Zubaiditas

Os zubaiditas (em árabe: زبيد; romaniz.: Zubayd), também chamados Banu Zubaide (em árabe: بنو زبيد; romaniz.: Banū Zubayd), são uma tribo árabe pertencente aos madijitas, grande confederação catanita da Arábia meridional. Segundo a tradição genealógica árabe, descendem de Zubaide, também chamado Munabi Alaquebar, ibne Sabe ibne Sade Alaxira ibne Maleque (Madije), e sua linhagem teria prosseguido através de Rabia, conhecido como Zubaide Alasgar. Historicamente, compreendiam tanto grupos sedentários quanto beduínos e ocupavam diferentes regiões do Iêmem e áreas adjacentes. Durante a Jailia, mantiveram relações comerciais e religiosas com Meca, adoravam Dulcalaça e participaram de conflitos e alianças com diversas tribos da Arábia.

Embora alguns zubaiditas tenham abraçado o Islã ainda no período mecano, a conversão da tribo ocorreu principalmente no período medinense. Em 10 A.H. (631), seu chefe Anre ibne Madicaribe dirigiu-se a Medina e aceitou o Islã, passando posteriormente à autoridade de Farua ibne Muçaique, a quem Maomé confiara a administração dos muraditas, zubaiditas e outros grupos madijitas. Parte da tribo, contudo, apoiou posteriormente a revolta de Alaçuade Alanci, num alinhamento influenciado por rivalidades políticas e tribais, enquanto outros zubaiditas permaneceram afastados do movimento. Após a derrota dos rebeldes e o perdão concedido a Anre pelo califa Abu Becre, os zubaiditas retornaram à obediência ao Estado muçulmano e participaram das primeiras conquistas muçulmanas.

Contingentes zubaiditas combateram na Batalha de Cadésia e, com a expansão do califado, estabeleceram-se no Iraque, na Síria, no Egito, na Palestina e no Alandalus, enquanto outros permaneceram na Arábia meridional. Membros da tribo continuaram a desempenhar papéis políticos e militares nos séculos seguintes, sendo registrados no Levante medieval e no Iraque durante os períodos otomano e safávida. Ramos dos zubaiditas permanecem atualmente no Iêmem, em outras partes da Península Arábica, nos países do Golfo Pérsico, no Iraque e na Síria.

História

Os zubaiditas constituem um ramo dos madijitas, grande confederação tribal catanita da Arábia meridional. Segundo a tradição genealógica árabe, seu ancestral epônimo era Zubaide, também chamado Munabi Alaquebar, cuja genealogia é apresentada como Zubaide ibne Sabe ibne Sade Alaxira ibne Maleque (Madije) ibne Udade ibne Zaíde ibne Iasjube ibne Aribe ibne Zaíde ibne Calane ibne Saba (Abede Xemece) ibne Iasjube ibne Iarube ibne Catane. Zubaide ibne Sabe teria tido dois filhos, Rabia e Alharite, mas a descendência tribal teria prosseguido através de Rabia — também chamado Zubaide Alasgar — e de seus dois filhos, Mazim e Alharite. Os zubaiditas compreendiam tanto grupos sedentários quanto beduínos. Seus territórios incluíam diferentes localidades do Iêmem e regiões adjacentes, entre elas Fergã, Saza, Raima, Taslis e Tarje. Iacute Alhamaui menciona ainda Feã, Usme, Ançabe, Máçua e Haiua como fortalezas pertencentes à tribo. Segundo as tradições árabes, depois da ruptura da barragem de Maribe e da chamada Enchente de Arrime, os zubaiditas dispersaram-se por diferentes partes da Península Arábica, entrando frequentemente em conflito com outras tribos. Durante a Jailia, estabeleceram uma aliança com os jarmitas e combateram os Banu Ziade ibne Alharite, ramo dos alharititas, numa célebre batalha conhecida como Dia de Alarnabe, posteriormente celebrada na poesia tribal. Ao lado dos demais madijitas, também combateram os amiritas na Batalha de Faife Arri, outro confronto preservado pela poesia árabe antiga. Em outro conflito pré-islâmico, foram alvo de uma expedição conduzida ao Iêmem e ao sudoeste da Arábia pelos soleimitas sob a liderança de Alabás ibne Mirdas, que atacou grupos zubaiditas e cudaaítas. Antes do Islã, os zubaiditas adoravam Dulcalaça, um dos mais conhecidos ídolos da Arábia, e figuravam entre as tribos incluídas nos humes, grupo que mantinha práticas religiosas especialmente vinculadas ao santuário de Meca. A tribo mantinha, por isso, relações comerciais e religiosas com a cidade. Um episódio envolvendo um mercador zubaidita desempenhou papel importante na formação dos alfudulitas, associação constituída em Meca para reagir a injustiças sofridas por pessoas sem proteção tribal suficiente.

Alguns zubaiditas abraçaram o Islã ainda durante o período mecano. Entre eles estava Mamia ibne Jaze, aliado dos samitas dos coraixitas, que participou da primeira migração à Abissínia. A conversão da tribo como grupo, entretanto, ocorreu apenas durante o período medinense, e as fontes preservam versões diferentes das circunstâncias em que isso aconteceu. Segundo uma dessas tradições, o chefe zubaidita e poeta mucadrame Anre ibne Madicaribe propôs a Caice ibne Maquexu, notável bajilaíta associado aos muraditas, que investigasse as notícias acerca da missão profética de Maomé e, caso as considerasse verdadeiras, promovesse a conversão coletiva. Diante da recusa de Caice, Anre dirigiu-se pessoalmente a Medina em 10 A.H. (631), acompanhado por dez membros de sua tribo. Hospedados na casa de Sade ibne Ubada, encontraram-se com Maomé, aceitaram o Islã e, depois de permanecerem alguns dias na cidade, regressaram com presentes. Anre continuou como chefe dos zubaiditas e posteriormente submeteu-se à autoridade de Farua ibne Muçaique, que já havia aceitado o Islã e fora nomeado por Maomé governador da região habitada pelos muraditas, zubaiditas e outros grupos madijitas. Outra tradição relaciona a conversão dos zubaiditas diretamente à missão de Farua. Quando este regressou de Medina em 631, Maomé enviou com ele Calide ibne Saíde, encarregado da arrecadação do zacate no Iêmem. Durante a viagem, Calide encontrou um grupo de homens de Anre ibne Madicaribe e entrou em confronto com eles, capturando a esposa de Anre e alguns zubaiditas. Anre teria então pedido a libertação dos prisioneiros e declarado que seu grupo aceitaria o Islã; Calide concordou e eles se converteram.

Nos últimos meses da vida de Maomé, parte dos zubaiditas, incluindo seu chefe Anre ibne Madicaribe, aderiu ao movimento de Alaçuade Alanci, que se proclamara profeta no Iêmem, e participou dos movimentos posteriormente classificados pelas fontes islâmicas entre as apostasias. A adesão, contudo, não foi geral. Grupos ligados aos notáveis Anre ibne Fuail e Anre ibne Alhajaje opuseram-se a Anre ibne Madicaribe e permaneceram fora da revolta. Rivalidades tribais parecem ter desempenhado papel importante no alinhamento dos rebeldes: parte dos zubaiditas ressentia-se de Farua ibne Muçaique por este ter recebido a administração da região e, por isso, apoiou Alaçuade. Depois da morte de Alaçuade, Anre ibne Madicaribe foi capturado e enviado a Medina, onde acabou perdoado pelo califa Abu Becre (r. 632–634). Ele e seus seguidores arrependeram-se e voltaram à obediência ao Estado muçulmano, passando posteriormente a participar das primeiras conquistas muçulmanas. Algumas fontes xiitas preservam uma tradição diferente, segundo a qual Maomé teria enviado, após a Expedição de Tabuque, uma força comandada por Ali contra Anre ibne Madicaribe em razão de sua apostasia. Com as conquistas islâmicas, parte dos zubaiditas permaneceu em sua terra de origem na Arábia meridional, enquanto outros grupos se estabeleceram no Iraque, na Síria, no Egito, na Palestina e no Alandalus. Esses contingentes desempenharam funções políticas e militares nas novas regiões do califado. Zubaiditas participaram da Batalha de Cadésia contra o Império Sassânida, enquanto, durante a Batalha de Sifim, os madijitas do exército de Moáuia ibne Abi Sufiane eram comandados por Muarique ibne Alharite Azubaidi.

A presença política dos zubaiditas continuou nos séculos seguintes. No século XII, figuraram entre os apoiadores de Fadle ibne Rabia, descendente de Mufarrije ibne Daguefal Atai, no contexto das tentativas de estabelecimento de uma dinastia nas regiões de Axarate e Balca. Séculos mais tarde, após a assinatura do Tratado de Gasre Xirine, entre o Império Otomano e o Império Safávida em 17 de maio de 1639, grupos zubaiditas figuraram entre as tribos envolvidas nas perturbações ocorridas em Baguedade e seus arredores e contribuíram para a tomada de Baçorá pelos iranianos. Em outro episódio do período otomano, o governador de Baguedade Ali Paxá recorreu aos anazaítas para reprimir grupos da tribo dos xamaritas. Depois de sufocada a revolta, numerosos anazaítas recusaram-se a regressar às suas terras, estabeleceram-se nas pastagens próximas de Baguedade e chegaram a cercar a cidade. O governador conseguiu expulsá-los com o auxílio dos zubaiditas, demonstrando a importância militar que estes ainda conservavam na região. Diversos personagens dos primeiros séculos islâmicos são associados aos zubaiditas. Entre os companheiros de Maomé mencionam-se Mamia ibne Jaze, Abedalá ibne Alharite Azubaidi e Safia binte Mamia. Entre outras figuras ligadas à tribo estão Ziade ibne Jaze, participante da conquista muçulmana do Egito; Anre ibne Hajaje, um dos notáveis de Cufa; os estudiosos de hádice Maomé ibne Alualide ibne Amir e Iázide ibne Anre; o linguista e literato Abu Becre Azubaidi; e outros juristas e gramáticos que portaram a nisba Azubaidi. A grafia dessa nisba é idêntica à empregada para pessoas originárias da cidade iemenita de Zabide, circunstância que ocasionou confusões entre indivíduos pertencentes à tribo e aqueles cuja nisba era meramente geográfica. Os zubaiditas continuaram a existir como grupo tribal nos períodos posteriores. Ramos associados aos madijitas permaneceram no Iêmem e em outras partes da Península Arábica, nos países do Golfo Pérsico, no Iraque e na Síria. Para o século XVIII, Abás Alazaui registra diferentes ramos e chefes zubaiditas atuantes no Iraque.

Referências

  1. 1 2 3 Küçükaşcı 2013, p. 516.
  2. ↑ Lecker 1997, p. 817.
  3. 1 2 3 Küçükaşcı 2013, p. 517.
  4. ↑ Özaydın 1991, p. 196.

Bibliografia