| Abreviatura METAR |
Ci |
|---|---|
| Símbolo | |
| Altitude |
6 000 - 20 000 m acima do nível do mar |
| Classificação |
A (etapa alta) |

Cirros ou Cirrus (abreviatura na classificação de nuvens: Ci) são nuvens filiformes que se formam na alta troposfera, numa temperatura ambiente inferior a 0 °C. São, por isso, constituídas por microscópicos cristais de gelo, que devido à ação dos ventos de grande altitude ficam com a aparência de novelos muito finos de cabelo branco. Têm um aspecto delicado, sedoso ou fibroso, de cor branca brilhante. Na atmosfera terrestre, geralmente formam-se quando o ar quente e seco sobe, causando a deposição [en] de vapor d'água sobre partículas de poeira mineral e partículas metálicas em grandes altitudes. Globalmente, formam-se entre 6 000 e 20 000 metros acima do nível do mar, com as maiores elevações geralmente nos trópicos e as menores nas regiões polares. Formam-se em massas de ar estável, quando a humidade e a temperatura são relativamente baixas e a sua direção indica a direção do movimento do ar a grande altitude. As cirros podem se formar no topo de tempestades e de ciclones tropicais e, às vezes, anunciam a chegada de chuva ou de tempestades. Embora sejam um sinal de que chuva e talvez tempestades estão a caminho, as próprias cirros não produzem mais do que chuva invisível de cristais de gelo. Esses cristais se dissipam, derretem e evaporam à medida que caem através de ar mais quente e seco, nunca chegando ao solo. A palavra cirrus vem do latim cirro-, que significa "gavinha" ou "cacho". As nuvens cirros aquecem a Terra, contribuindo potencialmente para as mudanças climáticas.
Alguns fenômenos ópticos, como os parélios e os halos, podem ser produzidos pela interação da luz com os cristais de gelo nas nuvens cirros. Há outras duas nuvens de grande altitude semelhantes às cirros, chamadas cirro-estratos e cirro-cúmulos. O cirro-estrato lembra uma faixa de nuvens, enquanto o cirro-cúmulo parece um padrão de pequenos tufos de nuvens. Ao contrário das cirros e do cirro-estrato, as nuvens cirro-cúmulos contêm gotículas de água sobrerresfriada (abaixo do ponto de congelamento).
As nuvens cirros se formam na atmosfera de Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, e em Titã, um dos maiores satélites de Saturno. Algumas das nuvens cirros extraterrestres são compostas de amônia ou metano, à semelhança do gelo de água nas cirros terrestres. Algumas nuvens interestelares, compostas de grãos de poeira cósmica menores que um milésimo de milímetro, também são chamadas de cirrus.
As cirros são nuvens filiformes compostas de longos filamentos de cristais de água, descritas como plumosas, semelhantes a cabelos ou camadas. Definidas cientificamente pela primeira vez por Luke Howard em um artigo de 1803, seu nome deriva da palavra latina cirrus, que significa "cacho" ou "franja". São transparentes, o que significa que o sol pode ser visto através delas. Os cristais de gelo nas nuvens geralmente as fazem parecer brancas, mas o sol nascente ou poente pode colorí-las em vários tons de amarelo ou vermelho. Ao crepúsculo, podem ser acinzentadas.
As cirros aparecem em cinco variedades visualmente distintas: castellanus, fibratus, floccus, spissatus e uncinus:
Cada espécie é dividida em até quatro variedades: intortus, vertebratus, radiatus e duplicatus:
As nuvens cirros costumam produzir filamentos semelhantes a cabelos, compostos de cristais de gelo mais pesados que caem da nuvem. Estes são semelhantes à virga produzida em nuvens de água líquida. Os tamanhos e formatos das estrias de queda são determinados pelo cisalhamento do vento.
A cobertura de nuvens cirros varia no ciclo diurno. Durante o dia, a cobertura de cirros diminui e, durante a noite, ela aumenta. Com base em dados do satélite CALIPSO, as cirros cobrem em média 31% a 32% da superfície terrestre. A cobertura varia bastante conforme a localização: em algumas partes dos trópicos pode chegar a 70% de cobertura por cirros. As regiões polares, por outro lado, têm cobertura significativamente menor, com algumas áreas apresentando média anual de apenas cerca de 10%. Essas porcentagens consideram os dias e as noites sem nuvens, bem como os dias e as noites com outros tipos de nuvens, como ausência de cobertura de cirros.
As nuvens cirros geralmente se formam quando o ar quente e seco sobe, causando a deposição do vapor d'água sobre partículas, incluindo principalmente poeira mineral e partículas metálicas, em grandes altitudes. Partículas coletadas por aeronaves de pesquisa a partir de nuvens cirros sobre várias localidades acima da América do Norte e da América Central incluíram poeira mineral (contendo alumínio, potássio, cálcio, ferro e silício), partículas metálicas nas formas elementar, sulfatada e de óxido (contendo sódio, potássio, ferro, níquel, cobre, zinco, estanho, prata, molibdênio e chumbo), possíveis partículas biológicas (contendo oxigênio, carbono, nitrogênio e fósforo) e carbono elementar. Os autores concluíram que a poeira mineral contribuiu com o maior número de núcleos de gelo para a formação das nuvens cirros.
A altitude média das nuvens cirros aumenta à medida que a latitude diminui, mas a altitude é sempre limitada pela tropopausa. Essas condições ocorrem comumente na borda de avanço de uma frente quente. Como a umidade absoluta é baixa em tais altitudes elevadas, esse gênero tende a ser muito transparente. As nuvens cirros também podem se formar dentro de nuvens perfuradas (também chamadas de "cavum").
Em latitudes de 65° N ou S, próximas às regiões polares, as nuvens cirros se formam, em média, apenas a 7 000 m acima do nível do mar. Em regiões temperadas, em torno de 45° N ou S, sua altitude média sobe para 9 500 m acima do nível do mar. Nas regiões tropicais, em torno de 5° N ou S, as nuvens cirros se formam a 13 500 m acima do nível do mar, em média. Em todo o planeta, as nuvens cirros podem se formar em qualquer ponto entre 4 000 m acima do nível do mar. As nuvens cirros se formam com uma vasta gama de espessuras. Podem ter apenas 100 m de cima a baixo, ou chegar a 8 000 m de espessura. A espessura das nuvens cirros geralmente fica entre esses dois extremos, com uma espessura média de 1 500 m.
A corrente de jato, uma faixa de ventos de alto nível, pode esticar as nuvens cirros o suficiente para cruzarem continentes. As correntes de jato aceleradas, faixas de ar que se movem mais rapidamente dentro da corrente de jato, podem criar arcos de nuvens cirros com centenas de quilômetros de comprimento.
A formação de nuvens cirros pode ser afetada por aerossóis orgânicos (partículas produzidas por plantas) que atuam como pontos de nucleação adicionais para a formação de cristais de gelo. No entanto, pesquisas sugerem que as nuvens cirros se formam mais comumente sobre poeira mineral ou partículas metálicas do que sobre partículas orgânicas.

As faixas de nuvens cirros costumam se expandir a partir das paredes do olho, anel de nuvens de tempestade que circunda o olho, dos ciclones tropicais. Uma grande cobertura de cirros e cirro-estratos acompanha os ventos de saída [en] de alta altitude dos ciclones tropicais e estas podem tornar difícil detectar em fotografias de satélite as faixas de precipitação subjacentes e, às vezes, até mesmo o próprio olho.
As tempestades podem formar cirros densas em seus topos. À medida que a nuvem cúmulo-nimbo em uma tempestade cresce verticalmente, as gotículas de água congelam quando a temperatura do ar atinge o ponto de congelamento. A nuvem-bigorna assume sua forma porque a inversão térmica na tropopausa impede que o ar quente e úmido que forma a tempestade suba mais, criando assim o topo plano. Nos trópicos, essas tempestades podem produzir grandes quantidades de cirros a partir de suas bigornas, ventos de alta altitude empurram essa densa faixa para a forma de bigorna que se estende a sotavento por muitos quilômetros.
Formações isoladas de cirros podem ser resquícios de nuvens em forma de bigorna formadas por tempestades. Na fase de dissipação de uma nuvem cúmulo-nimbo, quando a coluna de ar que normalmente se eleva até a bigorna já se evaporou ou se dissipou, tudo o que resta é a camada de cirros na bigorna.
Os rastros de condensação são um tipo artificial [en] de nuvem cirros formada quando o vapor d'água dos gases de exaustão de um motor a jato condensa sobre partículas, provenientes tanto do ar circundante quanto da própria exaustão, e congela, deixando para trás um rastro visível. A exaustão pode desencadear a formação de cirros ao fornecer núcleos de gelo quando há oferta naturalmente insuficiente na atmosfera. Um dos impactos ambientais da aviação é que rastros de condensação persistentes podem se transformar em grandes faixas de cirros, e o aumento do tráfego aéreo é apontado como uma das possíveis causas do aumento da frequência e quantidade de cirros na atmosfera terrestre.

Cirrus isoladas e aleatórias não têm qualquer significado especial. Um grande número de nuvens cirros pode ser sinal de uma frente de ar ou de uma perturbação em altitude se aproximando. O aparecimento de cirros sinaliza uma mudança no tempo, geralmente para maior instabilidade, em um futuro próximo. Se a nuvem for uma Cirrus castellanus, pode haver instabilidade no nível de altitude elevada. Quando as nuvens se aprofundam e se espalham, especialmente quando são do tipo radiatus ou da espécie fibratus, isso geralmente indica a aproximação de uma frente meteorológica. Se for uma frente quente, as nuvens cirros se expandem para cirro-estrato, que depois se adensa e baixa para alto-cúmulo e alto-estrato. O conjunto de nuvens seguinte são as nuvens de chuva nimbo-estratos. Quando as nuvens cirros precedem uma frente fria, uma linha de instabilidade ou uma tempestade multicelular, é porque são arrastadas da bigorna e as próximas nuvens a chegar são as cúmulo-nimbos. As ondas de Kelvin-Helmholtz indicam cisalhamento extremo do vento em altos níveis. Quando uma corrente de jato acelerada cria um grande arco de cirros, as condições meteorológicas podem ser favoráveis para o desenvolvimento de tempestades de inverno.
Nas regiões tropicais, 36 horas antes da passagem do centro de um ciclone tropical, um véu de nuvens cirros brancas se aproxima na direção do ciclone. Em meados do século XIX, os meteorologistas usavam esses véus de cirros para prever a chegada de furacões. No início da década de 1870, o reitor do Colégio Belén em Havana, o padre Benito Viñes, desenvolveu o primeiro sistema de previsão de furacões: ele utilizava, principalmente, o movimento dessas nuvens para formular suas previsões. Ele observava as nuvens de hora em hora, das 4h às 22h. Após acumular informações suficientes, Viñes começou a prever com precisão os trajetos dos furacões e resumiu suas observações no livro Apuntes Relativos a los Huracanes de las Antillas, publicado também em inglês como Practical Hints in Regard to West Indian Hurricanes.
As nuvens cirros cobrem até 25% da Terra (até 70% nas regiões tropicais durante a noite) e têm um efeito líquido de aquecimento. Quando são finas e translúcidas, absorvem eficientemente a radiação infravermelha que sai, ao mesmo tempo em que refletem apenas marginalmente a luz solar incidente. Quando as nuvens cirro têm 100 m de espessura, refletem apenas cerca de 9% da luz solar incidente, mas impedem quase 50% da radiação infravermelha de saída de escapar, elevando assim a temperatura da atmosfera abaixo das nuvens em uma média de 10 °C, processo conhecido como efeito estufa. Em média mundial, a formação de nuvens resulta em uma perda de temperatura de 5 °C na superfície terrestre, principalmente devido às nuvens estrato-cúmulo.
As nuvens cirros provavelmente se tronaram mais comuns em decorrência das mudanças climáticas. Como seu efeito estufa é mais forte do que sua reflexão da luz solar, isso atuaria como um feedbacks climático de auto-reforço. As partículas metálicas de fontes humanas atuam como sementes de nucleação adicionais, potencialmente aumentando a cobertura de nuvens cirros e contribuindo ainda mais para as mudanças climáticas. Aeronaves na troposfera superior podem criar nuvens de rastros de condensação se as condições meteorológicas locais forem favoráveis, esses rastros contribuem para as mudanças climáticas.
O afinamento de nuvens cirros foi proposto como uma possível abordagem de geoengenharia para reduzir os danos climáticos devidos ao dióxido de carbono. O afinamento de nuvens cirros envolveria a injeção de partículas na troposfera superior para reduzir a quantidade de nuvens cirros. O Relatório de Avaliação do IPCC de 2021 expressou baixa confiança no efeito de resfriamento do afinamento de nuvens cirros, devido ao entendimento limitado sobre o assunto.

Os cientistas estudam as propriedades das cirros por meio de vários métodos diferentes. O LIDAR (radar de base a laser) fornece informações altamente precisas sobre a altitude, comprimento e largura das nuvens. Os higrômetros transportados por balões medem a umidade das nuvens cirros, mas não são suficientemente precisos para medir a profundidade das nuvens. Já os radares fornecem informações sobre as altitudes e espessuras das nuvens cirros. Outra fonte de dados é o programa de medições por satélite Stratospheric Aerosol and Gas Experiment, esses satélites medem onde a radiação infravermelha é absorvida na atmosfera e, se for absorvida nas altitudes das cirros, presume-se que há nuvens cirros naquela localização. O Moderate-Resolution Imaging Spectroradiometer da NASA fornece informações sobre a cobertura de nuvens cirros medindo a radiação infravermelha refletida em várias frequências específicas durante o dia. Durante a noite, determina a cobertura de cirros detectando as emissões infravermelhas da Terra. A nuvem reflete essa radiação de volta ao solo, permitindo assim que os satélites vejam a "sombra" que ela projeta no espaço. Observações visuais de aeronaves ou do solo fornecem informações adicionais sobre as nuvens cirros. A Análise de Partículas por Espectrometria de Massa a Laser (PALMS) é usada para identificar o tipo de sementes de nucleação que originaram os cristais de gelo em uma nuvem cirros.
As nuvens cirros têm uma concentração média de cristais de gelo de 300 000 por 10 metros cúbicos (270 000 cristais de gelo por 10 jardas cúbicas). A concentração varia desde apenas 1 cristal de gelo por 10 metros cúbicos até até 100 milhões de cristais de gelo por 10 metros cúbicos (de pouco menos de 1 cristal por 10 jardas cúbicas a 77 milhões por 10 jardas cúbicas), uma diferença de oito ordens de magnitude. O tamanho de cada cristal de gelo costuma ser de 0,25 milímetros, mas estes variam de apenas 0,01 milímetros até vários milímetros. Os cristais de gelo nas esteiras de condensação podem ser muito menores do que os das nuvens cirros de ocorrência natural, tendo entre cerca de 0,001 e 0,1 milímetros de comprimento.
Além de se formarem em diferentes tamanhos, os cristais de gelo nas nuvens cirros podem se cristalizar em diferentes formas: colunas sólidas, colunas ocas, placas, rosetas e conglomerados dos vários outros tipos. A forma dos cristais de gelo é determinada pela temperatura do ar, pressão atmosférica e supersaturação de gelo (a quantidade pela qual a umidade relativa excede 100%). As cirros em regiões temperadas geralmente têm os vários formatos de cristais de gelo separados por tipo. As colunas e placas se concentram próximo ao topo da nuvem, enquanto as rosetas e conglomerados se concentram próximo à base. Na região ártica setentrional, as nuvens cirros tendem a ser compostas apenas de colunas, placas e conglomerados, e esses cristais tendem a ser pelo menos quatro vezes maiores do que o tamanho mínimo. Na Antártica, as cirros são geralmente compostas apenas de colunas, que são muito mais longas do que o normal.
As nuvens cirros geralmente possuem temperaturas inferiores a -20 ºC. Em temperaturas acima de -68 ºC , a maioria das nuvens cirros tem umidades relativas de cerca de 100% (ou seja, estão saturadas). As cirros podem supersaturar, com umidades relativas em relação ao gelo que podem exceder 200%. Abaixo de -68 ºC , há mais nuvens cirros tanto subsaturadas quanto supersaturadas. As nuvens mais supersaturadas são provavelmente cirros mais jovens.

As nuvens cirros podem produzir vários efeitos ópticos, como halos ao redor do Sol e da Lua. Os halos são causados pela interação da luz com cristais de gelo hexagonais presentes nas nuvens que, dependendo de sua forma e orientação, podem resultar em uma grande variedade de anéis, arcos e manchas brancas e coloridas no céu, incluindo parélios, o halo de 46°, o halo de 22° e arcos circum-horizontais. Os arcos circum-horizontais só são visíveis quando o Sol se eleva mais de 58° acima do horizonte, o que impede os observadores em latitudes mais altas de vê-los.
Mais raramente, as nuvens cirros são capazes de produzir glórias, mais comumente associadas a nuvens de água líquida, como a estrato. Uma glória é um conjunto de anéis luminosos levemente coloridos e concêntricos que aparecem em torno da sombra do observador, sendo melhor observada de um ponto de vista elevado ou de um avião. As nuvens cirros só formam glórias quando os cristais de gelo que as constituem são asféricos e pesquisadores sugerem que os cristais de gelo devem ter entre 0,009 e 0,015 milímetros de comprimento para que uma glória apareça.

As nuvens cirros são um dos três diferentes gêneros de nuvens de grande altitude, todos os quais recebem o prefixo "cirro-". Os outros dois gêneros são o cirro-cúmulo e o cirro-estrato. As nuvens de altitude geralmente se formam acima de 6 100 m. O cirro-cúmulo e o cirro-estrato são, às vezes, informalmente chamados de nuvens "cirriformes" por sua frequente associação com as cirros.
Na faixa intermediária, de 2 000 a 6 100 m, estão as nuvens de média altitude, que recebem o prefixo "alto-". Compreendem dois gêneros, o alto-estrato e o alto-cúmulo. Essas nuvens são formadas de cristais de gelo, gotículas de água super-resfriada ou gotículas de água líquida.
As nuvens de baixa altitude geralmente se formam abaixo de 1 980 m e não têm prefixo em comum. Os dois gêneros estritamente de baixos são o estrato e o estrato-cúmulo. Essas nuvens são compostas de gotículas de água, exceto durante o inverno, quando são formadas de gotículas de água super-resfriada ou cristais de gelo, se a temperatura ao nível da nuvem estiver abaixo do ponto de congelamento. Três gêneros adicionais geralmente se formam na faixa de baixa altitude, mas podem ter sua base em níveis mais altos em condições de umidade muito baixa. São estes: cúmulo, cúmulo-nimbo e nimbo-estrato, às vezes classificados separadamente como nuvens de desenvolvimento vertical, especialmente quando seus topos são suficientemente altos para serem compostos de gotículas de água super-resfriada ou cristais de gelo.

As nuvens cirro-cúmulo se formam em faixas ou manchas e não projetam sombras. Aparecem comumente em padrões regulares e ondulados ou em fileiras de nuvens com áreas abertas entre elas. Os cirro-cúmulos, como outros membros da categoria cumuliforme, se formam por meio de processos convectivos. O crescimento significativo dessas manchas indica instabilidade em alta altitude e pode sinalizar a aproximação de tempo mais adverso. Os cristais de gelo na base das nuvens cirro-cúmulo tendem a ser na forma de cilindros hexagonais. Não são sólidos, mas tendem a ter funis escalonados entrando pelas extremidades e, em direção ao topo da nuvem, esses cristais tendem a se aglomerar. Essas nuvens não duram muito e tendem a se transformar em cirros, pois à medida que o vapor d'água continua a se depositar sobre os cristais de gelo, eles eventualmente começam a cair, destruindo a convecção ascendente. A nuvem então se dissipa em cirros. As nuvens cirro-cúmulo apresentam-se em quatro espécies: stratiformis, lenticularis, castellanus e floccus. São iridescentes quando as gotículas de água super-resfriada que as constituem têm aproximadamente o mesmo tamanho.

As nuvens cirro-estrato podem aparecer como um brilho leitoso no céu ou como uma faixa estriada. Às vezes, são semelhantes ao alto-estrato e distinguem-se deste porque o Sol ou a Lua são sempre claramente visíveis através do cirro-estrato transparente, em contraste com o alto-estrato, que tende a ser opaco ou translúcido. O cirro-estrato se divide em duas espécies: fibratus e nebulosus. Os cristais de gelo nessas nuvens variam dependendo da altura na nuvem. Em direção à base, em temperaturas de cerca de -35 ºC a -45 ºC, os cristais tendem a ser longos, sólidos e hexagonais. Em direção ao topo da nuvem, em temperaturas de cerca de -47 ºC a -42 ºC, os tipos de cristais predominantes são placas hexagonais espessas e colunas hexagonais curtas e sólidas. Essas nuvens costumam produzir halos e, às vezes, o halo é a única indicação de que tais nuvens estão presentes. São formadas por ar quente e úmido sendo elevado lentamente a uma altitude muito alta. Quando uma frente quente se aproxima, as nuvens cirro-estrato se espessam e descem, formando nuvens alto-estrato, e a chuva geralmente começa 12 a 24 horas depois.


Há registros de nuvens cirros em vários outros planetas. Em 2008, a sonda marciana Phoenix registrou uma fotografia time-lapse de um grupo de nuvens cirros se movendo pelo céu marciano usando LIDAR. Perto do fim de sua missão, a Phoenix detectou mais nuvens finas próximas ao polo norte de Marte. Ao longo de vários dias, elas se espessaram, baixaram e, finalmente, começou a nevar. A precipitação total foi de apenas alguns milésimos de milímetro. James Whiteway, da Universidade de Iorque, concluiu que "a precipitação é um componente do ciclo hidrológico marciano". Essas nuvens se formaram durante a noite marciana em duas camadas, uma a cerca de 4 000 m acima do solo e a outra ao nível da superfície. Duraram até o início da manhã antes de serem dissipadas pelo Sol. Os cristais nessas nuvens foram formados a uma temperatura de -65 ºC e tinham formato aproximado de elipsoides com 0,127 milímetros de comprimento e 0,042 milímetros de largura.
Em Júpiter, as nuvens cirros são compostas de amônia. Quando a Zona Equatorial do Sul de Júpiter desapareceu, uma hipótese apresentada por Glenn Orten foi a de que uma grande quantidade de nuvens cirros de amônia havia se formado acima dela, ocultando-a da visão. A sonda Cassini da NASA detectou essas nuvens em Saturno e nuvens finas de gelo de água de tipo cirros no satélite Titã, de Saturno. Nuvens cirros compostas de gelo de metano existem em Urano. Em Netuno, nuvens finas e filamentosas que possivelmente sejam cirros foram detectadas sobre a Grande Mancha Escura. Assim como em Urano, provavelmente são cristais de metano.
As nuvens cirros interestelares são compostas de minúsculos grãos de poeira menores que um micrômetro e, portanto, não são nuvens cirros verdadeiras, que são compostas de cristais congelados. Variam de alguns a dezenas de anos-luz de extensão. Embora não sejam tecnicamente nuvens cirros, as nuvens de poeira são chamadas de "cirros" por sua semelhança com as nuvens terrestres. Emitem radiação infravermelha, de forma semelhante à como as nuvens cirros na Terra refletem o calor irradiado para o espaço.