Alamaxe (em árabe: الأعمش; romaniz.: al-Aʿmash; 61 A.H. (680/1) – 148 A.H. / 765), nome completo Abu Maomé Solimão ibne Mirane Alamaxe Alcufi (em árabe: أبو محمد سليمان بن مهران الأعمش الكوفي; romaniz.: Abū Muḥammad Sulaymān ibn Mihrān al-Aʿmash al-Kūfī), foi um tabi, tradicionalista, hafiz de hádice e recitador do Alcorão muçulmano. De família originária do Tabaristão, estabeleceu-se em Cufa, onde se tornou uma das principais autoridades de sua época em hádice, recitação do Alcorão e faraide. Estudou com destacados representantes das primeiras gerações de estudiosos muçulmanos, entre eles Ibraim Anacai, Mujaíde ibne Jabre, Saíde ibne Jubair e Axabi, e teve entre os que transmitiram sob sua autoridade Abu Hanifa, Xuba ibne Alhajaje, Sufiane Atauri, Sufiane ibne Uiaina e Abedalá ibne Almubaraque.
Alamaxe adquiriu particular reputação por seu conhecimento das tradições de Cufa e foi geralmente considerado um transmissor confiável, embora tenha recebido críticas por sua prática de tadlis e por determinadas transmissões. Seus hádices foram incorporados aos Seis Livros, e sua recitação do Alcorão, embora não tenha sido incluída entre as sete ou dez posteriormente reconhecidas como canônicas, foi preservada entre as recitações adicionais. Algumas fontes também lhe atribuíram inclinações xiitas, particularmente zaiditas ou imamitas, interpretação contestada com base na insuficiência das tradições utilizadas para sustentá-la.
Alamaxe nasceu em 61 A.H. (680–681). Seu nome completo era Abu Maomé Solimão ibne Mirane Alamaxe Alcufi. Sua família era originária do Tabaristão, e uma tradição situa seu nascimento em Dumbavande, na região de Rei, enquanto outra afirma que nasceu em Cufa, cidade na qual se estabeleceu e desenvolveu sua atividade erudita. Depois de memorizar o Alcorão, dedicou-se inicialmente à recitação do Alcorão, estudando sobretudo com Iáia ibne Uatabe. Entre outros estudiosos dos quais recebeu ensinamentos estavam Zaíde ibne Uabe, Ibraim Anacai, Mujaíde ibne Jabre, Abu Alalia Arriai e Ácime ibne Abi Anajude. Também se dedicou ao hádice e ao fiqh, tornando-se uma das principais figuras do ambiente erudito de Cufa. No estudo do hádice, Alamaxe recebeu tradições de numerosos estudiosos, entre eles Saíde ibne Jubair, Caice ibne Abi Hazime, Abu Uail Xaquique ibne Salama e Axabi. Por sua vez, transmitiram hádices sob sua autoridade estudiosos como Abu Hanifa, Xuba ibne Alhajaje, Sufiane Atauri, Sufiane ibne Uiaina e Abedalá ibne Almubaraque. Alamaxe alcançou grande reputação também como recitador do Alcorão e tornou-se uma das principais autoridades de Cufa em recitação, hádice e faraide. Sua forma de recitação não foi incluída entre as sete ou dez recitações posteriormente reconhecidas como canônicas, mas foi preservada entre as recitações adicionais transmitidas pela tradição islâmica. Alamaxe morreu em 148 A.H. (765).
Alamaxe foi considerado um dos mais importantes hafizes de hádice de sua época e adquiriu particular reputação pelo conhecimento das tradições transmitidas no ambiente de Cufa. Os críticos geralmente o consideraram um transmissor confiável, e suas tradições foram incorporadas aos Seis Livros. Sua atividade como transmissor, contudo, não ficou inteiramente isenta de críticas. Era conhecido por praticar tadlis, e algumas das tradições que atribuiu a Anas ibne Maleque e Abedalá ibne Abi Aufa foram consideradas transmissões indiretas. Adaabi também o censurou por ocultar deficiências de alguns transmissores, enquanto Ali ibne Almadini apontou equívocos em determinadas transmissões. Essas ressalvas, porém, não impediram que desfrutasse de elevada reputação entre os estudiosos do hádice. Iáia ibne Saíde Alcatane, por exemplo, referiu-se a ele como uma das grandes autoridades do Islã. As fontes também registram divergências acerca de suas posições religiosas. Alguns autores atribuíram a Alamaxe inclinações xiitas, particularmente zaiditas ou imamitas, com base em tradições relativas à sua atitude diante de Ali, Otomão e Huceine ibne Ali. Essa interpretação, contudo, é contestada, pois sua estima por Ali e pelos membros da família de Maomé não é considerada, por si só, evidência suficiente de adesão ao xiismo. Sua reputação posterior permaneceu ligada principalmente à transmissão de hádice e à recitação corânica, campos nos quais ocupou posição destacada entre os estudiosos de Cufa do século VIII.