AMPA

AMPA
Nomes
Nome IUPAC 2-Amino-3-(3-hydroxy-5-methyl-isoxazol-4-yl)propanoic acid
AMPA
Identificadores
Abreviação AMPA
Número CAS 74341-63-2
PubChem 1221
KEGG C13672
MeSH AMPA
SMILES
 
  • O=C1/C(=C(\ON1)C)CC(N)C(=O)O
InChI
 
  • InChI=1S/C7H10N2O4/c1-3-4(6(10)9-13-3)2-5(8)7(11)12/h5H,2,8H2,1H3,(H,9,10)(H,11,12)
AMPA
Propriedades
Fórmula química C7H10N2O4
Massa molar 186.144 g mol-1
Página de dados suplementares
Estrutura e propriedades n, εr, etc.
Dados termodinâmicos Comportamento de fases
Sólido, líquido e gás
Dados espectrais UV, IV, RMN, EM
Exceto onde denotado, os dados referem-se a
materiais sob condições normais de temperatura e pressão.

Referências e avisos gerais sobre esta caixa.
Alerta sobre risco à saúde.

O ácido α-amino-3-hidróxi-5-metil-4-isoxazol propiônico, mais conhecido como AMPA, é um composto químico que atua como um agonista específico sintético seletivo de receptores ionotrópicos do tipo receptor AMPA (AMPAR), mimetizando os efeitos do neurotransmissor glutamato.

Existem vários tipos de canais iônicos glutamatérgicos no sistema nervoso central, incluindo AMPA, ácido kainico e ácido N-metil-D-aspártico (NMDA). Na sinapse, esses receptores atendem a propósitos distintos. O AMPA pode ser usado experimentalmente para distinguir a atividade de um receptor do outro, a fim de compreender a diferença de suas funções. O AMPA gera potenciais pós-sinápticos excitatórios (EPSP) rapidamente. AMPA ativa receptores AMPAR, sendo canais catiônicos não seletivos, permitindo a passagem de sódio (Na+) e potássio (K+) e, portanto, apresentam um potencial de equilíbrio próximo de 0 mV.

O AMPA foi sintetizado pela primeira vez, juntamente com diversos outros derivados do ácido ibotênico, por Krogsgaard-Larsen, Honoré e colaboradores, visando distinguir farmacologicamente os receptores sensíveis ao glutamato daquelas sensíveis ao aspartato. AMPA é utilizado em pesquisas em neurociência para estudar os mecanismos de excitação glutamatérgica.

Ototoxicidade

A administração exógena de AMPA em modelos experimentais simula a ativação excessiva desses receptores, permitindo a investigação dos efeitos da excitotoxicidade coclear. Esse processo patológico é desencadeado pelo acúmulo extracelular de glutamato e ativação prolongada de receptores AMPA e NMDA. A base para essa abordagem é a expressão de receptores AMPA nas sinapses entre as células ciliadas internas e as fibras aferentes do nervo vestibulococlear (nervo auditivo), sendo fundamentais para a transmissão de sinais auditivos. Essa hiperestimulação resulta na entrada descontrolada de íons sódio (Na⁺) e cálcio (Ca²⁺) nos neurônios pós-sinápticos, sobrecarregando as mitocôndrias, promovendo a produção de espécies reativas de oxigênio e desencadeando vias de apoptose.

A subunidade GluR2 (GRIA2) dos receptores AMPA exerce papel crucial na regulação da permeabilidade ao cálcio, sua presença impede a entrada excessiva de Ca²⁺, protegendo contra danos induzidos por glutamato. Estudos evidenciaram que a ausência ou subregulação de GluR2 pode aumentar a vulnerabilidade das células neurais à excitotoxicidade, tanto em modelos auditivos quanto no sistema nervoso central mais amplo.

Estudos experimentais demonstram que a exposição coclear a AMPA causa perda sináptica e neurodegeneração em fibras auditivas, efeitos semelhantes aos observados após trauma acústico ou administração de ototóxicos como cisplatina e aminoglicosídeos. Tais agentes podem aumentar a liberação de glutamato ou sensibilizar receptores ionotrópicos, amplificando o risco de excitotoxicidade coclear.

Alguns compostos com ação sobre os receptores AMPA, como os moduladores alostéricos positivos que potencializam a transmissão sináptica mediada por AMPA pela regulação positiva da transmissão sináptica sem causar excitotoxicidade direta. A farmacologia coclear dos moduladores AMPA também é estudada com foco na contribuição dos TARPs (Proteínas Regulatórias Transmembrana dos Receptores AMPA), que regulam a atividade e a farmacodinâmica desses receptores.

Derivados de sulfonamidas e compostos como a deoxissizandrina a apresentam ação sobre o sistema nervoso central também oferecem novas perspectivas para agentes que possam atuar seletivamente sobre subtipos de receptores glutamatérgicos, como os AMPA, contribuindo para a prevenção de desfechos neurotóxicos associados a condições ototóxicas.

Ver também

Referências

  1. 1 2 Purves, Dale; George J. Augustine; David Fitzpatrick; William C. Hall; Anthony-Samuel LaMantia; James O. McNamara (2008). Neuroscience 4th ed. [S.l.]: Sinauer Associates. pp. 128–33. ISBN 978-0-87893-697-7
  2. ↑ Puel, Jean-Luc; Ruel, Jérôme; dʼAldin, Christine Gervais; Pujol, Rémy (junho de 1998). «Excitotoxicity and repair of cochlear synapses after noise-trauma induced hearing loss:». NeuroReport (em inglês) (9): 2109–2114. ISSN 0959-4965. doi:10.1097/00001756-199806220-00037. Consultado em 8 de agosto de 2025
  3. ↑ Dinh, L; Nguyen T; Salgado H; Atzori M (2009). «Norepinephrine homogeneously inhibits alpha-amino-3-hydroxyl-5-methyl-4-isoxazole-propionate- (AMPAR-) mediated currents in all layers of the temporal cortex of the rat». Neurochem Res. 34 (11): 1896–906. PMID 19357950. doi:10.1007/s11064-009-9966-z
  4. ↑ Midgett, Charles R.; Madden, Dean R. (outubro de 2008). «The Quaternary Structure of a Calcium-Permeable AMPA Receptor: Conservation of Shape and Symmetry across Functionally Distinct Subunit Assemblies». Journal of Molecular Biology (em inglês) (3): 578–584. doi:10.1016/j.jmb.2008.07.021. Consultado em 8 de agosto de 2025
  5. ↑ Krogsgaard-Larsen, P; Honore T; Hansen JJ; Curtis DR; Lodge D (1980). «New class of glutamate agonist structurally related to ibotenic acid». Nature. 284 (5751): 64–66. Bibcode:1980Natur.284...64K. PMID 6101908. doi:10.1038/284064a0
  6. 1 2 3 4 Radin, Daniel P.; Li, Yong-Xin; Rogers, Gary; Purcell, Richard; Lippa, Arnold (agosto de 2018). «Tarps differentially affect the pharmacology of ampakines». Biochemical Pharmacology (em inglês): 446–451. doi:10.1016/j.bcp.2018.06.013. Consultado em 8 de agosto de 2025
  7. 1 2 Blicharz-Futera, Klaudia; Kamiński, Michał; Grychowska, Katarzyna; Canale, Vittorio; Zajdel, Paweł (março de 2025). «Current development in sulfonamide derivatives to enable CNS-drug discovery». Bioorganic Chemistry (em inglês). 108076 páginas. doi:10.1016/j.bioorg.2024.108076. Consultado em 8 de agosto de 2025
  8. 1 2 Isaac, John T.R.; Ashby, Michael C.; McBain, Chris J. (junho de 2007). «The Role of the GluR2 Subunit in AMPA Receptor Function and Synaptic Plasticity». Neuron (em inglês) (6): 859–871. doi:10.1016/j.neuron.2007.06.001. Consultado em 8 de agosto de 2025
  9. ↑ Kim, Hyung-Jin; Lee, Jeong-Han; Kim, Se-Jin; Oh, Gi Su; Moon, Hae-Dalma; Kwon, Kang-Beom; Park, Channy; Park, Byung Hyun; Lee, Ho-Kyun (17 de março de 2010). «Roles of NADPH Oxidases in Cisplatin-Induced Reactive Oxygen Species Generation and Ototoxicity». Journal of Neuroscience (em inglês) (11): 3933–3946. ISSN 0270-6474. PMID 20237264. doi:10.1523/JNEUROSCI.6054-09.2010. Consultado em 8 de agosto de 2025
  10. ↑ Sheng, Morgan; Lee, Sang Hyoung (junho de 2001). «AMPA Receptor Trafficking and the Control of Synaptic Transmission». Cell (em inglês) (7): 825–828. doi:10.1016/S0092-8674(01)00406-8. Consultado em 8 de agosto de 2025
  11. 1 2 Bie, Bihua; Brown, David L.; Naguib, Mohamed (fevereiro de 2011). «Increased synaptic GluR1 subunits in the anterior cingulate cortex of rats with peripheral inflammation». European Journal of Pharmacology (em inglês) (1-3): 26–31. doi:10.1016/j.ejphar.2010.11.027. Consultado em 8 de agosto de 2025
  12. 1 2 Qneibi, Mohammad; Bdir, Sosana; Bdair, Mohammad; Aldwaik, Samia Ammar; Sandouka, Dana; Heeh, Maram; Idais, Tala Iyad (fevereiro de 2024). «AMPA receptor neurotransmission and therapeutic applications: A comprehensive review of their multifaceted modulation». European Journal of Medicinal Chemistry (em inglês). 116151 páginas. doi:10.1016/j.ejmech.2024.116151. Consultado em 8 de agosto de 2025
  13. ↑ Salussolia, Catherine L.; Wollmuth, Lonnie P. (novembro de 2012). «Flip-Flopping to the Membrane». Neuron (em inglês) (3): 463–465. PMC 4292898Acessível livremente. PMID 23141057. doi:10.1016/j.neuron.2012.10.022. Consultado em 8 de agosto de 2025
  14. 1 2 Yan, Tingxu; Xu, Mengjie; Wan, Shutong; Wu, Bo; Xiao, Feng; Bi, Kaishun; Jia, Ying (dezembro de 2018). «Deoxyschizandrin attenuates Aβ1–42-induced cognitive impairments through up-regulation of AMPA receptors in mice». Phytochemistry Letters (em inglês): 24–31. doi:10.1016/j.phytol.2018.09.009. Consultado em 8 de agosto de 2025