Benjamin Harrison V

Benjamin Harrison V
Retrato gravado de Harrison
Governador da Virgínia
Período1º de dezembro de 1781
até 1º de dezembro de 1784
Antecessor(a)Thomas Nelson Jr.
Sucessor(a)Patrick Henry
Delegado ao Congresso Continental pela Virgínia
Período1774
até 1777
Presidente da Câmara de Delegados da Virgínia
Período4 de maio de 1778
até 1º de março de 1781
7 de maio de 1781
até 1º de dezembro de 1781
1785
até 1786
Antecessor(a)George Wythe
Sucessor(a)Joseph Prentis
Membro da Câmara de Delegados da Virgínia pelo Condado de Charles City
Período15 de outubro de 1787
até 29 de dezembro de 1790
Ao lado de: Henry Southall
Antecessor(a)William Christian
Sucessor(a)Stith Hardiman
Membro da Câmara de Delegados da Virgínia pelo Condado de Surry
Período17 de outubro de 1785
até 16 de outubro de 1786
Antecessor(a)John Allen
Sucessor(a)John Allen
Membro da Câmara de Delegados da Virgínia pelo Condado de Charles City
Período5 de maio de 1777
até 1º de dezembro de 1781
Antecessor(a)Samuel Harwood
Sucessor(a)William Green Munford
Membro da Casa dos Burgueses da Virgínia pelo Condado de Charles City
Período1752
até 1776
Ao lado de: William Kennon, William Acrill
Antecessor(a)Edward Broadnax
Sucessor(a)Legislatura dissolvida
Dados pessoais
Nascimento5 de abril de 1726
Condado de Charles City, Colônia da Virgínia, América Britânica
Morte24 de abril de 1791 (65 anos)
Condado de Charles City, Virgínia, Estados Unidos
ProgenitoresMãe: Anne Carter
Pai: Benjamin Harrison IV
Alma materFaculdade de William e Mary
CônjugeElizabeth Bassett (c. 1748)
Filhos(as)8, incluindo Benjamin VI, William Henry e Carter Bassett
ParentescoFamília Harrison
Profissão
  • Político
  • fazendeiro
  • comerciante
AssinaturaAssinatura de Benjamin Harrison V
Local de sepultamentoBerkeley Plantation, Condado de Charles City, Virgínia, Estados Unidos

Benjamin Harrison V (Condado de Charles City, 5 de abril de 1726 – Condado de Charles City, 24 de abril de 1791) foi um fazendeiro, comerciante e político norte-americano, um dos Pais Fundadores dos Estados Unidos. Atuou como delegado ao Congresso Continental e foi signatário da Associação Continental e da Declaração de Independência. Também foi governador da Virgínia (1781–1784), dando continuidade à tradição de serviço público da família Harrison.

Benjamin nasceu na propriedade da família, a Berkeley Plantation, onde, em 1619, foi instituída uma das primeiras celebrações anuais do Dia de Ação de Graças. Foi também nesse local que o toque de corneta militar "Taps" foi composto e executado pela primeira vez, em 1862. Benjamin atuou por um total de três décadas na Casa dos Burgueses da Virgínia, representando alternadamente o Condado de Surry e o Condado de Charles City. Esteve entre os primeiros patriotas a protestar formalmente contra as medidas que o rei Jorge III e o Parlamento britânico impuseram às colônias americanas, o que levou à Revolução Americana. Embora fosse proprietário de escravos, Harrison aderiu a uma petição de 1772 dirigida ao rei, solicitando que ele abolisse o tráfico de escravos.

Como delegado ao Congresso Continental e presidente de sua Comissão Plenária, Harrison participou do debate final da Declaração de Independência e o presidiu, tendo sido também um dos signatários do documento em 1776. A Declaração incluía uma filosofia fundamental dos Estados Unidos: "Consideramos estas verdades evidentes por si mesmas, que todos os homens são criados iguais, que são dotados pelo seu Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade".

Harrison foi eleito o quinto governador da Virgínia; sua administração foi marcada pela luta infrutífera com um tesouro estadual devastado pela Guerra de Independência. Posteriormente, retornou à Câmara da Virgínia para dois últimos mandatos. Em rara divergência com seu tradicional aliado George Washington, Harrison, em 1788, deu um de seus últimos votos contra a ratificação da Constituição do país, por esta não conter uma declaração de direitos. Deixou dois descendentes que se tornaram presidentes dos Estados Unidos: o filho William Henry Harrison e o bisneto Benjamin Harrison.

Família

Pais e irmãos

Harrison nasceu em 5 de abril de 1726, no Condado de Charles City, na Virgínia. Era o filho homem mais velho e o terceiro dos dez filhos de Benjamin Harrison IV (1693–1745) e Anne Carter (1702–1743); Anne era filha de Robert Carter I. Benjamin Harrison I (1594–1648) chegou às colônias por volta de 1630 e, já em 1633, deu início a uma tradição familiar de serviço público, ao ser registrado como secretário do Conselho do Governador da Virgínia.

Benjamin Harrison II (1645–1712) e Benjamin Harrison III (1673–1710) seguiram esse exemplo, atuando como delegados na Casa dos Burgueses da Virgínia. Benjamin IV e sua esposa Anne construíram a casa senhorial da família na Berkeley Plantation; ele atuou como juiz de paz e representou o Condado de Charles City na Casa dos Burgueses da Virgínia. (O biógrafo Clifford Dowdey observa que a família não empregava os sufixos em algarismos romanos, atribuídos pelos historiadores para maior clareza.)

Na juventude, Benjamin V foi descrito como "alto e de constituição robusta", com "feições bem definidas, uma boca bem desenhada acima de um queixo forte e pontiagudo". Passou um ou dois anos na Faculdade de William e Mary. Seu irmão Carter Henry (1736–1793) tornou-se uma liderança no Condado de Cumberland. O irmão Nathaniel (1742–1782) foi eleito para a Casa dos Burgueses e, depois, para o Senado da Virgínia. O irmão Henry (1736–1772) lutou na Guerra Franco-Indígena e posteriormente fundou a plantação Hunting Quarter, no Condado de Sussex; o irmão Charles (1740–1793) tornou-se general de brigada do Exército Continental.

Herança e escravidão

O pai de Harrison, aos 51 anos e segurando uma criança, foi atingido por um raio enquanto fechava uma janela do andar superior durante uma tempestade, em 12 de julho de 1745; ele e sua filha Hannah morreram. Benjamin V herdou a maior parte dos bens do pai, incluindo Berkeley e várias plantações vizinhas, além de milhares de acres que se estendiam até o Condado de Surry e as quedas do rio James. Entre suas propriedades havia também uma pescaria no rio e um moinho de grãos no Condado de Henrico. Ele assumiu ainda a propriedade e a responsabilidade pelos equipamentos e pelo gado da casa senhorial, bem como por numerosas pessoas escravizadas. Seus irmãos herdaram outras seis plantações, bens e pessoas escravizadas, uma vez que o pai optou por romper com a tradição de deixar todo o patrimônio para o filho mais velho.

Harrison e seus antepassados escravizaram entre 80 e 100 pessoas. O pai de Harrison insistiu em não separar famílias escravizadas na partilha de seus bens. Como todos os fazendeiros, os Harrison mantinham pessoas escravizadas em suas plantações. Ainda assim, a condição dessas pessoas era involuntária e, segundo Dowdey, "entre os piores aspectos de sua escravidão está a suposição de que os homens da família Harrison, provavelmente os mais jovens e solteiros, e os capatazes, faziam visitas noturnas aos alojamentos dos escravos com propósitos carnais". Benjamin Harrison V possuía escravos mulatos, embora não tenha sido encontrado nenhum registro sobre sua paternidade. Dowdey aponta outra incoerência dos Harrison, afirmando que as pessoas escravizadas, em certos aspectos, "eram respeitadas como famílias, e desenvolveu-se um senso de dever quanto a doutriná-las no cristianismo, embora outros proprietários de escravos tivessem reservas em batizar crianças consideradas propriedade".

Casamento e filhos

Filho e bisneto presidentes
William Henry Harrison
Benjamin Harrison

Em 1748, Harrison casou-se com Elizabeth Bassett (1730–1792), do Condado de New Kent; ela era filha do coronel William Bassett (1709–1744) e de Elizabeth Churchill (1709–1779), filha do burguês William Churchill (1649–1710). Harrison e sua esposa tiveram oito filhos ao longo de 43 anos de casamento. Entre eles estava a filha mais velha, Lucy Bassett (1749–1809), que se casou com Peyton Randolph (1738–1784). Outra filha, Anne Bassett (1753–1821), casou-se com David Coupland (1749–1822). O filho mais velho foi Benjamin Harrison VI (1755–1799), comerciante de sucesso efêmero que atuou na Câmara de Delegados da Virgínia, mas que morreu jovem, viúvo, indulgente consigo mesmo e atormentado. Outro filho foi Carter Bassett Harrison (c. 1756–1808), que atuou na Câmara de Delegados da Virgínia e na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos. Os demais filhos foram Elizabeth Harrison (1751–1791), que se casou com o médico William Rickman (c. 1731–1783), e Sarah Harrison (1770–1812), que se casou com John Minge (1771–1829).

O caçula foi o general William Henry Harrison (1773–1841), que se tornou delegado ao Congresso pelo Território do Noroeste e foi também governador do Território de Indiana. Na eleição presidencial de 1840, William Henry derrotou o presidente em exercício, Martin Van Buren, mas adoeceu e morreu apenas um mês após assumir a presidência. O vice-presidente John Tyler, também virginiano e vizinho de Berkeley, o sucedeu. O neto de William Henry, Benjamin Harrison (1833–1901), foi general de brigada do Exército da União durante a Guerra Civil Americana. Benjamin atuou no Senado dos Estados Unidos e foi eleito presidente em 1888, após derrotar o presidente em exercício, Grover Cleveland.

Legislador na Virgínia

Segundo uma pesquisadora, em 1749 Harrison seguiu pela primeira vez os passos do pai ao ser eleito para a Casa dos Burgueses da Virgínia, inicialmente pelo Condado de Surry, observando, contudo, que Harrison só atingiria a idade legal para assumir a cadeira em 1752. Ele ou um parente sucedeu o falecido Edward Broadnax como representante do Condado de Charles City na Casa dos Burgueses em 1748 e venceu todas as eleições pelo menos até 1769. Os pesquisadores concordam que Harrison e William Acrill foram reeleitos continuamente e representaram o Condado de Charles City na Casa dos Burgueses de 1769 até 1776, quando o último governador colonial da Virgínia encerrou aquela assembleia. Em seguida, os eleitores do Condado de Charles City elegeram Harrison e Acrill para as duas primeiras Convenções Revolucionárias; Acrill, tendo Harrison e seu filho Benjamin Harrison VI como suplentes, para a terceira e a quarta convenções; e Acrill, tendo Samuel Harwood e Harrison como suplentes, para a quinta convenção. Harrison, Acrill e Samuel Harwood representaram então conjuntamente o Condado de Charles City na nova Câmara de Delegados da Virgínia em sua sessão inaugural; depois, Acrill e Harrison; e, de 1778 a 1781, John Tyler juntou-se a Harrison como o outro legislador do Condado de Charles City. Quando seus colegas legisladores elegeram Harrison governador da Virgínia, ele foi substituído como delegado por William Green Munford. Ao fim de seu mandato como governador (era inelegível para a reeleição), Harrison foi eleito por um breve período pelo Condado de Surry, do outro lado do rio James, para onde se mudou e que representou durante um mandato ao lado de seu filho Carter Bassett Harrison; os demais delegados também o elegeram presidente da Câmara. Harrison retornou então ao Condado de Charles City, e os eleitores o escolheram como um de seus representantes até sua morte (ele morreu antes de assumir a cadeira na sessão do outono de 1791).

Em seu primeiro ano na Casa dos Burgueses, em 1752, Harrison foi nomeado para a Comissão de Propostas e Queixas e, assim, participou de um confronto com o rei Jorge, com seu Parlamento e com o governador da Virgínia por eles nomeado, Robert Dinwiddie. Surgiu uma disputa com o governador em torno da cobrança de uma pistola (moeda de ouro espanhola) sobre todas as concessões de terras, que prenunciava a questão central da Revolução Americana duas décadas depois: a tributação sem representação. Harrison ajudou a redigir uma queixa ao governador e à Coroa, segundo a qual o pagamento de qualquer cobrança desse tipo seria "considerado uma traição aos direitos e privilégios do povo". Quando o Conselho Privado britânico recebeu a queixa, respondeu "que a câmara baixa é um órgão legislativo subordinado e, no que diz respeito às decisões do Rei, de nada vale". Nessa ocasião, chegou-se a um acordo que permitiu a cobrança do governador sobre lotes de menos de 100 acres situados a leste das montanhas.

O tribunal de Williamsburg. Harrison ajudou a arrecadar os fundos para a compra do edifício para a cidade.

Harrison voltou a enfrentar a Grã-Bretanha após a aprovação dos Atos Townshend, que afirmavam formalmente o direito do Parlamento de tributar as colônias. Em 1768, foi nomeado para uma comissão especial encarregada de redigir uma resposta em nome da colônia. Uma resolução afirmou o direito dos súditos britânicos de serem tributados apenas por seus representantes eleitos. As colônias americanas alcançaram seu objetivo com a revogação dos Atos Townshend por iniciativa de Lorde North, que, no entanto, manteve o imposto sobre o chá.

Em 1770, Harrison foi signatário da Associação da Virgínia, uma associação de legisladores e comerciantes virginianos que boicotava as importações britânicas até que o Parlamento revogasse o imposto sobre o chá. Também patrocinou um projeto de lei que declarava ilegais as leis do Parlamento aprovadas sem o consentimento dos colonos. Nessa época, Harrison atuava ainda como juiz no Condado de Charles City. Quando a cidade de Williamsburg não dispunha de recursos para construir um tribunal, ele e o colega delegado James Littlepage organizaram um grupo de "cavalheiros subscritores" que comprou um edifício desocupado e o doou à cidade em 1771. No início de 1772, Harrison e Thomas Jefferson estavam entre os seis delegados da Câmara da Virgínia encarregados de preparar e entregar ao rei um apelo pelo fim da importação de pessoas escravizadas da África. Segundo relatos, o pedido foi entregue e era inequívoco em seu objetivo de encerrar o tráfico de escravos; o rei o rejeitou.

Delegado ao Congresso na Filadélfia

Em 1773, colonos protestaram contra o imposto britânico sobre o chá destruindo uma carga durante a Festa do Chá de Boston. Embora todas as colônias tenham se inspirado na notícia, alguns patriotas, entre eles Harrison, acreditavam que os habitantes de Boston tinham o dever de indenizar a Companhia Britânica das Índias Orientais pelos prejuízos causados. O Parlamento britânico respondeu ao protesto com medidas ainda mais punitivas, que os colonos denominaram Leis Intoleráveis. Apesar de suas reservas, Harrison esteve entre os 89 membros da Casa dos Burgueses da Virgínia que assinaram uma nova associação em 24 de maio de 1774, condenando a ação do Parlamento. O grupo também convidou as demais colônias a convocar um Congresso Continental e pediu uma convenção para escolher os delegados da Virgínia. Na Primeira Convenção da Virgínia, em 5 de agosto de 1774, Harrison foi escolhido como um dos sete delegados que representariam a Virgínia no Congresso, a ser realizado na Filadélfia.

Harrison partiu naquele mesmo mês, deixando seu estado natal pela primeira vez. Levava consigo a boa reputação construída na Casa dos Burgueses, que Edmund Randolph expressou ao Congresso: "Um dos favoritos da época era Benjamin Harrison. Dotado de grande bom senso e de um temperamento pouco inclinado a transigir com o poder ministerial, não hesita em proferir qualquer inverdade. Durante seu longo serviço na Casa dos Burgueses, sua franqueza, embora por vezes tingida de amargura, foi fonte de considerável estima".

Carpenters' Hall, sede do Primeiro Congresso Continental

Harrison chegou à Filadélfia em 2 de setembro de 1774 para o Primeiro Congresso Continental. Segundo o biógrafo Smith, ele se aproximou dos delegados mais velhos e conservadores e manteve-se mais distante dos representantes da Nova Inglaterra e dos mais radicais, em especial John e Samuel Adams. A inimizade genuína e mútua entre os primos Adams e Harrison decorria também da criação puritana dos Adams, avessa aos prazeres humanos, e do apreço de Harrison por histórias ousadas, boa comida e vinho. John Adams descreveu Harrison em seu diário como "outro Sir John Falstaff", "obsceno", "profano" e "ímpio". No entanto, também registrou o comentário de Harrison de que estava tão ansioso para participar do Congresso que "teria vindo a pé". Politicamente, Harrison alinhou-se a John Hancock, e Adams a Richard Henry Lee, a quem Harrison se opusera veementemente na Casa dos Burgueses. Os investimentos e interesses comerciais dos centristas, como Robert Morris, Thomas Willing, Carter Braxton e Harrison, moldavam seu conservadorismo.

Em outubro de 1774, Harrison assinou a Associação Continental, um acordo entre os delegados que determinava o boicote imediato às exportações e importações com a Grã-Bretanha. O documento foi inspirado na Associação da Virgínia, que Harrison assinara anteriormente em seu estado natal. O Primeiro Congresso encerrou-se naquele mês com uma Petição ao Rei, assinada por todos os delegados, que solicitava a atenção do monarca às queixas das colônias e a restauração da harmonia com a Coroa. Ao voltar para casa, Harrison recebeu uma carta de Thomas Jefferson informando que encomendara 14 janelas de guilhotina de Londres pouco antes da aprovação do boicote e desculpando-se por não ter conseguido cancelar o pedido.

Em março de 1775, Harrison participou de uma convenção na paróquia de St. John, em Richmond, que se tornou célebre pelo discurso "Dê-me a liberdade ou dê-me a morte!", de Patrick Henry. Uma resolução de defesa para a formação de uma força militar foi aprovada por 65 votos a 60. Ela representou um passo significativo da Virgínia na transição de colônia para comunidade autônoma. O biógrafo Smith indica que Harrison provavelmente estava na minoria, embora tenha sido nomeado para uma comissão encarregada de pôr a resolução em prática. Foi também reeleito delegado para a nova sessão do Congresso Continental.

Segundo Congresso Continental e Declaração de Independência

O Independence Hall sediou o Segundo Congresso Continental.

Quando o Segundo Congresso Continental se reuniu, em maio de 1775, Harrison instalou-se no norte da Filadélfia com dois companheiros de residência: seu cunhado Peyton Randolph e George Washington. Ambos o deixaram morando sozinho quando Randolph morreu repentinamente e Washington assumiu o comando do Exército Continental. Harrison manteve-se ocupado com as questões de financiamento e abastecimento do exército de Washington e correspondeu-se extensamente com ele.

Na primavera de 1775, houve um esforço no Congresso para buscar a reconciliação com o rei da Grã-Bretanha por meio da Petição do Ramo de Oliveira, redigida por John Dickinson. Seguiu-se um debate acalorado, no qual Dickinson afirmou desaprovar apenas uma palavra na petição: "Congresso". Harrison levantou-se irritado de sua cadeira e respondeu: "Há apenas uma palavra neste papel, senhor presidente, que eu aprovo, e essa palavra é 'Congresso'". A petição foi aprovada e enviada à Coroa, mas o rei não a leu e declarou formalmente que os colonos eram traidores.

Em novembro de 1775, Harrison foi nomeado para uma comissão especial encarregada de avaliar as necessidades do exército. Foi a Cambridge, em Massachusetts, com Washington, Benjamin Franklin e Thomas Lynch para avaliar as necessidades e o moral das tropas. Após uma inspeção de dez dias, a comissão concluiu que o soldo das tropas deveria ser melhorado e que o efetivo deveria ser ampliado para mais de 20 mil homens. Harrison retornou então à Filadélfia para trabalhar em estreita colaboração com outros delegados na defesa de seu estado, bem como da Carolina do Sul, da Geórgia e de Nova Iorque.

Na pintura Declaração de Independência, de John Trumbull, Harrison aparece sentado à mesa, na extrema esquerda.

Harrison participou até o fim da sessão, em julho de 1776, presidindo com frequência a Comissão Plenária. Nessa função, presidiu os debates finais da Resolução Lee, apresentada pelo delegado virginiano Richard Henry Lee. Essa foi a primeira manifestação do Congresso quanto ao objetivo de libertar-se da Coroa. Harrison supervisionou os debates finais e as emendas à Declaração de Independência. O Comitê dos Cinco apresentou o rascunho da Declaração redigido por Thomas Jefferson em 28 de junho de 1776, e o Congresso decidiu, em 1º de julho, que a Comissão Plenária deveria debater seu conteúdo. A comissão emendou o texto em 2 e 3 de julho e o adotou em sua forma final na quinta-feira, 4 de julho. Harrison comunicou devidamente o fato ao Congresso e fez a leitura final da Declaração. O Congresso decidiu por unanimidade que a Declaração fosse transcrita em pergaminho e assinada pelos presentes.

Harrison era conhecido por seu senso de humor ousado. Até mesmo seu detrator, John Adams, admitiu em seu diário que "as contribuições e os muitos gracejos de Harrison acalmavam as sessões tumultuadas". O delegado da Pensilvânia Benjamin Rush, em particular, recordou o clima do Congresso durante a assinatura da Declaração, em 2 de agosto de 1776. Descreveu uma cena de "silêncio pensativo e solene". Segundo ele, Harrison interrompeu de forma singular "o silêncio e a melancolia da manhã", enquanto os delegados avançavam para assinar o que julgavam ser sua futura sentença de morte. Rush relatou que o corpulento Harrison se aproximou do franzino Elbridge Gerry, que estava prestes a assinar a Declaração, e disse: "Terei uma grande vantagem sobre o senhor, Sr. Gerry, quando formos todos enforcados pelo que estamos fazendo agora. Pelo tamanho e peso do meu corpo, morrerei em poucos minutos e estarei com os anjos, mas, pela leveza do seu, o senhor ficará dançando no ar por uma ou duas horas antes de morrer".

Guerra de Independência

De dezembro de 1775 a março de 1777, o Congresso foi ameaçado em duas ocasiões pelas forças britânicas e obrigado a se transferir, primeiro para Baltimore e depois para York, na Pensilvânia, circunstâncias que desagradavam profundamente a Harrison. Isso tem sido atribuído a uma doença não especificada que ele enfrentava na época. Em 1777, Harrison tornou-se membro do recém-criado Comitê de Correspondência Secreta do Congresso, cujo principal objetivo era estabelecer comunicação segura com agentes americanos na Grã-Bretanha a respeito dos interesses das colônias. Harrison foi também nomeado presidente do Conselho de Guerra, cuja finalidade inicial era acompanhar as movimentações do exército no norte e a troca de prisioneiros.

Selo do Conselho de Guerra

Nessa época, Harrison entrou em desacordo com Washington a respeito da patente do marquês de La Fayette, que Harrison insistia ser apenas honorária e sem remuneração. Também gerou controvérsia ao defender o direito dos quakers de não pegar em armas, conforme sua religião. Durante a elaboração dos Artigos da Confederação, defendeu sem sucesso que a Virgínia deveria ter maior representação do que os demais estados, com base em sua população e extensão territorial. Sua participação no Congresso encerrou-se definitivamente em outubro de 1777; o biógrafo John Sanderson indica que, quando Harrison se retirou do Congresso, "suas propriedades haviam sido devastadas" e "sua fortuna fora prejudicada".

Harrison retornou à Virgínia, onde rapidamente retomou sua atuação no Legislativo estadual. Em maio de 1776, a Casa dos Burgueses havia sido extinta e substituída pela Câmara de Delegados, conforme a nova constituição da Virgínia. Foi eleito presidente da Câmara em 1777, derrotando Thomas Jefferson por 51 votos a 23, e voltou a ocupar a presidência em várias ocasiões. Nos anos seguintes, ocupou-se de diversas questões, entre elas os interesses da Virgínia nas terras do oeste, a situação das forças continentais e a defesa do estado.

Em janeiro de 1781, uma força britânica de 1 600 homens, comandada pelo vira-casaca Benedict Arnold, posicionou-se na foz do rio James; Harrison foi chamado a retornar imediatamente à Filadélfia para solicitar apoio militar para seu estado. Sabendo que Berkeley era um dos alvos principais de Arnold, transferiu sua família antes de partir. Na Filadélfia, seus apelos em favor da Virgínia foram atendidos, e ele obteve mais pólvora, suprimentos e tropas, mas apenas com atraso. Enquanto isso, Arnold avançou rio James acima, causando destruição em ambas as margens. A família Harrison escapou da captura no ataque de Arnold a Berkeley, em janeiro, mas Arnold, determinado a não deixar sobreviver nenhuma imagem da família, retirou e queimou todos os retratos familiares que lá estavam. A maior parte dos demais bens de Harrison e grande parte da casa foram destruídos. Outros signatários foram alvos semelhantes, com consequências ainda mais terríveis. Harrison dedicou-se à reconstrução de sua casa, retomou a correspondência com Washington e continuou seus esforços para obter armamentos, tropas e fardamentos para outros estados do sul.

Governador da Virgínia

Berkeley Plantation, propriedade da família Harrison no Condado de Charles City, Virgínia

A nova nação assegurou sua vitória na Guerra de Independência em outubro de 1781, em Yorktown, na Virgínia, o que proporcionou apenas um breve alívio a Harrison, que, um mês depois, passou a exercer o cargo de quinto governador da Virgínia. Foi também o quarto governador a assumir o cargo naquele ano, uma vez que os acontecimentos da guerra na Virgínia provocaram sucessivas substituições. O dinheiro era o principal problema que enfrentava, pois a guerra esvaziara os cofres do tesouro da Virgínia, e credores, tanto nacionais quanto estrangeiros, assediavam o governo. Assim, não havia capacidade para ações militares fora da área imediata, e Harrison opôs-se firmemente a ofensivas contra os indígenas hostis nas regiões do Kentucky e de Illinois. Em vez disso, adotou uma política de negociação com as tribos cherokee, chickasaw e creek, o que permitiu que a paz se mantivesse até o fim de seu mandato. A situação gerou alguns embates com o general George Rogers Clark, que defendia operações agressivas no oeste.

Harrison recebeu uma carta de Thomas Jefferson, revelada recentemente, datada de 31 de dezembro de 1783, na qual Jefferson relata o entusiasmo dos europeus em pegar em armas contra líderes autocráticos. Jefferson compartilhava a confirmação de sua própria defesa do direito de portar armas, que havia possibilitado a Revolução Americana. A carta também transmite a ansiedade de Jefferson quanto à ratificação final do Tratado de Paris, que encerrou formalmente a guerra revolucionária. Assinado inicialmente pelas partes em setembro, o tratado ainda dependia do consentimento de duas colônias, que precisava chegar a Londres (então a dois meses de viagem) até março do ano seguinte. O prazo acabou sendo cumprido, por pouco, com as assinaturas necessárias obtidas em meados de janeiro.

Ao final do mandato de Harrison, Washington aceitou um convite para visitar os Harrison em Richmond, dizendo: "E terei um prazer adicional em oferecer-lhe este tributo de amizade e respeito por ter a companhia do marquês de La Fayette". O general fez a visita em novembro de 1784, embora La Fayette não tenha podido acompanhá-lo. A atuação de Harrison como governador foi elogiada, apesar de sua incapacidade de resolver os problemas financeiros que afligiram sua administração.

Retorno ao Legislativo e morte

Em 1786, Harrison e outros membros do Legislativo dividiram-se profundamente em torno da questão do auxílio estatal à religião. Ele se uniu a seu irmão (e colega delegado) Carter Henry Harrison no apoio a uma medida proposta por Patrick Henry para financiar professores da religião cristã. A proposta foi derrotada, e a assembleia aprovou o célebre Estatuto da Virgínia para a Liberdade Religiosa, de Thomas Jefferson, que estabeleceu a separação entre Igreja e Estado.

Em 1788, Harrison participou, como representante do Condado de Charles City, da Convenção de Ratificação da Virgínia sobre a Constituição dos Estados Unidos. No entanto, assim como Patrick Henry, George Mason e outros, desconfiava de um governo central forte e opôs-se à Constituição pela ausência de uma declaração de direitos. Ficou na minoria quando a Constituição foi ratificada com uma margem de 5 votos, em um total de 170. Superou sua saúde debilitada o suficiente para discursar aos que se opunham ao resultado, exortando-os a buscar reparação pelos meios legítimos de emendas à Constituição. Embora Washington tivesse defendido a Constituição, elogiou Harrison, dizendo: "Seus esforços pessoais para impedir a adoção de medidas incendiárias redundam em grande mérito para o senhor".

Apesar da gota crônica e da situação financeira fragilizada, Harrison continuou seu trabalho na Câmara e foi candidato tanto pelo 10º distrito congressional da Virgínia quanto ao governo da Virgínia em 1788. No início de 1789, Harrison escreveu a George Washington pleiteando a nomeação como oficial naval do distrito de Norfolk, mas Washington recusou educadamente o pedido. Harrison buscou e obteve a reeleição para o Legislativo em 1790 e, naquele mesmo ano, recusou-se novamente a concorrer a um segundo mandato como governador, embora seu nome tenha sido apresentado na disputa contra Beverley Randolph; até mesmo seu filho Carter Bassett Harrison (por instrução do pai) votou contra ele.

Morte e legado

Harrison morreu em 24 de abril de 1791, em sua casa, poucos dias após celebrar sua reeleição unânime para o Legislativo. A causa específica de sua morte não é mencionada. Foi sepultado em sua propriedade, e sua esposa, Elizabeth Bassett, que morreu um ano depois, foi enterrada a seu lado. Seu filho caçula, William Henry, então com 18 anos, havia acabado de iniciar os estudos de medicina na Filadélfia. Contudo, por falta de recursos suficientes, logo abandonou a medicina pela carreira militar e seguiu seu próprio caminho de liderança.

Sua alma mater, a Faculdade de William e Mary, deu o nome de Harrison a uma de suas residências estudantis. Uma importante ponte sobre o rio James, perto de Hopewell, é a Benjamin Harrison Memorial Bridge.

O Memorial aos 56 Signatários da Declaração de Independência, em Washington, D.C., também homenageia Harrison.

Referências

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Bibliografia