Baracate II

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Baracate II
Emir de Meca
Reinado1497–1502
Antecessor(a)Maomé ibne Baracate
Sucessor(a)Hazá
Emir de Meca
Reinado1502
Predecessor(a)Amade
Sucessor(a)Amade
Emir de Meca
Reinado1502–1503
Predecessor(a)Amade
Sucessor(a)Amade
Emir de Meca
Reinado1504–1525
Predecessor(a)Humaida
Sucessor(a)Abu Numai Maomé II
Cogovernante
Dados pessoais
Nascimentoséculo XV
Meca
Morte1 de setembro de 1525
Meca
Dinastiacatádida
PaiMaomé ibne Baracate
Filho(s)

Baracate II, nascido Baracate ibne Maomé (em árabe: بركات بن محمد; romaniz.: Barakāt ibn Muḥammad; m. 1525), foi xarife e emir de Meca de 1497 a 1525, inicialmente sob a soberania do Sultanato Mameluco do Cairo e, a partir de 1517, do Império Otomano. Membro da família dos catádidas, era filho do emir Maomé ibne Baracate e pai de Abu Numai Maomé II, com quem compartilhou o emirado durante parte de seu reinado. Seu governo coincidiu com a crescente ameaça portuguesa no Mar Vermelho, tendo participado dos esforços de defesa de Gidá. Após a conquista otomana do Egito em 1517, Baracate reconheceu a soberania do sultão Selim I (r. 1512–1520) e enviou Abu Numai ao Cairo com as chaves da Caaba, presentes e relíquias sagradas.

Selim confirmou-o no Emirado de Meca, preservando o governo dos xarifes sobre a cidade. A submissão de Baracate marcou o estabelecimento da soberania otomana sobre Meca e o Hejaz e foi associada à adoção pelos sultões otomanos do título de Guardião das Duas Mesquitas Sagradas. Baracate permaneceu à frente de Meca até sua morte, em 1525, e durante os primeiros anos do domínio otomano continuou a exercer influência sobre os assuntos de Gidá. Por ordem de Selim I, determinou a execução do antigo naibe mameluco Mirocém e, posteriormente, recebeu sob custódia seu sucessor otomano Cácime Axiruani, capturado após abandonar a cidade. Foi sucedido por Abu Numai II, cujos descendentes formaram diferentes ramos que posteriormente disputaram o xarifado de Meca.

Vida

Dinar do sultão Cançu Algauri (r. 1501–1516)

Baracate ibne Maomé pertencia aos catádidas, da linhagem haçânida da dinastia haxemita, descendente do clã dos haxemitas, que exerciam o Emirado de Meca. Era filho do emir Maomé ibne Baracate (r. 1455–1497) e neto de Baracate I (r. 1425–1455), primeiro membro da família a portar esse nome. Em 878 A.H. (1473–1474), ainda durante a vida do pai, foi associado por ele ao governo de Meca. Após a morte de Maomé, em 903 A.H. (1497), Baracate assumiu o emirado, mas sua autoridade passou a ser contestada por vários de seus irmãos. Em 906 A.H. (1500–1501), durante o conflito entre Baracate e seu irmão Hazá, cavaleiros dos saditas aparecem entre os contingentes tribais mobilizados, juntamente com grupos dos huceinitas, aduanitas e outros cavaleiros provenientes do leste. A disputa intensificou-se no ano seguinte, quando Hazá conseguiu tomar Meca em 907 A.H. (1501–1502). Baracate reuniu forças para enfrentá-lo, mas foi derrotado e obrigado a abandonar a cidade. Hazá morreu em 15 de Rajabe daquele ano (24 de janeiro de 1502), e os dignitários de Meca escolheram outro irmão, Amade, para sucedê-lo. A primeira passagem de Amade pelo governo foi breve: Baracate reuniu novas forças e regressou a Meca, enquanto o irmão deixou a cidade. A posição de Baracate foi reforçada pela chegada de decretos e vestes enviados pelo governo mameluco do Cairo, que reconheciam sua autoridade.

A restauração não encerrou a disputa. Amade reuniu novas forças e voltou a enfrentar Baracate. Em 16 de Dulrija de 907 A.H. (23 de maio de 1502), Baracate foi novamente derrotado, e seu filho Ibraim morreu no combate. Baracate regressou doente a Meca, onde pouco depois morreu outro de seus filhos, Ajelane. No início de Safar de 908 A.H. (julho–agosto de 1502), informado de que Amade se aproximava com um grande exército e ainda impossibilitado pela doença de enfrentá-lo, retirou-se em direção ao Iêmem. Permaneceu ali até Rajabe, quando, já recuperado, reuniu novas forças e regressou ao Hejaz. Enfrentou Amade novamente, mas foi derrotado e voltou a retirar-se para o Iêmem. A disputa prosseguiu ao longo de 908 A.H. Enquanto Amade se encontrava fora de Meca, Baracate regressou à cidade com uma pequena força e entrou nela em 11 de Xabã, recebendo o apoio de seus habitantes. Amade retornou e atacou Meca em 13 de Ramadã, mas foi repelido. Em 4 de Xaual, lançou nova ofensiva; desta vez, as forças de Baracate foram vencidas e Amade recuperou a cidade. A situação voltou a mudar com a chegada de uma força mameluca enviada do Egito, diante da qual os partidários de Amade se retiraram.

Baracate entrou novamente em Meca em 13 de Dulcada e dirigiu-se ao encontro do comandante mameluco. Ao chegar à cidade com seus irmãos e partidários, porém, foi preso na escola fundada pelo sultão Caitebai, acorrentado juntamente com alguns de seus irmãos e companheiros e posteriormente levado ao Cairo. Amade foi então restabelecido no emirado. Baracate conseguiu escapar do Egito e regressou ao Hejaz, passando por Iambo. Em 909 A.H. (1503–1504), Amade foi morto por um grupo de soldados turcos enquanto realizava o tauafe junto à Caaba, e outro irmão, Humaida, foi proclamado emir. Baracate reuniu então forças entre grupos tribais do Hejaz, incluindo contingentes dos lamitas e uquebaítas, e avançou contra Meca durante a peregrinação. Diante de sua aproximação, Humaida abandonou a cidade. Em 12 de Dulrija de 909 A.H. (5 de junho de 1504), Baracate entrou em Meca e reassumiu o emirado. A nova restauração não significou imediatamente o exercício exclusivo do governo. Em 910 A.H. (1504–1505), o sultão Cançu Algauri (r. 1501–1516) confirmou a autoridade de Baracate sobre Meca. Seu irmão Caitebai permaneceu formalmente associado ao emirado, inicialmente ao lado de Ali ibne Baracate, filho de Baracate, enquanto este conservava a direção efetiva dos assuntos políticos.

Apesar de sua restauração, Baracate continuou enfrentando a oposição de Humaida e de seus aliados. Em 912 A.H. (1506–1507), juntou-se às forças enviadas pelo governo mameluco contra uma coalizão formada por Humaida, Iáia ibne Subai, Maleque ibne Rumi e os ibraimitas, enfrentando os adversários na região de Adana, perto de Iambo. Após a morte de Ali em 913 A.H. (1507–1508), Baracate colocou em seu lugar outro filho, Maomé, conhecido como Axafii, que passou a atuar ao lado de Caitebai. Caitebai permaneceu associado à administração de Meca até sua morte, em 21 de Rabia I de 918 A.H. (15 de junho de 1512). Baracate decidiu então promover seu filho Abu Numai Maomé à posição anteriormente ocupada pelos parentes associados ao governo e enviou-o ao Cairo. Abu Numai chegou à capital mameluca em 4 de Xaual de 918 A.H. (13 de dezembro de 1512), foi recebido por Cançu Algauri e teve sua posição confirmada pelo sultão. Ao regressar ao Hejaz, passou a compartilhar formalmente o emirado com o pai e a representá-lo nos assuntos de Meca e de outras partes da região.

Durante o período de soberania do Sultanato Mameluco do Cairo, Baracate manteve boas relações com o sultão Cançu Algauri (r. 1501–1516). Seu filho Abu Numai, nascido em 911 A.H. (1506), foi enviado aos oito anos de idade ao Egito, onde Algauri o reconheceu como governante do Hejaz e de Iambo e lhe concedeu um diploma de xarife para que compartilhasse o emirado com o pai. Nesse período, Baracate também esteve envolvido nos esforços para reforçar a defesa da costa do Mar Vermelho diante da expansão portuguesa. Em 916 A.H. (1511), auxiliou Mirocém, emir e naibe de Gidá, na construção das fortificações da cidade, erguidas por determinação de Algauri. Pouco depois, prestou auxílio a Mirocém e Salmane Reis quando a frota mameluca comandada por eles chegou a Gidá e precisou deixar na cidade parte de suas provisões e munições. O equilíbrio político da região foi alterado pela conquista do Egito pelo sultão otomano Selim I (r. 1512–1520) em 1517. Segundo uma tradição registrada pela TDV İslâm Ansiklopedisi, Selim cogitou enviar tropas para ocupar Meca e seus arredores, mas Saladino ibne Açude, antigo cádi de Meca então exilado no Cairo, convenceu-o de que Baracate reconheceria voluntariamente sua autoridade. Depois de obter garantias do sultão, Saladino teria aconselhado o emir a enviar seu filho ao Cairo para manifestar sua submissão.

Baracate reconheceu então a soberania otomana e enviou Abu Numai, então com cerca de doze anos, à frente de uma delegação portando as chaves da Caaba, presentes e algumas relíquias sagradas. Abu Numai chegou ao Cairo em 3 de julho de 1517 e apresentou a Selim os presentes enviados pelo pai, declarando formalmente sua lealdade. O sultão confirmou Baracate no Emirado de Meca, enviando-lhe um diploma de investidura e um quilate, além de lhe conceder uma pensão proveniente do tesouro egípcio. Para a população das Duas Mesquitas Sagradas, enviou 200 mil moedas de ouro e grande quantidade de provisões. A submissão de Baracate marcou o reconhecimento da soberania do Império Otomano sobre Meca e o Hejaz, enquanto a dinastia local de xarifes permaneceu à frente da administração de Meca. A mudança de soberania também teve consequências para Gidá. Selim determinou que Mirocém fosse eliminado e encarregou Baracate de executar a ordem. Quando Abu Numai regressou a Meca e foi realizada no Harame a cerimônia de investidura, Mirocém foi detido sob o pretexto de que seria enviado ao sultão. Durante sua condução para Gidá, foi morto por ordem de Baracate, que mandou amarrar uma pedra a seus pés e lançá-lo ao mar.

A submissão do emir de Meca também foi associada nas fontes otomanas à adoção por Selim I do título de Guardião das Duas Mesquitas Sagradas. Segundo a tradição considerada mais sólida pela TDV İslâm Ansiklopedisi, Baracate mandou apresentar ao sultão as chaves da Caaba juntamente com presentes e relíquias e, depois de receber o diploma de investidura e os presentes enviados por Selim, ordenou que a cutba fosse pronunciada em nome do soberano otomano. A partir desse contexto, o título de "Guardião das Duas Mesquitas Sagradas" passou a integrar a titulatura dos sultões otomanos. Baracate continuou a intervir nos assuntos de Gidá durante os primeiros anos do domínio otomano. Em 925 A.H. (1519), Cácime Axiruani, nomeado por Selim para suceder Mirocém no governo da cidade, abandonou seu posto levando consigo receitas e armas e tentou dirigir-se a Ormuz. Capturado durante a viagem, foi entregue a Baracate e encarcerado, sendo posteriormente enviado a Istambul por determinação do sultão. Baracate permaneceu emir de Meca sob soberania otomana até sua morte, em 1525. Foi sucedido por Abu Numai II, que até então compartilhava com ele o emirado. Após sua morte, Abu Numai permaneceu à frente do emirado, e três ramos descendentes de seus filhos, posteriormente conhecidos como zaídidas, abedálidas e baracátidas, disputaram o xarifado de Meca.

Referências

  1. ↑ Emecen 1992, p. 486.
  2. ↑ al-Ahyawi 2008, p. 132.
  3. ↑ Assinjari 1998, pp. 111–114.
  4. ↑ Assinjari 1998, pp. 127–133.
  5. 1 2 Assinjari 1998, pp. 133–146.
  6. ↑ Assinjari 1998, pp. 146–152.
  7. ↑ al-Sibāʿī 1979, pp. 316–317.
  8. ↑ Assinjari 1998, pp. 154–155.
  9. ↑ Ibne Fade 1988, pp. 172–173.
  10. ↑ Ibne Fade 1988, p. 288.
  11. 1 2 al-Ṣabbāgh 2004, p. 769.
  12. 1 2 3 4 Emecen 1994, p. 361.
  13. 1 2 Bilge 1993, p. 524.
  14. ↑ Aydeniz 2010, pp. 17–18.
  15. ↑ Bostan 2009, p. 444.
  16. ↑ Emecen 1992, pp. 486–487.
  17. ↑ Bozkurt & Küçükaşcı 2003, p. 558.
  18. 1 2 Aydeniz 2010, pp. 149–150.
  19. ↑ Yavuz 1997, pp. 26–27.
  20. ↑ Emecen 1992, p. 487.

Bibliografia