| Pés métricos e acentos | |
|---|---|
| Dissílabos | |
| ◡ ◡ | pirríquio, díbraco |
| ◡ – | Iambo |
| – ◡ | Troqueu, coreu |
| – – | Espondeu |
| Trissílabos | |
| ◡ ◡ ◡ | Tríbraco |
| – ◡ ◡ | dátilo |
| ◡ – ◡ | Anfíbraco |
| ◡ ◡ – | Anapesto, antidátilo |
| ◡ – – | Báquio |
| – ◡ – | Crético, anfímacro |
| – – ◡ | Antibáquio |
| – – – | molosso |
| Pés de quatro sílabas | |
Iambo ou jambo é um pé métrico formado, na versificação grega e latina, por uma sílaba breve seguida de uma longa. Na versificação acentual, corresponde a uma sílaba fraca seguida de uma forte, numa sequência de ritmo ascendente. Os versos compostos nesse padrão são chamados de iâmbicos.
O ritmo pode ser encontrado em versos portugueses de medidas diferentes, como os de Tomás Antônio Gonzaga e Carlos Drummond de Andrade. A repetição de iambos permite acompanhar a distribuição dos acentos, mas não substitui a contagem das sílabas poéticas usada na versificação portuguesa.
A palavra portuguesa veio do latim iambu-, que remonta ao grego iambos. O esquema quantitativo é ◡ –, breve e longa. Na notação acentual, o esquema ˘ ´ indica uma sílaba fraca seguida de uma forte, como em azul. A ordem é inversa à do troqueu, cujo acento forte ocupa a primeira posição.
Na poesia antiga, a quantidade silábica e a tonicidade são propriedades diferentes. Assim, identificar um pé iâmbico latino exige verificar a sequência de breves e longas, sem transferir automaticamente para ela os acentos das palavras.
Na literatura grega, iambo também designou um gênero de poesia de invectiva, cultivado por Arquíloco. Esse uso do nome se refere ao gênero literário e não apenas ao desenho de um pé.
O verso "A sorte deste mundo é mal segura", de Tomás António Gonzaga, tem ritmo iâmbico. A leitura reúne as vogais em mundo é e mantém a alternância entre posições fracas e fortes:
Há cinco iambos até a última sílaba tônica. O ra final é pronunciado, mas não entra na medida de dez sílabas poéticas.
Em "Perguntas", de Carlos Drummond de Andrade, o verso "Ou desse mesmo enigma" tem seis sílabas poéticas, com acentos nas posições 2, 4 e 6.
O iambo também se combina com outros pés. Em "A lira de Nero", de Gomes Leal, a primeira metade de um dos versos é iâmbica e a segunda reúne dois anapestos. Na classificação dos decassílabos portugueses, as posições obrigatórias dos acentos distinguem o heroico, com acentos na sexta e na décima sílabas, do sáfico, com acentos na quarta, na oitava e na décima. Esses esquemas não exigem que todo o verso seja uma sequência invariável de iambos.
Na nomenclatura corrente da métrica inglesa, um pentâmetro iâmbico tem cinco iambos. O primeiro verso do soneto 18 de William Shakespeare, "Shall I compare thee to a summer's day?", é um exemplo desse padrão. O padrão de base pode admitir substituições, como um troqueu no início de uma linha iâmbica.
Na métrica antiga, os pés iâmbicos podem ser contados aos pares. Cada par constitui um metro, também chamado dipodia. Um trímetro iâmbico tem, nessa convenção, seis pés. Os metros iâmbicos antigos admitem variações nas posições previstas por cada forma, entre elas substituições por espondeus e tríbracos.