Carayaca

Carayaca
San José de Carayaca
Paróquia civil e localidade
Barragem de Petaquire, na paróquia de Carayaca
Barragem de Petaquire, na paróquia de Carayaca
Barragem de Petaquire, na paróquia de Carayaca
Coordenadas: 10° 31′ 56″ N, 67° 07′ 02″ O
PaísVenezuela
EstadoLa Guaira
MunicípioVargas
Área
 • Total476,91 km²
População
 • Total (2011)41 075 hab.

Carayaca, cuja sede também é conhecida como San José de Carayaca, é uma localidade e paróquia civil do Município Vargas, no estado de La Guaira, no centro-norte da Venezuela. A mesma designação é também usada para o núcleo urbano situado na vertente norte da Cordilheira da Costa e a extensa circunscrição civil que se prolonga das serras interiores ao mar das Caraíbas. Um estudo territorial publicado em 2018 calculou a área paroquial em 476,91 km², tornando-a a maior paróquia do então estado Vargas.

A ocupação humana da região é anterior à colonização europeia, mas a própria história da povoação não pode ser reduzida a uma única data de fundação. O catálogo patrimonial venezuelano recolheu tradições que atribuem o estabelecimento a 6 de Agosto de 1622 ou a 10 de Março de 1691, sem apresentar o documento fundacional correspondente. A documentação eclesiástica demonstra que, em 1632, já havia sido organizada em Carayaca uma igreja dedicada a São José; em 1649, Carayaca e Tarmas constituíram uma doutrina separada da de Maiquetía; e, em 1785, ambas foram convertidas em curatos independentes.

No período colonial, o vale de Carayaca esteve ligado a diferentes encomiendas indígenas. Uma reunia indígenas tarmas sob a sucessão dos Pérez de Valenzuela; outra, territorialmente descontínua, ligava quiriquires de Carayaca a mariches de Petare, Baruta e Mesi sob Sebastián e Mateo Díaz de Alfaro e, posteriormente, os Carrasquer.

Nome e âmbito territorial

As fontes coloniais empregam formas como Carayaca, valle de Carayaca e pueblo de Carayaca. O topónimo já aparece associado a repartimentos indígenas no século XVII, embora não seja fornecida uma etimologia segura.

Na actualidade, Carayaca designa duas realidades relacionadas: o centro povoado de San José de Carayaca e a paróquia civil que o tem como principal núcleo urbano. A paróquia limita a norte com o mar das Caraíbas, a sul com o Distrito Capital e o estado de Arágua, a leste com a paróquia de Catia La Mar e o Distrito Capital e a oeste com Arágua.

Geografia

Localização e relevo

Carayaca ocupa parte da vertente setentrional da Serrania do Litoral, um dos principais alinhamentos da cordilheira da Costa. O relevo é abrupto, com serras, cristas, vales encaixados e encostas de fortes declives que descem em direcção ao litoral caribenho. A localidade de Carayaca desenvolveu-se sobre a crista montanhosa que separa as bacias médias dos rios Petaquire e Oricao.

A estrutura geológica regional é afectada pelos sistemas de falhas do Caribe e de San Sebastián. A fracturação tectónica, o intemperismo e a inclinação do terreno favorecem movimentos de massa, desprendimentos e erosão, especialmente onde a cobertura vegetal foi alterada ou a agricultura ocupa vertentes íngremes. O estudo de Anays Florez Castillo calculou que 12 104,49 hectares, aproximadamente um quarto da paróquia, apresentavam susceptibilidade à erosão. As zonas mais afectadas situavam-se sobretudo nas partes superiores das bacias de Oricao, Petaquire e Limón ou Chichiriviche.

Hidrografia e litoral

O território é drenado por cursos de água que nascem nas elevações da cordilheira e correm para o mar das Caraíbas. Entre as principais bacias encontram-se as dos rios Petaquire, Oricao, Limón e Chichiriviche, além de numerosas ribeiras e afluentes de menor extensão.

Na costa encontram-se povoações como Puerto Carayaca e sectores próximos das desembocaduras fluviais. A ligação entre os vales interiores e o litoral permitiu a circulação de pessoas e produtos, mas as encostas e os caminhos difíceis também condicionaram a administração colonial e a assistência religiosa. Em 1649, a distância e a má qualidade do caminho foram expressamente invocadas para separar a doutrina de Carayaca e Tarmas da de Maiquetía.

Ambiente e uso do solo

A paróquia mantém uma configuração predominantemente rural, embora existam núcleos urbanos e periurbanos. A agricultura concentra-se nos vales e nas vertentes das bacias de Petaquire, Oricao e Limón–Chichiriviche, recorrendo em vários sectores a encostas de forte declive.

Em 2018, Florez Castillo estimou que 20 332,82 hectares, equivalentes a 42,63% da área paroquial, apresentavam conflitos entre o uso efectivo e a aptidão ou protecção prevista para o solo. Cerca de 61% da paróquia estava abrangida por alguma figura de administração especial, mas parte considerável dessas áreas também apresentava usos incompatíveis, sobretudo devido à agricultura em vertentes, à expansão dos assentamentos e à pressão sobre zonas de protecção.

História

Populações indígenas e conquista

A região de Carayaca integrava o mosaico de populações indígenas da costa e das serras centro-setentrionais da Venezuela. As fontes coloniais e a historiografia posterior associam diferentes sectores da área aos tarmas e aos quiriquires, sem que seja possível traçar fronteiras étnicas fixas ou supor que toda a actual paróquia pertencesse a um único povo. Nectario María inclui Carayaca entre os espaços ocupados por tarmas e distingue uma encomienda própria no vale. Já a pesquisa secreta de uma encomienda dos Carrasquer, publicada por Dávila, identifica como quiriquires os indígenas estabelecidos no vale costeiro de Carayaca, distinguindo-os dos mariches de Petare.

A conquista da região centro-norte venezuelana, intensificada nas décadas de 1550 e 1560, provocou guerra, deslocações e a reorganização das comunidades em encomiendas. Nectario María atribui aos tarmas uma resistência militar significativa antes da sua sujeição e posterior repartimento.

Encomienda dos tarmas do vale de Carayaca

Dávila publicou o resumo de um expediente relativo à encomienda de indígenas tarmas do vale de Carayaca, segundo o qual Juan Pérez de Valenzuela recebeu a primeira vida; sucedeu-lhe o filho, o capitão Alonso Pérez de Valenzuela, e depois um descendente homónimo cuja posse em terceira vida foi contestada pelas autoridades. O expediente inclui um padrão datado de 9 de Julho de 1639, no qual a população da encomienda foi calculada em oitenta pessoas: quinze casais, dezasseis homens solteiros, treze mulheres solteiras e vinte e uma crianças. O principal do repartimento era Don Juan Araguaytán.

Em 1640 foi dada posse da encomienda ao capitão Alonso Pérez de Valenzuela. Uma real cédula de 16 de Fevereiro do mesmo ano confirmou o título da nova encomienda concedida pelo governador Ruy Fernández de Fuenmayor, reconhecendo que Alonso a recebera em segunda vida por sucessão do pai homónimo. Nectario María apresenta uma sequência mais longa: depois de Juan Pérez de Valenzuela, a encomienda teria passado ao filho Alonso, depois a um neto do mesmo nome e, declarada vaga por se encontrar em terceira vida, ao capitão Luis Llovera Otáñez.

Encomienda de Petare, Baruta, Mesi e Carayaca

Carayaca aparece também numa outra encomienda, composta por comunidades territorialmente separadas. Dávila descreve-a como formada por indígenas mariches e quiriquires estabelecidos no Dulce Nombre de Jesús e em San Francisco de Petare, Baruta, Mesi e Carayaca. Sebastián Díaz de Alfaro surge como titular em primeira vida, sendo sucedido pelo filho Mateo Díaz de Alfaro. Depois da morte de Mateo, a encomienda ficou vaga e foi concedida a Onofre Carrasquer; à morte deste, passou ao filho Pedro Juan Carrasquer. Em 1657, Pedro Juan Carrasquer apresentou os títulos dos indígenas que possuía em Petare e Carayaca, sendo estes aprovados pelo governador. Na visita de 1660, o seu representante, Feliciano de Mora, apresentou oitenta e quatro pessoas: vinte e quatro casais, dezanove solteiros e dezassete menores, seis do sexo masculino e onze do feminino. A inquirição reservada realizada durante a visita distinguiu os mariches de San Francisco e do Dulce Nombre de Jesús de Petare dos quiriquires estabelecidos no vale de Carayaca.

Igreja, doutrina e povoação colonial

A cronologia eclesiástica oferece os dados mais seguros para acompanhar a formação colonial de Carayaca. Durante as primeiras décadas do século XVII, os indígenas de Carayaca foram atendidos a partir da doutrina de Maiquetía e dos seus anexos. Paiva Palacios e Paiva Pineda identificam diversos religiosos ligados a essa jurisdição: Francisco Amado em 1610; o franciscano Antonio de San Miguel em 1622; Fray Didacus López em 1625; e novamente Francisco Amado em 1631.

Em 1632, o vigário Gabriel de Mendoza, actuando por comissão do bispo Gonzalo de Angulo, fundou ou organizou a igreja de Carayaca sob a invocação de São José.

O terramoto de 11 de Junho de 1641 destruiu as igrejas de Maiquetía, Tarmas e Carayaca. Em 6 de Outubro, o bispo ordenou que os encomenderos contribuíssem para a reconstrução dos templos. No caso da região, o texto identifica José Serrano Pimentel, Félix de Aguilar, Andrés Páez de Vargas e Pedro Arráiz de Mendoza entre os responsáveis chamados a cumprir essa obrigação.

Maiquetía, Tarmas e Carayaca continuaram inicialmente reunidas sob um só benefício eclesiástico. Em 27 de Janeiro de 1649, Luis Jacinto Gomero alegou que a distância e a dificuldade dos caminhos impediam o atendimento adequado e renunciou à parte de Carayaca. Em 21 de Fevereiro foi aberto concurso para a nova doutrina de Carayaca e Tarmas; Diego de la Carrera venceu-o em 20 de Maio e recebeu aprovação sob o padroado régio em 27 de Maio, tornando-se o primeiro titular conhecido da unidade separada.

A igreja no século XVIII

Uma visita de 1737 descreveu a igreja de Carayaca como construção de bahareque, coberta de palha e pintada interiormente. O inventário registou três sinos e imagens ou alfaias relacionadas com São José, um crucifixo, Nossa Senhora do Rosário e Santa Luzia, além de uma pia baptismal de pedra. Em 1743, a igreja apresentava fundações e paredes parcialmente deterioradas; algumas eram de taipa e outras de bahareque, continuando o edifício coberto de palha.

Em 1785, Carayaca e Tarmas foram separadas em curatos independentes. A decisão foi promovida em Agosto e confirmada em Outubro, sendo Antonio José Chirinos identificado como primeiro titular do curato de Carayaca.

População e espaço no final do período colonial

A matrícula eclesiástica de 1786 contou 709 pessoas no curato: 437 em idade de comunhão, 108 admitidas apenas à confissão e 164 crianças.

A povoação central tinha então duas ruas, 51 casas e 343 habitantes. O restante território incluía Valle Hondo, com uma casa e seis pessoas; El Barrial, com duas casas e catorze; Petaquire, com treze casas e 74 habitantes; e fazendas e unidades rurais que reuniam 259 pessoas. Entre as propriedades e lugares citados na distribuição paroquial encontravam-se Guanasnal, Mayupán, Agua Caliente, Carayaca Abajo, Cataure, Yaguara, Santa Cruz, Puerto Seco e Soledad.

A população subiu para 724 pessoas em 1788, 761 em 1792 e 869 em 1795, segundo as séries reunidas por Paiva Palacios e Paiva Pineda. Em 1811, os mesmos autores registam 673 habitantes, devendo a variação ser lida à luz das diferenças entre matrículas, mobilidade rural, mortalidade e perturbações do início do século XIX.

A economia da comarca no século XVIII incluía produção de café, cana-de-açúcar e outros géneros agrícolas.

Época contemporânea

O desenvolvimento moderno manteve a dupla configuração de centro urbano e extensa região rural. O catálogo do património cultural publicado em 2005 descreve a vila organizada em torno de uma via principal, com casas tradicionais de um piso coexistindo com construções recentes de dois e três pisos. As ruas estreitas e sinuosas adaptam-se ao relevo da crista montanhosa. O mesmo catálogo assinalou que o crescimento de bairros nos arredores do núcleo central estava a afectar a unidade da paisagem urbana.

No censo venezuelano de 2011, a paróquia civil de Carayaca tinha 41 075 habitantes, equivalentes a cerca de 11,6% da população do então estado Vargas.

Demografia

Os dados históricos e modernos não são directamente comparáveis. Os padrões de encomienda contavam categorias como casais, solteiros e menores; as matrículas eclesiásticas distinguiam pessoas pela idade sacramental; os censos contemporâneos procuram abranger todos os residentes da circunscrição civil.

População documentada
Ano Unidade ou território População Natureza da contagem
1639 Encomienda tarma do vale de Carayaca 80 Padrão de encomienda: 15 casais, 16 homens solteiros, 13 mulheres solteiras e 21 crianças
1660 Encomienda composta dos Carrasquer 84 Total de Petare e Carayaca, não exclusivo do vale
1786 Curato de Carayaca 709 Matrícula eclesiástica
1786 Povoação central 343 51 casas em duas ruas
1788 Curato de Carayaca 724 Série eclesiástica
1792 Curato de Carayaca 761 Série eclesiástica
1795 Curato de Carayaca 869 Série eclesiástica
1811 Curato ou paróquia eclesiástica 673 Série reunida pelos historiadores locais
2011 Paróquia civil 41 075 Censo nacional

Economia

A agricultura constitui um dos elementos centrais da organização rural da paróquia. O estudo territorial de 2018 identifica áreas de cultivo nas bacias de Petaquire, Oricao, Limón e Chichiriviche, incluindo sectores de horticultura em encostas.

A configuração fundiária e ambiental cria conflitos entre produção, conservação e segurança do terreno. O emprego agrícola de vertentes susceptíveis à erosão, a ocupação de zonas protegidas e o crescimento de assentamentos foram considerados problemas centrais no diagnóstico de 2018, propondo orientar o uso do solo segundo a aptidão territorial.

Durante o período colonial, a documentação paroquial associa a comarca ao café, à cana-de-açúcar e a outros produtos agrícolas. As listas de propriedades de 1786 mostram uma paisagem distribuída entre o núcleo urbano, pequenos lugares, fazendas e unidades de produção dispersas.

Património e cultura

Igreja de São José

A igreja paroquial de São José constitui o principal marco religioso e histórico da localidade. A instituição eclesiástica está documentada desde 1632, embora o edifício tenha sido destruído ou reconstruído em diferentes ocasiões. A igreja foi declarada Monumento Histórico Nacional pela resolução publicada na Gaceta Oficial n.º 26 320, de 2 de Agosto de 1960.

Centro urbano e praça

O núcleo tradicional desenvolveu-se ao longo de uma via principal e conserva edificações térreas de carácter residencial, misturadas com construções mais recentes. A Praça Bolívar de Carayaca foi incluída no inventário nacional de património cultural, constituindo um dos espaços públicos centrais da povoação.Vigiar[14]

Sítio arqueológico de Puerto Carayaca

O Instituto del Patrimonio Cultural registou em Puerto Carayaca um sítio arqueológico e funerário que se prolonga desde uma elevação a oeste da povoação costeira até às proximidades da foz da quebrada Caurimagua. O levantamento menciona vestígios arqueológicos e petroglifos.

Devoção a Nossa Senhora de Fátima

A presença de uma comunidade portuguesa está associada à celebração de Nossa Senhora de Fátima em San José de Carayaca. No levantamento de 2004–2005, o Instituto del Patrimonio Cultural registou a procissão de 13 de Maio e os trajes usados pelos homens que transportavam a imagem: capas brancas, sem mangas, com grande gola azul, identificando a «colónia portuguesa» e uma junta directiva como organizações de sustentação da manifestação.

Referências

  1. 1 2 3 4 5 Instituto del Patrimonio Cultural 2005, p. 29.
  2. ↑ «Sentença n.º 00908» (em espanhol). Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela. 26 de julho de 2023. Consultado em 31 de julho de 2026
  3. 1 2 Florez Castillo 2018, p. 38.
  4. ↑ Paiva Palacios & Paiva Pineda 1997, pp. 15–16.
  5. 1 2 3 Paiva Palacios & Paiva Pineda 1997, pp. 17–18.
  6. 1 2 Paiva Palacios & Paiva Pineda 1997, pp. 45–47.
  7. 1 2 3 Dávila 1927, pp. 73–76.
  8. 1 2 Dávila 1927, pp. 159–166.
  9. 1 2 Florez Castillo 2018, p. 39.
  10. ↑ Florez Castillo 2018, p. 43.
  11. ↑ Florez Castillo 2018, pp. 38–40.
  12. 1 2 Florez Castillo 2018, pp. 40–42.
  13. ↑ Florez Castillo 2018, p. 46.
  14. 1 2 Florez Castillo 2018, pp. 44–46.
  15. 1 2 Nectario María 1966, pp. 160–161.
  16. ↑ Nectario María 1966, pp. 151–160.
  17. 1 2 Dávila 1927, pp. 165–166.
  18. ↑ Dávila 1927, p. 166.
  19. ↑ Dávila 1927, p. 73.
  20. 1 2 Dávila 1927, pp. 74–75.
  21. ↑ Dávila 1927, p. 75.
  22. ↑ Paiva Palacios & Paiva Pineda 1997, p. 15.
  23. 1 2 3 Paiva Palacios & Paiva Pineda 1997, p. 16.
  24. ↑ Paiva Palacios & Paiva Pineda 1997, pp. 31–33.
  25. ↑ Paiva Palacios & Paiva Pineda 1997, p. 34.
  26. 1 2 Paiva Palacios & Paiva Pineda 1997, p. 47.
  27. 1 2 3 Paiva Palacios & Paiva Pineda 1997, pp. 47–48.
  28. ↑ Paiva Palacios & Paiva Pineda 1997, p. 48.
  29. 1 2 3 4 Paiva Palacios & Paiva Pineda 1997, pp. 93–94.
  30. 1 2 Paiva Palacios & Paiva Pineda 1997, p. 94.
  31. 1 2 Paiva Palacios & Paiva Pineda 1997, p. 61.
  32. 1 2 Instituto Nacional de Estadística (2011). «Estado Vargas: XIV Censo Nacional de Población y Vivienda 2011» (PDF) (em espanhol). Consultado em 31 de julho de 2026
  33. ↑ Instituto del Patrimonio Cultural 2005, p. 85.
  34. ↑ Instituto del Patrimonio Cultural 2005, p. 65.
  35. ↑ Instituto del Patrimonio Cultural 2005, p. 77.
  36. ↑ Instituto del Patrimonio Cultural 2005, p. 18.

Bibliografia