| Xalita | |
|---|---|
| Etnia | Siríaco |
| Religião | Catolicismo |
Xalita (em armênio: Շաղիտա, Šałita) ou Xalitai (Շաղիտայ,, Šałitay) foi um clérigo armênio de origem siríaca do século IV, ativo durante o reinado de Tigranes VII (r. 339–350).
Xalita (Շաղիտա, Šałita) ou Xalitai (Շաղիտայ,, Šałitay) são as variantes armênias do siríaco Xalita (Šalliṭā), cujo significado original é "capaz, permitido, legal" ou "magistrado, prefeito", que em armênio se traduz como "comandante".
As origens de Xalita são incertas, salvo que era siríaco. Fausto, o Bizantino alegou que era um anacoreta discípulo do corebispo Daniel e que passou sua infância no deserto se alimentando de grama. Em data incerta, Daniel o designou como missionário da província de Gordiena, no Reino da Armênia. Sobre essa questão, Moisés de Corene faz rápida menção a Xalita como discípulo do católico Narses I (r. 353–373) e que foi incumbido de supervisionar os eremitérios de Narses. Nina Garsoïan presume que o relato de Moisés é pouco credível nesse ponto, pois a vida de Xalita melhor se encaixa no ciclo eremítico de Daniel, que foi preservado na obra de Fausto em torno da vida de Daniel, em detrimento do mundo oficial e mais estruturalmente helênico representado por Narses. Os Atos siríacos também mencionam Xalita, mas como um discípulo de Eugênio de Clisma.
Em 347/8, Daniel foi morto por estrangulamento sob ordens do rei Tigranes VII (r. 339–350). Xalita estava presente na ocasião e alegadamente recebeu uma visão de Daniel que pediu que seu corpo fosse enterrado no solo, aos moldes do sepultamento de Cristo. Xalita levou com seus companheiros o corpo até a caverna na qual ele comumente residia próximo de Astisata, em Taraunitis, e o enterrou. Anos depois, em 373, quando residia numa montanha chamada Leão (Aṙewc), alegadamente teve uma visão a respeito da assunção de Narses I, que foi assassinado pelo rei Papa (r. 370–374). Xalita saiu às pressas da montanha e encontrou-se com Epifânio, outro dos discípulos de Daniel. Na vila de Til, no distrito de Acilisena, presenciaram o túmulo de Narses e contaram ao povo sobre a visão na montanha.
Após a morte de Narses, Xalita dirigiu-se a Gordiena, onde supostamente realizou milagres e viveu entre os leões. Diz-se que 20 leões o acompanhavam com frequência e todos os animais selvagens, caso estivessem em sofrimento, aproximavam-se dele pedindo cura. Xalita alegadamente realizava seus atos de cura puxando os animais enfermos pelo manto e orando; em certa ocasião, um leão, que teve sua pata perfurada por um junco, aproximou-se Xalita e ergueu o ferimento a ele, que retirou o junco, cuspiu sobre a ferida, amarrou em volta dela um lenço que tirara da própria cabeça e o curou. Xalita também realizou curas de enfermos nos locais povoados onde visitou e reconduziu desviados à fé. Alega-se também que era capaz de andar sobre as águas sem se molhar. Quando idoso e próximo da morte, temeroso de que as pessoas cobiçavam seu corpo, pediu a Deus que seu corpo desaparecesse. Enquanto perambulava pelas águas, submergiu e desapareceu. Uma multidão desviou o leito do rio a procura de Xalita, mas sem sucesso.
As narrativas hagiográficas são comuns na obra de Fausto e geralmente são introduzidos no meio da narrativa, quebrando sua sequência. O mito de Xalita curando a pata de um leão ferido assemelha-se a mitos análogos protagonizados por outros santos, como Savas, o Santificado (cujo milagre foi atribuído a ele por Cirilo de Citópolis), Gerásimo do Jordão e Jerônimo de Estridão. As fontes consultadas por Fausto, no geral, são indeterminadas, e alguns destes mitos envolvendo santos têm sua primeira atestação conhecida em sua obra.