George Mason

George Mason
George Mason
Retrato de 1750
Membro da Câmara dos Representantes da Virgínia representando o Condado de Fairfax
Período 17 de outubro de 1786 – 22 de junho de 1788
Antecessor Charles Simms
Sucessor Roger West
Membro da Câmara dos Representantes da Virgínia representando o Condado de Fairfax
Período 7 de outubro de 1776 – 6 de maio de 1781
Antecessor Nenhum (independência)
Sucessor Benjamin Dulaney
Membro da Câmara dos Burgueses da Virgínia representando o Condado de Fairfax
Período 1758 – 1761
Antecessor George William Fairfax
Sucessor John West
Dados pessoais
Nome completo George Mason
Nascimento 11 de dezembro de 1725
Condado de Fairfax, Virgínia, América Britânica
Morte 7 de outubro de 1792 (66 anos)
Gunston Hall, Condado de Fairfax, Virgínia, EUA
Progenitores Mãe: Ann Stevens Thomson
Pai: George Mason III
Cônjuge
  • Ann Eilbeck (1750–1773)
  • Sarah Brent (1780)
Filhos
  • George
  • Ann
  • William
  • Thomson
  • Sarah
  • Mary
  • John
  • Elizabeth
  • Thomas
  • James
  • Richard
Profissão Proprietário de terras
Assinatura Assinatura de George Mason

George Mason (11 de dezembro de 1725 [30 de novembro de 1725 no Estilo Antigo] – 7 de outubro de 1792) foi um proprietário rural e político, um dos Pais Fundadores dos Estados Unidos e delegado à Convenção Constitucional dos Estados Unidos realizada na Filadélfia em 1787 — sendo um dos três delegados que se recusaram a assinar a Constituição. Seus escritos, incluindo partes substanciais das Resoluções de Fairfax de 1774, da Declaração de Direitos de Virgínia de 1776 e suas Objeções a esta Constituição de Governo (1787), nas quais se opôs à ratificação, exerceram influência significativa sobre o pensamento político e os acontecimentos da época. A Declaração de Direitos da Virgínia, da qual Mason foi o principal autor, serviu de base para a Declaração dos Direitos dos Estados Unidos.

Mason nasceu em 1725 no atual Condado de Fairfax, Virgínia. Seu pai morreu afogado em 1735 ao atravessar o Rio Potomac, quando Mason tinha nove anos. Sua mãe administrou as propriedades da família até que ele atingisse a maioridade. Em 1750, Mason casou-se, construiu Gunston Hall e passou a viver como grande proprietário rural, supervisionando suas terras, sua família e seus escravos. Serviu brevemente na Câmara dos Burgueses e envolveu-se em assuntos comunitários, colaborando ocasionalmente com seu vizinho George Washington. À medida que aumentavam as tensões entre a Grã-Bretanha e as colônias norte-americanas, Mason passou a apoiar a causa colonial, colocando seu conhecimento e experiência a serviço do movimento revolucionário — inclusive encontrando maneiras de contornar a Lei do Selo de 1765 e participando da Quarta Convenção da Virgínia, em 1775, e da Quinta Convenção da Virgínia, em 1776, ambas favoráveis à independência.

Mason preparou o primeiro rascunho da Declaração de Direitos da Virgínia em 1776, e suas palavras constituíram grande parte do texto adotado pela Convenção Revolucionária da Virgínia. Também redigiu uma constituição para o estado; Thomas Jefferson e outros tentaram fazer com que a convenção adotasse suas ideias, mas a versão elaborada por Mason foi a aprovada. Durante a Guerra da Independência Americana, Mason integrou a influente Câmara dos Representantes da Assembleia Geral da Virgínia, mas, para frustração de Washington e de outros líderes, recusou-se a servir no Segundo Congresso Continental na Filadélfia, alegando problemas de saúde e responsabilidades familiares.

Em 1787, Mason foi nomeado um dos delegados de seu estado à Convenção Constitucional na Filadélfia — sua única viagem longa para fora da Virgínia. Diversas cláusulas da Constituição foram influenciadas por suas contribuições; ainda assim, ele se recusou a assinar a versão final, apontando como principais objeções a ausência de uma declaração de direitos. Também defendia o fim imediato do comércio de escravos e a exigência de uma supermaioria para aprovar leis de navegação, temendo que restrições comerciais prejudicassem a Virgínia. Não conseguiu atingir esses objetivos nem na Filadélfia nem, posteriormente, na Convenção de Ratificação da Virgínia, em 1788. Sua atuação destacada em favor de uma declaração de direitos levou o também virginiano James Madison a apresentar proposta semelhante no Primeiro Congresso, em 1789; essas emendas foram ratificadas em 1791, um ano antes da morte de Mason. Esquecido após seu falecimento, Mason passou a ser reconhecido nos séculos XX e XXI por suas contribuições à Virgínia e aos primórdios dos Estados Unidos.

Infância e educação

Brasão de armas de George Mason

Mason nasceu no atual Condado de Fairfax, na Colônia da Virgínia, na América Britânica, em 11 de dezembro de 1725. Os pais de Mason possuíam propriedade em Dogue's Neck (atual Mason Neck), Virgínia, e uma segunda propriedade do outro lado do Rio Potomac, no Condado de Charles, Maryland, herdada por sua mãe.

O bisavô de Mason, George Mason I, era um cavalier nascido em 1629, em Pershore, Worcestershire, Inglaterra. Derrotado na Guerra Civil Inglesa, Mason e outros Cavaliers emigraram para as colônias americanas nas décadas de 1640 e 1650. Mason I estabeleceu-se no atual Condado de Stafford, Virgínia, onde recebeu terras como recompensa por transportar sua família e servos para a Colônia da Virgínia, conforme o regime de concessão que atribuía 50 acres por pessoa levada à colônia. Seu filho, George Mason II (1660–1716), foi o primeiro a se mudar para a área que, em 1742, se tornaria o Condado de Fairfax, então fronteira entre áreas sob controle inglês e territórios indígenas. George Mason III (1690–1735), pai de Mason, serviu na Câmara dos Burgueses e também como tenente do condado. A mãe de George Mason IV, Ann Thomson Mason, era filha de um ex-Procurador-Geral da Virgínia que imigrou da Inglaterra. Alguns anos após o casamento, George Mason III mudou-se com a família para a plantação Stump Neck, no Condado de Charles, mantendo Chopawamsic, no Condado de Stafford, Virgínia, como residência secundária.

Naquele período, a Virgínia colonial dispunha de poucas estradas, e a maior parte do comércio era realizada por via fluvial na Baía de Chesapeake ou em seus afluentes, como os rios Potomac e Rappahannock. A maioria dos assentamentos se desenvolveu próxima aos rios, por meio dos quais os plantadores mantinham contato comercial com o mundo exterior. Inicialmente, havia poucas cidades, já que as propriedades eram amplamente autossuficientes e supriam suas próprias necessidades. Mesmo a capital, Williamsburg, apresentava atividade econômica limitada quando a legislatura não estava reunida. A política local era dominada por grandes proprietários de terras, entre eles a família Mason. A economia da Virgínia oscilava conforme o mercado do tabaco, principal cultura de exportação para a Grã-Bretanha.

Em 5 de março de 1735, quando Mason tinha apenas nove anos, George Mason III morreu afogado após uma tempestade virar sua embarcação enquanto atravessava o rio Potomac entre plantações. Após sua morte, a viúva e os filhos retornaram a Chopawamsic. À época, ele possuía 20 875 acres (84,48 km2) somente no Condado de Stafford.

Em 1736, George Mason IV iniciou sua educação com o senhor Williams, contratado por sua mãe por 450 kg de tabaco anuais. Os estudos começaram na casa materna; no ano seguinte, Mason passou a viver com a senhora Simpson, em Maryland, enquanto Williams permaneceu como seu professor até 1739. Em 1740, Mason retornou a Chopawamsic sob a tutela de um certo Dr. Bridges, provavelmente Charles Bridges, que colaborou no desenvolvimento de escolas britânicas administradas pela Sociedade para a Promoção do Conhecimento Cristão e chegara à América Britânica em 1731. Mason e seu irmão Thomson provavelmente frequentaram a biblioteca de John Francis Mercer, uma das maiores da Virgínia à época; as conversas com Mercer e outros estudiosos podem ter desempenhado papel importante em sua formação informal.

Carreira

Condado de Fairfax

As obrigações e cargos associados ao fato de ser um dos maiores proprietários de terras locais recaíram sobre Mason, assim como haviam recaído anteriormente sobre seu pai e seu avô. Em 1747, Mason foi nomeado para o Tribunal do Condado de Fairfax, Virgínia, e, em 1749, foi eleito membro do conselho paroquial da Paróquia de Truro, no qual serviu até 1785. Assumiu também um posto entre os oficiais da milícia do condado, alcançando posteriormente o posto de coronel.

O tribunal do condado julgava causas cíveis e criminais, além de deliberar sobre assuntos como impostos locais. A maioria dos grandes proprietários de terras integrava esse órgão. Mason exerceu a função de juiz durante grande parte do restante de sua vida, embora tenha sido excluído por faltar às sessões entre 1752 e 1764 e tenha renunciado em 1789, quando continuar no cargo significaria comprometer-se a defender uma constituição que não apoiava. Mesmo enquanto membro, faltava com frequência às sessões. Joseph Horrell, em um artigo sobre o serviço judicial de Mason, observou que ele frequentemente apresentava saúde frágil e residia mais distante do tribunal do Condado de Fairfax do que qualquer outro grande proprietário, tanto em sua residência original, próxima à atual Tyson's Corner, quanto posteriormente na recém-fundada Alexandria. Robert Rutland, editor dos documentos de Mason, considerou o serviço judicial uma influência importante em seu pensamento e em seus escritos posteriores; Horrell, porém, discordou, afirmando que, “se o tribunal de Fairfax ofereceu um curso de formação inicial para Mason, ele se destacou sobretudo por faltar às aulas.”

Alexandria foi uma das cidades fundadas ou que receberam status corporativo em meados do século XVIII nas quais Mason possuía interesses. Ele adquiriu três dos lotes originais nas ruas King e Royal e tornou-se administrador municipal em 1754. Também atuou como administrador de Dumfries, no Condado de Prince William, mantendo interesses comerciais ali e em Georgetown, no lado de Maryland do rio Potomac, na atual Washington, DC.

Em 1748, tentou eleger-se para a Câmara dos Burgueses, mas o processo era controlado por membros mais antigos da corte e ele não obteve sucesso. Em 1758, contudo, saiu vitorioso.

Gunston Hall

Retrato da esposa de Mason, Ann Eilbeck, com quem teve nove filhos. Por Dominic Boudet, 1811, cópia do original destruído de John Hesselius
Selo postal de 1958 retratando Gunston Hall, residência de Mason no Condado de Fairfax, Virgínia
A Câmara dos Burgueses em Williamsburg, Virgínia, onde Mason atuou como delegado de 1758 a 1761.

Em 4 de abril de 1750, Mason casou-se com Ann Eilbeck, filha única de William e Sarah Eilbeck, do Condado de Charles, Maryland. As famílias Mason e Eilbeck possuíam terras adjacentes em Maryland e haviam participado de transações imobiliárias conjuntas; à época de sua morte, em 1764, William Eilbeck figurava entre os homens mais ricos do Condado de Charles. Quando se casou, Mason residia em Dogue's Neck, possivelmente em Sycamore Point. George e Ann Mason tiveram nove filhos que alcançaram a idade adulta. Ann Mason faleceu em 1773; pelo que se pode depreender dos relatos remanescentes, o casamento foi feliz.

Mason iniciou a construção de sua residência, Gunston Hall, por volta de 1755. O exterior, típico da arquitetura local da época, provavelmente baseou-se em livros de arquitetura enviados da Grã-Bretanha para a América para uso de construtores coloniais; um desses artesãos, possivelmente William Waite ou James Wren, ergueu a casa. Mason orgulhava-se dos jardins, que ainda hoje circundam a propriedade. Havia várias dependências, incluindo senzalas, escola e cozinhas, além de quatro grandes plantações, áreas florestais e armazéns e oficinas que tornavam Gunston Hall praticamente autossuficiente.

Mason evitou depender excessivamente do tabaco como fonte de renda, arrendando grande parte de suas terras a agricultores arrendatários e diversificando suas culturas, passando a cultivar trigo para exportação às Índias Ocidentais Britânicas, à medida que a economia da Virgínia declinava diante da superprodução de tabaco nas décadas de 1760 e 1770. Mason foi também um dos pioneiros da indústria vinícola da Virgínia. Juntamente com Thomas Jefferson e outros virginianos, aderiu ao plano de cultivo de uvas viníferas na América desenvolvido por Filippo Mazzei.

Ao longo do tempo, Mason ampliou consideravelmente os limites de Gunston Hall, de modo que a propriedade passou a abranger toda a Dogue's Neck, que ficou conhecida como Mason's Neck. Um empreendimento no qual esteve envolvido durante a maior parte da vida adulta foi a Ohio Company, na qual investiu em 1749 e da qual se tornou tesoureiro em 1752 — cargo que manteve por quarenta anos, até sua morte, em 1792. A companhia obtivera uma concessão real de 200 000 acres (81 000 ha) para demarcação próxima à confluência do Rio Ohio, na atual Pittsburgh. Os desafios da Guerra Franco-Indígena, da Guerra da Independência e as reivindicações concorrentes da Província da Pensilvânia acabaram levando ao colapso da Ohio Company. Embora a companhia tenha fracassado, Mason adquiriu extensas terras no oeste de forma independente. Sua defesa contra as reivindicações da Pensilvânia, Selections from the Virginia Charters, redigida em 1772 e originalmente destinada a fortalecer as pretensões da companhia, foi amplamente elogiada como defesa dos direitos americanos contra decretos reais.

O envolvimento com a Ohio Company aproximou Mason de diversos virginianos influentes, entre eles George Washington, seu vizinho no Condado de Fairfax. Mason e Washington mantiveram amizade por muitos anos, até romperem devido às divergências sobre a constituição federal. Peter R. Henriques, em estudo sobre a relação entre ambos, sugere que Mason cultivou a amizade mais ativamente do que Washington. Mason enviava mais cartas e presentes e visitava com maior frequência a residência de Washington em Mount Vernon, o que pode ser explicado em parte pelo fato de Mount Vernon situar-se na estrada entre Gunston Hall e Alexandria. Henriques observa ainda que, sendo Mason mais velho, intelectualmente destacado e proprietário de uma plantação próspera enquanto Washington lutava para consolidar Mount Vernon, não seria característico do futuro presidente buscar tal proximidade. Ainda assim, Washington tinha grande respeito pelas capacidades intelectuais de Mason e solicitava seu conselho com frequência, escrevendo em 1777, ao saber que Mason assumira determinada questão na Assembleia Geral: “Não conheço ninguém mais qualificado... do que o Coronel Mason, e fico muito satisfeito em saber que ele está encarregado disso.”

Apesar de seu envolvimento com o mercado imobiliário no oeste, Mason percebeu que as terras estavam sendo desmatadas e plantadas com tabaco mais rapidamente do que o mercado poderia absorver, o que levaria à queda de preços mesmo com o aumento do capital investido em terras e escravos. Embora fosse um grande proprietário de escravos, opunha-se ao sistema escravista na Virgínia. Acreditava que a contínua importação de escravos, somada ao crescimento natural da população escravizada, produziria no futuro uma população escrava imensa; considerava que um sistema de arrendamento de terras, embora menos lucrativo que o trabalho escravo, apresentaria “menos problemas e riscos”.

Câmara dos Burgueses da Virgínia

Pouco se sabe sobre as opiniões políticas de Mason antes da década de 1760, quando ele passou a se opor às políticas coloniais britânicas. Em 1758, Mason concorreu com sucesso à Câmara dos Burgueses quando George William Fairfax, detentor de uma das duas cadeiras do Condado de Fairfax, optou por não buscar a reeleição. Também foram eleitos o irmão de Mason, Thomson, pelo Condado de Stafford, George Washington pelo Condado de Frederick, onde ele estava estacionado como comandante da milícia da Virgínia durante a Guerra Franco-Indígena, e Richard Henry Lee, que trabalhou em estreita colaboração com Mason ao longo de suas carreiras.

Quando a Câmara dos Burgueses se reuniu, Mason foi inicialmente nomeado para um comitê encarregado de recrutar milícias adicionais durante o período de guerra. Em 1759, foi nomeado para o influente Comitê de Privilégios e Eleições. Também integrou o Comitê de Proposições e Queixas, que se dedicava principalmente a assuntos locais. Mason tratou de diversas questões locais, apresentando uma petição de plantadores do Condado de Fairfax contra a cobrança de impostos para a construção de um cais de tabaco em Alexandria, recursos que, em sua opinião, deveriam ser obtidos por meio de taxas portuárias. Ele também desempenhou papel central nas deliberações dos Burgueses sobre como dividir o Condado de Prince William à medida que o povoamento avançava; em março de 1759, o Condado de Fauquier foi criado por ato legislativo. Nesse contexto, Mason se opôs aos interesses da família de Thomas, Lord Fairfax, que desejava a expansão dos condados existentes, incluindo o próprio Fairfax. Essa divergência pode ter contribuído para a decisão de Mason de não buscar a reeleição em 1761. O biógrafo de Mason, Jeff Broadwater, observa que as designações de Mason para comissões refletiam a estima que seus colegas tinham por ele, ou pelo menos o potencial que nele enxergavam. Broadwater não considerou surpreendente que Mason não buscasse a reeleição, já que ele não compareceu às sessões entre 1759 e 1761.

Embora os britânicos tenham saído vitoriosos sobre os franceses na guerra, o governo do Rei Jorge III entendia que as colônias norte-americanas não estavam contribuindo com sua parcela justa, uma vez que recebia pouca receita tributária direta delas. A Lei do Açúcar de 1764 teve maior impacto na Nova Inglaterra e não gerou objeções generalizadas. A Lei do Selo, no ano seguinte, afetou todas as 13 colônias, pois exigia o uso de selos fiscais em documentos necessários ao comércio e à legislação. Quando a notícia da aprovação da Lei do Selo chegou a Williamsburg, a Câmara dos Burgueses aprovou as Resoluções da Virgínia, afirmando que os virginianos possuíam os mesmos direitos que os residentes na Grã-Bretanha e que só poderiam ser tributados por si mesmos ou por seus representantes eleitos. As resoluções foram redigidas principalmente por um novo membro do condado de Louisa, Patrick Henry, conhecido por sua oratória inflamável.

Mason passou gradualmente de uma figura periférica para o centro da política da Virgínia, mas sua resposta publicada à Lei do Selo, à qual se opôs, é particularmente notável por incluir suas posições antiescravistas. George Washington ou George William Fairfax, os burgueses do Condado de Fairfax, podem ter solicitado o conselho de Mason sobre quais medidas adotar diante da crise. Mason redigiu um projeto de lei para permitir que uma das ações judiciais mais comuns, a ação reivindicatória, ocorresse sem o uso de papel selado, e o enviou a George Washington, então um dos burgueses do Condado de Fairfax, para obter aprovação. Essa medida contribuiu para o boicote aos selos. Com os tribunais e o comércio paralisados, o Parlamento da Grã-Bretanha revogou a Lei do Selo em 1766, embora continuasse a afirmar o direito de tributar as colônias.

Após a revogação, um comitê de comerciantes londrinos publicou uma carta aberta aos americanos, advertindo-os a não declarar vitória. Mason divulgou uma resposta em junho de 1766, satirizando a posição britânica: "Com infinita dificuldade e fadiga, conseguimos que vocês fossem dispensados desta vez; façam o que seus pais ordenaram e apressem-se a enviar seus mais sinceros agradecimentos por terem condescendido em permitir que fiquem com aquilo que lhes pertence." Os Atos Townshend de 1767 representaram a tentativa seguinte da Grã-Bretanha de tributar as colônias, impondo taxas sobre produtos como chumbo e vidro, o que gerou apelos das colônias do norte por um boicote aos produtos britânicos. A Virgínia, mais dependente de mercadorias importadas da Grã-Bretanha, mostrou-se menos entusiasmada e, como os plantadores locais costumavam receber bens diretamente em seus ancoradouros fluviais, um boicote seria difícil de implementar. Em abril de 1769, Washington enviou uma cópia de uma resolução da Filadélfia a Mason, solicitando seu parecer sobre qual ação a Virgínia deveria adotar. Não se sabe quem adaptou o texto para uso na Virgínia (Broadwater conclui que foi Mason), mas Mason enviou a Washington um rascunho revisado em 23 de abril de 1769. Washington o levou a Williamsburg, porém o governador, Lord Botetourt, dissolveu a legislatura em razão das resoluções radicais que vinham sendo aprovadas. Os burgueses reuniram-se então em uma taverna próxima e ali aprovaram um acordo de não importação baseado no rascunho de Mason.

Embora a resolução não ameaçasse interromper as exportações de tabaco, como Mason desejava, ele continuou trabalhando nos anos seguintes em favor da não importação. A revogação da maioria dos impostos Townshend tornou essa tarefa mais difícil. Em março de 1773, sua esposa Ann morreu em decorrência de complicações após outra gravidez. Mason tornou-se pai solteiro de nove filhos, e suas responsabilidades o deixaram ainda mais relutante em aceitar cargos políticos que o obrigassem a afastar-se de Gunston Hall.

Guerra Revolucionária

Em maio de 1774, Mason estava em Williamsburg tratando de assuntos imobiliários. Acabara de chegar a notícia da aprovação das Leis Intoleráveis, como os americanos apelidaram a resposta legislativa à Festa do Chá de Boston, e um grupo de legisladores, incluindo Lee, Henry e Jefferson, convidou Mason a unir-se a eles na formulação de um plano de ação. Os burgueses aprovaram uma resolução convocando um dia de jejum e oração para buscar intervenção divina contra a “destruição de nossos direitos civis”, mas o governador, Lord Dunmore, dissolveu a legislatura em vez de aceitá-la. Mason pode ter contribuído para a redação da resolução e provavelmente se juntou aos membros após a dissolução, quando se reuniram na Taberna Raleigh, em Williamsburg.

Novas eleições precisaram ser realizadas para burgueses e para delegados à convenção convocada pelo que restava da dissolvida Câmara dos Burgueses, e as do Condado de Fairfax foram marcadas para 5 de julho de 1774. George Washington planejava concorrer a uma das vagas e tentou convencer Mason ou Bryan Fairfax a disputar a outra, mas ambos recusaram. Como a votação foi adiada para 14 de julho devido ao mau tempo, Washington reuniu-se nesse dia com outros líderes locais (incluindo, provavelmente, Mason) em Alexandria e escolheu um comitê para redigir um conjunto de resoluções que, segundo esperava, “definiriam nossos Direitos Constitucionais”. As Resoluções de Fairfax resultantes foram em grande parte redigidas por Mason. Ele encontrou-se com Washington em 17 de julho em Mount Vernon e passou a noite ali; no dia seguinte, os dois viajaram juntos para Alexandria. As 24 proposições que compunham as Resoluções protestavam contra a lealdade à Coroa Britânica, mas negavam ao Parlamento o direito de legislar para colônias estabelecidas com recursos privados e que haviam recebido cartas régias do monarca. As Resoluções exigiam a convocação de um congresso continental. Caso os americanos não obtivessem reparação até 1º de novembro, as exportações — inclusive de tabaco — seriam suspensas. Os proprietários de terras do Condado de Fairfax aprovaram as Resoluções, nomeando Mason e Washington para um comitê especial de emergência. Segundo o historiador da Virgínia Hugh Grigsby, em Alexandria, Mason “fez seu primeiro grande movimento no teatro da Revolução”.

Washington levou as Resoluções à Convenção da Virgínia [en] em Williamsburg. Embora os delegados tenham feito algumas modificações, o texto aprovado seguiu de perto tanto as Resoluções de Fairfax quanto o plano de não exportação de tabaco que Mason havia proposto alguns anos antes. A convenção elegeu delegados para o Primeiro Congresso Continental na Filadélfia, incluindo Lee, Washington e Henry, e, em outubro de 1774, o Congresso adotou embargo semelhante.

Grande parte dos esforços de Mason em 1774 e 1775 concentrou-se na organização de uma milícia independente do governo real. Washington, já em janeiro de 1775, treinava uma pequena força, e ele e Mason adquiriram pólvora para a companhia. Mason defendeu a eleição anual dos oficiais da milícia em termos que mais tarde ecoariam na Declaração de Direitos da Virgínia: “Viemos iguais a este mundo e iguais sairemos dele. Todos os homens nascem, por natureza, igualmente livres e independentes.”

A eleição de Washington como delegado ao Segundo Congresso Continental abriu uma vaga na delegação do Condado de Fairfax à terceira Convenção da Virgínia. Em maio de 1775, Washington escreveu da Filadélfia, insistindo para que a vaga fosse preenchida. Nesse momento, já havia ocorrido derramamento de sangue entre as milícias patriotas americanas e o Exército Britânico [en] nas Batalhas de Lexington e Concord, que marcaram o início da Guerra da Independência Americana. Mason tentou evitar a eleição alegando problemas de saúde e suas responsabilidades como pai solteiro de nove filhos. Ainda assim, foi eleito e viajou para Richmond, que, por situar-se mais no interior do que Williamsburg, era considerada mais segura contra um possível ataque britânico.

Quando a convenção de Richmond teve início, em julho de 1775, Mason foi designado para comissões fundamentais, incluindo uma encarregada de formar um exército para defender a colônia. Segundo Robert A. Rutland, “doente ou saudável, Mason era necessário por sua capacidade”. Mason patrocinou uma medida de não exportação; ela foi aprovada por ampla maioria, embora tenha precisado ser posteriormente revogada naquela sessão para harmonizar-se com medida semelhante aprovada por Maryland. Apesar da pressão de muitos delegados, Mason recusou-se a aceitar eleição como delegado ao Segundo Congresso Continental no lugar de Washington, após o Congresso ter escolhido Washington como comandante-geral do Exército Continental. No entanto, não pôde evitar a eleição para o Comitê de Segurança, órgão poderoso que assumiu diversas funções no vácuo deixado pelo governo real. Mason apresentou sua renúncia a esse comitê, mas ela foi recusada.

Declaração de Direitos

Jovem Thomas Jefferson
O plano de Mason para a constituição da Virgínia foi adotado em detrimento das propostas de Thomas Jefferson (na foto) e outros.

A doença obrigou Mason a afastar-se do Comitê de Segurança por várias semanas em 1775, e ele não compareceu à quarta convenção, realizada em dezembro de 1775 e janeiro de 1776. Com a independência da Grã-Bretanha amplamente aceita como necessária entre os virginianos proeminentes, a quinta convenção, que se reuniria em maio de 1776 em Williamsburg, precisaria decidir como a Virgínia seria governada dali em diante, uma vez que o governo real estava morto em tudo, menos no nome. Consequentemente, a convenção era considerada de extrema importância, tanto que Lee providenciou sua destituição temporária do Congresso para participar dela, e Jefferson tentou, sem sucesso, também afastar-se do Congresso. Outros nomes de destaque eleitos para a convenção foram Henry, George Wythe [en] e um jovem delegado do Condado de Orange, James Madison. Mason foi eleito pelo Condado de Fairfax, embora com grande dificuldade.

Que todos os homens nascem igualmente livres e independentes e possuem certos direitos naturais inerentes, dos quais não podem, por meio de qualquer pacto, privar ou despojar sua posteridade; entre os quais estão o gozo da vida e da liberdade, com os meios de adquirir e possuir propriedade, e de buscar e obter felicidade e segurança.

George Mason, rascunho do Artigo 1 da Declaração de Direitos da Virgínia, 1776.

Essa convenção, em maio de 1776, instruiu unanimemente Jefferson e os demais delegados da Virgínia ao Congresso a buscarem “uma Declaração de Independência clara e completa”. Ao mesmo tempo, decidiu aprovar uma declaração de direitos. Problemas de saúde retardaram a chegada de Mason até 18 de maio de 1776, após a votação, mas ele foi nomeado para um comitê liderado por Archibald Cary, encarregado de redigir uma declaração de direitos e uma constituição. Mason duvidava que o Comitê Cary, composto por trinta membros, conseguisse produzir algo valioso de forma coletiva, mas surpreendeu-se com a rapidez dos trabalhos — rapidez à qual sua própria atuação certamente contribuiu. Em 24 de maio, o presidente da convenção, Edmund Pendleton, escreveu a Jefferson sobre as deliberações do comitê: “Como o coronel Mason parece ser o responsável pela grande obra, tenho grandes esperanças de que ela seja elaborada de modo a alcançar seu objetivo: prosperidade para a comunidade e segurança para os indivíduos”.

Mason, trabalhando em uma sala da Taberna Raleigh, redigiu uma declaração de direitos e um plano de governo, provavelmente para evitar que propostas superficiais ou inviáveis fossem apresentadas. Edmund Randolph recordaria mais tarde que o rascunho de Mason “engoliu todos os outros”. A Declaração de Direitos da Virgínia e a Constituição da Virgínia de 1776 foram obras coletivas, mas Mason foi seu principal autor. Ele provavelmente trabalhou em estreita colaboração com Thomas Ludwell Lee; o rascunho mais antigo preservado apresenta os dez primeiros artigos escritos à mão por Mason, e os dois últimos por Lee. O texto baseou-se na Magna Carta, na Petição de Direitos inglesa de 1628 e na Declaração de Direitos daquele país de 1689. O primeiro artigo de Mason seria logo parafraseado por Jefferson na redação da Declaração de Independência Americana.

A partir do primeiro artigo, que enumera os direitos do homem, Mason derivou os dispositivos seguintes, deixando claro que a função do governo é assegurar e proteger tais direitos e que, se falhar nesse dever, o povo tem o direito de alterá-lo ou aboli-lo. A propriedade não poderia ser tomada para uso público sem o consentimento do proprietário, e um cidadão somente poderia ser vinculado por uma lei aceita por ele próprio ou por representantes eleitos. Se acusado, teria direito a julgamento rápido e local, com base em acusação formal que lhe fosse comunicada, bem como o direito de apresentar provas e testemunhas em sua defesa.

Quando a convenção iniciou o debate sobre a declaração, logo surgiu impasse quanto à primeira frase do Artigo 1, pois alguns temiam que implicasse que os escravos eram iguais a seus senhores. A questão foi resolvida com a inclusão da expressão “quando entram em um estado de sociedade”, excluindo assim os escravizados. Mason discursou repetidamente ao longo dos cinco dias de debate, empregando uma oratória que um ouvinte descreveu como “nem fluida nem suave, mas de linguagem vigorosa, porte muito impressionante e reforçada por um cinismo mordaz quando a provocação o tornava oportuno”. A Declaração de Direitos foi aprovada pela convenção em 12 de junho de 1776.

Posteriormente, surgiram declarações contraditórias de membros da convenção (inclusive de Mason) sobre a autoria de determinados artigos. Randolph atribuiu a Henry os Artigos 15 e 16, mas o Artigo 16 (relativo à liberdade religiosa) foi redigido por Madison. Mason seguiu o modelo da legislação inglesa ao redigir um texto que exigia tolerância às religiões minoritárias, mas Madison insistiu na liberdade religiosa plena, e Mason apoiou a emenda de Madison assim que ela foi apresentada.

O rascunho do comitê, provavelmente redigido em sua maior parte por Mason, recebeu ampla divulgação (a versão final, em menor grau), e suas palavras — “todos os homens nascem igualmente livres e independentes” — foram posteriormente reproduzidas nas constituições estaduais da Pensilvânia a Montana; Jefferson refinou a redação e incorporou essas ideias à Declaração da Independência. Em 1778, Mason escreveu que a Declaração de Direitos “foi fielmente imitada pelos demais Estados Unidos”. Isso era correto: sete dos estados originais, além de Vermont, uniram-se à Virgínia na adoção de uma declaração de direitos. Quatro deles especificaram direitos protegidos no próprio corpo de suas constituições. A opinião pública era tão forte em Massachusetts que, em 1778, os eleitores rejeitaram uma constituição redigida por uma convenção, insistindo que uma declaração de direitos deveria precedê-la.

Constituição da Virgínia

Mesmo antes de a convenção aprovar a Declaração de Direitos, Mason já estava empenhado na elaboração de uma constituição para a Virgínia. Ele não era o único a dedicar-se a essa tarefa; Jefferson enviou diversas versões da Filadélfia, uma das quais forneceu o preâmbulo da constituição. Meriwether Smith, do Condado de Essex, pode ter preparado um rascunho, mas o texto não sobreviveu. Como não se conhece um original manuscrito por Mason, não é possível determinar em que medida a versão final foi redigida por ele. Em 22 de junho de 1776, porém, William Fleming enviou a Jefferson uma cópia do rascunho apresentado ao Comitê Cary, informando que “o plano impresso em anexo foi elaborado pelo coronel G. Mason e por ele apresentado ao comitê”.

Mason apresentou seu plano entre 8 e 10 de junho de 1776. Nele, o novo estado era denominado "Commonwealth of Virginia" (Comunidade da Virgínia), nome escolhido deliberadamente para indicar que o poder emanava do povo. A constituição previa uma Câmara dos Representantes eleita anualmente por homens que possuíssem ou arrendassem propriedades, ou que tivessem gerado três ou mais filhos virginianos. A maior parte do poder governamental ficava concentrada na Câmara dos Representantes — o governador não podia sequer vetar um projeto de lei e só podia atuar como comandante da milícia estadual mediante aconselhamento de seu Conselho de Estado, cujos membros eram eleitos pela legislatura. A proposta foi examinada pelo comitê, que apresentou relatório em 24 de junho, ocasião em que o preâmbulo de Jefferson e diversas emendas de sua autoria foram incorporados — George Wythe, que defendeu as propostas de Jefferson perante o comitê, observou que os debates já estavam tão avançados que os membros apenas se mostraram dispostos a ceder a Jefferson em alguns pontos. O texto foi debatido por toda a convenção entre 26 e 28 de junho e assinado em 29 de junho. Richard Henry Lee escreveu, na véspera da aprovação unânime da constituição: "Tive o prazer de ver nosso novo plano de governo progredir bem. Este dia dará o toque final a ele. É muito democrático."

Quando a convenção escolheu Patrick Henry como o primeiro governador da Virgínia após a independência, Mason liderou o comitê de notáveis encarregado de informar Henry sobre sua eleição. A constituição foi alvo de críticas — Edmund Randolph escreveu posteriormente que suas falhas demonstravam que mesmo uma mente tão brilhante quanto a de Mason não estava imune a “descuidos e negligências”: o texto não previa um mecanismo formal de emenda e concedia dois delegados a cada condado, independentemente da população. A constituição de 1776 permaneceu em vigor até 1830, quando foi substituída por outra convenção constitucional. Segundo Henry C. Riely, em seu estudo sobre Mason, “A Constituição da Virgínia de 1776, qualquer que tenha sido a controvérsia posterior acerca da contribuição de outros grandes líderes, permanece, com base na autoridade de Jefferson, Madison e Randolph — para citar apenas as fontes mais elevadas — como sua criação.”

Legislador da Guerra Revolucionária

Carta de Mason a George Washington em 1776, felicitando Washington por sua vitória no cerco de Boston.

Durante a Guerra da Independência Americana, Mason dedicou grande parte de seus esforços à defesa do Condado de Fairfax e dos rios da Virgínia, já que os britânicos realizaram repetidos ataques a áreas ao longo do Potomac. O controle dos rios e da Baía de Chesapeake era considerado urgente, pois os virginianos buscavam obter moeda forte comercializando tabaco com os franceses e outras nações europeias. A exportação de tabaco, geralmente por meio das Índias Ocidentais, permitia que Mason e outros adquirissem, via França e Holanda, produtos manufaturados na Grã-Bretanha, como tecidos, moldes de roupas, medicamentos e ferragens.

Mason serviu como membro da Câmara dos Representantes de 1776 a 1781, seu período mais longo de serviço político contínuo fora do Condado de Fairfax, que ele representou em Richmond. A outra cadeira do Condado de Fairfax mudou várias vezes — o enteado de Washington, Jackie Custis, foi eleito ao final da guerra — mas Mason permaneceu a escolha do condado durante todo o período. Ainda assim, sua saúde frequentemente o impedia de comparecer às sessões legislativas ou o fazia chegar dias ou semanas após o início dos trabalhos. Em 1777, Mason foi designado para um comitê encarregado de revisar as leis da Virgínia, esperando-se que assumisse a parte relativa ao código penal e à legislação fundiária. Permaneceu alguns meses no comitê antes de renunciar, alegando não ser advogado; a maior parte do trabalho coube a Jefferson (que retornara da Filadélfia), Pendleton e Wythe. Uma doença decorrente de uma vacinação malsucedida contra a varíola obrigou Mason a faltar a parte da sessão legislativa da primavera de 1777; durante sua ausência, os delegados o elegeram para o Congresso Continental em 22 de maio. Mason, possivelmente contrariado por Lee não ter sido escolhido, recusou o cargo, alegando ser indispensável em casa e não se sentir autorizado a deixar a Assembleia Geral sem o consentimento de seus eleitores. Lee foi eleito em seu lugar.

Isso não diminuiu o desejo dos virginianos de enviar Mason ao Congresso Continental. Em 1779, Lee renunciou ao Congresso, manifestando a esperança de que Mason, Wythe ou Jefferson o substituíssem na Filadélfia. O general Washington mostrava-se frustrado com a relutância de muitos homens talentosos em servir no Congresso, escrevendo a Benjamin Harrison [en] que os estados “deveriam obrigar seus homens mais capazes a comparecer ao Congresso... Onde estão Mason, Wythe, Jefferson, Nicholas, Pendleton, Nelson?” Washington escreveu diretamente a Mason:

Onde estão os nossos homens capazes? Por que não se apresentam para servir o seu país? Que esta voz, meu caro senhor, vos exorte — Jefferson e outros — não deixeis que uma opinião equivocada de que estamos prestes a nos estabelecer sob nossa própria videira e nossa própria figueira faça com que nossa até agora nobre luta termine em ignomínia.


Apesar dos apelos de Washington, Mason permaneceu na Virgínia, constantemente debilitado por doenças e profundamente envolvido no Comitê de Segurança e em outras iniciativas voltadas à defesa do Condado de Fairfax. A maior parte da legislação que apresentou na Câmara dos Representantes estava relacionada à guerra, frequentemente com o objetivo de arrecadar homens ou recursos financeiros necessários ao Congresso para sustentar o Exército Continental de Washington. Os novos governos federal e estadual, com escassez de recursos, recorreram à emissão de papel-moeda. Em 1777, o valor da moeda emitida pela Virgínia havia se depreciado drasticamente, e Mason elaborou um plano para resgatar as notas por meio de um imposto sobre propriedades imobiliárias. Ele chegou a Richmond com três semanas de atraso devido a problemas de saúde, para frustração de Washington, que confiava em seu conhecimento em assuntos financeiros. Washington escreveu a Custis: “Seria altamente desejável que se encontrasse um remédio para a depreciação de nossa moeda... Não conheço ninguém mais apto a fazê-lo do que o Coronel Mason”.

Mason manteve interesse constante nas questões do oeste, esperando, sem sucesso, salvar a concessão de terras da Companhia de Ohio. Ele e Jefferson estavam entre os poucos delegados informados sobre a expedição de George Rogers Clark [en] para assegurar o controle das terras ao norte do rio Ohio. Mason e Jefferson aprovaram legislação que autorizava o governador Henry a defender-se contra inimigos não especificados no oeste. A expedição obteve êxito considerável, e Mason recebeu um relatório diretamente de Clark. Mason procurou reduzir as divergências entre a Virgínia e outros estados e, embora considerasse que a linha Mason–Dixon (que não recebeu esse nome em homenagem a George Mason) e o acordo de 1780 sobre a disputa de fronteira com a Pensilvânia fossem desfavoráveis à Virgínia, votou a favor do acordo com entusiasmo. Ainda em 1780, Mason contraiu novo casamento, com Sarah Brent, proprietária de uma plantação próxima, solteira e com 52 anos. O matrimônio foi, em grande parte, de conveniência, pois a nova esposa poderia aliviar parte do peso de criar os numerosos filhos de Mason.

Período pós-Guerra Revolucionária

Após o Tratado de Paris de 1783, que reconheceu a soberania dos Estados Unidos e pôs fim, em grande parte, às hostilidades armadas, a vida ao longo do rio Potomac começou a retornar à normalidade. Em dezembro de 1783, Madison voltou a Gunston Hall após regressar do Segundo Congresso Continental na Filadélfia. Desde 1781, os Artigos da Confederação haviam unido os estados de forma frágil, e Madison buscava uma estrutura federal mais robusta, procurando um equilíbrio adequado entre os poderes federais e estaduais. Ele constatou que Mason estava disposto a considerar a criação de um imposto federal; receando que o tema pudesse desagradar seu anfitrião, Madison escreveu a Jefferson relatando a conversa daquela noite. No mesmo mês, Mason passou o Natal em Mount Vernon (a única propriedade maior que a sua no Condado de Fairfax). Um outro hóspede descreveu Mason como tendo “uma estatura esguia, mas não alta, com uma cabeça imponente e olhos cinzentos claros”. Mason continuou a exercer influência política na Virgínia, escrevendo a Patrick Henry, então eleito para a Câmara dos Representantes, uma carta repleta de conselhos quando a sessão de 1783 daquele órgão foi aberta.

Mason frustrou as tentativas de elegê-lo para a Câmara dos Representantes em 1784, declarando que enviá-lo a Richmond seria “uma invasão opressiva e injusta da minha liberdade pessoal”. Sua recusa desapontou Jefferson, que esperava que a perspectiva de debates sobre legislação fundiária atraísse Mason para Richmond. Ainda assim, a legislatura nomeou Mason como comissário para negociar com Maryland sobre a navegação no rio Potomac. Ele dedicou grande parte de seu tempo a essa questão e alcançou um acordo com os delegados de Maryland na reunião de março de 1785, conhecida como Conferência de Mount Vernon. Embora o encontro na residência de Washington tenha sido posteriormente visto como um primeiro passo rumo à Convenção Constitucional de 1787, Mason o considerou apenas um esforço conjunto de dois estados para resolver divergências práticas. Mason foi nomeado delegado à Convenção de Annapolis de 1786, para a qual representantes de todos os estados haviam sido convidados; contudo, como a maioria dos delegados, não compareceu. A reunião de Annapolis, com baixa participação, convocou uma nova convenção para discutir emendas aos Artigos da Confederação.

Para combater o contrabando, Madison propôs um projeto de lei que tornava Norfolk o único porta de entrada legal do estado. Posteriormente, outros cinco portos, incluindo Alexandria, foram acrescentados, mas a chamada Lei dos Portos mostrou-se impopular, apesar do apoio de Washington. Mason, opositor da medida, aceitou concorrer à Câmara dos Representantes em 1786, e muitos acreditavam que sua influência seria decisiva para revogar a lei. Devido a uma doença, não compareceu a Richmond durante a sessão inicial, mas enviou uma petição à legislatura como cidadão comum. A Lei dos Portos foi mantida, embora novos portos tenham sido adicionados como pontos legais de entrada.

Convenção Constitucional (1787)

A Sala da Assembleia no Independence Hall, na Filadélfia, onde foi realizada a Convenção Constitucional e a Constituição foi assinada e ratificada.

Embora a Convenção de Annapolis tenha reunido apenas cerca de uma dúzia de delegados, representando cinco estados, ela convocou uma nova reunião na Filadélfia, em maio de 1787, com o objetivo de elaborar emendas aos Artigos da Confederação que produzissem um arranjo constitucional mais duradouro. Assim, em dezembro de 1786, a Assembleia Geral da Virgínia elegeu sete delegados: Washington, Mason, Henry, Randolph, Madison, Wythe e John Blair. Henry recusou a nomeação, sendo substituído por James McClurg. Randolph, recém-eleito governador, enviou três notificações de eleição a Mason, que aceitou sem objeções. As estradas estavam em más condições devido às enchentes da primavera, e Mason foi o último delegado da Virgínia a chegar, em 17 de maio, três dias após a data inicialmente prevista para a abertura da convenção. Contudo, a convenção só foi formalmente iniciada em 25 de maio, quando pelo menos um delegado de dez dos doze estados presentes compareceu (Rhode Island não enviou representantes).

A viagem à Filadélfia foi a primeira de Mason para além da Virgínia e de Maryland. Segundo Josephine T. Pacheco, “como os líderes da Virgínia o consideravam um homem sábio e confiável, não é surpreendente que o tenham escolhido como membro da delegação, embora talvez tenham se surpreendido quando ele aceitou”. Broadwater sugere que Mason decidiu comparecer por reconhecer que o congresso federal precisava de maior autoridade e por acreditar que poderia servir de contrapeso às legislaturas estaduais. Enquanto aguardavam a chegada dos demais delegados, os virginianos reuniam-se diariamente e estruturaram o que ficou conhecido como Plano da Virgínia. Também visitaram pontos de interesse da cidade e foram apresentados ao presidente da Pensilvânia, Benjamin Franklin. Uma semana após sua chegada, Mason declarou-se entediado com os eventos sociais oferecidos aos delegados: “Começo a me cansar da etiqueta e das frivolidades tão em voga nesta cidade”.

Ao ingressar na convenção, Mason defendia um governo central mais forte do que o previsto nos Artigos da Confederação, mas não a ponto de ameaçar os interesses locais. Temia que os estados do Norte, mais populosos, dominassem a união e impusessem restrições comerciais prejudiciais à Virgínia, razão pela qual buscava a exigência de supermaioria para as leis de navegação. Seu objetivo constante era preservar as liberdades que ele e outros homens brancos livres desfrutavam na Virgínia, protegendo-se da tirania que haviam denunciado sob o domínio britânico. Também buscava um equilíbrio de poderes que assegurasse a estabilidade do novo governo; conforme o historiador Brent Tarter, assim como projetou Gunston Hall de modo que nenhum elemento estrutural comprometesse sua integridade, Mason tentou conceber instituições governamentais que não pudessem ser derrubadas por homens inescrupulosos.

Mason ingressou na convenção com esperança de que ela fortalecesse os Estados Unidos. Impressionado com a qualidade dos delegados, acreditava que poderiam produzir soluções sólidas, algo que nem sempre encontrara em sua trajetória política. Ainda assim, reconhecia que “as esperanças de toda a União se concentravam nesta Convenção” e escreveu a seu filho George que a revolta contra a Grã-Bretanha e a formação do novo governo não se comparavam à magnitude do desafio então enfrentado.

O Sr. Mason é um cavalheiro de notável vigor intelectual e possui compreensão clara e ampla. É capaz e persuasivo nos debates, firme e constante em seus princípios, e sem dúvida um dos melhores políticos da América. O Sr. Mason tem quase 60 anos e uma constituição física forte e saudável.

William Pierce da Geórgia

Mason conhecia poucos delegados fora da Virgínia e de Maryland, mas sua reputação o precedia. Quando representantes de um número suficiente de estados chegaram à Filadélfia no final de maio, a convenção passou a reunir-se a portas fechadas na Casa do Estado da Pensilvânia (atual Independence Hall). Washington foi eleito presidente por unanimidade, e seu prestígio como general vitorioso conferiu legitimidade ao encontro, embora o levasse a abster-se de participar ativamente dos debates. Mason, por sua vez, não tinha tal restrição e tornou-se um dos oradores mais frequentes — apenas quatro ou cinco delegados intervieram tanto quanto ele. Embora ao final não tenha assinado a constituição, segundo Broadwater, Mason venceu tantos debates quanto perdeu.

Nos primeiros dias, Mason apoiou amplamente o Plano da Virgínia, apresentado por Randolph em 29 de maio. O plano previa uma câmara baixa eleita pelo povo, responsável por escolher os membros da câmara alta a partir de listas fornecidas pelos estados. Muitos delegados consideravam o governo previsto nos Artigos excessivamente fraco, e Randolph propôs que o novo governo federal fosse supremo sobre os estados. Mason concordava que o governo federal deveria ter maior autoridade que os estados.

O Plano da Virgínia previa representação proporcional à população em ambas as casas do legislativo federal, o que desagradava os estados menores. Os delegados de Delaware haviam recebido instruções para buscar igualdade de votos entre os estados, proposta que deu origem ao Plano de Nova Jersey, apresentado pelo governador William Paterson. As divisões tornaram-se evidentes no final de junho, quando a convenção aprovou, por margem estreita, a representação proporcional na câmara baixa, mas rejeitou, por empate, a proposta de Oliver Ellsworth de conceder um voto igual a cada estado na câmara alta. Diante do impasse, em 2 de julho de 1787 foi criado um grande comitê, com um membro de cada estado, para buscar uma solução. Mason, que não adotara posição tão rígida quanto Madison sobre a estrutura legislativa, foi nomeado para o comitê; ele e Franklin eram seus membros mais destacados. O comitê reuniu-se durante o recesso de 4 de julho e apresentou o que ficou conhecido como o Grande Compromisso: uma Câmara dos Representantes baseada na população, responsável por iniciar projetos de lei orçamentários, e um Senado com representação igualitária para cada estado. Não há registros detalhados da atuação de Mason nesse comitê, mas a cláusula que determinava a origem das leis financeiras na Câmara provavelmente contou com sua iniciativa ou apoio, pois já havia defendido disposição semelhante na Constituição da Virgínia. Segundo as anotações de Madison, Mason instou os delegados a aceitarem o acordo:

Por mais sujeito a objeções que fosse o Relatório [da Grande Comissão], ele o considerava preferível a um apelo ao mundo por parte dos lados divergentes, como fora sugerido por alguns senhores. Nada poderia ser mais inconveniente para qualquer cavalheiro do que permanecer afastado de seus assuntos particulares como ele estava; mas preferia enterrar seus ossos nesta cidade a expor seu país às consequências da dissolução da Convenção sem que nada fosse feito.


Caminho para a dissidência

Em meados de julho, quando os delegados começaram a superar o impasse e a estruturar um arranjo baseado no Grande Compromisso, Mason já exercia influência considerável na convenção. William Blount, da Carolina do Norte, mostrava-se descontente com o fato de os representantes de seu estado “estarem em sintonia com a Virgínia, que parecia estar na liderança. Madison à frente, embora Randolph e Mason também fossem excelentes”. Mason não conseguiu aprovar suas propostas de que os senadores fossem proprietários de bens e não tivessem dívidas com os Estados Unidos, mas obteve êxito ao defender que a idade mínima para servir no Congresso fosse fixada em 25 anos, argumentando que homens mais jovens eram excessivamente imaturos. Foi também o primeiro a propor que a sede do governo nacional não se situasse na capital de um estado, a fim de evitar que a legislatura local exercesse influência indevida. Votou contra propostas que pretendiam basear a representação na riqueza ou nos impostos pagos por um estado e apoiou a redistribuição periódica das cadeiras da Câmara dos Representantes.

Em 6 de agosto de 1787, a convenção recebeu um rascunho preliminar elaborado por um Comitê de Detalhes presidido por John Rutledge, da Carolina do Sul; Randolph representara a Virgínia. O texto era aceitável para Mason como base de discussão, pois incluía pontos importantes para ele, como a exigência de que os projetos de lei orçamentários tivessem origem na Câmara e não pudessem ser emendados pelo Senado. No entanto, Mason considerava a câmara alta excessivamente poderosa, uma vez que detinha competência para celebrar tratados, nomear juízes da Suprema Corte e decidir disputas territoriais entre os estados. O rascunho tampouco previa um conselho de revisão, o que Mason e outros julgavam uma falha grave.

Durante várias semanas de agosto, a convenção debateu intensamente os poderes do Congresso. Embora Mason tenha obtido êxito em algumas propostas — como submeter as milícias estaduais à regulamentação federal e proibir o Congresso de impor impostos sobre exportações —, foi derrotado em pontos que considerava fundamentais. Entre eles, a decisão de permitir a importação de escravos até pelo menos 1800 (posteriormente alterada para 1808) e a autorização para que leis de navegação fossem aprovadas por maioria simples, o que poderia obrigar os virginianos a exportar seu tabaco em navios com bandeira americana, mesmo quando fosse mais econômico utilizar embarcações estrangeiras. A convenção também enfraqueceu a cláusula que determinava que os projetos de lei orçamentários se originassem na Câmara e não fossem passíveis de emenda pelo Senado, eliminando por fim essa última restrição após semanas de debate irregular. Apesar dessas derrotas, Mason continuou a colaborar construtivamente na elaboração da constituição, integrando outra grande comissão que tratou de direitos alfandegários e portos.

Em 31 de agosto de 1787, Elbridge Gerry, de Massachusetts, declarou-se contrário ao documento como um todo, assim como Luther Martin, de Maryland. Quando Gerry propôs o adiamento da apreciação final, Mason apoiou-o, afirmando, segundo Madison, que “preferiria cortar a própria mão direita a submetê-la à Constituição tal como está agora”. Ainda assim, Mason não descartava completamente a possibilidade de assiná-la; afirmou que aguardaria a resolução de certas questões pendentes antes de decidir se a subscreveria ou se defenderia a convocação de uma segunda convenção. À medida que os ajustes finais eram realizados, Mason e Gerry reuniam-se à noite para discutir estratégias, envolvendo delegados de estados que iam de Connecticut à Geórgia.

Não há declaração de direitos e, sendo as leis do governo geral supremas, as declarações dos estados separados não oferecem segurança... O presidente não tem conselho constitucional. Desse defeito decorrem os poderes indevidos do Senado e o cargo desnecessário do vice-presidente, que, como presidente do Senado, mistura perigosamente os poderes executivo e legislativo... Não há nenhuma seção que preserve a liberdade de imprensa ou o julgamento por júri em casos civis, nem há nenhuma seção relativa ao perigo de exércitos permanentes em tempos de paz.

George Mason, Objeções a esta Constituição de Governo

As reservas de Mason quanto à constituição intensificaram-se em 12 de setembro, quando Gerry propôs — com o apoio de Mason — a criação de um comitê encarregado de redigir uma declaração de direitos a ser incorporada ao texto constitucional. Roger Sherman, de Connecticut, observou que as declarações de direitos estaduais permaneceriam válidas; Mason respondeu que “as leis dos Estados Unidos devem prevalecer [supremamente] sobre as Declarações de Direitos Estaduais”. Embora Massachusetts tenha se abstido em deferência a Gerry, os delegados da Virgínia não demonstraram disposição de apoiar Mason, e a proposta foi rejeitada por dez votos a zero. Também em 12 de setembro, o Comitê de Estilo apresentou sua versão final do texto, e Mason passou a registrar formalmente suas objeções em sua própria cópia. Em 15 de setembro, enquanto a convenção continuava a análise cláusula por cláusula, Mason, Randolph e Gerry declararam que não assinariam a constituição.

Em 17 de setembro, os membros das doze delegações então presentes na Filadélfia assinaram a constituição, excetuando-se os três homens que haviam declarado sua recusa. Quando o documento foi encaminhado ao Congresso reunido sob os Artigos da Confederação, em Nova York, Mason enviou uma cópia de suas objeções a Richard Henry Lee, membro do Congresso.

Batalha pela ratificação

Broadwater observa: “dada a dificuldade da tarefa que ele havia se imposto, sua obstinada independência e sua falta, em 1787, de qualquer preocupação com seu próprio futuro político, não é surpreendente que ele tenha deixado Filadélfia em desacordo com a grande maioria de seus colegas delegados”. Madison registrou que Mason, convencido de que a convenção havia rejeitado suas propostas com excessiva pressa para concluir os trabalhos, iniciou sua viagem de retorno à Virgínia “de extremo mau humor”. A biógrafa de Mason, Helen Hill Miller, observa que, antes mesmo de regressar a Gunston Hall, ele já estava física e espiritualmente abatido após um acidente ocorrido na estrada. A notícia de sua posição contrária à constituição chegou ao Condado de Fairfax antes mesmo do encerramento da convenção; a maioria dos moradores era favorável ao documento. Washington divulgou uma declaração instando à ratificação, mas, fora isso, manteve-se em silêncio, sabendo que quase certamente seria o primeiro presidente. Mason enviou a Washington uma cópia de suas objeções, mas Washington entendia que a escolha se dava entre a ratificação e o desastre.

A constituição deveria ser ratificada por convenções estaduais, sendo necessárias nove aprovações para que entrasse em vigor. Na prática, a oposição de grandes estados como Nova York ou Virgínia poderia inviabilizar o funcionamento do novo governo. Mason permaneceu membro da Câmara dos Representantes e, no final de outubro de 1787, a legislatura convocou uma convenção para junho de 1788; em texto redigido por John Marshall, determinou-se que a Convenção de Ratificação da Virgínia teria permissão para uma “discussão livre e ampla”. Mason exerceu menos influência em sua última sessão na Câmara dos Representantes, em parte devido à sua firme oposição à ratificação; sua idade (61 anos) também pode ter contribuído para sua menor eficácia.

À medida que os estados menores ratificavam a constituição no final de 1787 e início de 1788, uma vasta quantidade de panfletos e outros textos foi publicada tanto a favor quanto contra sua aprovação. Os mais célebres em apoio foram os ensaios posteriormente reunidos como O Federalista, escritos por Madison e pelos nova-iorquinos Alexander Hamilton e John Jay; as objeções de Mason foram amplamente citadas pelos opositores. Mason começara a redigir suas Objeções a esta Constituição de Governo ainda na Filadélfia; em outubro de 1787, o texto foi publicado, embora sem sua autorização. Madison queixou-se de que Mason havia ampliado as razões de oposição apresentadas na convenção, mas Broadwater sugere que a principal diferença estava no tom, já que o texto escrito descartava como inadequados tanto a constituição quanto o governo federal proposto. Ainda assim, tanto Lee quanto Mason acreditavam que, com as devidas emendas, a constituição poderia tornar-se um excelente instrumento de governo. As objeções foram amplamente utilizadas na campanha contra a ratificação, e Mason foi criticado por assinar o documento com seu próprio nome, em contraste com a prática comum de usar pseudônimos como Junius, a fim de evitar que a reputação do autor influenciasse o debate. Apesar disso, suas objeções figuraram entre os textos antifederalistas mais influentes, e sua frase inicial — “Não existe uma Declaração de Direitos” — tornou-se provavelmente seu lema mais eficaz.

Muitos virginianos relutavam em acreditar que figuras tão respeitadas quanto Washington e Franklin fossem cúmplices na criação de um sistema tirânico. Mason tornou-se alvo de ataques generalizados; o jornal Gazette de New Haven insinuou que ele pouco havia feito por seu país durante a guerra, em contraste marcante com Washington. Oliver Ellsworth atribuiu a oposição na Virgínia às antigas tensões entre a família Lee e a família Washington e à “loucura de Mason”. Tarter, em seu artigo sobre Mason na American National Biography, escreveu que “a rigidez de suas opiniões e sua personalidade cada vez mais combativa produziram uma intolerância e intemperança em seu comportamento que surpreenderam e irritaram Madison, com quem havia trabalhado estreitamente no início da convenção, e Washington, que condenou em particular suas ações durante a luta pela ratificação”.

Em Richmond, de outubro de 1787 a janeiro de 1788, representando o Condado de Fairfax na Câmara dos Representantes, Mason enfrentou dificuldades para se eleger delegado à convenção de ratificação em seu condado natal, pois a maioria dos proprietários de terras de Fairfax era federalista, e a política local nos tribunais o colocava em conflito com muitos residentes de Alexandria. A legislação que regia as eleições para a convenção permitia que Mason concorresse onde possuísse propriedades, e ele apresentou candidatura pelo Condado de Stafford. Assegurou aos eleitores que não buscava a desunião, mas sim a reforma, e declarou-se firmemente contrário à constituição sem emendas. George Nicholas, amigo federalista de Mason, acreditava que ele julgava possível levar a Virgínia a obter concessões dos demais estados e que se ressentia dos ataques constantes que vinha sofrendo. Em 10 de março de 1788, Mason obteve o primeiro lugar na votação no Condado de Stafford, e o veterano delegado Andrew Buchanan conquistou a outra vaga, derrotando o Coronel Carter e William Fitzhugh. Dois dias depois, um ensaísta de Richmond criticou Mason e Richard Henry Lee (que não compareceu) pela “descarada insolência e loucura” de seus protestos públicos. Mason aparentemente foi o único eleito para aquela convenção por um distrito em que não residia (embora muitos de seus antepassados tivessem vivido e representado o condado). A participação eleitoral foi baixa, pois muitos habitantes de áreas remotas, sem acesso a jornais, sabiam pouco sobre a constituição. Acreditava-se que os federalistas detinham ligeira vantagem entre os delegados eleitos; Mason, por sua vez, considerava improvável que a convenção ratificasse o documento sem exigir emendas.

Quando a convenção de Richmond se reuniu em junho, Randolph já havia abandonado a causa antifederalista, o que enfraqueceu os esforços de Mason e Henry para coordenar ações com aliados em Nova York. Mason propôs que o documento fosse examinado cláusula por cláusula, proposta que pode ter favorecido os federalistas, que temiam uma votação imediata e que contavam com liderança mais experiente em Richmond, incluindo Marshall e Madison. Broadwater, contudo, sugere que, como a maioria dos delegados já havia declarado sua posição antes da eleição, a moção de Mason teve impacto limitado. Henry, ainda mais contrário a um governo federal forte do que Mason, liderou o debate em defesa dos antifederalistas. Mason discursou diversas vezes, abordando temas que iam do poder de indulto — que temia pudesse ser usado de forma corrupta pelo presidente — ao judiciário federal, que, segundo ele, permitiria que cidadãos processassem estados nos quais não residissem. John Marshall, futuro Chefe de Justiça dos Estados Unidos, minimizou essa preocupação; contudo, Mason seria posteriormente confirmado no caso Chisholm v. Georgia (1793), que levou à adoção da Décima Primeira Emenda.

Inicialmente, os federalistas não detinham maioria clara, sendo o restante composto por delegados não comprometidos, sobretudo da Virgínia Ocidental (atual Kentucky). Os antifederalistas sofreram sucessivos reveses à medida que Randolph desertava e chegavam notícias de que outros estados haviam ratificado a Constituição. Mason liderou um grupo de antifederalistas na redação de propostas de emenda; mesmo alguns federalistas estavam dispostos a apoiá-las, embora insistissem que o texto aprovado na Filadélfia fosse ratificado primeiro.

Após declarações de apoio à ratificação vindas de partes do Kentucky, a convenção examinou uma resolução para suspender a ratificação até a aprovação de uma declaração de direitos. A resolução, apoiada por Mason, mas contestada por Madison, Light-Horse Harry Lee, Marshall, Nicholas, Randolph e Bushrod Washington, foi rejeitada por 88 votos a 80. Mason votou então na minoria quando a Virgínia ratificou a constituição em 25 de junho de 1788, por 89 votos a 79. Após a ratificação, Mason integrou uma comissão presidida por George Wythe [en], encarregada de compilar uma lista final de emendas recomendadas; sua proposta foi adotada, com apenas algumas alterações editoriais. Insatisfeito com o desfecho, Mason redigiu um argumento escrito contundente, mas alguns consideraram o tom excessivamente duro, e ele concordou em não publicá-lo.

Últimos anos

Derrotado em Richmond, Mason retornou a Gunston Hall, onde passou a dedicar-se à família, aos assuntos locais e à própria saúde, embora mantivesse ativa correspondência com líderes políticos. Renunciou ao Tribunal do Condado de Fairfax após a aprovação, pelo novo Congresso, de uma lei que exigia que ocupantes de cargos públicos prestassem juramento de apoio à Constituição. Em 1790, recusou uma vaga no Senado deixada pela morte de William Grayson, afirmando que sua saúde não lhe permitiria servir, mesmo que não tivesse outras objeções. A vaga foi preenchida por James Monroe, que apoiara a posição antifederalista de Mason e que, em 1789, perdera para Madison uma cadeira na Câmara dos Representantes. Pela correspondência de Mason, percebe-se que ele suavizou sua postura em relação ao novo governo federal, afirmando a Monroe que a Constituição “sabiamente e corretamente determina” que os embaixadores sejam confirmados pelo Senado. Embora tenha previsto que as emendas propostas pelo Primeiro Congresso seriam “propostas sem substância”, demonstrou “grande satisfação” com o que veio a ser a Declaração de Direitos (ratificada em 1791) e escreveu que, se suas preocupações quanto aos tribunais federais e outras questões fossem atendidas, “eu poderia alegremente colocar minha mão e coração no novo governo”.

Você conhece a amizade que existe há muito tempo (desde a nossa juventude) entre o general Washington e eu. Acredito que há poucos homens em quem ele depositava maior confiança; mas é possível que minha oposição ao novo governo, tanto como membro da Convenção Nacional quanto da Convenção da Virgínia, tenha alterado a situação.

George Mason ao seu filho John, 1789

Washington, eleito o primeiro presidente em 1789, ressentia-se das fortes posições de Mason contra a ratificação da Constituição, e essas divergências romperam a amizade entre ambos. Embora algumas fontes indiquem que Mason jantou em Mount Vernon em 2 de novembro de 1788, Peter R. Henriques observa que o diário de Washington registra que o convidado foi o Sr. George Mason; como Washington, em outras passagens, sempre se referia ao seu antigo colega da Filadélfia como Coronel Mason, é provável que o visitante fosse George Mason V, seu filho. Mason sempre escreveu de maneira respeitosa sobre Washington, e o presidente não fez críticas públicas; contudo, em carta privada referiu-se a Mason como um “antigo amigo” que não se retrataria de sua posição sobre a Constituição porque “o orgulho, por um lado, e a falta de franqueza viril, por outro, certamente não o deixarão reconhecer o erro em suas opiniões a respeito disso [o governo federal], embora a convicção lhe surja em mente com a força de um raio de luz”. Rutland sugeriu que ambos eram semelhantes na intolerância em relação aos oponentes e na tendência a desconfiar das motivações alheias.

Mason há muito se opunha aos comerciantes de Alexandria, que, em sua opinião, dominavam injustamente o tribunal do condado, ainda que apenas por terem acesso mais fácil ao edifício. Em 1789, redigiu um projeto de lei para transferir o prédio do tribunal para o centro do condado, embora a medida não tenha sido aprovada durante sua vida. Em 1798, a legislatura aprovou uma lei autorizando a mudança, e o novo prédio foi inaugurado em 1801. Durante o verão de 1792, a maioria dos residentes de Gunston Hall, tanto familiares quanto escravizados, adoeceu com calafrios e febre; após a melhora desses sintomas, Mason contraiu um resfriado. Quando Jefferson visitou Gunston Hall em 1º de outubro de 1792, encontrou Mason sofrendo de gota, necessitando de uma muleta para caminhar, embora permanecesse lúcido e com boa memória. Outros problemas de saúde, possivelmente pneumonia, surgiram em seguida. Menos de uma semana após a visita de Jefferson, em 7 de outubro, George Mason morreu em Gunston Hall e foi posteriormente sepultado na propriedade, com vista para a casa que construíra e para o rio Potomac.

Embora sua morte tenha recebido pouca atenção além de breves menções em jornais locais, Jefferson lamentou tratar-se de “uma grande perda”. Outro futuro presidente, Monroe, declarou que as “virtudes patrióticas de Mason durante a revolução serão sempre lembradas pelos cidadãos deste país”.

Opiniões sobre a escravidão

Gunston Hall em maio de 2006

Mason manifestou-se reiteradamente contra a escravidão, mesmo antes da independência dos Estados Unidos. Em 1773, escreveu que a escravidão era “aquele veneno lento que contamina diariamente as mentes e a moral de nosso povo. Todo cavalheiro aqui nasce um pequeno tirano”. Em 1774, defendeu o fim do comércio internacional de escravos.

Como quase todos os grandes proprietários de plantações da Virgínia naquele período, Mason possuía numerosos escravos. No Condado de Fairfax, apenas George Washington possuía mais, e não há registro de que Mason tenha libertado algum, nem mesmo em seu testamento de março de 1773, transcrito para os registros de inventário do Condado de Fairfax em outubro de 1792 (o original foi perdido). Nesse testamento, seus escravos foram distribuídos entre seus filhos (que tinham entre vinte e três anos quando Mason o redigiu). Mason continuou a negociar terras e voltou a se casar (com um contrato de casamento registrado no Condado de Prince William em abril de 1780), e a Virgínia legalizou a alforria em maio de 1782. Washington, que não teve filhos, determinou em seu testamento, redigido pouco antes de sua morte, que seus escravos fossem libertados após o falecimento de sua esposa, e Jefferson concedeu alforria a alguns escravos, principalmente da família Hemings, incluindo seus próprios filhos com Sally Hemings. Segundo Broadwater, “com toda a probabilidade, Mason acreditava, ou convenceu-se, de que não tinha alternativas. Mason não faria nada que pudesse comprometer o futuro financeiro de seus nove filhos”. Peter Wallenstein, em seu estudo sobre como os autores interpretaram Mason, argumenta que ele poderia ter libertado ao menos alguns escravos sem comprometer o futuro de seus filhos, se assim desejasse.

Biógrafos e estudiosos de Mason há muito divergem quanto à forma de apresentar suas opiniões sobre questões relacionadas à escravidão. A sobrinha-trineta de Mason, Kate Mason Rowland, membro fundadora das Filhas Unidas da Confederação, publicou uma biografia em dois volumes em 1892. Broadwater observa que ela escreveu “no auge de Jim Crow” e negou que Mason (seu ancestral) fosse “um abolicionista no sentido moderno do termo”, argumentando que Mason “lamentava” a escravidão e se opunha ao tráfico de escravos, mas desejava que a escravidão fosse protegida na Constituição. Em 1919, Robert C. Mason publicou uma biografia de seu ilustre ancestral e afirmou que George Mason “concordou em libertar seus próprios escravos e foi o primeiro abolicionista conhecido”, recusando-se a assinar a Constituição, entre outros motivos, porque “na forma como foi redigida, ela não aboliu a escravidão nem estabeleceu as bases para sua extinção gradual”. Rutland, escrevendo em 1961, afirmou que, nos últimos dias de Mason, “apenas a coalizão [entre a Nova Inglaterra e o Extremo Sul na Convenção Constitucional] na Filadélfia, que frustrou qualquer esperança de eliminar a escravidão, deixou nele um resquício de repulsa”. Catherine Drinker Bowen, em seu relato amplamente lido de 1966 sobre a Convenção Constitucional, Milagre na Filadélfia, sustentou que Mason acreditava que os escravizados eram cidadãos e que era “um abolicionista fervoroso antes mesmo de a palavra ser cunhada”.

Outros adotaram uma posição mais moderada. Pamela C. Copeland e Richard K. MacMaster consideraram que as opiniões de Mason eram semelhantes às de outros virginianos de sua classe: “A experiência de Mason com o trabalho escravo levou-o a detestar a escravidão, mas seu grande investimento em propriedade escrava tornou difícil para ele abandonar um sistema que desprezava”. Segundo Wallenstein, “qualquer que tenha sido sua retórica ocasional, George Mason era — se for preciso escolher — pró-escravidão, e não antiescravidão. Ele agiu em nome dos proprietários de escravos da Virgínia, não dos escravizados da Virgínia”. Broadwater observou: “Mason expressou de forma consistente sua desaprovação à escravidão. Seu ataque à instituição em 1787 ecoa discurso semelhante na Convenção da Virgínia de 1776. Sua conduta, contudo, foi outra questão.”

Segundo Wallenstein, historiadores e outros autores “tiveram grande dificuldade em compreender Mason em seu contexto histórico e embaralharam a narrativa de maneira semelhante, enganando-se mutuamente e repetindo os erros uns dos outros”. Parte disso decorre da confusão entre as opiniões de Mason sobre a escravidão e seu desejo de proibir o tráfico de escravos africanos, ao qual ele se opunha de forma inequívoca e contra o qual lutou. Seu histórico legislativo, entretanto, é ambíguo: a Virgínia proibiu a importação de escravos do exterior em 1778, quando Mason era membro da Câmara dos Representantes. Em 1782, após seu retorno a Gunston Hall, o estado aprovou uma lei permitindo a alforria de escravos adultos jovens o suficiente para se sustentarem (com menos de 45 anos). Contudo, uma proposta apoiada por Mason, que exigia que os escravos libertos deixassem a Virgínia no prazo de um ano ou fossem vendidos em leilão, foi rejeitada. Broadwater afirmou: “Mason deve ter compartilhado os receios de Jefferson e de inúmeros outros brancos de que brancos e negros livres não poderiam viver juntos”.

A contradição entre desejar proteção para a propriedade escrava e, ao mesmo tempo, opor-se ao tráfico de escravos foi apontada por delegados na convenção de Richmond, como George Nicholas, defensor da ratificação. Mason declarou sobre a escravidão: “está longe de ser uma propriedade desejável. Mas nos envolverá em grandes dificuldades e infortúnios sermos agora privados dela.”

Locais e memória

A Universidade George Mason em Fairfax, Virgínia, nomeada em homenagem a Mason, possui uma estátua dele, inaugurada em 2015.

Há diversos locais que homenageiam George Mason no Condado de Fairfax. Gunston Hall, doado à Comunidade da Virgínia por seu último proprietário particular, está atualmente “dedicado ao estudo de George Mason, de sua casa e jardins, e da vida na Virgínia do século XVIII”. A Universidade George Mason, cujo campus principal é adjacente à cidade de Fairfax, foi anteriormente o George Mason College da Universidade da Virgínia de 1959 até adotar sua denominação atual em 1972. Um dos principais marcos do campus de Fairfax é uma estátua de George Mason, criada por Wendy M. Ross, que o retrata apresentando seu primeiro rascunho da Declaração de Direitos da Virgínia.

A Ponte Memorial George Mason, parte da Ponte da 14ª Rua, conecta o norte da Virgínia a Washington, DC. O Memorial George Mason no West Potomac Park em Washington, que também inclui uma estátua de Ross, foi inaugurado em 9 de abril de 2002.

Mason foi homenageado em 1981 pelo Serviço Postal dos Estados Unidos com um selo postal de 18 centavos da série Grandes Americanos. Um baixo-relevo de Mason aparece na Câmara dos Representantes dos EUA como um dos 23 que homenageiam grandes legisladores. A imagem de Mason está posicionada acima e à direita da cadeira do Presidente; ele e Jefferson são os únicos norte-americanos representados.

Visão histórica e legado

A "Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão", redigida principalmente pelo Marquês de La Fayette sob a influência de Thomas Jefferson, baseou-se em ideais codificados por Mason e constituiu um resumo dos princípios que inspiraram a Revolução Francesa.

Embora Mason não tenha assinado nem a Declaração da Independência nem a Constituição, as ideias que defendeu permaneceram em evidência, mesmo à medida que a fama de seu autor diminuía. Segundo Miller, “A sucessão de constituições do Novo Mundo, da qual a da Virgínia — com Mason como seu principal arquiteto — foi a primeira, declarou que a fonte da autoridade política era o povo... além de definir o que um governo tinha o direito de fazer, a maioria delas era precedida por uma lista dos direitos individuais dos cidadãos... direitos cuja proteção era a principal razão de ser do governo. Mason redigiu a primeira dessas listas”. Diane D. Pikcunas, em artigo preparado para o bicentenário da Declaração de Direitos dos EUA, escreveu que Mason “fez da declaração de direitos sua cruzada pessoal”. Tarter considerou Mason “celebrado como defensor da ordem constitucional e um dos pais da Declaração de Direitos”. A juíza associada da Suprema Corte, Sandra Day O'Connor, concordou: “A maior contribuição de George Mason para o direito constitucional contemporâneo foi sua influência sobre nossa Declaração de Direitos”.

O legado de Mason estendeu-se ao exterior ainda em vida e, embora nunca tenha visitado a Europa, seus ideais chegaram ao continente. A "Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão" de La Fayette foi redigida nos primeiros dias da Revolução Francesa, sob a influência de Jefferson, então ministro dos Estados Unidos na França. De acordo com o historiador R. R. Palmer, “havia, de fato, um paralelo notável entre a Declaração Francesa e a Declaração da Virgínia de 1776”. Outro estudioso, Richard Morris, concordou, considerando a semelhança entre os dois textos “demasiado próxima para ser coincidência”: “o estadista da Virgínia, George Mason, poderia muito bem ter movido uma ação por plágio”.

Donald J. Senese, na conclusão da coletânea de ensaios sobre Mason publicada em 1989, observou que vários fatores contribuíram para o relativo esquecimento de Mason no século seguinte à sua morte. Mason era mais velho do que muitos dos que participaram da Filadélfia e posteriormente alcançaram destaque no novo governo federal. Morreu pouco depois da entrada em vigor da Constituição e não demonstrou ambição por cargos federais, recusando uma vaga no Senado. Não deixou grande volume de escritos e, diferentemente de Franklin, que escreveu uma autobiografia, não manteve um diário como Washington ou John Adams. Washington deixou documentos reunidos em cem volumes; no caso de Mason, cujos papéis foram em grande parte destruídos em um incêndio, apenas três volumes sobreviveram. Mason lutou pelo lado derrotado, tanto na Filadélfia quanto em Richmond, o que o deixou na posição de vencido em uma história escrita pelos vencedores. Até mesmo seus discursos na Convenção Constitucional chegaram ao público por meio da pena de Madison, defensor da ratificação. Após a convenção de Richmond, era, segundo Senese, “um profeta sem honra em sua própria terra”.

O crescente escrutínio sobre Mason, que acompanhou sua ascensão da obscuridade, fez com que, segundo Tarter, “seu papel na elaboração de alguns dos textos mais importantes da liberdade americana não fosse tão inequívoco quanto parece”. Rutland sugeriu que Mason demonstrou apenas “preocupação tardia com os direitos pessoais dos cidadãos”. Ao analisar a dissidência de Mason em relação à Constituição, Miller destacou o acordo interseccional firmado sobre as leis de navegação e o comércio de escravos: “Mason perdeu em ambas as questões, e a dupla derrota refletiu-se em sua atitude posterior”. Wallenstein concluiu que “os interesses pessoais e econômicos do estado natal de Mason prevaleceram sobre uma declaração de direitos”.

Quaisquer que tenham sido suas motivações, Mason mostrou-se um defensor vigoroso de uma declaração de direitos, e suas objeções contribuíram para alcançar esse objetivo. Rutland observou que “desde a frase inicial de suas objeções até a Declaração de Direitos apresentada por James Madison no Congresso dois anos depois, a linha é tão direta que podemos dizer que Mason forçou a mão de Madison. Os apoiadores federalistas da Constituição não conseguiram neutralizar o protesto provocado pela frase de Mason: ‘Não há declaração de direitos’”. O'Connor escreveu: “Mason perdeu sua batalha contra a ratificação... [mas] seus ideais e sua atuação política influenciaram significativamente nossa jurisprudência constitucional”. Wallenstein considerou que há muito a aprender com Mason:

Um fazendeiro provincial, proprietário de escravos e plantador de tabaco, assumiu seu papel como revolucionário. Em sintonia com algumas das principais correntes intelectuais do mundo ocidental, desempenhou papel central na elaboração de uma declaração de direitos e da constituição do estado da Virgínia de 1776. Por razões próprias, combateu a ratificação do trabalho da convenção da Filadélfia de 1787... Dois séculos depois, talvez possamos aceitar seu legado — o quanto avançamos, o quanto conquistamos, seja por causa dele ou apesar dele, e também o quanto podemos ter perdido. Certamente há muito em Mason que apreciamos, desejamos preservar e podemos prontamente celebrar.


Ver também

Notas

  1. ↑ Alexandria foi temporariamente incorporada ao Distrito de Columbia, mas posteriormente retornou à Virgínia. Atualmente, o tribunal de Fairfax de 1801, que permaneceu em funcionamento até o início do século XXI, situa-se em um enclave do condado de Fairfax dentro da cidade independente de Fairfax, Virgínia.

Referências

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Bibliografia

Ligações externas