| Daniela Mercury | |
|---|---|
Mercury em 2024 | |
| Nome completo | Daniela Mercuri de Almeida Verçosa |
| Nascimento | |
| Nacionalidade | brasileira |
| Cidadania | portuguesa |
| Parentesco | Vânia Abreu (irmã) |
| Cônjuge |
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| Filho(a)(s) | 5, incluindo Gabriel Póvoas |
| Ocupação |
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| Prêmios | Lista |
| Carreira musical | |
| Período musical | 1986–presente |
| Gênero(s) | |
| Extensão vocal | mezzo soprano |
| Instrumento(s) | vocal, piano |
| Gravadora(s) | |
| Afiliações | Lista
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Daniela Mercuri de Almeida Verçosa (Salvador, 28 de julho de 1965), mais conhecida como Daniela Mercury, é uma cantora, compositora, bailarina e filantropa brasileira. Daniela é licenciada em dança pela Universidade Federal da Bahia, tendo iniciado seus estudos nessa arte desde os quatro anos de idade, tornando-se posteriormente professora de jazz, dança moderna e balé clássico, além de ter se especializado e atuado em outros gêneros, como dança afro e dança contemporânea. Começou a cantar profissionalmente aos quinze anos, mesma idade em que subiu em um trio elétrico pela primeira vez, integrando a carreira de cantora e bailarina.
Desde 1990, Mercury lançou onze álbuns de estúdio e participou de muitos outros projetos. O maior sucesso de sua carreira, O Canto da Cidade, é creditado por trazer o gênero musical axé music à evidência internacional e iniciado um movimento que abriu o caminho para diversos artistas obterem sucesso subsequentemente. Além disso, a obra a rendeu um certificados de diamante, pela Pro-Música Brasil (PMB) e vendeu mais de 3 milhões de cópias. Seu sucesso se solidificou com seus dois discos seguintes, Música de Rua (1994) e Feijão com Arroz (1996), que garantiram a intérprete multiplos certificados de platina. Com o último citado, convertendo-se em um dos álbuns mais vendidos de todos os tempos em Portugal e angariando seis discos de platina pela Associação Fonográfica Portuguesa (AFP), além de ter vendido 800 mil cópias na França. Em 2000, após lançar Sol da Liberdade, ela tornou-se a primeira artista a sair com um trio elétrico de música eletrônica pelo Carnaval da Bahia. Suas experimentações com esses gênero se refletiu em suas obras seguintes, Sou de Qualquer Lugar (2001) e Carnaval Eletrônico (2004), com o último recebendo uma indicação ao Grammy Latino.
Em 2005, ela voltou as suas raízes musicais com Balé Mulato, que foi bem recebido pela crítica especializada. O projeto foi promovido através de uma extensa turnê que foi registrada no disco ao vivo homônimo. Este último rendeu à cantora sua primeira vitória no Grammy Latino, na categoria Melhor Álbum de Música Regional ou de Raízes Brasileiras. Com o passar dos anos, ela acumulou um extenso catálogo de singles, com "Swing da Cor", "O Canto da Cidade", "O Mais Belo dos Belos", "À Primeira Vista", "Rapunzel", "Nobre Vagabundo", "Ilê Pérola Negra (O Canto do Negro)", "Mutante", "Música de Rua" e "Maimbê Dandá", tornando-se os mais populares.
Por seu pioneirismo no gênero, é conhecida como a Rainha do Axé. Ao longo de sua carreira, Mercury, que é uma das recordistas em vendas de discos no Brasil por mais de 12 milhões de álbuns comercializados, acumulou diversos prêmios, incluindo um Grammy Latino, seis Prêmio da Música Brasileira, um reconhecimento pela Associação Paulista de Críticos de Arte, três prêmios Multishow e dois MTV Video Music Brasil. Na televisão foi jurada e mentora dos talent shows Popstars, Superstar e The Voice Kids Portugal. Além disso, Mercury cantou com artistas de renome internacional, como Alejandro Sanz, Ray Charles e Paul McCartney. Ela também é conhecida por suas opiniões políticas, presença nas redes sociais, esforços filantrópicos e ativismo social, incluindo direitos LGBT e o combate ao racismo.

Daniela Mercuri de Almeida nasceu em 28 de julho de 1965 no Hospital Português de Salvador, Bahia. Seu pai, Antônio Fernando de Abreu Ferreira de Almeida, é um mecânico industrial português que emigrou para o Brasil quando tinha onze anos de idade, enquanto sua mãe, Liliana Mercuri, é uma assistente social de ascendência italiana. Mercury viveu seus primeiros anos de vida no bairro soteropolitano de Brotas, ao lado de seus quatro irmãos, Tom, Cristiana, Vania e Marcos. Quando criança, estudou nas escolas Ana Nery e no Colégio Baiano. Aos oito anos de idade, começou a frequentar as aulas de dança na escola Ana Nery, ministradas por Ângela Dantas, conhecida como Tia Ângela, onde aprendeu a dançar balé clássico, bem como jazz e danças afro. Contrariando o desejo de seus pais, ela começou a cantar em bares locais em 1980, aos 15 anos de idade, inspirada pela cantora Elis Regina. Seu repertório consistia em bossa nova, bem como em músicas de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque. No ano seguinte, cantou em um trio elétrico no carnaval de Salvador pela primeira vez após ser descoberta por Toni Duarte, irmão do cantor Gerônimo.
Aos 17 anos, Mercury afastou-se da música por falta de trabalho e se dedicou exclusivamente à dança, ingressando no curso de licenciatura na Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia (UFBA) em 1984. Aos 19, casou com Zalther Portela Laborda Póvoas, seu primeiro namorado e paixão da infância, com quem teve seus dois primeiros filhos, Gabriel e Giovana. Posteriormente, em 1986, deixou o curso de dança para se dedicar à sua vida como cantora, momento em que foi convidada para ser vocal de apoio do bloco carnavalesco Eva – que posteriormente se tornaria a Banda Eva – onde trabalhou por dois anos. Depois disso, deixou os vocais do bloco e passou a ser uma das vocalistas de apoio do cantor Gilberto Gil. Nesse período, recebeu convites das gravadoras CBS e Warner para um projeto solo, mas os recusou em favor de maior liberdade artística. Em 1989, formou a banda Companhia Clic, onde ocupou o posto de vocalista até o ano seguinte, gravando dois álbuns e lançando as faixas de sucesso "Pega que Oh!" e "Ilha das Bananas". Nessa mesma época, comandou o Bloco Pinel no carnaval de Salvador, e também cantou no primeiro bloco afro do Brasil, o Ilê Aiyê, sendo a primeira pessoa branca a realizar tal feito.
Em 1991, decidiu deixar a Companhia Clic e se estabelecer como artista solo, passando a assinar como Daniela Mercury, substituindo a letra "i" pelo "y" em seu sobrenome, por achar esteticamente mais bonito. Ela lançou seu homônimo disco de estreia em setembro daquele ano, através da gravadora independente Eldorado. A canção de grande sucesso do álbum foi "Swing da Cor", anteriormente gravada pelo bloco Muzenza, e foi responsável por tornar seu nome conhecido em várias partes do Brasil. Daniela Mercury acabou por vender cerca de 400.000 cópias no país. O sucesso do disco levou a cantora a realizar 130 apresentações em 1991, sob um cachê estimado em US$ 5 mil. No dia 5 de junho de 1992, apresentou-se no projeto "Som do Meio-Dia" no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (MASP), voltado para artistas iniciantes. Para surpresa da artista, o show reuniu cerca de 30 mil espectadores, o que acabou por deixar o trânsito engarrafado nas imediações do local. Após 40 minutos de apresentação, Mercury foi retirada do palco por representantes da secretaria de turismo de São Paulo que, preocupados com a estrutura do museu e com as obras que ele abrigava, obtiveram uma ordem da Polícia Militar do estado para interromper o concerto, e o projeto acabou por ser mudado de lugar após o show. O concerto de Mercury no MASP foi reconhecido como um dos fatores determinantes para projetar a axé music no país.
Naquele ano, Mercury assinou contrato com a gravadora multinacional Sony Music, e logo depois passou a trabalhar em seu segundo disco solo. Seu segundo álbum solo, O Canto da Cidade, foi produzido por Liminha e lançado no Brasil pela Sony e a Columbia em setembro daquele ano. O álbum teve a participação de Herbert Vianna em "Só pra te Mostrar" e composições de Carlinhos Brown e Moraes Moreira. O Canto da Cidade tornou-se um estrondoso sucesso comercial, vendendo cerca de três milhões de cópias, tornando-se o mais vendido de 1993 em território brasileiro. Sua alta vendagem no país rendeu-lhe uma certificação de diamante pela Pro-Música Brasil (PMB). Além da faixa-título, canções como "O Mais Belo dos Belos", "Batuque" e "Você Não Entende Nada", "Só pra te Mostrar" e "Bandidos da América" fizeram sucesso nas rádios brasileiras. O álbum, bem como sua faixa-título, são vistos como responsáveis por consolidar a carreira de Mercury, bem como a axé music em todas as regiões do Brasil. Mercury experimentou durante este período um auge de popularidade pouco antes visto na história da indústria musical brasileira. No final de 1992, a TV Globo veiculou o especial de fim de ano O Canto da Cidade, que registrou o primeiro grande show da cantora, reunindo 30 mil pessoas na Praça da Apoteose no Rio de Janeiro. O êxito comercial de Mercury se expandiu para outros países, realizando concertos em alguns países da América Latina, Europa e Estados Unidos. A partir daí, seu contrato com a Sony brasileira foi transferido para a Sony internacional, mudando a previsão em seu contrato de três para cinco álbuns. Em 1993, Mercury passou a puxar o bloco Os Internacionais no carnaval de Salvador, no qual ficou até 1995.
Em 1994, Mercury assumiu o gerenciamento de sua carreira, fundando a produtora O Canto da Cidade e a editora musical Páginas do Mar. Como sucessor de O Canto da Cidade, ela lançou mundialmente seu terceiro álbum de estúdio, intitulado Música de Rua, pela Sony e a Epic, em agosto daquele ano. Novamente produzido por Liminha, a artista teve mais controle quanto às composições do projeto, assinando seis das 12 canções, enquanto manteve a mesma musicalidade dos trabalhos anteriores, com base na axé music. O disco recebeu críticas frias em seu lançamento, que afirmavam que ele não possuía a mesma qualidade de O Canto da Cidade. Da mesma forma, o álbum não conseguiu se igualar ao sucesso de vendas do anterior, comercializando cerca de 650 mil cópias no Brasil, levando-o a ser agraciado com disco de platina dupla pela PMB. A partir de Música de Rua, foram lançadas canções notáveis como a faixa-título, bem como "O Reggae e o Mar" e "Por Amor ao Ilê". Ainda de forma a divulgar o lançamento do disco, Mercury saiu com uma turnê internacional que passou pelo Brasil e outros países da América Latina, bem como os Estados Unidos e Europa. Naquele mesmo ano, gravou com Ray Charles um comercial da Cerveja Antarctica para promover a Copa do Mundo FIFA de 1994. No ano seguinte, gravou a versão em português de "Colors of the Wind" para o filme de animação Pocahontas, além de um dueto com Jon Secada.

Em 1996, Mercury assumiu os vocais do bloco Crocodilo no carnaval de Salvador, inaugurando o circuito Barra-Ondina, que apesar de enfrentar resistência na época, acabou por consolidar um novo modelo de desfile. Ainda em 1996, Mercury lançou seu quarto álbum de estúdio, Feijão com Arroz. Foi recebido com análises positivas da crítica, sendo por vezes definido como o melhor disco de sua carreira. Da mesma forma, o álbum foi um sucesso comercial, cujas vendas chegaram perto de 800 mil cópias no Brasil, rendendo-lhe um disco de platina dupla pela PMB. Feijão com Arroz também foi um sucesso de vendas internacional, contabilizando 300 mil cópias na França e 270 mil cópias em Portugal, tornando-se o álbum mais vendido da história deste último país. O primeiro single do álbum, "À Primeira Vista", liderou a parada musical brasileira por seis meses após sua inclusão na telenovela O Rei do Gado, da TV Globo. Outros singles de sucesso de Feijão com Arroz foram "Nobre Vagabundo" e "Rapunzel", que foi sucesso em alguns países da Europa. Para promover o disco, Mercury embarcou em uma turnê que percorreu várias cidades brasileiras, bem como outras regiões como Europa e Estados Unidos. No fim de 1997, a artista fez parte da coletânea Tropicália 30 Anos, na qual regravou "Alegria, Alegria", de Caetano Veloso.
Em 1998, Mercury fez uma participação especial ao lado de Alceu Valença na telenovela Mandacaru, da extinta TV Manchete, onde interpretaram os cangaceiros Lampião e Maria Bonita. Nesse mesmo ano, lançou seu primeiro álbum ao vivo, Elétrica. Teve avaliações mistas da crítica especializada, que criticaram sua falta de inovação ao continuar a investir na axé music, ao passo em que outros elogiaram sua produção. Produzido por Alfredo Moura, incluiu faixas em estilo galope unidas a guitarras de rock, e gerou sucessos como "Terra Festeira" e "Trio Metal". Mercury doou parte dos direitos autorais do álbum à UNICEF. Ela também excursionou em promoção a Elétrica em regiões como América Latina e Europa. No ano seguinte, Mercury assinou um contrato de gravação com a BMG, que cuidaria de sua carreira tanto no Brasil quanto no exterior. O contrato previa a gravação de cinco álbuns e foi avaliado em US$ 5 milhões. No mesmo ano, foi lançada a compilação Swing Tropical, como o último álbum de seu contrato com a Sony, contendo os maiores sucessos da cantora até então. Mercury discordou do lançamento da compilação, uma vez que fazia parte de uma estratégia da gravadora para capitalizar em cima do lançamento de seu próximo disco, que seria lançado através da BMG.
Na primeira metade da década de 2000, Mercury iniciou uma tendência de incorporar elementos de música eletrônica em seus trabalhos, em busca de realizar um desejo de tornar seu som mais internacional. Em 2000, ela saiu com um trio elétrico que promovia a união do axé com a música eletrônica no carnaval de Salvador. A ideia não foi bem recebida pelos foliões, que vaiaram a cantora por duas vezes durante o percurso. Poucas semanas depois, lançou seu quinto álbum de estúdio, Sol da Liberdade, seu primeiro distribuído pela BMG e a Ariola, após sete anos de permanência na Sony. Com participações de Milton Nascimento e Angélique Kidjo, o disco trouxe as primeiras experimentações de Mercury com a música eletrônica, mas também um direcionamento para a MPB. O trabalho foi recebido de forma polarizada pelos críticos, que embora tenham apreciado sua produção, ficaram confusos quanto ao seu direcionamento musical diverso. Ainda, recebeu certificação de platina pela PMB. Sol da Liberdade produziu três singles: "Ilê Pérola Negra (O Canto do Negro)", "Santa Helena" e "Como Vai Você" – esta última vencedora do Prêmio Globo de Melhores do Ano de música do ano daquele ano. Ainda, a canção "Só No Balanço do Mar" foi destaque na trilha sonora da telenovela Porto dos Milagres, que sucedeu Laços de Família. Em seguida, ela promoveu o disco com uma turnê internacional que passou por países como os Estados Unidos, além de se apresentar no Rock in Rio III em 12 de janeiro de 2001.
No ano seguinte, Mercury lançou Sou de Qualquer Lugar, seu sexto álbum de inéditas. O disco possui uma sonoridade inspirada pela música pop e gêneros eletrônicos como o techno e dance, mas também abarca uma multiplicidade de outros gêneros como forró, manguebeat, MPB, samba e frevo. A obra foi recebida friamente pela crítica especializada, que não apreciou a mudança sonora da cantora e a quantidade de gêneros diferentes no álbum, afirmando que Mercury soava confusa e desnorteada. Comercialmente, o disco também não obteve grandes resultados quando comparado aos trabalhos anteriores da cantora, tendo sido certificado com ouro pela PMB, após comercializar mais de cem mil réplicas no páis, sua menor venda até então. Apesar da recepção consideravelmente fraca, a regravação da música "Mutante", de Rita Lee, tornou-se um grande sucesso após ter sido incluída na trilha sonora da novela das sete da Rede Globo, Desejos de Mulher. Outros singles lançados de Sou de Qualquer Lugar foram "Beat Lamento" e "Estrelas", um dueto com Toni Garrido. Ainda em 2001, a cantora foi convidada para representar o Brasil na cerimônia de entrega do Prêmio Nobel da Paz, onde cantou com Paul McCartney a canção "Let It Be", e juntamente com Ivete Sangalo, apareceu na canção "Cai Dentro", presente no álbum Afropopbrasileiro, de Margareth Menezes. No ano seguinte, foi mentora convidada em um episódio da 1.ª temporada do talent show Popstars, que formou o grupo Rouge.

Em 2003, a artista aceitou o convite da MTV Brasil para realizar um concerto para a série de registros ao vivo do canal, que foi gravado e lançado no mesmo ano como o seu segundo álbum ao vivo e primeiro em vídeo, MTV ao Vivo: Eletrodoméstico. A partir da intenção de Mercury de revisitar sua carreira, o trabalho reuniu uma variedade de cantores como Carlinhos Brown e os internacionais Jovanotti, Dulce Pontes e Rosario Flores. O registro foi recebido de forma ambivalente pela crítica, mas atraiu elogios por mostrar que a intérprete era capaz de conciliar suas intervenções eletrônicas com a musicalidade afro-brasileira que a consagrou. A edição em vídeo do projeto recebeu certificação de ouro no Brasil, representando vendas de 100 mil unidades no território, enquanto chegou ao quarto lugar na tabela de mais vendidos em Portugal, rendendo-lhe disco de platina no país. Como forma de promover o disco, foram trabalhadas as canções "Dona da Banca", "Meu Plano" e "Pára de Chorar".
Posteriormente, em 2004, Mercury lançou Carnaval Eletrônico, seu sétimo disco de estúdio e seu último lançamento realizado através da BMG. O álbum seguiu a tendência da artista de trabalhar com gêneros eletrônicos, que convidou influentes DJs e produtores de música eletrônica para integrar o projeto, como Memê e Zé Pedro, além de músicos como Gilberto Gil, Carlinhos Brown e Lenine. O disco produziu um single de sucesso nas paradas, "Maimbê Dandá", que veio a vencer o troféu Dodô e Osmar de melhor canção do Carnaval daquele ano, embora o álbum tenha atraído avaliações medianas da crítica e a menor vendagem comercial de sua carreira até então. Posteriormente, Carnaval Eletrônico recebeu uma indicação ao Grammy Latino na categoria de Melhor Álbum de Pop Contemporâneo Brasileiro, rendendo à artista sua primeira indicação a tal prêmio. No dia 5 de junho de 2004, Mercury se apresentou na penúltima noite do Rock in Rio Lisboa I, com a turnê que promoveu Carnaval Eletrônico. Ainda em 2004, participou dos álbuns MTV ao Vivo, de Ivete Sangalo, e do álbum 25 Anos ao Vivo, da Banda Eva, nas canções "Pan-Americana" e "Anjo", respectivamente.

No início de 2005, Mercury lançou seu terceiro álbum ao vivo e segundo em vídeo Clássica (2005) através da gravadora Som Livre. O projeto consistia em um concerto onde interpretou canções de jazz e MPB, dando ênfase a seu talento vocal. No segundo semestre daquele mesmo ano, a cantora liberou seu oitavo álbum de estúdio, Balé Mulato, seu primeiro lançamento através da gravadora EMI. Neste disco, Mercury buscou desviar-se das sonoridades de estilos eletrônicos, e em vez disso, optou por explorar gêneros que "remetem às suas origens" como o samba-reggae e o axé. O trabalho foi muito bem recebido pelos críticos, que chegaram a compará-lo com Feijão com Arroz. Como forma de promoção do disco, foram lançadas as faixas "Topo do Mundo", "Levada Brasileira" e "Olha o Gandhi Aí" – as duas últimas consagrando-se como vencedoras do Troféu Band Folia, como melhor música. Ainda em 2005, Mercury foi desconvidada de um concerto de Natal no Vaticano devido à sua posição favorável ao uso de preservativos como forma de prevenção à AIDS, atraindo atenção da mídia internacional.
Mercury iniciou 2006 com o lançamento de seu terceiro álbum em vídeo, Baile Barroco, gravado ao vivo no Carnaval de Salvador do ano anterior. O trabalho conta com as participações especiais de Gilberto Gil, Luiz Caldas e o pianista Ricardo Castro, numa inovadora apresentação em que a cantora substituiu sua tradicional banda e foi acompanhada apenas pelo piano em cima do trio elétrico. Tal performance provocou controvérsia, com defensores das tradições do Carnaval da Bahia intitulando a artista como arrogante e a acusando de elegantizar a música popular. No mesmo ano, gravou e lançou Balé Mulato: Ao Vivo, seu quarto álbum ao vivo e em vídeo. O trabalho contou com as participações especiais da Banda Didá e das cantoras Gilmelândia e Mariene de Castro. O single "Quero a Felicidade", com participação de Jammil e Uma Noites e gravada em estúdio, serviu como promoção para o projeto. Balé Mulato: Ao Vivo proporcionou a Mercury sua primeira vitória no Grammy Latino, na categoria de Melhor Álbum de Música Regional ou de Raizes Brasileiras. Ainda naquele ano, a cantora também esteve presente nas gravações do álbum de vídeo Beth Carvalho Canta o Samba da Bahia, de Beth Carvalho.
Em 2007, Mercury foi escolhida para participar de um álbum de tributo ao maestro italiano Ennio Morricone. Em meados daquele ano, ela cantou "Cidade Maravilhosa" e "Aquarela do Brasil" durante as cerimônias de abertura dos XV Jogos Pan-Americanos e dos III Jogos Parapan-Americanos, ambos realizados no Rio de Janeiro. No mesmo ano, participou das gravações do álbum Cidade do Samba, onde interpretou, com João Bosco, a canção "De Frente Para o Crime", e ainda foi artista participante na canção "Touch Your Button (Carnival Jam)", presente no disco Carnival Vol. II: Memoirs of an Immigrant, de Wyclef Jean. No primeiro semestre do ano seguinte, Mercury continuou a fazer participações em álbuns de outros artistas, como no Ao Vivo em Copacabana, de Claudia Leitte - onde cantou com ela "Cidade Elétrica", e Cheiro Acústico da banda Cheiro de Amor, onde chamou a atenção da mídia pela performance sensual de "Uma Noite e Meia", ao lado da vocalista da banda Alinne Rosa, que terminou com um selinho entre as duas cantoras. Ainda, a Sony BMG lançou o box O Canto da Cidade - 15 Anos, contendo o álbum O Canto da Cidade e o especial exibido pela TV Globo em dezembro de 1992.

No final de 2009, Mercury lançou seu nono álbum de estúdio, Canibália, com distribuição pela Sony. O disco foi lançado com cinco capas diferentes, com uma ordem diferente de músicas para cada uma. O álbum contém participações de Margareth Menezes, Seu Jorge, Wyclef Jean, além de um dueto digital com Carmen Miranda. O disco possui uma variedade de gêneros como o samba, rock e hip-hop, além de voltar a incorporar elementos eletrônicos em seu som. O álbum trouxe os singles anteriormente lançados "Preta", "Oyá Por Nós" e "Sol do Sul". Uma turnê para promover o disco já estava em andamento desde agosto daquele ano, com passagens pela Europa e América Latina. O disco e a turnê faziam parte de um projeto que seria composto pelo lançamento de dois álbuns, um DVD, dois documentários e uma exposição de artes. Ainda em 2009, Mercury fez uma apresentação na 10ª cerimônia do prêmio Grammy Latino em Las Vegas, tornando-se também a primeira artista brasileira a se apresentar na premiação.
Em homenagem ao ano em que o trio elétrico completou 60 anos e o axé music 25, Mercury lançou a faixa "Andarilho Encantado" para o carnaval de 2010. Ainda, produziu o documentário Sonora Rio Bahia, que mostrava a batalha de líderes comunitárias que trabalhavam com a música de forma criativa. No ano seguinte, em 2011, lançou através da Som Livre seu quinto álbum ao vivo e em vídeo, intitulado Canibália: Ritmos do Brasil, gravado durante o réveillon daquele ano na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. O projeto contou com a presença de Unidos da Tijuca, AfroReggae, Boi Garantido, Banda Didá e seu filho, Gabriel Póvoas. Para promover o lançamento do álbum, Mercury disponibilizou duas canções na internet, sendo elas "É Carnaval" e "Iluminado", sendo que a primeira não foi incluída no repertório do disco. O lançamento deu continuidade à turnê Canibália, que terminou em 2013.
Mercury começou o ano de 2012 desfilando pela escola de samba Portela no carnaval daquele ano na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro. Naquele ano, lançou "Santana dos Olhos D'água", uma homenagem à cidade de Feira de Santana, para o período das festividades de São João. Em 2013, Mercury estreou a turnê intitulada Pelada, acompanhada por quatro músicos em formato acústico, em contraste com suas habituais apresentações, que consistiam em coreografias, troca de figurinos e bailarinos. Em sequência, lançou através da gravadora Eldorado o álbum Daniela Mercury & Cabeça de Nós Todos, feito em parceria com o grupo baiano Cabeça de Nós Todos. Produzido por seu filho Gabriel Póvoas, o projeto abarcou uma variedade de gêneros musicais, e incluiu o single "Couchê", que havia sido lançado no início daquele ano. Ainda em 2013, lançou em parceria com a esposa Malu Verçosa o livro Daniela e Malu, Uma História de Amor, que conta a história do relacionamento das duas desde o momento da amizade até o casamento.

Em 2014, Mercury figurou como jurada e mentora na 1.ª edição do talent show The Voice Kids em Portugal, devido à sua popularidade no país; seu pupilo, Diogo Garcia, acabou por vencer a temporada. No ano seguinte, embarcou na turnê A Voz e o Violão, que consistia em um concerto acústico, com Mercury cantando acompanhada pelo toque do violão de Alex Mesquita, que foi posteriormente substituído por Alexandre Vargas, que tocava com a artista há mais de 20 anos. Em novembro do mesmo ano, lançou seu décimo disco de estúdio, Vinil Virtual, através do selo Biscoito Fino. Pela primeira vez em sua carreira, Mercury figurou como compositora de todas as canções de um álbum, compondo sozinha 10 das 15 canções presentes no disco. A capa do trabalho mostra Mercury deitada, nua, ao lado da esposa Malu Verçosa, numa foto inspirada por um ensaio do casal de músicos John Lennon e Yoko Ono. O álbum ainda incluiu o single "A Rainha do Axé (Rainha Má)", que havia sido lançado no ano anterior. Posteriormente, Mercury embarcou na turnê Baile da Rainha Má, realizada para promover Vinil Virtual.
Em 2016, a artista apareceu como jurada e mentora na 3.ª temporada do talent show Superstar. Em um dos programas, gerou controvérsia quando simulou estar dormindo em sua cadeira para demonstrar tédio durante a apresentação de uma das bandas da competição. Naquele mesmo ano, Mercury lançou seu sexto registro ao vivo, intitulado O Axé, a Voz e o Violão, que consistia em um registro de um concerto da turnê de mesmo nome realizado no Teatro Castro Alves, em Salvador. A obra foi viabilizada através da editora e produtora da artista, Páginas do Mar, em uma coprodução com o Canal Brasil. Em 2017, a artista lançou seu primeiro extended play (EP), intitulado Tri Eletro. O trabalho destacou-se por não ter recebido lançamento físico, restringindo se ao formato digital. O EP conteve os singles "Banzeiro" – que foi eleita posteriormente a melhor música do carnaval de 2018 pelo Troféu Band Folia – e "Samba Presidente", com participação de Márcio Victor, além da faixa "Eletro Ben Dodô".
Em 2018 Daniela começou a trabalhar em seu décimo segundo álbum e, em outubro, lançou o single "Pagode Divino". Um mês depois lançou "Pantera Negra Deusa". Em 5 de fevereiro de 2019 lança "É Proibido Carnaval" em parceria com Caetano Veloso, sua aposta para o Carnaval daquele ano, sendo a letra uma resposta ao momento conservador que o país passava e aos rumores de que o Carnaval poderia ser impedido futuramente. No mesmo ano liberou "Duas Leoas" e "Rainha da Balbúrdia" Apenas em 10 de janeiro de 2020 Daniela lançou seu álbum Perfume, que trouxe como carro-chefe a faixa "Confete e Serpentina".

Atenta à realidade social brasileira e com grande desejo de contribuir para a preservação das nossas matrizes culturais, Daniela criou, em 2008, o seu Instituto "Sol da Liberdade". Hoje, o ISL realiza, em parceria com o UNICEF e a ESPN Brasil, o projeto Caravana da Música. A Caravana da Música é um projeto itinerante que percorre o Brasil desde 2007, visitando uma cidade a cada mês. As cidades a serem visitadas são indicadas pelo UNICEF, de acordo ao IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) e ao IDI (Índice de Desenvolvimento da Infância). Em cada uma das cidades visitadas, a "Caravana da Música" ergue uma grande infraestrutura onde oferece a 3 000 crianças uma vivência inédita com a dança, a música, o teatro, a construção de instrumentos, a arte circense e outras diversas experiências artísticas. Além de atender às crianças, a Caravana da Música oferece também formação em Arte Educacional para 250 professores da rede pública de cada um dos municípios visitados. A Caravana da Música já atendeu diretamente mais de 50 mil crianças e 30 mil professores. Considerando que cada professor da rede pública formado pela Caravana se transforma em um multiplicador da Arte Educacional, a estimativa é que a Caravana da Música já tenha atingido, indiretamente, mais de meio milhão de brasileirinhos. Toda a ação da Caravana da Música pelo interior do país é registrada pela equipe da ESPN Brasil que, mensalmente, exibe um documentário sobre a atuação do projeto. O documentário é exibido no Brasil e em mais 157 países.
Além de presidir o Instituto Sol da Liberdade, Daniela é ainda Embaixadora Nacional da Boa Vontade do UNICEF, título que recebeu em 1995, quando se tornou a segunda personalidade brasileira a receber tal honra. Ela também já participou de vários shows beneficentes em prol das crianças, dentre eles o Criança Esperança da UNICEF/Rede Globo e o Teleton da AACD/SBT. Parte dos direitos do álbum Elétrica de 1998 foram doados à UNICEF. É também embaixadora do Instituto Ayrton Senna. Daniela também já participou de outros projetos beneficentes, não ligados diretamente às crianças. Em 7 de outubro de 2003, participou do show Solidariedade Brasil-Noruega em prol do Fome Zero no Teatro Nacional, em Brasília. É ligada também à ONG América Latina em Ação Solidária (ALAS), tendo participado em setembro de 2007 de uma campanha publicitária promovendo ajuda aos desabrigados pelo terremoto no Peru. Em 2013 foi convidada pra participar da campanha mundial da ONU, Free & Equal (Livres e Iguais), juntamente com Ricky Martin e outros artistas internacionais.

Mercury classifica-se como uma pessoa de "sexualidade múltipla" – ou bissexual. Entre 1984 e 1996, ela foi casada com o engenheiro eletrônico Zalther Portela Laborda Póvoas, com quem teve dois filhos; o músico Gabriel Póvoas, nascido em 3 de setembro de 1985 e a bailarina Giovana Póvoas nascida em 9 de dezembro de 1986. Em 2007, a imprensa noticiou que Mercury estaria namorando uma arquiteta de Nova Iorque, da qual nunca divulgou o nome. Mais tarde, a própria Mercury confirmaria a história: "É verdade, mas [ela] não é arquiteta."
Em 2008 começou a namorar o publicitário italiano Marco Scabia, com quem foi casada de 2009 a 2012. Em 2013 começou a namorar a jornalista Malu Verçosa, com quem se casou naquele ano. Com Malu, Mercury tem três filhas: Marcia Verçosa de Sá Mercuri, Alice Maria Verçosa de Sá Mercuri e Ana Isabel Verçosa de Sá Mercuri.
| Ano | Título | Cargo / Personagem | Nota |
|---|---|---|---|
| 1992 | O Canto da Cidade | Ela mesma | Especial de fim de ano |
| 1997 | Mandacaru | Maria Bonita | Episódio: "12 de agosto" |
| 1998 | Dona Flor e Seus Dois Maridos | Esmeralda | Episódio: "1 de maio" |
| 2002 | Popstars | Mentora assistente | Temporada 1 |
| 2006 | Dança Comigo | Jurada especial | Episódio: "17 de junho" |
| 2007 | Paraíso Tropical | Ela mesma | Episódio: "20 de setembro" |
| 2014 | The Voice Kids Portugal | Jurada / Mentora | Temporada 1 |
| 2016 | Superstar | Temporada 3 | |
| 2018 | Segundo Sol | Ela mesma | Episódio: "15 de maio" |
| 2019 | Uma Vila de Novela | Episódio: "9 de dezembro" | |
| Ano | Título | Personagem | Nota |
|---|---|---|---|
| 2005 | Chame Gente - A História do Trio Elétrico | Ela mesma | Documentário |
| 2017 | Axé: Canto do Povo de um Lugar | ||
| Ano | Nomeação | Categoria | Resultado |
|---|---|---|---|
| 2004 | Carnaval Eletrônico | Melhor Álbum de Pop Contemporâneo Brasileiro | Indicado |
| 2006 | Baile Barroco | Melhor Vídeo Musical - Versão Longa | Indicado |
| 2007 | Balé Mulato - Ao Vivo | Melhor Álbum de Música Regional ou de Raízes Brasileiras | Venceu |
Troféu Band Folia
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Prêmio Brasil DVD
Prêmio Multishow de Música Brasileira
Prêmio APCA
Lifetime Achievement Award
International Portuguese Music Awards (IPMA)
Poc Awards
Civis
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Eu nasci na Bahia... Salvador, no Hospital Português no dia 28 de julho de [19]65.
Cantora estava há três anos com o empresário [...] A assessoria da cantora confirmou a informação [...]
Sem fazer alarde e com poucos familiares convidados, a cantora Daniela Mercury, de 43 anos, e o publicitário Marco Scabia, de 34, decidiram trocar alianças na Itália, quase em segredo, numa cerimônia simples na primeira semana de maio.