| Nome local |
(es) Tarmas |
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1167 |
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Tarmas é uma localidade montanhosa da paróquia civil de Carayaca, no Município Vargas, estado de La Guaira, no centro-norte da Venezuela. Situa-se na cordilheira da Costa, acima do mar das Caraíbas, organizando-se em torno da igreja de Nossa Senhora da Candelária e da Praça Bolívar.
O nome da localidade coincide com o etnónimo dado nas fontes coloniais aos tarmas, uma das populações indígenas da região costeira e montanhosa de Caracas. A documentação, porém, empregou «Tarmas» para realidades diferentes: o povo indígena, o vale, uma encomienda, uma doutrina e, finalmente, o povoado.
Não foi localizado um instrumento que fixe uma data única de fundação da localidade. A existência de uma igreja de Tarmas está comprovada em 1641, quando foi destruída por um terramoto; a comunidade passou a integrar com Carayaca um curato autónomo em relação a Maiquetía em 1649; Tarmas foi erigida em curato independente em 1785, recebendo o primeiro pároco titular no ano seguinte.
As fontes e edições documentais apresentam formas como Tarmas, valle de los Tarmas e, ocasionalmente, Tarma. Na transcrição publicada do diário da visita pastoral do bispo Mariano Martí, o topónimo aparece como Farmas, embora o contexto corresponda inequivocamente à povoação de Tarmas situada junto de Carayaca.
É necessário distinguir a localidade actual de três unidades históricas relacionadas, mas não equivalentes:
Vicente Dávila identificou editorialmente o lugar, em 1927, como um povoado costeiro situado entre La Guaira e Carayaca, então incluído no Departamento Vargas.
A Diocese de La Guaira descreveu Tarmas, em 2018, como uma povoação encaixada na montanha, acima do mar das Caraíbas. O relevo condicionou historicamente a comunicação com Carayaca, Maiquetía e o litoral. Em 1649, a distância e os caminhos difíceis foram invocados para separar a assistência religiosa de Carayaca e Tarmas da doutrina de Maiquetía.
Em 1772, Mariano Martí calculou em uma légua a distância entre Carayaca e Tarmas. Do lado oposto, a fazenda de Guare, visitada pelo bispo depois de passar por Tarmas, ficava aproximadamente outra légua adiante.
A igreja paroquial encontra-se diante da Praça Bolívar. A actual paróquia eclesiástica de Nossa Senhora da Candelária possui capelas em Oricao, Chichiriviche, El Güire, Los Cedros, El Paulino, Media Legua, El Topo del Palmar, El Arbolito, El Cohete e Tirima.
A historiografia venezuelana situa os tarmas entre as populações indígenas do litoral e das montanhas centro-setentrionais da actual Venezuela. Nectario María relacionou-os com Maiquetía, Petaquire, o vale dos Tarmas, Mamo e Carayaca, enumerando quatro encomiendas coloniais que incluíam pessoas assim classificadas: Uma encomienda situada em Maiquetía agrupava tarmas, petaquires e guaiqueris; outra encontrava-se no vale dos Tarmas, a oeste de Carayaca; uma terceira localizava-se no vale de Mamo; e uma quarta estava associada a Carayaca.
Dávila publicou o resumo de um expediente relativo à «encomienda de indígenas tarmas do vale dos Tarmas». A primeira vida pertencera ao capitão Antonio Gámez. Depois da morte deste, a encomienda passou em segunda vida à filha, Francisca Gámez, casada com o capitão José Serrano Pimentel, que a administrava em nome da mulher.
Em 1660, o governador e capitão-general Pedro de Porres y Toledo visitou os indígenas sujeitos ao repartimento. Os títulos apresentados e o padrão inserido no processo indicavam uma população de 52 pessoas: dezasseis casais, cinco adultos solteiros e quinze crianças, oito do sexo masculino e sete do feminino. Durante a visita, três indígenas foram interrogados separadamente numa inquirição reservada destinada a averiguar a conduta do encomendero. Com base nos depoimentos, o governador formulou acusações contra José Serrano Pimentel; o administrador apresentou a sua defesa, com o processo documentado ainda em 25 de Abril de 1661.
A encomienda do vale dos Tarmas deve ser distinguida das encomiendas de Maiquetía, Mamo e Carayaca. Nectario María calculou 174 pessoas nas três encomiendas do vale dos Tarmas, Mamo e Carayaca em torno de 1660, excluindo desse total os indígenas de Maiquetía e outros que considerava dispersos pelo litoral.
A presença de uma igreja em Tarmas está documentalmente comprovada antes de Junho de 1641. O terramoto de 11 de Junho desse ano provocou o desabamento das igrejas de Maiquetía, Tarmas e Carayaca. Em 6 de Outubro, o bispo Mauro de Tovar ordenou que os encomenderos contribuíssem para a reconstrução dos templos e a reposição das alfaias danificadas, encontrando-se José Serrano Pimentel, Félix de Aguilar, Andrés Páez de Vargas e Pedro Arráiz de Mendoza entre os notificados.
Nas primeiras décadas do século XVII, Maiquetía, Carayaca e Tarmas estiveram reunidas numa jurisdição eclesiástica extensa. Em Janeiro de 1649, o sacerdote Luis Jacinto Gamero declarou que a distância e as más condições do caminho impediam o atendimento adequado e renunciou à parte de Carayaca.
A autoridade episcopal abriu então concurso para o novo benefício de Carayaca e Tarmas. Diego de la Carrera venceu a oposição e foi escolhido sob o padroado régio em 27 de Maio de 1649, tornando-se o primeiro titular conhecido da unidade separada de Maiquetía. Embora as fontes eclesiásticas por vezes usem Carayaca para designar o conjunto, Tarmas conservava igreja própria e continuava a receber missa e instrução religiosa.
Na matrícula de 6 de Junho de 1772, o curato conjunto de Carayaca e Tarmas reunia 952 pessoas. Carayaca correspondia a 627 e Tarmas a 325. Entre os habitantes atribuídos a Tarmas, 217 estavam em idade de cumprir os sacramentos da confissão e comunhão, 46 eram admitidos somente à confissão e 62 eram crianças.
Mariano Martí visitou a região em Novembro do mesmo ano. Segundo o bispo, Tarmas fora anteriormente a igreja principal ou matriz, enquanto Carayaca funcionara como filial. Com a redução do número de indígenas em Tarmas, a sede paroquial e a pia baptismal foram transferidas para Carayaca. O pároco celebrava duas missas nos domingos e dias festivos: normalmente a primeira em Tarmas, por volta das sete horas, e a segunda em Carayaca, entre as nove e as dez. Quando havia festa em Tarmas, a ordem era invertida. A doutrina era ensinada de manhã e ao fim da tarde; frequentavam-na indígenas menores de dezoito anos e também outros jovens classificados no documento como mulatos, negros e pertencentes a outros grupos. Martí caracterizou Tarmas e Carayaca como povos indígenas sujeitos a meio tributo, embora neles vivessem numerosos espanhóis.
Em 29 de Novembro, o bispo passou por Tarmas e visitou a sua igreja, então descrita como nova. O altar-mor era dedicado a Nossa Senhora da Candelária; no lado da Epístola havia um segundo altar, dedicado a Nossa Senhora da Soledade, que se encontrava sem uso. Martí considerou o templo um pouco maior e mais asseado do que o de Carayaca.
A paisagem colonial em torno de Tarmas combinava povoações indígenas, propriedades agrícolas, plantações de cacau e engenhos de cana-de-açúcar. Depois de atravessar Tarmas em 1772, Martí visitou a fazenda de Guare, localizada cerca de uma légua adiante. O administrador informou ao bispo que a propriedade produzia 35 fanegas de cacau e mais de duzentas cargas de papelão, possuindo um engenho e um oratório dedicado a Santa Catarina. Mais de cinquenta escravos, entre adultos e crianças, viviam na fazenda.
O bispo Mariano Martí decretou, por auto de 3 de Agosto de 1785, a divisão do antigo benefício conjunto em dois curatos: San José de Carayaca e Nossa Senhora da Candelária de Tarmas. Antonio José Chirinos, até então responsável pelo conjunto, optou por conservar Carayaca, deixando Tarmas vaga.
Sebastián Dionisio Bueno, natural das Ilhas Canárias e com 24 anos, venceu em 9 de Dezembro de 1785 o exame para prover Tarmas. Recebeu a instituição canónica em 17 de Fevereiro de 1786, tornando-se o primeiro pároco titular do curato independente.
Segundo Paiva Palacios e Paiva Pineda, citando um estudo de Fray Manuel Acereda Lalinde, Tarmas permaneceu paróquia separada até 1845, quando voltou a depender de Carayaca. A actual Diocese de La Guaira voltou a reconhecê-la como paróquia própria sob a invocação de Nossa Senhora da Candelária.
O levantamento nacional do património cultural realizado em 2004–2005 registou a igreja, os objectos religiosos e numerosas manifestações colectivas de Tarmas. O Instituto del Patrimonio Cultural declarou os bens e práticas incluídos no catálogo como bens de interesse cultural mediante a Resolução n.º 003-05, de 20 de Fevereiro de 2005.
A igreja continua a ser a sede da paróquia católica de Nossa Senhora da Candelária e o principal centro das celebrações religiosas locais. Em 2026, os terramotos de 24 de Junho provocaram danos em pelo menos dez templos da Diocese de La Guaira, incluindo o de Tarmas. A igreja foi colocada entre os edifícios patrimoniais mais afectados, ficando o alcance dos danos sujeito a avaliação especializada.
Os dados disponíveis pertencem a unidades e métodos diferentes. O padrão de 1660 contou pessoas sujeitas a uma encomienda; a matrícula de 1772 registou a feligresia e classificou-a segundo a prática sacramental católica. Nenhuma das duas contagens corresponde exactamente aos limites actuais da localidade.
| Ano | Unidade abrangida | População | Natureza da contagem |
|---|---|---|---|
| 1660 | Encomienda de indígenas tarmas do vale dos Tarmas | 52 | Dezasseis casais, cinco adultos solteiros e quinze crianças |
| 1772 | Sector de Tarmas do curato conjunto | 325 | 217 pessoas de comunhão, 46 somente de confissão e 62 crianças |
A igreja de Nossa Senhora da Candelária constitui o principal monumento da povoação. A sequência documental conhecida inclui pelo menos quatro momentos: uma igreja destruída pelo terramoto de 1641; a igreja própria da doutrina conjunta de Carayaca e Tarmas; o edifício descrito como novo por Martí em 1772; e o templo inventariado pelo Instituto del Patrimonio Cultural em 2004–2005.
O inventário patrimonial registou um cálice de bronze ornamentado com prata, um castiçal de ferro com aplicações de prata, uma custódia, o altar-mor e quatro sinos, um dos quais com a data de 1769, e dois pertenciam ao século XIX, descrevendo o conjunto como propriedade da paróquia de Nossa Senhora da Candelária.
A actual jurisdição eclesiástica abrange, além da igreja matriz, uma rede de capelas em comunidades da zona montanhosa e costeira ocidental de La Guaira.
O catálogo patrimonial registou dois sítios arqueológicos associados à área de Tarmas. O primeiro, Hoyo del Muerto, situa-se junto da estrada entre Caripote e Hoyo del Muerto. Foram encontradas três lâminas de machado polidas em quartzito, numa área montanhosa e arborizada parcialmente usada para cultivo de árvores de fruto.
O segundo, Las Adjuntas, fica junto da estrada entre Tarmas e Punta Tarmas. O levantamento mencionou fragmentos de cerâmica indígena polida e sem decoração, vértebras de peixe e conchas de lapa, numa área ocupada por casas e conucos. O estado de conservação foi considerado deficiente.
Nossa Senhora da Candelária é a padroeira da igreja e da paróquia. O culto está documentado pelo menos desde a visita de Martí em 1772, quando a imagem ou invocação ocupava o altar-mor.
No levantamento de 2004–2005, a organização anual das festas era apoiada pela Sociedade da Virgem da Candelária, sediada na Calle Real de Tarmas. Segundo o catálogo, o padre Roberto Wiss fundara a associação cerca de 45 anos antes da recolha dos dados, cerca de 1960.
Tarmas conserva uma celebração própria do Corpus Christi, na qual participam os chamados Diabos Dançantes. Em 2018, as ruas foram ornamentadas com altares, arcos e tapetes de flores e folhas; a missa foi celebrada na praça, seguindo-se a procissão e a dança diante do Santíssimo Sacramento. O inventário cultural descreve os dançantes com calças e camisas decoradas por fitas, uma cruz nas costas e um rosário ao pescoço, usando máscaras redondas feitas de cabaça, pintadas e providas de chifres; a Diabla maior distinguia-se por usar um lenço vermelho em lugar da máscara.
A dança era acompanhada por uma caixa ou tambor de madeira, com cerca de quarenta centímetros de comprimento e trinta de diâmetro, revestido com couro de veado preso por pregos de ferro. Segundo o catálogo, apenas o Diablo maior tinha autorização tradicional para o percutir.
Os Diabos Dançantes de Tarmas constituem uma tradição local distinta. Não integram a relação das onze confrarias incluídas em 2012 na inscrição dos Diabos Dançantes da Venezuela na lista representativa do património cultural imaterial da UNESCO, que inclui, no estado de La Guaira, a confraria de Naiguatá.
Uma tradição musical e devocional própria está associada ao Menino Jesus de Tarmas. Segundo a investigação etnomusicológica de Daniely L. Benítez, desde a década de 1890 a imagem percorre anualmente diferentes povoações do estado entre o sábado posterior a 11 de Setembro e 23 de Dezembro, regressando então a Tarmas para uma vigília de acolhimento e para as celebrações do Natal. O percurso é acompanhado por parrandas e fulías. A autora estudou a tradição através de documentação e de trabalho de campo etnomusicológico, registando melodias, ritmos, instrumentos, participantes e funções rituais nas diferentes povoações visitadas.
Na Quarta-feira de Cinzas, os moradores realizam o enterro da sardinha. Segundo o catálogo patrimonial, a comunidade reune-se ao meio-dia na Praça Bolívar e percorria as ruas pedindo contribuições para preparar um grande sancocho comunitário.
Uma sardinha simbólica era transportada numa padiola de madeira coberta com tecidos coloridos; anteriormente usava-se um peixe verdadeiro. O cortejo incluí trajes locais e acompanhamento musical, sobretudo joropos.
A lista de meios comunitários habilitados pela Comissão Nacional de Telecomunicações inclui Tarmas TV, com a habilitação HRSF-00012 e emissão no canal 60 de UHF, localizada na paróquia de Carayaca. O mesmo registo associa à habilitação a emissora Tarmeña FM, em 102,9 MHz.
A documentação histórica mais directa sobre a encomienda chega através dos resumos e traslados publicados por Vicente Dávila em 1927. A obra preserva datas, sucessões, padrões e actos processuais, mas não constitui uma edição diplomática integral de todos os fólios.
A visita de Mariano Martí, redigida em 1772, constitui a principal descrição coeva da igreja, da administração religiosa e da paisagem produtiva da comarca. A história de Paiva Palacios e Paiva Pineda sistematiza os documentos do Arquivo Arquidiocesano de Caracas e das paróquias, permitindo reconstruir a separação dos curatos e as matrículas populacionais.
O catálogo do Instituto del Patrimonio Cultural resulta de um levantamento comunitário realizado sobretudo em 2004. A própria instituição o apresentou como primeira aproximação sujeita a lacunas, desequilíbrios e correcções posteriores.