MCI Inc.

MCI Inc.
Nome comercialVerizon Enterprise Solutions
Verizon Business
Nome(s) anterior(es)Long Distance Discount Services, 1983–1995
WorldCom, 1995–1998 e 2000–2003
MCI WorldCom, 1998–2000
MCI, 2003–2006
Empresa de capital aberto
CotaçãoAntigos códigos de negociação:
NASDAQ: MCIP, WCOEQ, WCOME e WCOM
OTC Pink: WCOEQ
AtividadeTelecomunicações
Fundação1983, em Hattiesburg, Mississippi, Estados Unidos
Fundador(es)Bernard Ebbers
DestinoAdquirida pela Verizon Communications
Encerramentojaneiro de 2006
SedeAshburn, Virgínia, Estados Unidos
ProdutosServiços de conferência, centrais de atendimento, serviços de dados e IP, acesso à Internet, soluções de TI e hospedagem, redes gerenciadas, equipamentos CPE nas instalações do cliente, segurança, voz, voz sobre IP e comunicações sem fio
Empresa-mãeVerizon Communications, 2006
ReceitaUS$ 20,6 bilhões em 2005
Websiteenterprise.verizon.com
mci.com

MCI, Inc., anteriormente chamada WorldCom e MCI WorldCom, foi uma empresa de telecomunicações. Chegou a ser a segunda maior operadora de telefonia de longa distância dos Estados Unidos, atrás da AT&T. A WorldCom cresceu sobretudo com a compra de outras empresas de telecomunicações, entre elas a MCI Communications, em 1998. Em julho de 2002, pediu proteção judicial contra credores após um escândalo contábil que levou à condenação de executivos envolvidos em um esquema para inflar os ativos da empresa. Entre os condenados estava Bernard Ebbers, que foi seu diretor-executivo de 1985 a 30 de abril de 2002, quando renunciou. A WorldCom saiu da recuperação judicial sob a direção de Michael Capellas, seu último presidente do conselho de administração e diretor-executivo. Ele ocupou os cargos até janeiro de 2006, quando a empresa, já rebatizada MCI, foi adquirida pela Verizon Communications e depois incorporada à Verizon Business.

A sede da WorldCom ficava em Clinton, no Mississippi, antes de ser transferida para Ashburn, na Virgínia, com a mudança do nome para MCI.

História

Fundação

Em 1983, em um café de Hattiesburg, no Mississippi, Bernard Ebbers e outros três investidores fundaram a Long Distance Discount Services, Inc., com sede em Jackson, no mesmo estado. Em 1985, Ebbers foi nomeado diretor-executivo.

A empresa comprou mais de 60 companhias de telecomunicações e, em 1995, mudou seu nome para WorldCom.

Em 1989, fundiu-se com a Advantage Companies Inc. Em 1995, passou a se chamar LDDS WorldCom e transferiu sua sede para Clinton, no Mississippi.

A empresa cresceu rapidamente na década de 1990 por meio de fusões e aquisições.

A primeira aquisição de grande porte da WorldCom ocorreu em 1992. A empresa ofereceu mais que as concorrentes Sprint Corporation e AT&T, que eram maiores, e comprou a Advanced Telecommunications Corporation por US$ 720 milhões. A operação ampliou bastante sua presença no mercado de telecomunicações.

A WorldCom comprou a Metromedia Communication Corp. e a Resurgens Communications Group em 1993, a IDB Communications Group, Inc. em 1994, a Williams Technology Group, Inc. em 1995 e a MFS Communications Company em 1996. A aquisição da MFS também trouxe a UUNET Technologies, Inc., que a MFS havia comprado pouco antes.

Aquisição da MCI

Em 4 de novembro de 1997, a WorldCom e a MCI Communications anunciaram uma fusão de US$ 37 bilhões para formar a MCI WorldCom. Era a maior fusão empresarial já anunciada nos Estados Unidos. A MCI vendeu sua operação "internetMCI" para obter a aprovação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. A fusão foi concluída em 15 de setembro de 1998, com a formação da MCI WorldCom.

Em fevereiro de 1998, a WorldCom comprou a CompuServe da H&R Block. Manteve a divisão CompuServe Network Services e entregou o serviço on-line à America Online em troca da ANS, a divisão de redes da AOL. Em junho de 2001, a WorldCom adquiriu a Intermedia Communications, controladora da Digex, e depois vendeu à Allegiance Telecom todos os ativos da Intermedia que não pertenciam à Digex.

Tentativa de fusão com a Sprint

Em 5 de outubro de 1999, a Sprint Corporation e a MCI WorldCom anunciaram planos para uma fusão de US$ 129 bilhões. Se fosse concluída, seria a maior fusão empresarial da história e criaria uma empresa que ultrapassaria a AT&T como a maior companhia de comunicações dos Estados Unidos. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos e a União Europeia, porém, temiam que a operação criasse um monopólio. Em 13 de julho de 2000, os conselhos de administração das duas empresas desistiram da fusão. Ainda naquele ano, a MCI WorldCom voltou a se chamar WorldCom.

Escândalos contábeis

Entre setembro de 2000 e abril de 2002, o conselho de administração da WorldCom autorizou empréstimos e garantias de empréstimos ao diretor-executivo Bernard Ebbers. A medida evitava que ele tivesse de vender suas ações da WorldCom para atender a chamadas de margem, enquanto a cotação despencava com o estouro da bolha da Internet. Em abril de 2002, o conselho já havia perdido a paciência com esses empréstimos. Os conselheiros também achavam que Ebbers não tinha uma estratégia coerente após o fracasso da fusão com a Sprint. Em 26 de abril, o conselho votou por pedir sua renúncia. Ebbers renunciou formalmente em 30 de abril de 2002 e foi substituído por John W. Sidgmore, ex-diretor-executivo da UUNET. Como parte do acordo de saída, seus empréstimos foram reunidos em uma única nota promissória de US$ 408,2 milhões.:216–218 Em 2003, Ebbers deixou de pagar a nota, e a WorldCom executou a dívida sobre boa parte de seus bens.

A partir de meados de 1999, inicialmente em pequena escala e com intensidade crescente até maio de 2002, Ebbers, o diretor financeiro Scott Sullivan, o responsável pela controladoria David Myers e o diretor de contabilidade geral Buford "Buddy" Yates usaram métodos contábeis fraudulentos para esconder a queda dos lucros da WorldCom e sustentar a cotação das ações.

A fraude se apoiava principalmente em dois métodos.

  1. Lançamento dos "custos de linha", as despesas de interconexão com outras empresas de telecomunicações, como despesas de capital no balanço patrimonial, em vez de despesas do período.
  2. Aumento artificial das receitas com lançamentos contábeis fictícios em "contas de receitas corporativas não alocadas".

Em junho de 2002, uma pequena equipe de auditores internos da WorldCom, liderada pela vice-presidente da área, Cynthia Cooper, e pelo auditor sênior Eugene Morse, trabalhou em conjunto, muitas vezes à noite e em segredo, para investigar e expor lançamentos fraudulentos nos livros da empresa. O valor identificado inicialmente foi de US$ 3,8 bilhões. A investigação começou com lançamentos suspeitos no balanço patrimonial, encontrados durante uma auditoria de rotina das despesas de capital. Cooper informou o comitê de auditoria e o conselho de administração em junho de 2002. O conselho agiu rapidamente, obrigou Myers a renunciar e demitiu Sullivan depois que ele se recusou a fazer o mesmo. A Arthur Andersen retirou seu parecer de auditoria referente a 2001.:223–264 Cooper e sua equipe haviam descoberto a maior fraude contábil dos Estados Unidos, superando a fraude revelada na Enron menos de um ano antes. No fim de 2003, estimava-se que os ativos totais da empresa haviam sido inflados fraudulentamente em cerca de US$ 11 bilhões. Foi a maior fraude contábil descoberta até a revelação do gigantesco esquema Ponzi de Bernard Madoff, em 2008.

A Procuradoria Federal do Distrito Sul do Mississippi, o Federal Bureau of Investigation e a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, a SEC, também já investigavam o caso. A SEC abriu uma investigação formal sobre esses fatos em 26 de junho de 2002.:265 O órgão já investigava procedimentos contábeis questionáveis da WorldCom.

A fraude veio à tona poucos dias depois da condenação da Andersen por obstrução da justiça no escândalo da Enron, decisão que, na prática, encerrou as atividades da empresa de auditoria. Em Conspiracy of Fools, livro sobre o escândalo da Enron, o jornalista Kurt Eichenwald argumentou que a incapacidade da Andersen de descobrir a fraude da WorldCom teria causado sua queda mesmo que ela tivesse saído ilesa do caso Enron.

Recuperação judicial

Em 21 de julho de 2002, a WorldCom pediu proteção contra credores com base no Capítulo 11 da legislação de falências dos Estados Unidos. Era o maior pedido desse tipo feito no país até então. Em setembro de 2008, seria superado pelas quebras do Lehman Brothers e do Washington Mutual, ocorridas em um intervalo de 11 dias. O processo da WorldCom ficou a cargo do juiz federal de falências Arthur Gonzalez, que também conduzia o processo da Enron, o segundo maior caso de falência, decorrente de um dos maiores escândalos de fraude empresarial. Nenhum dos processos criminais contra a WorldCom, seus dirigentes e representantes teve origem em encaminhamentos de Gonzalez ou dos advogados do Departamento de Justiça. Pelo acordo de recuperação judicial, a empresa pagou à SEC US$ 750 milhões em dinheiro e ações da nova MCI, destinados aos investidores prejudicados.

Michael Capellas assumiu a presidência do conselho de administração e o cargo de diretor-executivo em 16 de dezembro de 2002. Em 14 de abril de 2003, a WorldCom mudou seu nome para MCI e transferiu sua sede de Clinton, no Mississippi, para Ashburn, na Virgínia.

Mesmo antes disso, funcionários vindos da MCI já haviam assumido os cargos mais altos da direção, enquanto muitos executivos antigos da WorldCom eram afastados. No fim de 2002, a empresa começou a transferir a maior parte de suas operações para o conjunto de instalações de Ashburn, inaugurado em 2000. Capellas, por exemplo, passava a maior parte de seu tempo no norte da Virgínia. Após a mudança de nome, um executivo da antiga MCI disse: "Estamos retomando nossa empresa". Outro escreveu em um e-mail: "Minha empresa não foi fundada no café de um hotel de beira de estrada".:320

Em maio de 2003, em uma contratação controversa, a empresa recebeu do Departamento de Defesa dos Estados Unidos um contrato de US$ 45 milhões, sem licitação, para implantar um serviço de telefonia celular no Iraque. A contratação fazia parte da reconstrução liderada pelos Estados Unidos, embora a empresa não tivesse reputação de especialista na implantação de redes sem fio.

A WorldCom concordou em pagar à SEC uma multa civil de US$ 2,25 bilhões. O acordo foi aprovado pelo juiz federal Jed Rakoff em julho de 2003. Por meio de um acordo judicial de amplo alcance, a SEC e Rakoff passaram, na prática, a controlar a WorldCom. Rakoff nomeou o ex-presidente da SEC Richard C. Breeden para supervisionar o cumprimento do acordo com o órgão. Breeden participou ativamente da gestão da empresa e preparou para Rakoff o relatório Restoring Trust, no qual propôs extensas reformas de governança corporativa. Seu objetivo era "transformar a nova MCI no que ele esperava que se tornasse um modelo de como os acionistas deveriam ser protegidos e as empresas deveriam ser administradas".

Após a recuperação judicial

Bernard Ebbers

A empresa saiu da recuperação judicial em 2004, com cerca de US$ 5,7 bilhões em dívidas e US$ 6 bilhões em caixa. Cerca de metade do dinheiro seria usada para pagar reivindicações de credores e acordos. Os antigos detentores de títulos de dívida receberam 35,7 centavos por dólar, em títulos e ações da nova MCI. As ações dos antigos acionistas foram canceladas.

A empresa ainda devia a muitos credores, que haviam esperado dois anos para receber uma parte do dinheiro. Entre os pequenos credores estavam muitos ex-funcionários, sobretudo os demitidos em junho de 2002, cujas verbas rescisórias e benefícios deixaram de ser pagos quando a WorldCom pediu proteção contra credores.

Em 10 de maio de 2004, o Citigroup fechou um acordo de US$ 2,65 bilhões com investidores da WorldCom. Em março de 2005, 16 das 17 instituições financeiras que haviam subscrito emissões de títulos da WorldCom já tinham chegado a acordos com os investidores.

Em 15 de março de 2005, Ebbers foi condenado por todas as acusações relativas ao escândalo contábil de US$ 11 bilhões, que envolviam fraude, conspiração e apresentação de documentos falsos aos órgãos reguladores. Outros ex-dirigentes da WorldCom também responderam criminalmente pelas informações financeiras falsas da empresa. O ex-diretor financeiro Scott Sullivan declarou-se culpado, em 2 de março de 2004, de uma acusação de fraude com valores mobiliários, uma de conspiração para cometer esse tipo de fraude e uma de apresentação de declarações falsas. O ex-responsável pela controladoria David Myers declarou-se culpado de fraude com valores mobiliários, conspiração para cometer esse tipo de fraude e apresentação de declarações falsas em 27 de setembro de 2002. O ex-diretor de contabilidade Buford Yates declarou-se culpado de conspiração e fraude em 7 de outubro de 2002. Os ex-gerentes de contabilidade Betty Vinson e Troy Normand declararam-se culpados de conspiração e fraude com valores mobiliários em 10 de outubro de 2002.

Em 13 de julho de 2005, Ebbers foi condenado a 25 anos de prisão. Ele tinha 63 anos. Em 26 de setembro de 2006, apresentou-se à Instituição Correcional Federal de Oakdale, na Luisiana, administrada pelo Departamento Federal de Prisões, para começar a cumprir a pena. Foi libertado no fim de 2019 por motivos de saúde e morreu em fevereiro de 2020, depois de cumprir 13 anos da sentença.

Em dezembro de 2005, a Microsoft anunciou uma parceria com a MCI para oferecer aos usuários do Windows Live Messenger um serviço de voz sobre IP que permitia fazer ligações telefônicas, chamado "MCI Web Calling". Após a fusão com a Verizon, o serviço passou a se chamar "Verizon Web Calling".

Em janeiro de 2006, a empresa foi adquirida pela Verizon Communications e depois incorporada à Verizon Business.

Ver também

Referências

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Leitura adicional

Ligações externas