| Pés métricos e acentos | |
|---|---|
| Dissílabos | |
| ◡ ◡ | pirríquio, díbraco |
| ◡ – | Iambo |
| – ◡ | Troqueu, coreu |
| – – | Espondeu |
| Trissílabos | |
| ◡ ◡ ◡ | Tríbraco |
| – ◡ ◡ | dátilo |
| ◡ – ◡ | Anfíbraco |
| ◡ ◡ – | Anapesto, antidátilo |
| ◡ – – | Báquio |
| – ◡ – | Crético, anfímacro |
| – – ◡ | Antibáquio |
| – – – | molosso |
| Pés de quatro sílabas | |
Anapesto é um pé métrico que, na versificação greco-latina, reúne duas sílabas breves seguidas de uma longa e, na versificação baseada na tonicidade, duas sílabas átonas seguidas de uma tônica. Os versos compostos de anapestos são chamados de anapésticos.
Na poesia em português, esse ritmo é usado em hinos, na cantoria e em versos de Gonçalves Dias.
A palavra portuguesa veio do latim anapaestu-, que remonta ao grego anápaistos. O pé também recebe o nome de antidátilo, pois inverte a sequência do dátilo, uma sílaba longa seguida de duas breves na métrica antiga. Na métrica acentual, o esquema ˘ ˘ ´ corresponde a duas sílabas fracas seguidas de uma forte. O ritmo é ascendente, pois o acento recai no fim do pé.
Na métrica quantitativa do grego e do latim, a distinção se refere à duração das sílabas. Breve e longa, nesse sistema, não são sinônimos de átona e tônica, embora os nomes dos pés sejam usados nos dois tipos de versificação. A notação quantitativa do anapesto é ◡ ◡ –, com o traço para a sílaba longa e as duas curvas para as breves.
Na nomenclatura usada para os versos ingleses, o nome de um verso medido em pés combina o tipo de pé com a quantidade de vezes que ele se repete.
Um trímetro anapéstico tem três anapestos.
Um tetrâmetro anapéstico tem quatro anapestos.
O pentâmetro anapéstico reúne cinco anapestos em cada verso. No esquema regular, são cinco grupos de três sílabas, num total de quinze:
A divisão em pés indica o padrão rítmico de base. Um poema pode empregar substituições, com um tipo de pé no lugar de outro, sem repetir mecanicamente o mesmo desenho em todos os versos. Em versos ingleses, por exemplo, um iambo pode ocupar o início de uma linha anapéstica. Nesse caso, a primeira unidade tem apenas uma sílaba fraca antes da forte.
Na versificação greco-latina, os anapestos podem ser contados em pares. Cada par constitui um metro, também chamado dipodia ou sizígia. O monômetro anapéstico tem, assim, dois pés, e o dímetro tem quatro. Essa contagem difere daquela usada para os versos ingleses.
Os metros anapésticos antigos admitem substituições por outros pés, entre eles o espondeu, formado por duas sílabas longas, e o proceleusmático, formado por quatro breves. A contração das duas breves do anapesto em uma longa produz o espondeu. A divisão da longa em duas breves produz o proceleusmático.
Em "Perguntas", de Carlos Drummond de Andrade, o verso "Do primeiro retrato" tem acentos na terceira e na sexta sílabas. No Hino à Bandeira Nacional, de Olavo Bilac, a cadência se estende por nove sílabas, com acentos na terceira, na sexta e na nona.
Em "O meu tempo", de Arnaldo Antunes, os anapestos sustentam versos de nove sílabas, entremeados por versos mais curtos. O poema mantém essa alternância sem repetir a mesma medida em todas as linhas.
| Autor e obra | Verso | Posições dos acentos |
|---|---|---|
| Carlos Drummond de Andrade, "Perguntas" | Do primeiro retrato | 3 e 6 |
| Olavo Bilac, Hino à Bandeira Nacional | Contemplando o teu vulto sagrado | 3, 6 e 9 |
| Arnaldo Antunes, "O meu tempo" | O seu tempo é o tempo que voa | 3, 6 e 9 |
O Hino de Pernambuco também emprega eneassílabos anapésticos. O Hino do Pará também emprega essa cadência.
No primeiro canto de I-Juca-Pirama, de Gonçalves Dias, os versos têm onze sílabas poéticas, com acentos nas posições 2, 5, 8 e 11. A repetição de acentos a cada três sílabas dá aos versos uma cadência de galope.
Em "A lira de Nero", de Gomes Leal, o verso "Nos seus jardins pagãos, entre archotes humanos" combina uma metade iâmbica com outra formada por dois anapestos. Nos demais versos do soneto, os anapestos também se combinam com outros pés, entre eles o anfíbraco.
No martelo agalopado, dois anapestos se combinam com um peônio, formado por três sílabas átonas e uma tônica. No galope à beira-mar, um iambo é seguido de três anapestos, com acentos nas posições 2, 5, 8 e 11.
Em "Verses Supposed to be Written by Alexander Selkirk", de William Cowper, o verso "I must finish my journey alone" reúne três anapestos. "A Visit from St. Nicholas", de Clement Clarke Moore, emprega quatro pés por verso, assim como "The Destruction of Sennacherib", de Lord Byron, cuja cadência acompanha a marcha da narrativa.