| Pés métricos e acentos | |
|---|---|
| Dissílabos | |
| ◡ ◡ | pirríquio, díbraco |
| ◡ – | Iambo |
| – ◡ | Troqueu, coreu |
| – – | Espondeu |
| Trissílabos | |
| ◡ ◡ ◡ | Tríbraco |
| – ◡ ◡ | dátilo |
| ◡ – ◡ | Anfíbraco |
| ◡ ◡ – | Anapesto, antidátilo |
| ◡ – – | Báquio |
| – ◡ – | Crético, anfímacro |
| – – ◡ | Antibáquio |
| – – – | molosso |
| Pés de quatro sílabas | |
Troqueu ou coreu é um pé métrico formado, na versificação greco-latina, por uma sílaba longa seguida de uma breve. Na versificação baseada no acento tônico, o nome designa a sequência de uma sílaba forte seguida de uma fraca. O ritmo trocaico se opõe ao do iambo, que tem a ordem inversa.
Na poesia em português, essa alternância pode ser ouvida em versos de Fernando Pessoa e Castro Alves. A divisão em troqueus ajuda a acompanhar a distribuição dos acentos, enquanto a medida do verso português conta as sílabas até a última tônica.
A palavra portuguesa troqueu veio do latim trochaeu-, que remonta ao grego trokhaĩos. O esquema quantitativo é – ◡, com o traço para a sílaba longa e a curva para a breve. Na notação acentual, pode ser escrito ´ ˘, com o acento forte na primeira posição.
Na métrica antiga, longa e breve se referem à duração silábica. A alternância entre sílabas tônicas e átonas pertence a outro sistema de versificação, embora empregue os mesmos nomes para os pés. Uma sílaba longa em latim não é necessariamente a sílaba tônica da palavra.
O troqueu tem duas sílabas e um movimento descendente, pois a sílaba forte vem antes da fraca. O número de pés e o tipo de terminação permitem distinguir versos trocaicos de medidas diferentes. Um verso pode terminar com o último pé incompleto, sem a sílaba fraca esperada. Essa terminação é chamada catalética.
Em "Tenho tanta pena", de Fernando Pessoa, os acentos recaem em te, tan e pe. A sequência reúne três grupos de uma sílaba forte seguida de uma fraca:
As seis sílabas pronunciadas formam três troqueus, mas o verso tem cinco sílabas poéticas na contagem portuguesa. O na final é pronunciado, embora fique depois da última tônica e não entre na medida.
O verso "Gota a gota o orvalho cai", de Castro Alves, tem acentos na primeira, na terceira, na quinta e na sétima sílabas poéticas. A alternância é trocaica, e o último acento encerra o verso:
As vogais em contato entre palavras podem ser reunidas na mesma sílaba poética. Por isso, a divisão rítmica acompanha a pronúncia do verso e não precisa coincidir com a separação das palavras na escrita.
The Song of Hiawatha, de Henry Wadsworth Longfellow, emprega versos de quatro pés trocaicos, sem rima e com a sílaba fraca final conservada. Na abertura de The Raven, de Edgar Allan Poe, o padrão se estende por oito pés.
A cantiga "Twinkle, Twinkle, Little Star" oferece um exemplo mais curto. Seu primeiro verso tem quatro pés trocaicos, com o último incompleto:
Na fonologia, o nome também é usado para um pé com a sílaba mais forte à esquerda. O troqueu silábico é empregado na análise do acento do português e em pesquisas sobre a aprendizagem da escrita. Nessas análises, o pé organiza sílabas da fala, sem exigir que elas façam parte de um poema.