Batey

Batey
Batey ou quadra cerimonial do batú em Caguana, Porto Rico.
Outros nomesBatú
CriadorTaínos
Características
Contatopermitido (limitado)
Membros de equipeDe 10 a 30 jogadores de cada lado
Gênero mistoCompetições separadas e mistas
Tipoesporte de equipe
EquipamentoBola
LocalCampo de batey
Presença
País ou regiãoAmérica pré-colombiana (Antilhas)
ObsoletoSim

Batey era o nome dado a uma praça ou campo em torno da qual os antilhanos indígenas, incluindo os taínos e os ciguayos, construíam seus povoados. Geralmente era uma área retangular cercada por pedras com símbolos entalhados (petróglifos).

O batey era a área onde ocorriam os eventos como cerimônias e o jogo de mesmo nome. A cerimônia do batey (também conhecida como batú) pode ser interpretada, a partir de alguns relatos históricos, como uma disputa judicial ou um jogo. Como os relatos históricos do esporte e do espaço da quadra provêm de exploradores europeus (majoritariamente espanhóis), a verdadeira natureza, história e função do batey ainda são objeto de controvérsia. Tribos vizinhas podem ter usado partidas de batey para resolver diferenças sem recorrer à guerra.

Distribuição

Os bateys são encontrados nas Ilhas Turcas e Caicos, em St. Croix, na República Dominicana, nas Bahamas, no leste de Cuba, no Haiti e "o maior número de quadras conhecidas encontra-se em Porto Rico e nas Ilhas Virgens Americanas".

Os campos e praças de batey de Porto Rico e das Ilhas Virgens Americanas são objeto de uma proposta de inscrição de múltiplos bens no Registro Nacional de Lugares Históricos dos EUA (NRHP) nos territórios americanos de Porto Rico e das Ilhas Virgens. A proposta abrange 56 sítios arqueológicos que contêm bateyes (53 sítios em Porto Rico e 3 sítios na ilha de St. Croix), dos quais cinco já foram inscritos no NRHP.

Origens

Não há consenso se o jogo caribenho foi desenvolvido de forma independente em diferentes regiões do Novo Mundo ou se difundiu a partir de um ou mais locais. Os grandes cemitérios centrais das aldeias saladoides funcionavam como praças, semelhantes às observadas nas comunidades das terras baixas da América do Sul.

O significado cerimonial e religioso do jogo, desenvolvido posteriormente, parece indicar uma conexão com o jogo de bola mesoamericano e argumenta-se que o jogo de bola do batey do Caribe é uma versão simplificada do pok ta pok maia, adaptada à cultura e à religião dos taínos. É possível que a rota de difusão do jogo de pok ta pok e de outros elementos da cultura maia não tenha sido direta da Península de Iucatã para o Caribe, mas indireta, passando pela América do Sul, pois os otomacos da América do Sul também praticavam um esporte semelhante.

O etnógrafo Ralph Beals relatou, no início da década de 1930, que a tribo Acaxee [en], do oeste do México, praticava um esporte com bola chamado "vatey [ou] batey" em "uma pequena praça, bem plana, com muros nas laterais".

Bartolomeu de las Casas

A maior parte das informações documentadas sobre o jogo de bola específico das ilhas do Caribe provém dos relatos históricos de Gonzalo Fernández de Oviedo y Valdés e Bartolomeu de las Casas. O nome nativo da quadra e do jogo era batey. A bola era fabricada com raízes e ervas, formando uma massa redonda e sólida. A descrição das bolas feita por Oviedo lembra a borracha ou algum tipo de resina com propriedades semelhantes às da borracha e, em todas as fontes, faz-se alguma referência à incomum elasticidade das bolas.

O jogo era disputado por duas equipes, cada uma composta por entre dez e trinta jogadores. Normalmente, as equipes eram formadas apenas por homens, mas ocasionalmente as mulheres também participavam. Oviedo observou que, às vezes, homens e mulheres jogavam em equipes mistas, homens contra mulheres, e as mulheres casadas contra as mulheres solteiras virgens. As mulheres casadas usavam um xale enrolado ao corpo, enquanto os homens e as mulheres virgens ficavam nus. Arqueólogos também destacam uma conexão entre as quadras do jogo e os "colares" de pedra em forma de "cotovelo" e "pescoço", proeminentes em Porto Rico nas proximidades das quadras. A função desses colares não é clara nem detalhada de forma explícita nos relatos históricos. Os colares de pedra do Caribe e os jugos de pedra mexicanos, usados como cintos cerimoniais pelos jogadores mesoamericanos do jogo de bola, são semelhantes.

As faltas ocorriam quando a bola caía no chão ou quando era lançada para fora dos limites (fora dos marcos de pedra que demarcavam o campo). A bola só podia ser golpeada com o ombro, o cotovelo, a cabeça, os quadris, as nádegas ou os joelhos, nunca com as mãos. Las Casas observou que, quando as mulheres jogavam, não usavam os quadris ou os ombros, mas os joelhos. Os pontos eram conquistados quando a bola não era devolvida em uma jogada sem falta (de modo semelhante à contagem de pontos no voleibol atual). O jogo continuava até que um dos lados alcançasse o número de pontos previamente estabelecido. Era comum que jogadores e chefes fizessem apostas sobre o possível resultado de uma partida. Essas apostas eram pagas após o término do jogo.

Petróglifos

Petróglifo de uma ave no complexo de batey em Caguana [en]

Foram encontrados petróglifos em rochedos de rios, paredes de cavernas e abrigos rochosos, e em lajes de pedra dispostas verticalmente que delimitavam as praças das quadras do jogo. Infelizmente, muitos desses artefatos foram roubados por colecionadores ou saqueadores. Há dois tipos principais de petróglifos: desenhos geométricos e imagens que representam formas humanas ou animais (especialmente o "bebê enrolados"). Rouse descreveu os petróglifos como "corpos e cabeças de aparência humana, rostos e desenhos geométricos, vários dos quais sugerem o sol e a lua".

Os desenhos geométricos mais comuns são círculos concêntricos, espirais e espirais duplas (no sentido horário e anti-horário, com três a cinco anéis), ganchos simples e duplos, dois triângulos unidos que lembram asas de borboleta, símbolos em forma de ferradura e séries de covinhas agrupadas de maneira solta. Há também emblemas solares com vários raios, lagartos, iguanas, aves, cabeças animistas com raios que emanam do pescoço, "rostos" em forma de máscara e uma variedade de outras cabeças ou rostos humanos e animais, que vão de simples círculos com três covinhas ou anéis para os olhos e a boca até laços estilizados que lembram pétalas ou penas. Esses petróglifos podem ser diretamente comparados, em desenho e estilo, aos petróglifos observados no noroeste do Brasil e na Venezuela.

A outra imagem mais comum nos petróglifos são os bebês enrolados em panos sorridentes ou com caretas, de grandes orelhas e predominantemente zoomórficos. Embora pareçam "bebês enrolados", na verdade representam ancestrais que eram envoltos em redes após a morte. As imagens têm corpos arredondados e sem membros, com a parte inferior em forma de saco. Suas orelhas costumam ser exageradamente grandes e são apresentadas em posições e formas variadas.

Em Porto Rico, os petróglifos de "bebê" e o geométrico/curvilíneo tendem a ocupar sítios de aldeia distintos. Os dados arqueológicos atuais são inconclusivos quanto a se os desenhos pertenciam a dois períodos diferentes (os grupos de espirais estão principalmente no interior montanhoso, onde o tipo "bebê" é muito mais raro) ou se representam uma diferença de simbolismo religioso.

Ver também

Referências

  1. ↑ Fernández-Armesto, Felipe (2010). Columbus on Himself (em inglês). Indianapolis: Hackett Publishing Company, Incorporated. p. 79. ISBN 9781603843171. Consultado em 27 de abril de 2026
  2. 1 2 «National Register of Historic Places - Multiple Property Documentation Form» (em inglês). Consultado em 26 de junho de 2019. Arquivado do original em 26 de junho de 2019
  3. ↑ Siegel, Peter E. (1999). «Contested Places and Places of Contest: The Evolution of Social Power and Ceremonial Space in Prehistoric Puerto Rico». Latin American Antiquity. 10 (3): 209–238. ISSN 1045-6635. doi:10.2307/972028. Cópia arquivada em 4 de maio de 2025
  4. 1 2 3 4 5 6 Alegria, Ricardo E. (1951). «The Ball Game Played by the Aborigines of the Antilles». American Antiquity. 16 (4): 348–352. ISSN 0002-7316. doi:10.2307/276984. Cópia arquivada em 22 de agosto de 2025
  5. ↑ Kelley, J. Charles. “The Known Archaeological Ballcourts of Durange and Zacatecas, Mexico” em Vernon Scarborough, David R. Wilcox (eds.), The Mesoamerican Ballgame. Tucson, Arizona: University of Arizona Press. ISBN 0-8165-1360-0, 1991, p. 98. Kelley cita Beals: Beals, Ralph J. The Acaxe, A Mountain Tribe of Durango and Sinaloa (Iberoamerican 6), University of California Press, Berkeley: 1933.
  6. 1 2 3 4 5 Alegria, Ricardo. “Ball Courts and Ceremonial Plazas in the West Indies”. Yale University Publications in Anthropology. No. 79. Yale University Department of Anthropology: 1983.
  7. 1 2 3 4 5 6 Frassetto, Monica Flaherty. “A Preliminary Report on the Petroglyphs in Puerto Rico.” American Antiquity. Vol. 25, No.3 (April 1960), pp. 381-391.

Ligações externas