1–10 quilômetros (0,62–6,21 mi) do Sea Wolf quanto aos 8,2 quilômetros (5,1 mi) do Rapier, sistemas que o CAMM foi projetado para substituir. Pode ser acondicionado em casulos quádruplos (quad-pack).

A variante de defesa de ponto e área local de alcance estendido. Em desenvolvimento pela MBDA e pela Avio para o Ministério da Defesa da Itália desde 2013. O CAMM-ER pesa 160 kg (350 lb), tem 4,2 metros (14 pés) de comprimento e 190 mm (7,5 in) de diâmetro. Além do aumento nas dimensões e da adição de aletas e estabilizadores longitudinais ao longo do corpo do míssil, bem como de um radomo ligeiramente redesenhado na cabeça de busca, o CAMM-ER utiliza um novo motor-foguete desenvolvido pela Avio, permitindo um alcance superior a 40–45 quilômetros (25–28 mi) — valores considerados conservadores — e teto operacional de voo de 10 km (6,2 mi). Pode ser acondicionado em configuração quádrupla (quad-pack).
Uma variante de defesa de área com alcance superior a 100 quilômetros (62 mi), desenvolvida em parceria entre a MBDA UK e o grupo estatal polonês PGZ a partir de 2023, no âmbito da Parceria Estratégica Reino Unido-Polônia 2030. O míssil está sendo projetado prioritariamente para atender aos requisitos militares poloneses de um vetor de menor custo e fabricação nacional para complementar os mísseis PAC-3 MSE no sistema Wisła, bem como padronizar um único míssil de médio alcance capaz de ser operado tanto por baterias terrestres de defesa aérea quanto pelas fragatas da classe Wicher da Marinha da Polônia. Embora haja poucos detalhes técnicos disponíveis além do alcance, imagens oficiais do projeto exibem dois mísseis acondicionados em uma única célula do lançador Mark 41, tornando o CAMM-MR o primeiro míssil dessa categoria de alcance capaz de acondicionamento duplo (dual-pack) no Mk 41 VLS, permitindo que um módulo de oito células transporte até 16 mísseis.
O MV-AMA (Míssil de Média Altitude da Avibras) é uma variante brasileira do CAMM em desenvolvimento conjunto desde 2014 para atender aos requisitos do Programa Estratégico de Defesa Antiaérea do Exército Brasileiro. O míssil tem previsão de alcançar até 40 quilômetros (25 mi) de distância e atingir altitudes de até 15 quilômetros (9,3 mi), sendo projetado para ser compatível tanto com o sistema lançador múltiplo de foguetes Astros 2020 quanto com plataformas navais da Marinha do Brasil. O programa prevê um índice de nacionalização e conteúdo industrial brasileiro de cerca de 70%.
Tecnologias derivadas do CAMM e do míssil Brimstone também estão sendo empregadas no desenvolvimento do míssil de ataque de precisão terrestre (Land Precision Strike Missile) para o Exército Britânico, um míssil superfície-superfície com alcance entre 80–150 quilômetros (50–93 mi) projetado para complementar as munições GMLRS-ER no engajamento de alvos móveis e de alto valor estratégico a partir do lançador M270 MLRS. Materiais promocionais indicam que o vetor também deverá ser compatível com a plataforma de lançamento terrestre iLauncher, além de outros lançadores potenciais.
A MBDA, como contratante principal, recebeu um contrato de 851 milhões de libras esterlinas para integrar o CAMM nas fragatas da Classe Tipo 23, com previsão inicial de entrada em serviço para novembro de 2016. O sistema Sea Ceptor entrou formalmente em serviço operacional em maio de 2018, sendo a fragata HMS Argyll a primeira unidade da classe a ser desdobrada com o armamento ativo. O processo de integração na Tipo 23 (onde o sistema recebe a designação militar GWS-35) foi simplificado com a retenção e adaptação da estrutura original de 32 células de lançamento vertical do míssil Sea Wolf, a qual foi apenas alongada para acomodar as dimensões maiores do CAMM, preterindo a proposta alternativa da MBDA de instalar um novo conjunto de 12 células ExLS com capacidade para 48 mísseis em casulos quádruplos (quad-pack).
Após a realização de testes com disparos reais, o Oficial de Guerra Antiaérea da fragata HMS Westminster declarou: «A Westminster conseguiu explorar o real potencial do sistema durante os treinamentos e afirmar que ele representa um divisor de águas é um eufemismo. Ao contrário de seu antecessor [o Sea Wolf], o sistema é capaz de defender outros navios da esquadra além da própria embarcação lançadora. Seja engajando múltiplos alvos aéreos simultâneos ou embarcações de ataque rápido em superfície, o Sea Ceptor constitui um salto operacional expressivo para as fragatas Tipo 23».
As futuras fragatas da Tipo 26 e da Tipo 31 (projetadas para substituir as unidades da Classe Tipo 23) serão comissionadas com o sistema Sea Ceptor. Um contrato de 128 milhões de libras foi firmado com a MBDA para a integração do CAMM na Classe Tipo 26. O projeto original da Tipo 26 previa a instalação de dois conjuntos modulares de 24 células na proa e a meia-nau (somando 48 silos para Sea Ceptor); contudo, revisões de engenharia da Marinha Real Britânica estabeleceram uma configuração combinada de 12 silos verticais dedicados para CAMM e 24 células multifuncionais Mark 41.
A configuração de lançamento da Tipo 31 passou por diferentes revisões: a proposta básica inicial da plataforma Arrowhead 140 previa um silo compacto de 24 células; em 2020, o projeto foi alterado para dois módulos de seis células (12 mísseis no total) como medida de contenção de custos orçamentários. Em 21 de maio de 2023, o Primeiro Lorde do Mar, almirante Ben Key, anunciou que as fragatas Tipo 31 receberiam de fábrica o lançador vertical Mark 41 de 32 células — antes previsto sob a diretriz de reserva de espaço (fitted for, but not with) —, permitindo o acondicionamento de até 32 mísseis CAMM em casulos quádruplos instalados em um de seus quatro módulos de oito células.
Em julho de 2021, a MBDA foi contratada para integrar o Sea Ceptor nos seis contratorpedeiros de defesa antiaérea da Classe Tipo 45 entre 2026 e 2032. Um conjunto adicional de 24 células de lançamento para CAMM (quatro módulos de 6 células) será instalado à vante dos 48 silos Sylver A50 existentes, assumindo a função de defesa aproximada anteriormente desempenhada pelos mísseis Aster 15. Com isso, todos os 48 silos Sylver passarão a ser carregados com mísseis de longo alcance Aster 30, elevando em 50% a capacidade total de mísseis antiaéreos embarcados em cada navio.
O primeiro engajamento real de combate do Sea Ceptor ocorreu na manhã de 9 de março de 2024, quando a fragata HMS Richmond destruiu dois drones de ataque lançados pelo Movimento Houthi durante a Crise do Mar Vermelho.

A variante terrestre operada pelo Exército Britânico é designada como Sky Sabre. A empresa israelense Rafael Advanced Defense Systems, atuando como integradora principal do programa, firmou em 2016 um contrato de 618 milhões de libras para o fornecimento do sistema, cuja entrada em operação foi prevista para março de 2020.
A bateria Sky Sabre é constituída por três componentes táticos fundamentais: os veículos lançadores iLauncher carregados com mísseis CAMM; o Centro de Operações de Mísseis Superfície-Ar (SAMOC), que executa o software de comando C4I Modular Integrado de Defesa Aérea e de Mísseis (MIC4AD) da Rafael — empregado no sistema israelense Cúpula de Ferro; e a estação de radar tridimensional de varredura eletrônica passiva (PESA) Giraffe Agile Multi-Beam (GAMB), fabricada pela empresa sueca Saab. Operando na Banda C, o radar Giraffe oferece cobertura contínua em 360° com elevação de até 70° e alcance de detecção de 120 quilômetros (75 mi). A antena do radar é instalada sobre um mastro telescópico elevável a 12 metros (39 ft) de altura, permitindo a detecção de alvos rasantes sobre obstáculos como edificações ou copas de árvores. Todos os subsistemas são montados em chassis de caminhões militares pesados MAN HX77 8x8, podendo operar de forma autônoma e desacoplada dos veículos.
O Sky Sabre é operado pelo 16.º Regimento da Artilharia Real (16 RA), subordinado ao 7.º Grupo de Defesa Antiaérea. O míssil Land Ceptor proporciona mais que o triplo do alcance útil em relação ao sistema Rapier anterior. O major Tim Oakes, instrutor sênior do programa de capacitação do Sky Sabre, destacou: «O Sky Sabre é tão ágil e preciso que tem capacidade de atingir um objeto do tamanho de uma bola de tênis viajando à velocidade do som. Na prática, ele pode orientar e controlar a trajetória de 24 mísseis simultaneamente em voo, guiando-os para interceptar 24 alvos independentes».
Em 1.º de julho de 2021, iniciaram-se os testes formais de aceitação operacional do sistema; a capacidade operacional inicial (IOC) foi oficializada em 8 de outubro de 2021, ocorrendo as primeiras entregas da agência DE&S ao regimento em dezembro de 2021 e a homologação para serviço ativo em janeiro de 2022. No mesmo período, o sistema foi enviado para as Ilhas Malvinas em substituição definitiva aos destacamentos do Rapier.
Em março de 2022, o governo britânico desdobrou uma unidade de tiro do Sky Sabre e 100 soldados na Polônia para reforçar o flanco leste da OTAN após a invasão russa da Ucrânia (Operação Stifftail). A missão operacional estendeu-se até dezembro de 2024, quando foi concluída.
Em 22 de agosto de 2025, o Ministério da Defesa britânico firmou um contrato de três anos no valor de 118 milhões de libras com a MBDA para a aquisição de seis novas viaturas lançadoras iLauncher destinadas ao Sky Sabre, acompanhadas de 12 veículos de apoio logístico de munição, oito veículos de apoio operacional, oito sistemas de avaliação de ameaças e atribuição de armas, além de peças de reposição. O anúncio oficializou também a realização do primeiro disparo real do sistema em território britânico no campo de provas das Hébridas Exteriores durante o exercício militar multinacional Formidable Shield.
Estruturalmente, o 16.º Regimento de Artilharia Real conta com quatro baterias ativas equipadas com o sistema (Baterias 11, 14, 30 e 32). As baterias operam divididas em dois grupos de tiro táticos independentes, cada qual composto por um centro de controle SAMOC, um radar GAMB e três veículos lançadores iLauncher.
As Forças Armadas da Polônia iniciaram a modernização de sua defesa antiaérea na década de 2010 por meio de projetos integrados em camadas: o sistema de curto alcance nacional Pilica, o sistema de médio e longo alcance Wisła baseado em baterias Patriot equipadas com mísseis PAC-3 MSE, e o sistema intermediário Narew, concebido para constituir a espinha dorsal da defesa antiaérea tática do país.
A família CAMM foi selecionada em novembro de 2021 como armamento padrão para o programa Narew, com foco na aquisição do míssil de alcance estendido CAMM-ER. Como solução intermediária de pronta entrega diante do agravamento do cenário regional, criou-se em 2022 o programa emergencial Mała Narew (Pequena Narew), empregando mísseis CAMM de linha de produção, viabilizando transferência preliminar de tecnologia da MBDA para a estatal polonesa PGZ e estabelecendo a doutrina de treinamento operacional. A configuração do Mała Narew integrou lançadores iLauncher em caminhões pesados nacionais Jelcz, combinados aos radares móveis SOŁA e sistemas poloneses de comando e controle. Em 4 de outubro de 2022, a primeira unidade totalmente equipada foi incorporada ao 18.º Regimento Antiaéreo em Zamość, realizando seu primeiro disparo real de validação em junho de 2023.
Em abril de 2023, o Ministério da Defesa da Polônia assinou com a MBDA um contrato de 1,9 bilhão de libras esterlinas para a fabricação de 22 baterias do sistema Pilica+, configurando à época o maior programa de aquisição de defesa aérea de curto alcance da OTAN na Europa. O projeto agregou os canhões automáticos e mísseis de curtíssimo alcance existentes do sistema Pilica a lançadores iLauncher carregados com mísseis CAMM, convertendo o conjunto em um sistema antiaéreo de tripla camada. O acordo contemplou o fornecimento de 44 viaturas de lançamento e 750 mísseis CAMM com entregas escalonadas entre 2025 e 2029.
Em julho de 2023, os governos do Reino Unido e da Polônia formalizaram acordos para o codesenvolvimento do míssil de médio alcance CAMM-MR (Joint/Future Common Missile) para emprego conjunto em baterias terrestres e nas futuras fragatas da classe Wicher.
Em novembro de 2023, a MBDA e a PGZ firmaram um contrato superior a 4 bilhões de libras esterlinas (aproximadamente 4,9 bilhões de dólares) para o fornecimento de mais de 1.000 mísseis CAMM-ER e mais de 100 viaturas iLauncher para equipar as baterias do programa Narew, incluindo cláusulas amplas de transferência tecnológica para a fabricação sob licença dos componentes em solo polonês. O sistema Narew opera integrado ao sistema de gerenciamento de batalha norte-americano IBCS. Tratou-se do maior contrato de exportação da história da MBDA e do maior acordo militar bilateral entre a Polônia e o Reino Unido.
Em 14 de dezembro de 2023, o consórcio industrial PGZ-PILICA+ contratou por 139 milhões de dólares o fornecimento de 44 viaturas lançadoras iLauncher montadas sobre caminhões Jelcz para as 22 baterias do sistema. Em 20 de dezembro de 2023, a Polônia assinou contrato de 782,5 milhões de dólares para a entrega de 24 radares móveis de alerta antecipado de longo alcance P-18PL, com entregas programadas até 2035 para equipar as redes Narew e Wisła. Em 29 de fevereiro de 2024, a Agência de Armamentos da Polônia formalizou um acordo de 2,53 bilhões de dólares para a aquisição e integração do sistema IBCS em suas baterias.
Em 21 de janeiro de 2025, os governos de Londres e Varsóvia anunciaram a abertura de um escritório conjunto de gerenciamento de programas em Bristol para coordenar as entregas e a produção compartilhada. Em 2 de setembro de 2025, a fábrica da MBDA em Bolton realizou a entrega dos primeiros lotes de mísseis CAMM e lançadores iLauncher para integração aos caminhões Jelcz, ao sistema de comando Zenit e aos radares Bystra na Polônia.
Esta seção está vazia. (novembro de 2023) |

The UK is doubling the number of deployable Sky Sabre systems operated by the Armed Forces in a drive to reinforce our air defences.