




Poeira é constituída por partículas finas de matéria sólida. Na Terra, geralmente consiste em partículas presentes na atmosfera provenientes de diversas fontes, como o solo levantado pelo vento, em um processo eólico, as erupções vulcânicas e a poluição.
A poeira doméstica contém células mortas da pele. A poeira de residências, escritórios e outros ambientes construídos também contém pólen, cabelos humanos, pelos de animais, fibras têxteis, fibras de papel, minerais provenientes do solo externo e muitos outros materiais presentes no ambiente local.
A composição da poeira depende dos materiais que lhe dão origem. Partículas inorgânicas podem ser liberadas pelo desgaste de rochas e metais. As orgânicas podem provir de plantas e animais, como ocorre no manuseio de grãos. Em química atmosférica, o termo costuma abranger partículas sólidas secas com diâmetros entre 1 e 100 micrômetros, produzidas por processos naturais ou por atividades como moagem, perfuração e demolição.
O diâmetro aerodinâmico permite comparar partículas de formas e densidades diferentes. Ele corresponde ao diâmetro de uma esfera de densidade de 1 g/cm³ que sedimenta no ar à mesma velocidade que a partícula examinada. Na avaliação da exposição ocupacional, distinguem-se frações conforme a região do aparelho respiratório que as partículas podem alcançar.
| Fração | Região alcançada |
|---|---|
| Inalável | Entra pelo nariz ou pela boca. |
| Torácica | Penetra além da laringe, nas vias respiratórias do tórax. |
| Respirável | Chega à região pulmonar de troca gasosa, que abrange os alvéolos. |
Essas frações são definidas por curvas de coleta, não por limites absolutos de tamanho. Nas convenções de amostragem apresentadas pelo NIOSH, a eficiência de coleta de 50% corresponde a 10 micrômetros para a fração torácica e a 4 micrômetros para a respirável. No monitoramento ambiental, as categorias PM10 e PM2,5 abrangem partículas com diâmetros aerodinâmicos geralmente iguais ou inferiores a 10 e 2,5 micrômetros, respectivamente. O material particulado atmosférico pode conter partículas sólidas e gotículas líquidas, não se restringindo à poeira.
Nos ambientes domésticos, a composição também varia com os hábitos de limpeza e com a entrada de materiais do exterior. Fibras de microplásticos podem fazer parte dessa poeira e se depositar sobre alimentos expostos durante as refeições.

A poeira levantada e transportada pelo vento é chamada de poeira eólica. Em regiões secas, ventos fortes podem mobilizar sedimentos finos, entre eles partículas do tamanho do silte. Entre essas regiões estão áreas em que o pastoreio, a aração, o uso de veículos e outros comportamentos humanos desestabilizaram ainda mais a superfície terrestre, embora nem todas as áreas de origem tenham sido fortemente afetadas por impactos antropogênicos. Em 2005, a área estimada das terras secas era de 5,2 bilhões de hectares, cerca de um terço das terras emersas. A estimativa para as regiões hiperáridas, presentes em desertos como o Saara, era de 900 milhões de hectares. Essas extensões não correspondem integralmente a fontes ativas de poeira. A emissão depende da disponibilidade de sedimentos, da umidade e da cobertura vegetal, entre outras condições locais.
Na erosão eólica, grãos de areia em saltação atingem o solo e liberam partículas mais finas. Essa ação, semelhante ao jateamento abrasivo, permite que parte do material seja carregada pelo ar e transportada pela troposfera. As partículas suspensas no ar formam um aerossol e podem produzir forçamento radiativo local. A poeira do Saara, em particular, pode ser transportada e depositada até o Caribe e a bacia do rio Amazonas, além de afetar a temperatura do ar, resfriar a superfície oceânica e alterar os volumes de precipitação.
A poeira deixa a atmosfera por deposição seca, quando as partículas atingem superfícies por sedimentação, turbulência ou impacto, e por deposição úmida, quando são removidas pela precipitação. Em geral, partículas maiores sedimentam mais depressa, enquanto as menores podem ser transportadas por distâncias maiores.
As partículas espalham e absorvem radiação solar e interagem com a radiação infravermelha emitida pela Terra. O efeito de aquecimento ou resfriamento depende de sua composição, tamanho e altitude, além das propriedades da superfície abaixo delas. Grãos minerais também podem iniciar a formação de gelo em nuvens com água super-resfriada. O feldspato é particularmente ativo nesse processo. Quando se deposita sobre a neve, a poeira pode reduzir o albedo, aumentar a absorção de energia solar e acelerar o derretimento.
A deposição de poeira fornece nutrientes a ecossistemas terrestres e aquáticos. O ferro transportado pelos ventos pode favorecer o crescimento do fitoplâncton em águas oceânicas pobres nesse elemento. Na Amazônia, a poeira do Saara fornece fósforo e ajuda a repor parte das perdas desse nutriente pela chuva e pelo escoamento. Medições do satélite CALIPSO entre 2007 e 2013 permitiram estimar um transporte médio de cerca de 22 mil toneladas de fósforo por ano até a bacia amazônica.
As tempestades de poeira ocorrem nas regiões áridas e semiáridas do Oriente Médio. A ocorrência e a intensidade dependem dos ventos, da umidade do solo e do uso da terra. A desertificação pode ampliar as áreas suscetíveis à erosão. Os efeitos da mudança do clima sobre as emissões dependem das alterações locais de precipitação, circulação atmosférica e cobertura vegetal.
Na primavera, os sistemas que transportam poeira entre o Iraque e o Irã podem se deslocar de oeste para leste ou no sentido contrário, apresentando elevada intensidade, concentração e extensão até meados do verão. A baixa umidade, a aridez, a pouca precipitação e as secas recorrentes favorecem sua ocorrência. A diminuição das chuvas em áreas como o Iraque e a Síria favorece a emissão de poeira nesses países, que, assim como a Jordânia, estão entre as fontes externas de poeira que chega ao Irã.
Além das fontes externas, há áreas no próprio país em que surgiram novos focos de poeira ou se ampliaram focos preexistentes. Entre elas estão partes do sul de Teerã e do sul da província de Alborze, anteriormente ocupadas por planícies, leitos de rios, lagos e reservatórios sazonais, e a zona úmida de Gavkhouni, na província de Ispaão, que secaram e se tornaram propensas à emissão de poeira. Outros focos incluem a província de Cume, o lago Namak e seus arredores, além do lago Úrmia. Neste último, a redução da área alagada expôs partes do leito anteriormente submersas à ação de ventos fortes e à erosão eólica.
As tempestades de poeira representam um problema ambiental, econômico e de saúde pública no Irã, tanto por suas fontes internas quanto pelo transporte transfronteiriço de partículas. O monitoramento, a previsão e os sistemas de alerta são instrumentos empregados para reduzir seus impactos. Na província de Cuzistão, no sudoeste do país, tempestades de poeira frequentes prejudicam a qualidade do ar e causam impactos à saúde e à economia.
A persistência da seca tem causado escassez de água ou o ressecamento de zonas úmidas e lagos, como o lago Hamun e o lago Úrmia, transformando-os em fontes de poeira.
Segundo dados de estudos de 2018 apresentados por Vahid Jafarian, dirigente do órgão iraniano responsável por florestas, pastagens e manejo de bacias hidrográficas, 30 milhões de hectares no país eram afetados pela erosão eólica. Desse total, cerca de 14 milhões de hectares eram considerados áreas críticas, nas quais o processo causava danos a terras agrícolas, estradas, ferrovias, indústrias e outras infraestruturas.
A poeira levantada por veículos que circulam em estradas é uma importante fonte de poluição atmosférica prejudicial à saúde. Ela faz parte dos detritos rodoviários e consiste em depósitos provenientes dos gases de exaustão de veículos e indústrias, partículas do desgaste de pneus e freios, poeira do pavimento ou de buracos nas vias e poeira de locais de construção. A poeira das estradas contribui significativamente para a geração e a liberação de material particulado na atmosfera. Seu controle é um desafio importante em áreas urbanas e em outros locais com tráfego intenso sobre vias não pavimentadas, como minas e aterros sanitários.
As emissões dos motores, especialmente daqueles movidos a diesel, podem ser uma fonte importante de partículas finas em canteiros de obras. As atividades de construção e demolição também podem produzir grandes quantidades de resíduos de construção. A poeira e as partículas podem se tornar fugitivas e ficar suspensas no ar com a movimentação de veículos dentro e fora dos locais de obra, sobretudo em condições secas e com vento.
A poeira das estradas pode ser reduzida por métodos mecânicos, como o uso de varredeiras e de veículos equipados com aspiradores, pela pulverização de óleo vegetal ou pela aspersão de água. Também pode ser empregado cloreto de cálcio. Os avanços na engenharia automotiva reduziram as emissões de partículas pelo escapamento. Com essa redução, aumentou a participação relativa das partículas provenientes do desgaste de pneus e freios, do pavimento e da ressuspensão da poeira das vias.
A poeira de carvão pode causar doenças respiratórias, entre elas a pneumoconiose dos trabalhadores do carvão, também conhecida como doença do pulmão negro. Essa forma de pneumoconiose afeta mineiros de carvão. A exposição à poeira das minas também pode provocar doença pulmonar obstrutiva crônica e redução da função pulmonar. Quando há sílica cristalina na poeira, existe ainda o risco de silicose. A prevenção depende da redução da exposição às partículas respiráveis.
A exposição à poeira de carvão é objeto de normas de segurança e saúde ocupacional relativas à qualidade do ar nos locais de trabalho. Entre as medidas de controle estão a ventilação, a aspersão de água, a coleta de poeira e o monitoramento das concentrações a que os trabalhadores estão expostos.
Quando dispersa no ar em condições favoráveis à combustão e na presença de uma fonte de ignição, a poeira de carvão pode provocar uma explosão de poeira. O confinamento em minas subterrâneas agrava suas consequências. A prevenção inclui o controle de fontes de ignição, da concentração de metano e do acúmulo de poeira combustível, além da aplicação de poeira de rocha incombustível, como a de calcário, para dificultar a propagação das explosões.

A exposição ocupacional à poeira ocorre na mineração, na construção e em atividades industriais que cortam, trituram ou manuseiam materiais sólidos. Nem todas as partículas inaladas chegam aos pulmões. O nariz retém parte delas, e o muco das vias respiratórias captura outras, que são transportadas pelos cílios em direção à garganta. Nos alvéolos, macrófagos podem englobar as partículas que ultrapassaram essas barreiras. A retenção de poeira depende do tamanho e da composição das partículas, entre outros fatores.
O corte e a perfuração de rochas e materiais que contêm sílica cristalina podem liberar poeira respirável capaz de causar silicose, uma doença com formação de cicatrizes nos pulmões. A inalação de fibras de amianto pode causar asbestose, câncer de pulmão e mesotelioma. Poeiras orgânicas também podem provocar doenças. A de farinha, por exemplo, pode sensibilizar as vias respiratórias e causar asma em trabalhadores de padarias.
O risco de explosão não se restringe ao carvão. Poeiras de farinha, açúcar, madeira e certos metais, como o alumínio, também podem entrar em combustão. Uma nuvem de partículas combustíveis dispersas no ar pode queimar rapidamente quando encontra uma fonte de ignição. O confinamento permite o aumento da pressão e agrava a explosão. Depósitos de poeira podem ser levantados por uma explosão inicial e alimentar outras explosões.
A poeira fugitiva chega à atmosfera sem passar por uma saída confinada, como uma chaminé. Ela pode resultar da ação do vento, do tráfego e do manuseio de materiais. Órgãos ambientais estabelecem exigências de proteção ambiental para reduzir essas emissões. Nos Estados Unidos, os requisitos variam conforme a atividade e a jurisdição, e planos de controle podem integrar as licenças ambientais. A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, a EPA, recomenda medidas como umedecer materiais expostos, cobrir cargas e pilhas de materiais, limpar vias e lavar rodas de veículos para evitar o transporte de poeira dos canteiros para as ruas adjacentes. No condado de Maricopa, no Arizona, por exemplo, normas locais abrangem atividades de construção, movimentação de terra, demolição e outras operações capazes de gerar poeira, com exigência de licença em determinadas situações.
Entre os objetivos e benefícios potenciais do controle de poeira estão:
Terrenos baldios, estacionamentos não pavimentados e estradas de terra também podem estar sujeitos a regras de controle, como ocorre no condado de Maricopa. A poeira nesses locais pode ser reduzida pela pavimentação, pela aplicação de cascalho ou pela estabilização da superfície com água, óleos vegetais e outros produtos de supressão de poeira. A aspersão e a nebulização de água também são empregadas para limitar a dispersão de partículas durante atividades de construção e demolição.
O controle da exposição começa pela eliminação do perigo ou pela substituição do material, quando isso é possível. Medidas de engenharia, como o isolamento de processos e a captação da poeira na fonte, reduzem a quantidade que chega ao ar respirado pelos trabalhadores. Na hierarquia de controle de riscos, essas medidas têm prioridade sobre o uso isolado de equipamentos de proteção individual. A umidificação de processos, a exaustão localizada e a aspiração em lugar da varrição seca são formas de reduzir a dispersão. Respiradores podem complementar essas medidas, mas não substituem o controle da emissão.


A inalação de material particulado pode prejudicar a saúde. Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares podem ser mais vulneráveis. O risco depende da exposição e das características das partículas.
A poeira doméstica pode entrar em suspensão com facilidade. Sua remoção exige cuidado para evitar que as partículas sejam novamente dispersas no ar. O uso de um espanador pode apenas deslocar a poeira para outros locais. Panos úmidos ou eletrostáticos ajudam a retê-la durante a limpeza. A limpeza de superfícies ajuda a remover partículas dos ambientes internos. A ventilação pode diluir partículas geradas no interior quando o ar externo está mais limpo. Quando há poluição no exterior, a entrada desse ar também pode elevar as concentrações internas.
Na definição adotada pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos, os filtros de ar do tipo HEPA devem reter pelo menos 99,97% das partículas de 0,3 micrômetro nas condições de ensaio. Esse tamanho é usado por estar próximo daquele de maior penetração no filtro, não por constituir um limite abaixo do qual a filtração deixa de funcionar. Partículas maiores e menores podem ser retidas com eficiência ainda maior. A emissão de partículas por aspiradores varia entre os equipamentos e com suas condições de uso, de modo que o desempenho do conjunto não se resume ao tipo de filtro instalado. Sistemas de aspiração central com descarga de ar para o exterior também podem ajudar a reduzir a exposição à poeira.
A concentração de poeira pode ser medida pela massa coletada em um volume conhecido de ar. Na análise gravimétrica, um filtro é pesado antes e depois da amostragem, e a diferença de massa é dividida pelo volume de ar que passou pelo equipamento. No método NIOSH 0600, a coleta da fração respirável utiliza um separador do tipo ciclone e um filtro de policloreto de vinila. Também podem ser medidos o número e a distribuição de tamanho das partículas, conforme o objetivo da amostragem.
O controle de contaminação em salas limpas emprega contagens de partículas por faixas de tamanho para avaliar a limpeza do ar. Em escala atmosférica, instrumentos de lidar emitem pulsos de laser e analisam a luz que retorna das partículas. O CALIPSO utilizou esse princípio para acompanhar camadas de poeira durante o transporte entre a África e a América do Sul.
A resistência à poeira pode ser obtida por características de projeto ou pelo tratamento de materiais durante a fabricação. Tratamentos superficiais que diminuem a aderência das partículas facilitam sua remoção. Em elastômeros de silicone, por exemplo, a exposição a radiação ultravioleta de comprimento de onda curto pode tornar a superfície mais lisa e dura, reduzindo a adesão de poeira e sujeira.
Invólucros e caixas de equipamentos também podem ser projetados para limitar a entrada de poeira. A resistência de invólucros à penetração de partículas e líquidos é classificada pelo sistema de grau de proteção IP, desenvolvido pela Comissão Eletrotécnica Internacional.
A poeira cósmica é amplamente encontrada no espaço sideral, onde nuvens de gás e poeira fornecem o material para a formação de estrelas e sistemas planetários. A luz zodiacal, visível no céu noturno escuro, é produzida pela luz solar espalhada por partículas de poeira em órbita do Sol. Quando aquecidos pelo Sol, os núcleos dos cometas liberam gás e poeira. A poeira forma uma cauda sob a ação da radiação solar, enquanto parte do gás é ionizada e forma outra cauda, que interage com o vento solar. A poeira também recobre corpos planetários sólidos, e grandes tempestades de poeira podem ocorrer em Marte, cobrindo quase todo o planeta. A poeira interestelar encontra-se entre as estrelas e integra nebulosas de gás e poeira. Nas nebulosas de reflexão, seus grãos espalham a luz de estrelas próximas.
A poeira está amplamente distribuída pela galáxia. Os grãos absorvem radiação e emitem energia térmica sobretudo no infravermelho, com emissão que se estende às ondas milimétricas e às micro-ondas. Essa emissão galáctica se sobrepõe ao sinal observado da radiação cósmica de fundo em micro-ondas e precisa ser separada dele para a análise de seu espectro de potência. O espectro de emissão da poeira também pode incluir radiação de dipolo elétrico produzida por grãos muito pequenos em rotação, um mecanismo distinto da emissão térmica.
Na Terra, micrometeoritos podem ser encontrados entre as partículas acumuladas em telhados urbanos. Esférulas cósmicas recolhidas nesses locais foram reconhecidas por sua composição mineral e por texturas formadas durante o aquecimento na entrada atmosférica.
Amostras de poeira trazidas do espaço forneceram informações sobre as condições do Sistema Solar primitivo. Diversas naves espaciais procuraram coletar amostras de poeira e de outros materiais. Entre elas está a Stardust, que passou pelo cometa 81P/Wild em 2004 e devolveu à Terra uma cápsula com material cometário. A cápsula retornou em 15 de janeiro de 2006. Em 2010, a nave japonesa Hayabusa trouxe amostras de poeira da superfície de um asteroide.
A poeira lunar, formada pela fração fina do regolito, adere a trajes e equipamentos. Durante as missões Apollo, partículas levadas para o interior dos módulos provocaram irritação e desconforto respiratório nos astronautas. A poeira também desgastou superfícies e prejudicou vedações e mecanismos.

Bolas de poeira, conhecidas em inglês como dust bunnies ou dustbunnies, são pequenos aglomerados que se formam debaixo de móveis e em cantos que não são limpos regularmente. São constituídas por cabelos, fiapos, fragmentos de pele morta, teias de aranha, poeira e, às vezes, resíduos leves e detritos. Mantêm-se unidas pela eletricidade estática e pelo entrelaçamento das fibras, de modo semelhante ao feltro.
Esses aglomerados podem abrigar ácaros da poeira e obstruir filtros, reduzindo a passagem de ar. Cabelos e fibras maiores podem atuar como núcleos para a aglomeração de partículas menores. As bolas de poeira são prejudiciais aos equipamentos eletrônicos porque podem obstruir o fluxo de ar pelos dissipadores, elevar significativamente as temperaturas e, com isso, reduzir a vida útil dos componentes. Também foram usadas como analogia para a acreção de matéria cósmica em planetoides.
Os ácaros da poeira doméstica estão presentes em ambientes internos habitados por seres humanos. Em pessoas com alergia a ácaros, a exposição a seus alérgenos pode desencadear sintomas respiratórios e agravar a asma. Esses ácaros são aracnídeos microscópicos que se alimentam principalmente de células mortas da pele humana, mas não são parasitas dos seres humanos e não vivem sobre as pessoas. Suas fezes e fragmentos de seus corpos contêm alérgenos que se misturam à poeira doméstica. As partículas que transportam esses alérgenos podem ser levantadas pelo movimento das pessoas ou pela limpeza e depois voltar a se depositar sobre as superfícies.
Os ácaros da poeira preferem locais abrigados, escuros, com clima quente e úmido. Proliferam em colchões, roupa de cama, móveis estofados e tapetes. Suas fezes contêm enzimas e outras substâncias alergênicas. Em experimentos com culturas de células, a enzima Der p 1 rompeu junções entre células epiteliais e facilitou a passagem de alérgenos através dessa barreira. Tecidos como cobertores oferecem abrigo aos ácaros. As roupas também podem transportá-los entre ambientes.
Em 1920, Man Ray fotografou a poeira acumulada sobre O Grande Vidro, obra de Marcel Duchamp que permanecia deitada no ateliê do artista. A fotografia recebeu o título Dust Breeding. Depois da fotografia, Duchamp limpou parte da superfície e fixou a poeira restante em determinadas áreas da obra.