Abu Alfadle Amade ibne Maomé ibne Amade ibne Ibraim Almaidani Anaiçaburi (em árabe: أبو الفضل أحمد بن محمد بن أحمد بن إبراهيم الميداني النيسابوري; romaniz.: Abū al-Faḍl Aḥmad ibn Muḥammad ibn Aḥmad ibn Ibrāhīm al-Maydānī al-Naysābūrī; Nixapur, século XI – Nixapur, 5 de novembro de 1124) foi um filólogo, lexicógrafo, gramático e adib persa que escreveu em árabe. Desenvolveu sua atividade intelectual em Nixapur, onde estudou com destacados eruditos de seu tempo e posteriormente se dedicou ao ensino. Especializou-se na reunião, organização e explicação do patrimônio linguístico e literário árabe transmitido por autores anteriores e deixou obras nos campos da paremiologia, lexicografia, gramática e comentário poético. Morreu em 25 do Ramadã de 518 A.H. (5 de novembro de 1124) e foi sepultado no cemitério de Maidane Ziade, bairro de Nixapur do qual derivou sua nisba Almaidani.
Sua obra mais célebre é o Majmaʿ al-amthāl, coletânea de mais de seis mil provérbios árabes acompanhados de explicações sobre sua origem, significado e emprego, além de material relacionado aos Dias Árabes, hádices e máximas atribuídas a figuras dos primeiros séculos do Islã. A obra tornou-se uma das mais abrangentes e difundidas coletâneas clássicas de provérbios árabes, conhecendo numerosos manuscritos, edições, resumos, adaptações e traduções; no século XIX, Georg Wilhelm Freytag publicou sua tradução integral para o latim. Almaidani também produziu comentários de poesia antiga, entre eles um Sharḥ al-Mufaḍḍaliyyāt, dedicado à antologia de Almufadal Adabi.
Outra contribuição importante de Almaidani foi o al-Sāmī fī al-asāmī, dicionário árabo-persa concluído em 497 A.H. (1104) e organizado tematicamente em categorias relativas à terminologia religiosa e jurídica, aos seres animados e aos elementos celestes e terrestres. Escreveu ainda obras lexicográficas como o Qayd al-awābid min al-fawāʾid e o Kitāb al-Maṣādir, bem como diversas obras gramaticais, entre elas o al-Hādī li’l-shādī, o Nuzhat al-ṭarf fī ʿilm al-ṣarf, o al-Unmūdhaj fī al-naḥw e o al-Naḥw al-Maydanī. Sua produção, que abrange ainda comentários de cássidas e compilações epistolares, reflete sua atuação sobretudo como organizador e transmissor da tradição filológica e literária árabe.
Almaidani nasceu em Nixapur, no bairro de Maidane Ziade, do qual derivou sua nisba Almaidani. Passou praticamente toda a vida em sua cidade natal, onde realizou sua formação e posteriormente se dedicou ao ensino. Entre seus mestres estavam Abu Alhaçane Aluaidi (m. 1076), com quem estudou, entre outras matérias, exegese, hádice, jurisprudência, lexicografia e gramática; Iacube ibne Amade Anaiçaburi (m. 1078); e Ali ibne Fadal Almujaxii, erudito que havia viajado extensamente e chegou de Gásni a Nixapur em 470 A.H. (1077–1078). Almaidani tornou-se estudioso da língua e literatura árabes e destacou-se particularmente pela reunião, organização e explicação do patrimônio literário e lexicográfico transmitido pelas gerações anteriores. Sellheim o caracteriza menos como um estudioso voltado à formulação de interpretações originais do que como um adib erudito, capaz de condensar o conhecimento tradicional e apresentá-lo de maneira prática e organizada, contrastando-o nesse aspecto com seu célebre contemporâneo Azamaquexari. Depois de concluir sua formação, dedicou-se ao ensino em Nixapur. Entre seus discípulos estiveram seu filho Abu Sade Saíde, Abu Jafar Albaiaqui, Abedalcarim ibne Maomé Açamani e Abu Iacube Iúçufe ibne Tair Alcuai. As fontes registram uma rivalidade entre Almaidani e Azamaquexari, relacionada ao êxito alcançado pelo Majmaʿ al-amthāl, sua grande coletânea de provérbios árabes. Segundo a tradição transmitida pelas fontes biográficas, o sucesso da obra teria despertado a inveja de Azamaquexari e dado origem a incidentes entre os dois estudiosos. O Majmaʿ al-amthāl foi elaborado depois de uma reunião literária (majlis) de Muntajabe Almulque Abu Ali Maomé ibne Arslã, secretário e uma das figuras influentes da corte do sultão seljúcida Amade Sanjar em Merve, e aproximadamente na mesma época em que Azamaquexari preparava sua própria coletânea de provérbios. Almaidani também compôs poesia. Morreu em Nixapur na quarta-feira, 25 do Ramadã de 518 A.H. (5 de novembro de 1124), e foi sepultado no cemitério de Maidane Ziade, o mesmo bairro em que havia nascido e no qual passara grande parte de sua vida.
A obra mais célebre de Almaidani é o Majmaʿ al-amthāl, extensa coletânea de provérbios árabes preparada depois de uma reunião literária de Muntajabe Almulque, uma das figuras influentes da corte do sultão Amade Sanjar. A compilação ocorreu aproximadamente na mesma época em que Azamaquexari elaborou sua própria coletânea de provérbios. O Majmaʿ al-amthāl reúne mais de seis mil provérbios, organizados segundo as letras iniciais, aos quais Almaidani acrescentou explicações sobre sua origem, significado e circunstâncias de emprego. A obra incorpora ainda material relacionado aos Dias Árabes, hádices e máximas atribuídas aos primeiros califas e a outras personalidades. Tornou-se uma das mais abrangentes e difundidas coletâneas clássicas de provérbios árabes, como demonstra a grande quantidade de manuscritos e edições que dela sobreviveram. A ampla circulação do Majmaʿ al-amthāl deu origem a numerosos resumos, adaptações e traduções. Em 532 A.H. (1137–1138), o discípulo de Almaidani Iúçufe ibne Tair Alcuai preparou uma versão abreviada intitulada Farāʾid al-kharāʾid fī al-amthāl wa’l-ḥikam. Em 1037 A.H. (1627–1628), um autor anônimo produziu a partir dela uma seleção acompanhada de comentários em turco, intitulada ʿUqūd al-ʿuqūl. Outros resumos incluem o Muntakhab Majmaʿ al-amthāl, de Maula Aque Xameçadim, e o al-Durr al-muntakhab min amthāl al-ʿArab, de Alcácime ibne Maomé ibne Ali Alhalabi Albacraji (m. 1756). A obra também foi versificada: um autor otomano anônimo compôs em 1079 A.H. (1668–1669) o Naẓm al-amthāl, enquanto o libanês Ibraim Aladabe (m. 1891) produziu o Farāʾid al-laʾāl fī Majmaʿ al-amthāl. Uma tradução turca preparada por Açaíde Alhafiz Maomé Xaquir ibne Alhaje Ibraim Hilmi Alaintabi em 1294 A.H. (1877) sobrevive em manuscrito autógrafo.
O Majmaʿ al-amthāl foi ainda a única das grandes coletâneas clássicas de provérbios árabes a ser integralmente traduzida para uma língua europeia à época considerada por Sellheim, tendo Georg Wilhelm Freytag publicado uma tradução latina em Bona entre 1838 e 1843. A antiguidade e a difusão de sua tradição manuscrita são atestadas por códices produzidos já no século XII, incluindo exemplares datados de 533 A.H. (1138–1139), 586 A.H. (1190) e 587 A.H. (1191), além de numerosos manuscritos posteriores preservados em coleções europeias e do Oriente Médio. Um dos discípulos de Almaidani, Abu Jafar Albaiaqui, compôs por sua vez uma coletânea própria de provérbios, cujas explicações e comentários eram independentes dos empregados por seu mestre. Outra obra importante é o al-Sāmī fī al-asāmī, dicionário árabo-persa de termos e palavras correntes concluído em 497 A.H. (1104). O léxico foi organizado tematicamente em quatro grandes categorias: sharʿiyyāt, que reúne terminologia técnica relacionada à jurisprudência islâmica; ḥayawānāt, referente aos seres animados; ʿulwiyyāt, dedicada às coisas celestes; e sufliyyāt, relativa às coisas terrestres. Essas categorias subdividem-se em numerosos capítulos e seções organizados predominantemente segundo os assuntos tratados, e não alfabeticamente. A obra alcançou ampla circulação manuscrita e foi posteriormente impressa diversas vezes no Irã e na Índia.
O próprio Almaidani escreveu um comentário ao al-Sāmī fī al-asāmī, intitulado al-Ibāna fī sharḥ al-Sāmī fī al-asāmī. Outro comentário, Sharḥ al-kalimāt al-mushkila fī Kitāb al-Sāmī, foi composto por Açade ibne Maçude ibne Calafe Alijli (m. 1203). O filho de Almaidani, Abu Sade Saíde, preparou ainda uma condensação do dicionário, organizada segundo o método do al-Ṣiḥāḥ, de Aljauari, sob o título al-Asmāʾ fī al-asmāʾ. No campo lexicográfico, Almaidani escreveu também o Qayd al-awābid min al-fawāʾid, obra crítica ao al-Ṣiḥāḥ de Aljauari, baseada sobretudo no Tahdhīb al-lugha de Alazari. É-lhe atribuído ainda o Kitāb al-Maṣādir, tratado sobre nomes de ação que pode ter servido de base ao Kitāb Tāj al-maṣādir, composto por seu discípulo Abu Jafar Albaiaqui. Em contrapartida, o Kitāb Gharīb, ou Gharāʾib al-lugha, por vezes atribuído a Almaidani, provavelmente é uma obra homônima de seu filho Saíde. Almaidani produziu igualmente diversas obras de gramática. O al-Hādī li’l-shādī, escrito depois do al-Sāmī fī al-asāmī, é uma gramática acompanhada de notas em persa e dividida em três partes, dedicadas respectivamente aos nomes, verbos e partículas. O Nuzhat al-ṭarf fī ʿilm al-ṣarf trata das formas gramaticais e conheceu diversas edições modernas. São também atribuídos a Almaidani o al-Unmūdhaj fī al-naḥw e o al-Naḥw al-Maydanī, além de tratados menores sobre morfologia, plurais, partículas e instrumentos gramaticais. Sua produção literária inclui ainda comentários de poesia antiga, entre eles o Sharḥ al-Mufaḍḍaliyyāt, dedicado às Mufaḍḍaliyyāt de Almufadal Adabi, o Sharḥ Qaṣīdat al-Nābigha, comentário a uma cássida de Anabiga Adubiani, e o Sharḥ Kāfiyyat Ruʾba. Compilou também o Munyat al-rāḍī bi-rasāʾil al-qāḍī, coletânea de epístolas do cádi de Herate Mançor ibne Maomé Alazedi Alharaui (m. 1048), e é mencionado como autor do Maʾwā al-gharīb wa-marʿā al-adīb.