Os alharititas ou Alharite ibne Cabe (em árabe: بنو الحارث بن كعب; romaniz.: Banū al-Ḥārith ibn Kaʿb), também conhecidos como balharititas (Balḥārith), foram uma tribo árabe da Arábia meridional, pertencente aos madijitas, uma das grandes confederações catanitas. Descendiam, segundo a genealogia tradicional, de Alharite ibne Cabe ibne Anre ibne Ula ibne Jalde ibne Maleque (Madije). Seu principal território situava-se em Najrã e nas áreas circundantes, embora grupos da tribo também estivessem estabelecidos no Hadramaute e em outras regiões.
Durante a Jailia, os alharititas constituíram uma importante potência tribal de Najrã e participaram de numerosos conflitos com povos vizinhos, frequentemente aliados aos hamedanitas. A tribo era religiosamente diversificada: parte de seus membros praticava o politeísmo árabe e venerava divindades como Iagute e Dulcalaça, enquanto outro grupo havia adotado o cristianismo. Entre os últimos destacavam-se os Banu Abede Almadane ibne Adaiane, associados à grande igreja conhecida como Deir Najrã ou "Caaba de Najrã".
No início do período islâmico, cristãos alharititas enviaram uma delegação a Maomé e, após uma controvérsia religiosa que a tradição islâmica associa ao episódio da mubaala, celebraram um acordo que lhes permitiu conservar sua religião mediante o pagamento da jizia. Posteriormente, em 10 A.H. (631–632), Maomé enviou Calide ibne Alualide a Najrã para convidar os demais alharititas ao islã, missão que resultou na conversão de grande parte da tribo. Uma delegação foi então recebida em Medina, e Caice ibne Alhoceine foi nomeado emir dos alharititas. Após a morte de Maomé, parte da tribo aderiu ao movimento de Alaçuade Alanci, enquanto os alharititas muçulmanos que permaneceram fiéis ao islã e a comunidade cristã de Najrã reconheceram a autoridade de Abu Becre.
Os alharititas, também conhecidos como Belharite (Balḥārith), constituíam um ramo dos madijitas, grande confederação tribal catanita da Arábia meridional. Seu ancestral epônimo era Alharite ibne Cabe, cuja genealogia tradicional é apresentada como Alharite ibne Cabe ibne Anre ibne Ula (Ila) ibne Jalde ibne Maleque (Madije), remontando por este último a Catane. A tribo estava estabelecida principalmente na região de Najrã, onde tinha como vizinhos os aufitas, azeditas, hamedanitas, bajilaítas e catamitas. Os alharititas já ocupavam Najrã quando os azeditas, com os quais mantiveram numerosas disputas, abandonaram o Iêmem sob a liderança de Anre ibne Amir Muzaiquia, segundo a tradição após a ruptura da barragem de Maribe. Seu território compreendia numerosas localidades, vales, fontes e montanhas de Najrã e das regiões circundantes. Entre os assentamentos e distritos associados à tribo, as fontes mencionam Alarxe, Alade, Batne Aldaabe, Dul Marrute, Alfurute, situado entre Najrã e o Jaufe, Hadura, Iana, Alcaçaca, entre o Hejaz e a Tiama, Curra, Safebal, Samar, Sufã ou Saufã, Minã ou Mainã e Xate Ziade, este último pertencente ao ramo dos Banu Ziade ibne Alharite. Entre seus vales figuravam Alaual Alala, Alaual Alasfal, Anudarate e Tajer, enquanto suas fontes e poços incluíam Aina Dibe, Albatra, Aljafre, Alharar, Hima, Alcaucabe, Catma, Culaica, Almalafta, Maua, Axalila, Xisa e Iadama. A montanha de Tuctume também integrava seus domínios. Grupos alharititas encontravam-se ainda fora do núcleo de Najrã. Alguns viviam em Raidate Açaiar, no Hadramaute, na cidade de Radá, habitada também por ancitas e caulanitas, e nas aldeias de Assama e Hadacane, pertencentes aos baquilaítas. Outro grupo estava estabelecido em Alfalaja, nas proximidades de Damasco.
Durante a Jailia, os alharititas participaram de numerosos conflitos contra as tribos vizinhas e, segundo a tradição preservada pela TDV, saíram vitoriosos de grande parte deles. Embora a maioria permanecesse politeísta, a tribo não era religiosamente homogênea. Parte dos alharititas venerava o ídolo Iagute, enquanto outros cultuavam Dulcalaça; uma parcela da tribo havia adotado o cristianismo. O ramo cristão dos Banu Abede Almadane ibne Adaiane, uma das famílias mais proeminentes da tribo, construiu em Najrã uma grande igreja conhecida como Deir Najrã ou "Caaba de Najrã". Segundo uma tradição reproduzida por diversos autores, o edifício seria na realidade uma grande tenda confeccionada com trezentas peças de couro. A posse do ídolo Iagute esteve na origem de um conflito entre os alharititas e os muraditas, que também reivindicavam a divindade. As duas tribos enfrentaram-se em Alrasme, ao sul de Najrã, em território muradita, segundo a tradição no mesmo dia da Batalha de Badre, em 2 A.H. (624). Aliados aos hamedanitas, os alharititas infligiram uma pesada derrota aos muraditas e conservaram Iagute em seu poder. Esse episódio é igualmente preservado na tradição hamedanita, na qual a vitória de Alrasme figura entre os confrontos travados pelos hamedanitas contra seus vizinhos muraditas.
Em outra ocasião, na chamada Segunda Batalha de Culabe, travada em Dana, os alharititas, comandados por Anumane ibne Jassas, enfrentaram os ramos ribabitas e Sade ibne Zaíde Manate dos tamimitas, liderados por Caice ibne Ácime. Ao lado dos alharititas combateram os hamedanitas, quindaítas, cudaaítas e outros grupos, formando, segundo a tradição, um exército de cerca de oito mil homens dividido em quatro contingentes. Seus quatro comandantes chamavam-se Iázide e estavam subordinados ao comandante supremo Abede Iagute ibne Salate. Apesar da dimensão da coalizão, os alharititas e seus aliados foram derrotados; os chefes dos contingentes morreram e Abede Iagute ficou ferido. A tribo sofreu ainda uma derrota contra os dauzitas em Hijra, na Tiama, e participou de outro confronto em Batne Aldaabe. As relações dos alharititas com outras tribos variaram ao longo do período. Mantiveram inicialmente relações pacíficas com os amiritas, juntamente com seus aliados naditas e jarmitas, mas essa paz foi rompida pelas expedições de saque conduzidas por Amir ibne Atufail. Em outro conflito preservado pela tradição tribal, os Banu Ziade ibne Alharite, ramo dos alharititas, combateram os zubaiditas, aliados aos jarmitas, na batalha conhecida como Dia de Alarnabe.
Depois do estabelecimento do islã em Medina, os cristãos alharititas de Najrã enviaram uma delegação a Maomé. As fontes divergem quanto à data, situando a missão nos anos 8, 9 ou 10 A.H.; a delegação incluía dignitários eclesiásticos, entre eles um bispo chamado Abu Alharita. Maomé convidou os delegados a aceitar o islã, mas estes recusaram, afirmando professar o cristianismo e sustentando a divindade de Jesus. Segundo a tradição islâmica, a controvérsia esteve relacionada à revelação dos primeiros versículos da sura Al Imran, particularmente os versículos 59–61, nos quais Jesus é comparado a Adão. Maomé propôs então que a controvérsia fosse resolvida por uma mubaala, cerimônia de imprecação recíproca, apresentando-se acompanhado de Ali, Fátima, Alhaçane e Huceine. Os cristãos de Najrã recusaram-se a participar da mubaala e chegaram a um acordo com Maomé, pelo qual reconheceram a autoridade do Estado muçulmano e conservaram sua religião mediante o pagamento da jizia. A pedido dos próprios delegados, que solicitaram o envio de uma pessoa de confiança para tratar da arrecadação, Maomé enviou Abu Ubaida ibne Aljarrá com eles a Najrã. A comunidade cristã retornou assim à região com a garantia de que poderia continuar professando sua religião.
A conversão mais ampla dos alharititas ocorreu posteriormente. Em 10 A.H. (631–632), Maomé enviou Calide ibne Alualide a Najrã à frente de uma força que as tradições estimam em quatrocentos ou 480 homens, com a missão de convidar a tribo ao islã. O convite foi aceito pelos alharititas pagãos e por parte dos cristãos. Calide comunicou o resultado a Maomé por meio de uma carta levada por Bilal ibne Alharite Almuzani, e recebeu como resposta a instrução de felicitar os convertidos e retornar a Medina acompanhado de uma delegação escolhida entre eles. Antes de partir, permaneceu algum tempo em Najrã ensinando o Alcorão e preceitos da nova religião. Calide retornou então a Medina acompanhado de uma delegação alharitita, que incluía dois membros da família cristã dos Banu Abede Almadane. Segundo a tradição, hospedou os delegados em sua própria casa durante dez dias. Maomé recebeu-os e presenteou cada um com dez uquias de prata, equivalentes, segundo a Encyclopaedia of Islam, a quatrocentos dirrãs. Caice ibne Alhoceine, que recebeu doze uquias e meia, foi nomeado emir dos alharititas. A delegação regressou a Najrã entre Xaual e Dulcada de 10 A.H. (janeiro–fevereiro de 632), acompanhada de Anre ibne Hasme Alançari, enviado para ensinar o islã e o Alcorão e arrecadar o zacate. Maomé entregou-lhe uma carta contendo determinações jurídicas e enviou ainda nove cartas destinadas a diferentes indivíduos e famílias da tribo. Pouco depois, durante o movimento conduzido pelo pretendente profético Alaçuade Alanci, seus emissários conseguiram atrair parte dos alharititas, e Anre ibne Hasme foi expulso de Najrã; Alaçuade entrou então triunfalmente na cidade. Apesar disso, os membros da tribo que haviam permanecido muçulmanos conservaram sua fidelidade ao islã durante o califado de Abu Becre (r. 632–634), enquanto os cristãos de Najrã renovaram com ele o acordo anteriormente celebrado com Maomé. Durante o califado de Omar (r. 634–644), os cristãos de Najrã foram posteriormente transferidos para a região de Cufa, em 20 A.H. (641).