| Caloboletus calopus | |||||||||||||||||
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| Classificação científica | |||||||||||||||||
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Caloboletus calopus (Pers.) Vizzini (2014) | |||||||||||||||||
| Sinónimos | |||||||||||||||||
Lista
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Caloboletus calopus é uma espécie de fungo da família Boletaceae. Foi descrita pela primeira vez por Christiaan Persoon como Boletus calopus em 1801. Estudos modernos de filogenética molecular revelaram que era apenas distantemente relacionada à espécie-tipo do gênero Boletus, exigindo sua reclassificação em um novo gênero; assim, o gênero Caloboletus foi criado em 2014, com C. calopus designada como a espécie-tipo.
Os basidiomas, robustos e de coloração atraente, apresentam um píleo bege a oliváceo com até 15 cm de diâmetro, poros amarelos e um estipe avermelhado de até 15 cm de comprimento e 5 cm de largura. A carne, de cor amarelo-pálida, torna-se azul quando cortada ou machucada. O estipe vermelho o distingue de Boletus edulis.
Encontrado em florestas de coníferas e caducifólias durante o verão e o outono, a espécie ocorre na Eurásia e na América do Norte. Embora geralmente não seja considerada comestível devido ao seu sabor intensamente amargo que persiste mesmo após o cozimento, há relatos de seu consumo no leste da Europa.
Caloboletus calopus foi originalmente descrita como Boletus olivaceus por Jacob Christian Schäffer em 1774, mas esse nome não está disponível para uso, pois foi posteriormente sancionado para outra espécie. O sinônimo Boletus lapidum, proposto por Johann Friedrich Gmelin em 1792, também é ilegítimo. Christiaan Hendrik Persoon descreveu o fungo em 1801. Seu nome específico deriva do grego καλος/kalos ("bonito") e πους/pous ("pé"), em referência ao seu estipe de cores vivas.
Outros sinônimos incluem binômios resultantes de transferências entre gêneros para Dictyopus por Lucien Quélet em 1886 e para Tubiporus por René Maire em 1937. Boletus frustosus, originalmente publicada como uma espécie distinta por Wally Snell e Esther Dick em 1941, foi posteriormente descrita como uma variedade de B. calopus por Orson K. Miller e Roy Watling em 1968. Estadès e Lannoy descreveram a variedade ruforubraporus e a forma ereticulatus na Europa em 2001.
Na classificação infragenérica de 1986 do gênero Boletus, Rolf Singer colocou C. calopus como a espécie-tipo da seção Calopodes, que inclui espécies caracterizadas por carne esbranquiçada a amarelada, sabor amargo e uma reação de coloração azul nas paredes dos tubos quando machucada. Outras espécies da seção Calopodes incluem Caloboletus radicans, C. inedulis, Butyriboletus peckii e Boletus pallidus. Análises filogenéticas publicadas em 2013 mostraram que C. calopus e muitos (mas não todos) boletos de poros vermelhos pertenciam a um clado dupainii (nomeado em homenagem a Rubroboletus dupainii), bem distante do grupo principal da espécie-tipo Boletus edulis e seus parentes dentro da subordem Boletineae. Isso indicou a necessidade de reclassificação em um novo gênero. Em 2014, B. calopus foi transferido e designado como a espécie-tipo do novo gênero Caloboletus pelo micologista italiano Alfredo Vizzini.
Com até 15 cm ou raramente 20 cm de diâmetro, o píleo é bege a oliváceo e inicialmente quase globular, tornando-se hemisférico e depois convexo. A superfície do píleo é lisa ou apresenta pelos diminutos, podendo desenvolver rachaduras com a idade. A pileipellis se estende além da margem. A superfície dos poros é inicialmente amarelo-pálida, aprofundando-se para um tom oliva-amarelado na maturidade, e torna-se rapidamente azul quando machucada. Os poros, de 1 a 2 por mm, são circulares quando jovens, mas tornam-se mais angulosos com a idade. Os tubos têm até 2 cm de profundidade.
O estipe, de coloração atraente, é geralmente amarelo na parte superior e rosa avermelhado na inferior, com uma rede (reticulação) cor de palha próximo ao topo ou na metade superior; ocasionalmente, todo o estipe é avermelhado. Em espécimes maduros ou colhidos há alguns dias, a coloração avermelhada do estipe pode desaparecer completamente, sendo substituída por tons ocre-marrom. A carne amarelo pálida torna-se azul quando quebrada, com a descoloração se espalhando a partir da área danificada. Seu odor pode ser forte, comparado ao de tinta.
A esporada é oliva a marrom-olivácea. Os esporos são lisos e elípticos, medindo 13 a 19 por 5 a 6 μm. Os basídios (células portadoras de esporos) são claviformes, com quatro esporos, e medem 30 a 38 por 9 a 12 μm. Os cistídios são claviformes a fusiformes, hialinos, e medem 25 a 40 por 10 a 15 μm.
A variedade frustosus é morfologicamente semelhante ao tipo principal, mas seu píleo torna-se areolado na maturidade (dividido em pequenas áreas por rachaduras e fendas); e seus esporos são ligeiramente menores, medindo 11 a 15 por 4 a 5,5 μm. Na forma europeia ereticulatus, as reticulações na parte superior do estipe são substituídas por grânulos avermelhados finos, enquanto a variedade ruforubraporus apresenta poros rosa avermelhados.
A coloração geral de Caloboletus calopus, com seu píleo pálido, poros amarelos e estipe vermelho, não é compartilhada por nenhum outro boleto. Espécimes pálidos e grandes lembram Suillellus luridus, e o píleo de Rubroboletus satanas tem cor semelhante, mas esta espécie possui poros vermelhos. Basidiomas em más condições podem ser confundidos com Xerocomellus chrysenteron, mas os estipes desta espécie não são reticulados. Espécies comestíveis, como Boletus edulis, não apresentam estipe vermelho. Assemelha-se muito a igualmente não comestível Caloboletus radicans, que não possui a coloração avermelhada no estipe. Como C. calopus, a espécie da América do Norte ocidental Caloboletus rubripes também tem sabor amargo, píleo de cor semelhante e poros amarelados que ficam azuis quando machucados, mas não apresenta reticulação no estipe avermelhado. Encontrada no noroeste da América do Norte, Boletus coniferarum não possui coloração avermelhada ou rosada em seu estipe reticulado amarelo e tem um píleo mais escuro, de oliva-acinzentado a marrom escuro.
Duas espécies da América do Norte oriental, Caloboletus inedulis e C.roseipes, também têm aparência semelhante a C. calopus. Mas C. inedulis produz basidiomas menores com píleo branco a branco-acinzentado e C. roseipes associa-se exclusivamente a tsuga. Caloboletus firmus, encontrada no leste dos Estados Unidos, leste do Canadá e Costa Rica, tem píleo pálido, estipe avermelhado e sabor amargo, mas, ao contrário de C. calopus, possui poros vermelhos e não apresenta reticulação no estipe. Caloboletus panniformis, uma espécie japonesa descrita como nova para a ciência em 2013, assemelha-se a C. calopus, mas pode ser distinguida pela superfície áspera do píleo ou, microscopicamente, pelas células amiloides na carne do píleo e pelos cistídios morfologicamente distintos no estipe.
Espécie ectomicorrízica, Caloboletus calopus cresce em florestas de coníferas e caducifólias, frequentemente em altitudes mais elevadas, especialmente sob faia e carvalho. Os cogumelos aparecem isoladamente ou em grandes grupos. A espécie cresce em solos calcários de julho a dezembro na América do Norte, no noroeste do Pacífico e em Michigan, e no norte da Europa. Na América do Norte, sua distribuição se estende ao sul até o México. A variedade frustosus é conhecida na Califórnia e nas Montanhas Rochosas de Idaho. Em 1968, após comparar coleções europeias e norte-americanas, Miller e Watling sugeriram que a forma típica de C. calopus não ocorre nos Estados Unidos. Porém, comparações semelhantes por outros autores levaram à conclusão oposta e a espécie foi desde então incluída em vários guias de campo norte-americanos. A espécie foi registrada na região do Mar Negro na Turquia, sob Populus ciliata e Abies pindrow em Rawalpindi e Nathia Gali no Paquistão, na província de Yunnan na China, na Coreia e em Taiwan.
Embora seja um cogumelo de aparência atraente, a espécie não é considerada comestível devido ao seu sabor muito amargo e que não desaparece com o cozimento. Há relatos de seu consumo no extremo leste da Rússia e na Ucrânia.

O sabor amargo é amplamente atribuído aos compostos calopina e a um derivado de δ-lactona, O-acetilciclcalopina A. Esses compostos contêm um motivo estrutural conhecido como unidade 3-metilcatecol, que é raro em produtos naturais. Uma síntese total da calopina foi relatada em 2003. A variedade frustosus é relatada como causadora de doenças graves na Europa.
Os derivados do ácido pulvínico, ácido atromentico, ácido variegático e ácido xerocômico estão presentes nos basidiomas de C. calopus. Esses compostos inibem o citocromo P450 — principais enzimas envolvidas no metabolismo de drogas e na bioativação. Outros compostos encontrados nos basidiomas incluem calopina B, e os compostos sesquiterpenoides ciclopinol e boletunonas A e B. Estes dois últimos, altamente oxigenados, apresentam significativa atividade de eliminação de radicais livres in vitro. Os compostos 3-Octanona (47,0% dos compostos voláteis totais), 3-Octanol (27,0%), 1-octen-3-ol (15,0%) e limoneno (3,6%) são os principais componentes voláteis que conferem o odor ao cogumelo.