
| Poluição |
|---|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
| Mídia externa | |
|---|---|
| "Fighting Smog in Los Angeles", podcast Distillations, 2018, Science History Institute | |
Smog, ou nevoeiro de fumaça, é um tipo de poluição atmosférica intensa. A criação da palavra costuma ser atribuída ao início do século XX. Trata-se de uma aglutinação das palavras inglesas smoke (fumaça) e fog (nevoeiro), empregada para designar um nevoeiro impregnado de fumaça, por sua opacidade e seu odor. Originalmente, a palavra se referia ao chamado nevoeiro de sopa de ervilhas, um problema conhecido e grave em Londres entre o século XIX e meados do século XX, onde também era denominado London particular ou London fog (nevoeiro de Londres). Sua composição varia conforme as emissões e as condições atmosféricas. Pode conter óxidos de nitrogênio, óxidos de enxofre, ozônio, fumaça e outros materiais particulados. No smog sulfuroso predominam os efeitos da fumaça e dos compostos de enxofre, enquanto o ozônio é um dos poluentes secundários do smog fotoquímico. O smog resulta de emissões da queima de carvão, de veículos, da agricultura, da indústria e de incêndios florestais, bem como dos produtos de reações fotoquímicas dessas emissões.
O smog costuma ser classificado como de verão ou de inverno. O smog de verão está associado principalmente à formação fotoquímica de ozônio. No verão, quando as temperaturas são mais elevadas e há maior incidência de luz solar, predomina o smog fotoquímico. Nos meses de inverno, quando as temperaturas são mais baixas e as inversões térmicas são frequentes, aumenta o uso de carvão e de outros combustíveis fósseis para aquecer casas e edifícios. Essas emissões da combustão, somadas à falta de dispersão dos poluentes durante as inversões térmicas, caracterizam a formação do smog de inverno. Em geral, a formação de smog depende tanto de poluentes primários quanto de secundários. Os primários são emitidos diretamente por uma fonte, como o dióxido de enxofre proveniente da queima de carvão. Os secundários, como o ozônio, formam-se quando os poluentes primários sofrem reações químicas na atmosfera.
O smog fotoquímico, observado, por exemplo, em Los Angeles, é uma forma de poluição atmosférica derivada das emissões de veículos com motores de combustão interna e de emissões industriais. Esses poluentes reagem na atmosfera sob a ação da luz solar, formando poluentes secundários que, juntamente com as emissões primárias, compõem o smog fotoquímico. Em outras cidades, como Deli, a intensidade do fenômeno pode ser agravada pela queima de resíduos agrícolas nas áreas vizinhas. Os níveis de poluição atmosférica de Los Angeles, Pequim, Deli, Laore, Cidade do México, Teerã e outras cidades muitas vezes aumentam devido a inversões térmicas que retêm os poluentes próximos ao solo. O smog assim formado é tóxico para os seres humanos e pode causar doenças graves, reduzir a expectativa de vida ou provocar mortes prematuras.
A criação do termo "smog" foi atribuída a Henry Antoine Des Voeux, que o teria empregado no trabalho "Fog and Smoke", apresentado em 1905 em uma reunião do Congresso de Saúde Pública. A edição de 26 de julho de 1905 do jornal londrino Daily Graphic citou Des Voeux: "Ele disse que não era preciso recorrer à ciência para perceber que nas grandes cidades se produzia algo que não existia no campo: um nevoeiro enfumaçado, ou aquilo que se conhecia como 'smog'." No dia seguinte, o jornal afirmou que "o doutor Des Voeux prestou um serviço público ao criar uma nova palavra para o nevoeiro de Londres".
Entretanto, o termo já havia aparecido 25 anos antes do trabalho de Des Voeux, no Santa Cruz & Monterey Illustrated Handbook, publicado em 1880, e também em uma coluna que citava esse livro na edição de 3 de julho de 1880 do Santa Cruz Weekly Sentinel. Em 17 de dezembro de 1881, um autor do Sporting Times afirmou ter inventado a palavra: "O 'smog', palavra que inventei, combinando smoke e fog, para designar a atmosfera londrina..."
A queima de carvão pode emitir grandes nuvens de fumaça que contribuem para a formação do smog de inverno. O carvão pode ser queimado para aquecer edifícios individuais ou para gerar energia em uma usina. Há registros de poluição atmosférica proveniente dessa fonte na Inglaterra desde a Idade Média. Londres, em particular, foi conhecida até meados do século XX pelo smog causado pelo carvão, apelidado de "sopa de ervilhas". Esse tipo de poluição atmosférica continua sendo um problema em áreas onde a queima de carvão produz grandes quantidades de fumaça. As emissões dessa combustão estão entre as principais causas da poluição atmosférica na China. Sobretudo no outono e no inverno, quando aumenta o uso de carvão para aquecimento, a quantidade de fumaça produzida por vezes obriga cidades chinesas a fechar estradas, escolas ou aeroportos. Um exemplo expressivo ocorreu em Harbin, em 2013, no nordeste do país.
As emissões do tráfego, como as de caminhões, ônibus e automóveis, também contribuem para a formação de smog. Os subprodutos liberados na atmosfera pelos sistemas de escapamento dos veículos causam poluição atmosférica e contribuem significativamente para a formação de smog em algumas grandes cidades.
Entre os principais poluentes provenientes dos transportes estão o monóxido de carbono (CO), os óxidos de nitrogênio (NO e NO2) e os compostos orgânicos voláteis, incluindo os hidrocarbonetos, principais componentes de combustíveis derivados do petróleo, como a gasolina e o diesel. As emissões dos transportes também contêm dióxido de enxofre e material particulado. Os óxidos de nitrogênio e os compostos orgânicos voláteis participam de reações químicas sob a ação da luz solar que produzem ozônio troposférico e outros poluentes secundários.
Os compostos orgânicos voláteis também chegam à atmosfera sem passar pela combustão. A evaporação de combustíveis nos tanques dos veículos e durante seu armazenamento libera precursores do smog fotoquímico. O uso de solventes orgânicos é outra fonte desses compostos. Por isso, as emissões que alimentam o smog não se limitam à fumaça ou aos gases que saem dos escapamentos e das chaminés.

No smog de inverno, a fumaça da queima de combustíveis se acumula em uma camada de ar pouco ventilada. Em episódios como o de Londres em 1952, o frio aumentou a queima de carvão para aquecimento, enquanto uma inversão térmica impediu que o ar próximo ao solo se misturasse com as camadas superiores. A fuligem e outras partículas se misturaram ao nevoeiro, e o dióxido de enxofre deu origem a ácido sulfúrico nas gotículas de água. A névoa carregada de poluentes permaneceu sobre a cidade enquanto persistiram essas condições meteorológicas.
O aquecimento doméstico também pode produzir poluição intensa onde se utiliza lenha. A combustão de madeira e carvão em fogões e caldeiras residenciais emite partículas finas, e sua participação na poluição urbana aumenta durante a estação de aquecimento. Em algumas cidades europeias, a queima residencial de lenha e carvão responde por mais da metade da concentração de partículas finas.

O smog fotoquímico, frequentemente chamado de "smog de verão", resulta de reações dos óxidos de nitrogênio e dos compostos orgânicos voláteis na atmosfera sob a ação da luz solar, que produzem partículas em suspensão e ozônio próximo à superfície. Sua formação depende tanto dos poluentes primários quanto da produção de poluentes secundários. Entre os primários estão os óxidos de nitrogênio, especialmente o óxido nítrico (NO) e o dióxido de nitrogênio (NO2), além dos compostos orgânicos voláteis. Entre os secundários estão os nitratos de peroxiacila (PANs), o ozônio troposférico e os aldeídos. O nitrato de peroxiacetila (PAN) é um dos compostos dessa família de nitratos. O ozônio é um importante poluente secundário do smog fotoquímico e se forma em reações que envolvem hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio (NOx) na presença de luz solar. Na atmosfera, a conversão de óxido nítrico (NO) em dióxido de nitrogênio (NO2) ocorre por reações com ozônio e radicais peroxila. Além disso, o SO2 e os NOx emitidos podem ser oxidados na troposfera, formando, respectivamente, ácido sulfúrico e ácido nítrico, que, dissolvidos na água, são os principais componentes ácidos da chuva ácida. A amônia pode reagir com esses ácidos e formar partículas de sais de amônio, contribuindo para a fração particulada do smog. Essa mistura contém substâncias irritantes e oxidantes altamente reativas. Por isso, o smog fotoquímico é considerado um problema da industrialização moderna. Ocorre nas cidades modernas, sobretudo naquelas com clima ensolarado, quente e seco e com grande número de veículos motorizados. Como pode ser transportado pelo vento, também afeta áreas pouco povoadas.
O ozônio próximo à superfície prejudica a saúde e a vegetação, enquanto o ozônio da estratosfera absorve parte da radiação ultravioleta solar. A expressão "smog de verão" não restringe o fenômeno a essa estação: concentrações elevadas de ozônio também podem ocorrer em meses frios, e o vento pode transportar o poluente e seus precursores para áreas rurais.

A composição e as reações químicas envolvidas no smog fotoquímico só foram compreendidas na década de 1950. Em 1948, o químico especializado em aromas Arie Haagen-Smit adaptou parte de seus equipamentos para coletar substâncias do ar poluído e identificou o ozônio como um componente do smog de Los Angeles. Ele descobriu posteriormente que os óxidos de nitrogênio dos escapamentos e os hidrocarbonetos gasosos emitidos por automóveis e refinarias de petróleo, quando expostos à luz solar, eram componentes fundamentais da formação de ozônio e de smog fotoquímico. Haagen-Smit trabalhou com Arnold Beckman, que desenvolveu diversos equipamentos para detectar o smog, desde um "aparelho para registrar concentrações de gases na atmosfera", patenteado em 7 de outubro de 1952, até "veículos de monitoramento da qualidade do ar", destinados ao governo e à indústria.
O smog fotoquímico se forma por uma série de reações desencadeadas pela luz solar: o dióxido de nitrogênio (NO2) absorve radiação solar e se decompõe em óxido nítrico (NO) e um átomo livre de oxigênio. Este se combina com o oxigênio molecular (O2) para formar ozônio (O3). Os compostos orgânicos voláteis (COVs) participam por meio de produtos de sua oxidação que reagem com o NO, evitando o consumo de ozônio por essa via e permitindo que sua concentração aumente, juntamente com a de outros oxidantes secundários, como os nitratos de peroxiacila (PANs).
Além do ozônio, o smog fotoquímico contém outros poluentes secundários nocivos. Os PANs são potentes irritantes dos olhos e das vias respiratórias, formados quando a oxidação dos COVs produz radicais peroxiacila que reagem com o NO2. Aldeídos como o formaldeído também se originam da oxidação dos COVs e contribuem para a irritação e os odores associados aos episódios de smog.
Durante o horário de pico da manhã, grandes quantidades de óxido nítrico e hidrocarbonetos são emitidas para a atmosfera, principalmente pelo tráfego rodoviário, mas também por fontes industriais. Alguns hidrocarbonetos são rapidamente oxidados pelo radical OH·, formando radicais peroxila, que convertem o óxido nítrico (NO) em dióxido de nitrogênio (NO2).
O dióxido de nitrogênio (NO2), o óxido nítrico (NO) e o ozônio (O3) participam ainda das seguintes reações:
Nas equações, R é um grupo orgânico, o ponto indica um radical e M é uma terceira molécula que participa da colisão e recebe a energia excedente. As reações 4, 5 e 6, tomadas isoladamente, formam um ciclo sem produção líquida de ozônio. O balanço entre suas velocidades pode estabelecer um estado fotoestacionário. As reações 2 e 3 convertem NO em NO2 sem consumir O3, permitindo que a fotólise posterior do NO2 produza ozônio adicional.
Outras reações, como a foto-oxidação do formaldeído (HCHO), um poluente secundário comum, também participam desse mecanismo. A concentração de ozônio depende da produção química, das reações que o consomem e do transporte do ar, e não aumenta necessariamente durante todo o dia. A luz solar favorece as reações 4 e 5, enquanto uma inversão térmica dificulta a mistura vertical do ar e pode favorecer o acúmulo dos poluentes.
Certas reações podem limitar a formação de O3 no smog. Uma importante reação limitante em áreas poluídas é:
Essa reação consome NO2 e o radical OH•, formando ácido nítrico e interrompendo parte das reações que produzem ozônio. O ácido nítrico pode ser removido da atmosfera ao se depositar em superfícies, por deposição seca, ou ao se dissolver na água e ser levado pela precipitação, por deposição úmida. O consumo do radical ocorre na reação química, antes da deposição do ácido.

Os vulcões liberam dióxido de enxofre e podem emitir grandes quantidades de material particulado. A liberação de gases também ocorre sem uma erupção. A névoa poluente produzida por essas emissões é chamada de vog. Na atmosfera, o dióxido de enxofre pode se transformar em aerossóis de sulfato, que reduzem a visibilidade e prejudicam a saúde. Esse processo difere da formação de ozônio no smog fotoquímico.
As plantas são uma fonte natural de hidrocarbonetos que podem reagir na atmosfera e contribuir para a formação de smog. Em escala mundial, tanto as plantas quanto o solo contribuem com quantidades substanciais de hidrocarbonetos, principalmente isopreno e terpenos. Os hidrocarbonetos liberados pelas plantas podem ser mais reativos que os de origem humana. Por exemplo, o isopreno emitido pelas plantas reage muito rapidamente na atmosfera com os radicais hidroxila. Essas reações produzem hidroperóxidos e outros produtos que participam da química atmosférica. A contribuição dos compostos emitidos pelas plantas para o ozônio depende também da disponibilidade de óxidos de nitrogênio. Durante episódios de poluição fotoquímica, compostos orgânicos de origem vegetal podem reagir com NOx de fontes humanas próximas e aumentar a produção de ozônio.

O smog é um problema grave em muitas cidades e continua prejudicando a saúde humana. Os poluentes secundários produzidos no smog fotoquímico, como o ozônio, os PANs e os aldeídos, contribuem para a irritação das vias respiratórias e dos olhos e para a redução da função pulmonar, especialmente entre os grupos mais sensíveis. O ozônio próximo à superfície, o dióxido de enxofre e o dióxido de nitrogênio podem agravar doenças respiratórias, como enfisema, bronquite e asma. Crianças, idosos e pessoas com doenças pulmonares estão entre os grupos mais vulneráveis. O monóxido de carbono age de outra forma, reduzindo a capacidade do sangue de transportar oxigênio, e pode ser especialmente prejudicial a pessoas com doenças cardíacas. O smog pode inflamar as vias respiratórias, diminuir a capacidade funcional dos pulmões e causar falta de ar, dor ao inspirar profundamente, chiado e tosse. Pode ainda irritar os olhos e o nariz. A exposição aos poluentes também pode prejudicar os mecanismos de defesa das vias respiratórias. As internações e as mortes por doenças respiratórias frequentemente aumentam nos períodos de elevada concentração de ozônio.
Ainda existem lacunas no conhecimento sobre os efeitos de longo prazo da exposição à poluição atmosférica e sobre sua relação com o desenvolvimento de asma. Um estudo utilizou o Grande Nevoeiro de 1952 como experimento natural para examinar essa relação. Os resultados indicaram uma associação entre a exposição à poluição no início da vida e o desenvolvimento posterior de asma, sugerindo efeitos duradouros daquele episódio. Estudos também identificaram associações entre mortalidade e smog. Um trabalho publicado no periódico Scientific Reports constatou que os episódios de smog ocorridos entre 2011 e 2015 em Jinan, uma grande cidade do leste da China, estiveram associados a um aumento de 5,87% na mortalidade diária por causas não acidentais, com intervalo de confiança de 95% entre 0,16% e 11,58%. O estudo destacou a relação entre a exposição à poluição atmosférica e a mortalidade na China. Um estudo semelhante em Xian identificou uma associação entre a poluição do ar ambiente e o aumento da mortalidade por doenças respiratórias.
A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) desenvolveu um índice de qualidade do ar para comunicar os níveis de poluição à população. Nas diretrizes de 2006, concentrações médias de ozônio em oito horas entre 85 e 104 partes por bilhão em volume (ppbv) eram classificadas como "prejudiciais à saúde de grupos sensíveis". A faixa de 105 a 124 ppbv era classificada como "prejudicial à saúde", e a de 125 a 374 ppbv, como "muito prejudicial à saúde". Para outros poluentes, essa última categoria correspondia a 355–424 μg/m³ de PM10 na média de 24 horas, 15,5–30,4 ppm de CO na média de oito horas e 0,65–1,24 ppm de NO2 na média de uma hora.
Essas faixas são históricas. Na edição de maio de 2026 do guia da EPA, as médias de ozônio em oito horas de 71–85 ppbv correspondem à categoria "prejudicial à saúde de grupos sensíveis", as de 86–105 ppbv à categoria "prejudicial à saúde" e as de 106–200 ppbv à categoria "muito prejudicial à saúde". Os valores do índice são adimensionais e não devem ser confundidos com as concentrações dos poluentes usadas em seu cálculo.
Em 2013, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer classificou a poluição do ar exterior e o material particulado presente nessa poluição como carcinogênicos para os seres humanos, no grupo 1. A avaliação concluiu que a exposição causa câncer de pulmão. Essa classificação se refere à mistura de poluentes do ar exterior e ao material particulado, não a cada gás isoladamente.
Uma estimativa da Associação Médica de Ontário, divulgada em 2008, atribuía ao smog cerca de 9.500 mortes prematuras por ano na província.
Um estudo publicado em 2009 acompanhou 448.850 participantes de uma coorte da American Cancer Society durante 18 anos. A exposição prolongada a concentrações mais elevadas de ozônio esteve associada à maior mortalidade por doenças respiratórias, mesmo após o ajuste para a exposição a partículas finas.
Em 2016, uma equipe da Universidade de Lancaster encontrou nanopartículas de magnetita com características compatíveis com partículas produzidas por combustão e atrito em altas temperaturas no tecido cerebral de 37 pessoas, com idades entre três e 92 anos, que haviam vivido na Cidade do México e em Manchester. A forma arredondada e a composição dessas partículas permitiram distingui-las de cristais de magnetita formados no próprio organismo. Os pesquisadores propuseram a poluição atmosférica como uma via de entrada dessas partículas no cérebro.
A magnetita pode participar da produção de espécies reativas de oxigênio, incluindo radicais livres, e foi investigada por sua possível participação em processos da doença de Alzheimer. A presença dessas partículas no tecido cerebral, porém, não demonstra que elas causem a doença.
Um estudo de casos e controles no Vale de San Joaquin, na Califórnia, examinou 806 casos de malformações congênitas e 849 controles, com datas previstas de parto entre 1997 e 2006. Os casos incluíam nascidos vivos, natimortos e gestações interrompidas, e a exposição foi estimada para os dois primeiros meses da gravidez. Concentrações mais elevadas de monóxido de carbono e óxidos de nitrogênio estiveram associadas a maior ocorrência de defeitos do tubo neural, incluindo espinha bífida e anencefalia. As associações não foram uniformes para todos os poluentes e tipos de malformação. A espinha bífida envolve malformações da coluna vertebral. Na anencefalia, partes do cérebro e do crânio não se formam, e quase todos os bebês nascidos com essa condição morrem pouco depois do parto. Na China, um protocolo de estudo de coorte prospectivo, publicado em 2017, propôs investigar a exposição a poluentes atmosféricos no início da vida e desfechos gestacionais adversos, incluindo o possível papel do estresse oxidativo. Tratava-se do planejamento da pesquisa, e não de resultados já obtidos.
Um estudo sobre a poluição relacionada ao tráfego examinou a exposição durante a gravidez e o baixo peso ao nascer em crianças nascidas a termo. Em outro estudo, publicado no periódico The Lancet Respiratory Medicine, um aumento de 5 μg/m³ na concentração de PM2,5 durante a gravidez esteve associado a um aumento de 18% nas chances de baixo peso ao nascer entre crianças nascidas a termo. A associação também foi observada em concentrações inferiores aos limites de qualidade do ar adotados à época.
Embora os efeitos graves sobre a saúde sejam a principal preocupação, a poluição atmosférica intensa associada à névoa seca, às partículas de tempestades de poeira e à fumaça de incêndios de vegetação pode reduzir a irradiância e a geração de energia solar fotovoltaica e, em determinadas condições, o rendimento das culturas agrícolas.
O ozônio também danifica diretamente a vegetação. Ao entrar nas folhas, pode reduzir a fotossíntese e o crescimento das plantas, além de causar lesões visíveis. As plantas sensíveis ficam mais vulneráveis a doenças, insetos e condições meteorológicas adversas. Em ecossistemas florestais, esses efeitos podem alterar a composição das espécies e os ciclos da água e dos nutrientes.
O smog também pode deteriorar materiais. A acidez das gotículas do smog sulfuroso corrói superfícies de edifícios. Em Los Angeles, os episódios de smog fotoquímico foram acompanhados por rachaduras em peças de borracha.

O smog pode se formar em praticamente qualquer clima em que indústrias ou cidades liberem grandes quantidades de poluentes atmosféricos, como fumaça e gases. Seus precursores podem ser transportados pelo vento a partir dos centros urbanos, permitindo a formação de smog em áreas suburbanas e rurais à medida que reagem durante o deslocamento. Assim, os episódios podem afetar regiões distantes das fontes originais de emissão. O smog fotoquímico tende a se intensificar em períodos quentes e ensolarados. As inversões térmicas podem agravar os episódios ao dificultar a mistura vertical do ar. É particularmente frequente em bacias cercadas por colinas ou montanhas. Pode permanecer por longos períodos sobre cidades densamente povoadas ou áreas urbanas e se acumular até atingir níveis perigosos.

Cidades do norte da Índia têm sido cobertas por uma espessa camada de smog no inverno. Na capital, Deli, os problemas de poluição atmosférica tornaram-se particularmente graves. Esse smog decorre do acúmulo de material particulado, incluindo partículas muito finas de poeira, e de gases tóxicos no ar, favorecido pela estagnação atmosférica durante o inverno. Além disso, na transição entre o período posterior às monções e o inverno, a qualidade do ar na Planície Indo-Gangética piora significativamente devido a mudanças nos ventos, na temperatura e na mistura da camada limite atmosférica. A queima de biomassa e as atividades urbanas emitem gases precursores do ozônio. Medições entre 2009 e 2011 em Pantnagar, na Planície Indo-Gangética, registraram acúmulo fotoquímico de ozônio durante o dia, por vezes com concentrações de até 100 ppbv. A região vizinha dos Himalaias também é afetada, pois o relevo montanhoso dificulta a dispersão dos poluentes e agrava os problemas de qualidade do ar, especialmente no norte da Índia.
Em um levantamento divulgado em 2014, Deli foi apontada como a cidade mais poluída do mundo. Uma estimativa citada naquele período atribuía à poluição atmosférica cerca de 10.500 mortes anuais na cidade. Entre 2013 e 2014, os picos de concentração de partículas finas em Deli aumentaram aproximadamente 44%, principalmente devido às elevadas emissões veiculares e industriais, às obras e à queima de resíduos agrícolas nos estados vizinhos. O levantamento de 2014 registrou em Deli uma concentração média anual de PM2,5 de 153 μg/m³, a maior entre as cidades consideradas. O aumento da poluição atmosférica foi associado à maior ocorrência de doenças pulmonares, especialmente asma e câncer de pulmão, entre crianças e mulheres da cidade. O smog denso do inverno provoca grandes transtornos ao tráfego aéreo e ferroviário. Meteorologistas indianos também relacionaram o aumento da poluição à queda das temperaturas máximas médias do inverno em Deli desde 1998.

Ambientalistas criticaram o governo de Deli por não fazer o suficiente para reduzir a poluição e informar a população sobre a qualidade do ar. Reportagens da época apontaram que grande parte dos moradores desconhecia os níveis alarmantes de poluição e os riscos associados à saúde. Desde meados da década de 1990, a cidade adotou algumas medidas de controle. Em 2007, a cobertura arbórea fora das áreas classificadas como floresta ocupava 8,29% do território de Deli. A Delhi Transport Corporation passou a operar uma frota de ônibus movidos a gás natural comprimido (GNC), apresentada à época como a maior do mundo desse tipo e menos poluente. Em 1996, o Centro de Ciência e Meio Ambiente (CSE) iniciou uma ação de interesse público no Supremo Tribunal da Índia, que determinou a conversão da frota de ônibus e táxis de Deli para GNC e proibiu a gasolina com chumbo em 1998. Em 2003, a cidade recebeu o primeiro prêmio "Clean Cities International Partner of the Year", do Departamento de Energia dos Estados Unidos, por seus "esforços ousados para conter a poluição atmosférica e apoiar iniciativas de combustíveis alternativos". O metrô de Deli também foi apontado como responsável por reduzir significativamente os poluentes atmosféricos da cidade.
Entretanto, diversos autores consideraram que grande parte desses avanços foi anulada, principalmente pela queima de resíduos agrícolas, pelo aumento da participação dos automóveis a diesel e pela redução expressiva do número de passageiros dos ônibus. O CSE e o Sistema de Previsão e Pesquisa da Qualidade do Ar e do Tempo, conhecido pela sigla inglesa SAFAR, relacionaram a queima de resíduos agrícolas no Panjabe, em Harianá e em Utar Pradexe à forte intensificação do smog sobre Deli. O governo de Utar Pradexe chegou a considerar a proibição das queimadas agrícolas para reduzir a poluição na Região da Capital Nacional de Deli, e um comitê ambiental solicitou ao Supremo Tribunal a cobrança de uma taxa adicional de 30% sobre automóveis a diesel.
Uma pesquisa conjunta de cientistas estadunidenses e chineses, publicada em 2007, calculou a parcela da poluição de Pequim que vinha de cidades e províncias vizinhas. Durante episódios de concentrações elevadas, entre 35% e 60% do ozônio na área do estádio olímpico foi atribuído a fontes externas à cidade. A província de Xantum e a municipalidade de Tianjin exerciam "influência significativa sobre a qualidade do ar de Pequim", em parte devido à predominância de ventos de sul e sudeste durante o verão e à presença de montanhas ao norte e ao noroeste.
Em 18 de julho de 1970, 43 alunas da escola Tokyo Rissho, em Suginami, Tóquio, sentiram irritação nos olhos e na garganta enquanto faziam exercícios ao ar livre. Algumas também tiveram dificuldade para respirar. O episódio foi atribuído ao smog fotoquímico. No verão de 1971, queixas semelhantes foram registradas na região da baía de Osaka e na prefeitura de Aichi.
As brisas marítimas podem transportar a poluição fotoquímica das áreas costeiras para o interior. Na região da Baía de Ise, uma simulação baseada nas condições de 4 e 5 de agosto de 1977 reproduziu o deslocamento do ozônio formado próximo à costa e o aumento de suas concentrações no interior durante a tarde.
Em dezembro de 2005, escolas e repartições públicas de Teerã foram obrigadas a fechar e 1.600 pessoas foram levadas a hospitais durante um episódio grave de smog, atribuído principalmente às emissões de veículos sem sistemas adequados de controle.
Bisqueque, capital do Quirguistão, é gravemente afetada pelo smog. Em 16 de março de 2026, figurou entre as dez cidades com pior qualidade do ar em uma classificação da IQAir. No inverno de 2020–2021, o índice de qualidade do ar associado ao PM2,5 ultrapassou 100 em 25 dias de dezembro de 2020 e em 25 dias de janeiro de 2021; em alguns dias, os valores médios chegaram à faixa de 200–300, indicativa de condições muito prejudiciais à saúde. O aquecimento a carvão, a circulação de ar insuficiente e as emissões dos veículos particulares foram identificados como as principais causas. O problema também foi associado à construção descontrolada de edifícios residenciais de luxo, chamados elitki, que dificultam o fluxo de ar fresco das montanhas, responsável historicamente por ajudar a ventilar a cidade.
No fim da década de 1990, começou uma intensa migração do campo para Ulã Bator. Uma estimativa divulgada em 2010 apontava cerca de 150 mil famílias, principalmente em gers, as tendas tradicionais mongóis, na periferia da cidade. Sem ligação ao sistema de aquecimento central, essas famílias queimavam lenha e carvão para se aquecer durante o inverno rigoroso, de outubro a abril; algumas famílias pobres também queimavam pneus e lixo. A introdução de fogões mais eficientes foi proposta como solução temporária para reduzir o smog, mas, naquele momento, não havia produzido resultados visíveis.
Os fogões a carvão dos gers liberam grandes quantidades de cinzas e outros materiais particulados. Quando inaladas, essas partículas podem se depositar nos pulmões e nas vias respiratórias, causando problemas de saúde. Segundo um relatório do Banco Mundial de dezembro de 2009, as concentrações de material particulado de Ulã Bator estavam entre as mais elevadas do mundo e superavam em duas a dez vezes os padrões mongóis e internacionais de qualidade do ar. O Banco Asiático de Desenvolvimento estimou que os custos de saúde associados a essa poluição poderiam equivaler a até 4% do produto interno bruto da Mongólia.
O smog é um problema recorrente no Sudeste Asiático, causado por incêndios em áreas agrícolas e florestais da Indonésia, especialmente em Sumatra e Calimantã, embora o termo névoa seca seja mais utilizado para descrevê-lo. O fenômeno também se relaciona à nuvem marrom asiática. Os incêndios costumam ser provocados por agricultores e proprietários de plantações para preparar áreas destinadas a novos cultivos. Seus efeitos atingem principalmente Brunei, Indonésia, Filipinas, Malásia, Singapura e Tailândia, e ocasionalmente Guam e Saipã. As perdas econômicas causadas pelos incêndios de 1997 foram estimadas em mais de US$ 9 bilhões. Esse valor inclui prejuízos à produção agrícola, às florestas, à saúde, aos transportes, ao turismo e a outras atividades econômicas, mas não os problemas sociais, ambientais e psicológicos nem os efeitos de longo prazo sobre a saúde. Um episódio ocorrido em outubro de 2006 afetou a Malásia, Singapura e o Estreito de Malaca, quando ventos de sudoeste transportaram a fumaça dos incêndios indonésios através do estreito. Um episódio semelhante ocorreu em junho de 2013. Às 12 horas de 21 de junho, o Índice de Padrões de Poluentes (PSI) atingiu um recorde em Singapura, com valor de 401, correspondente à categoria "perigosa".
A Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) adotou medidas para enfrentar o problema. Em 2002, seus países assinaram o Acordo da ASEAN sobre Poluição Transfronteiriça por Névoa Seca. A organização elaborou um Plano de Ação Regional contra a Névoa Seca (RHAP) e criou uma unidade de coordenação e apoio (CSU). Com auxílio do Canadá, o plano estabeleceu um sistema de monitoramento e alerta de incêndios florestais e de vegetação e implantou um Sistema de Classificação do Perigo de Incêndio (FDRS). O Departamento Meteorológico da Malásia passou a divulgar avaliações diárias do perigo de incêndio em setembro de 2003. Em 2013, o Centro de Pesquisa Florestal Internacional (CIFOR) apontou a necessidade de melhorar a aplicação das leis indonésias que proíbem o uso do fogo em grande escala para desmatar e de punir seu uso indevido por empresas.
No início do inverno, episódios de smog denso e carregado de poluentes cobrem grandes áreas do Panjabe, sobretudo a cidade de Laore, causando problemas respiratórios e transtornos ao trânsito. Um estudo de 2022 examinou partículas magnéticas depositadas em folhas de árvores à beira de vias em Laore. As propriedades dessas partículas eram compatíveis com uma mistura de resíduos dos escapamentos e do desgaste de freios. O estudo não quantificou a participação de todas as fontes na poluição atmosférica da cidade. A qualidade do ar no Panjabe paquistanês piora acentuadamente na transição entre o período posterior às monções e o inverno, devido a mudanças nos ventos, na temperatura e na mistura da camada limite atmosférica. Nesse período, as emissões humanas, como os gases de exaustão dos veículos, as emissões industriais e a queima de resíduos agrícolas, contribuem intensamente para a poluição regional. Em simulações para dezembro, a retirada das emissões antrópicas reduziu em 90% a 100% as concentrações de PM2,5 na Planície Indo-Gangética.
Durante os episódios, médicos recomendaram aos moradores que permanecessem em ambientes internos e utilizassem máscaras ao sair.
Em dezembro de 1930, o vale do Mosa foi coberto por smog durante dias. A área próxima a Liège, na Bélgica, concentrava siderúrgicas e fundições, cujas emissões se acumularam sobre o vale densamente povoado. A névoa poluente causou até 60 mortes e milhares de crises respiratórias.
A região do Reno-Ruhr sofreu um episódio de smog de cinco dias em dezembro de 1962. As maiores concentrações médias diárias medidas chegaram a 5.000 μg/m³ de dióxido de enxofre e 2.400 μg/m³ de partículas totais em suspensão. A mortalidade média aumentou 19% durante o episódio. Em janeiro de 1985, outro episódio atingiu a Europa Central. No Reno-Ruhr, a mortalidade diária e as internações por doenças respiratórias e cardiovasculares ficaram, respectivamente, 8% e 15% acima dos valores dos períodos de comparação anteriores e posteriores ao smog.
Na Pequena Polônia, o aquecimento doméstico com carvão em caldeiras e fornos antigos foi a principal fonte dos elevados níveis de material particulado e benzo[a]pireno no inverno. Em Cracóvia, a redução dessas emissões incluiu a substituição de caldeiras e a modernização dos sistemas de aquecimento. Uma proibição do uso de combustíveis sólidos entrou em vigor na cidade em setembro de 2019.
Durante os incêndios florestais de 2010, a fumaça cobriu Moscou e outras áreas da Rússia ocidental. O calor e a baixa umidade favoreceram os incêndios. Em agosto, um anticiclone persistente transportou e reteve ar poluído sobre a região de Moscou por cerca de 18 dias. Observações de satélite registraram concentrações elevadas de aerossóis e monóxido de carbono, que diminuíram quando as condições meteorológicas mudaram na segunda metade do mês.

Em 1306, a preocupação com a poluição atmosférica levou Eduardo I a proibir temporariamente a queima de carvão em Londres. Em 1661, John Evelyn sugeriu, em Fumifugium, que se queimasse madeira aromática em vez de carvão mineral, acreditando que isso reduziria a tosse. A "Ballad of Gresham College", do mesmo ano, descrevia como a fumaça "sufoca nossos pulmões e nosso ânimo, estraga nossas tapeçarias e enferruja nosso ferro".
Episódios graves de smog continuaram nos séculos XIX e XX, principalmente no inverno, recebendo o apelido de "sopa de ervilhas", a partir da expressão "tão espesso quanto sopa de ervilhas". O Grande Nevoeiro de 1952 cobriu Londres de 5 a 9 de dezembro. As primeiras estimativas atribuíram cerca de 4 mil mortes ao episódio. Uma reavaliação estimou aproximadamente 12 mil mortes excedentes entre dezembro de 1952 e fevereiro de 1953, incluindo os efeitos que persistiram após a dispersão do nevoeiro. O aumento da mortalidade nos meses posteriores ao episódio foi inicialmente explicado por uma possível epidemia de gripe, mas as reavaliações não sustentaram essa explicação como causa de todo o excesso de mortes.
Em 1956, a Lei do Ar Limpo instituiu legalmente áreas de controle de fumaça na capital. Nessas áreas, a queima de carvão betuminoso em residências e estabelecimentos comerciais foi restringida, sendo permitidos combustíveis sem fumaça, como o coque. A redução das partículas de fuligem decorrente dessas medidas ocorreu gradualmente. Episódios graves ainda aconteceram após 1956, antes que a mudança de combustíveis e as restrições às emissões eliminassem o smog intenso e persistente que caracterizava Londres.
A partir daí, iniciou-se uma grande limpeza da cidade. Um a um, edifícios históricos cujas fachadas haviam escurecido gradualmente ao longo dos dois séculos anteriores tiveram suas superfícies de pedra limpas e restauradas à aparência original. Entre os edifícios vitorianos cuja aparência mudou de forma expressiva estava o Museu de História Natural de Londres. Outro exemplo foi o Palácio de Westminster, limpo na década de 1980. Uma exceção notável foi o número 10 Downing Street: a limpeza, no fim da década de 1950, revelou que seus tijolos eram naturalmente amarelos, mas a fachada enegrecida pelo smog era considerada tão característica que os tijolos foram pintados de preto para preservar aquela aparência.
Outras partes do Reino Unido também foram afetadas pelo smog, sobretudo as áreas fortemente industrializadas.
Glasgow e Edimburgo, na Escócia, sofreram episódios de nevoeiro carregado de fumaça em 1909. Des Voeux, a quem se costuma atribuir a criação do termo "smog", apresentou em 1911 um trabalho sobre esses nevoeiros e as mortes resultantes em uma conferência da Liga Britânica para a Redução da Fumaça, em Manchester.
Um morador de Birmingham descreveu condições de quase escuridão no início do século XX, antes da Lei do Ar Limpo, com visibilidade tão baixa que os ciclistas precisavam descer e caminhar para não sair da via.
Em 29 de abril de 2015, a Suprema Corte do Reino Unido determinou que o governo tomasse medidas imediatas para reduzir a poluição atmosférica, em resposta a uma ação movida pela organização de advogados ambientalistas ClientEarth.

No estado de São Paulo, os episódios de poluição não ocorrem todos na mesma estação. As concentrações de poluentes primários tendem a aumentar no inverno, quando a dispersão atmosférica é menor. O ozônio costuma atingir concentrações mais elevadas entre setembro e março, com maior frequência de episódios em setembro e outubro, na transição da estação seca para a chuvosa. Ao longo do dia, suas máximas geralmente ocorrem entre 13 e 17 horas. Esse comportamento depende da radiação solar, da nebulosidade e do transporte dos poluentes.

Devido à localização da Cidade do México em uma bacia elevada, o ar frio se acumula sobre a área urbana e dificulta a dispersão das emissões industriais e veiculares. Essa combinação tornou a cidade uma das mais afetadas pelo smog na América Latina. A partir da década de 1950, a qualidade do ar sofreu uma rápida deterioração, com concentrações de poluentes como o dióxido de nitrogênio alcançando o dobro ou o triplo dos padrões internacionais considerados à época.

Assim como na Cidade do México, o relevo dificulta a dispersão da poluição no vale de Santiago, no Chile, situado entre os Andes e a Cordilheira da Costa. A cidade fica aproximadamente a 33,5° de latitude sul, em uma bacia de clima semiárido. O relevo e as condições meteorológicas que limitam a mistura e a ventilação do ar contribuem para os episódios de poluição, particularmente na estação fria.
A avaliação científica canadense sobre o smog, divulgada em 2012, descreveu efeitos prejudiciais à saúde humana e aos ecossistemas, além de impactos sobre o bem-estar socioeconômico do país. Estimou perdas anuais de 201 milhões de dólares canadenses em determinadas culturas agrícolas de Ontário e perdas de receita turística de 7,45 milhões de dólares canadenses em Vancouver e de 1,32 milhão no Vale do Fraser para um único episódio de forte redução da visibilidade. A poluição do ar na Colúmbia Britânica é particularmente preocupante no Vale do Fraser, onde as inversões térmicas reduzem a dispersão do ar e favorecem concentrações mais elevadas de smog.



O smog chamou a atenção do público estadunidense em 1933 com a publicação de Stop That Smoke, de Henry Obermeyer, funcionário de uma empresa de serviços públicos de Nova Iorque. O livro descrevia seus efeitos sobre a vida humana e até a destruição de aproximadamente 12 km² de uma plantação de espinafre. Posteriormente, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos classificou mais de 300 condados como áreas que não atendiam aos limites de um ou mais poluentes abrangidos pelos Padrões Nacionais de Qualidade do Ar Ambiente. Essas áreas se concentravam principalmente em grandes regiões metropolitanas, com as maiores zonas contínuas na Califórnia e no nordeste do país. Diversos órgãos governamentais dos Estados Unidos e do Canadá colaboram na produção de mapas de qualidade do ar em tempo real e de previsões da poluição. Para enfrentar os episódios, autoridades locais podem declarar dias de alerta, como ocorre no Programa Spare the Air, na Área da baía de São Francisco. Em 1970, o Congresso aprovou uma importante reformulação da Lei do Ar Limpo, para regular as emissões de poluentes atmosféricos.
Uma estimativa divulgada em 2019 atribuía à poluição por smog 24 mil mortes anuais nos Estados Unidos. Na comparação citada naquela ocasião, o país ocupava a 123.ª posição entre 195 países, em uma escala na qual o primeiro era o menos poluído e o último, o mais poluído por smog.
Por estarem em bacias cercadas por montanhas, Los Angeles e o Vale de San Joaquin são conhecidos pelos problemas de smog. O tráfego intenso de automóveis, somado às emissões dos complexos portuários da Baía de São Francisco e de Los Angeles–Long Beach, contribui para agravar a poluição atmosférica.
Los Angeles é particularmente propensa ao acúmulo de smog devido à sua geografia e às condições meteorológicas. A cidade ocupa uma bacia relativamente plana, com o oceano de um lado e cadeias montanhosas nos outros três. Uma corrente oceânica fria próxima reduz a temperatura do ar junto à superfície, favorecendo uma camada de inversão térmica, na qual a temperatura aumenta com a altitude em vez de diminuir. Isso suprime as correntes térmicas ascendentes e limita a convecção vertical. O conjunto desses fatores produz uma camada de ar relativamente fina e confinada sobre a cidade, que não consegue sair facilmente da bacia e tende a acumular poluentes.
Durante grande parte do século XX, Los Angeles foi uma das cidades mais conhecidas pelo smog dos transportes, a ponto de seu nome ser por vezes considerado um sinônimo do fenômeno. Em 1970, quando a Lei do Ar Limpo foi reformulada, a bacia de Los Angeles era a mais poluída do país, e a Califórnia não conseguia elaborar um plano estadual capaz de cumprir os novos padrões de qualidade do ar. Entretanto, as regulamentações rigorosas adotadas posteriormente pelos órgãos estaduais e federais, como o Conselho de Recursos Atmosféricos da Califórnia e a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, produziram melhorias significativas. Entre as medidas estavam limites estritos para as emissões dos automóveis novos vendidos na Califórnia e testes periódicos obrigatórios para os veículos mais antigos. Por exemplo, as concentrações de determinados compostos orgânicos voláteis caíram cerca de 98% entre a década de 1960 e o início da década de 2010. As concentrações de ozônio também diminuíram desde a década de 1960, mas não na mesma proporção das de compostos orgânicos voláteis.
Instrumentos ópticos automáticos, como nefelômetros, medem o espalhamento da luz por partículas em suspensão e ajudam a avaliar a névoa e a perda de visibilidade. Essas medições não equivalem à concentração de todos os gases presentes no smog. A qualidade do ar é comunicada por índices calculados a partir de medições dos poluentes, como o Air Quality Index dos Estados Unidos, o Air Pollution Index da Malásia e o Índice de Padrões de Poluentes de Singapura.
Em um episódio de névoa, o material particulado pode determinar o valor do índice. No sistema estadunidense, calcula-se um subíndice para cada poluente disponível e divulga-se o maior deles, juntamente com o poluente responsável. O aspecto visual do céu, por si só, não substitui essas medições.

Não é propriamente nevoeiro, mas uma nuvem de névoa branca pura, mais quente e muito menos úmida do que a névoa escocesa, e inteiramente diferente do verdadeiro nevoeiro britânico, jocosamente chamado de "smog" por estar sempre colorido e fortemente impregnado de fumaça: uma mistura tão insalubre quanto desagradável.
Não é propriamente nevoeiro, mas uma nuvem de névoa branca pura, mais quente e muito menos úmida do que a névoa escocesa, e diferente do verdadeiro nevoeiro britânico, jocosamente chamado de "smog" por estar sempre colorido e fortemente impregnado de fumaça: uma mistura tão insalubre quanto desagradável.
Além desses efeitos, evidências de estudos observacionais indicam fortemente que concentrações diárias mais elevadas de ozônio estão associadas ao aumento de crises de asma, internações hospitalares, mortalidade diária e outros indicadores de morbidade.