Conclave de 1492

Conclave de 1492
Conclave de 1492
O Papa Alexandre VI
Data e localização
Pessoas-chave
Decano Rodrigo de Borja y Borja
Vice-decano Oliviero Carafa
Camerlengo Raffaele Riario
Protopresbítero Luis Juan de Milà y Borja
Protodiácono Francesco Todeschini-Piccolomini
Eleição
Eleito Papa Alexandre VI
(Rodrigo de Borja y Borja)
Participantes 23
Ausentes 4
Escrutínios 4
Cronologia
dados em catholic-hierarchy.org

O conclave papal de 1492 ocorreu logo após a morte do Papa Inocêncio VIII, no qual foi eleito o Papa Alexandre VI como pontífice. Foi composto por vinte e sete cardeais; dois deles eram cardeais “in pectore”, ou seja, eleitos, mas não proclamados; o conclave os aceitou, como foi feito em outras ocasiões.

Cardeais participantes

Brasão papal de Sua Santidade, o papa Alexandre VI

Dos 23 cardeais que participaram no conclave, quatorze tinham sido elevados pelo Papa Sisto IV. Os cardeais de Sisto IV, conhecidos como "Cardeais da Capela Sistina" e liderados por Giuliano della Rovere, haviam controlado o Conclave de 1484, elegendo um dos seus, Giambattista Cibo, como o Papa Inocêncio VIII. Desde 1431, a composição do Colégio Cardinalício foi radicalmente transformada, aumentando o número de cardeais-sobrinhos (3-10), cardeais da coroa (de 2 a 8), e representantes de poderosas famílias nobres romanas (2-4). Com a exceção de três funcionários da Cúria e um pastor, os cardeais eram "príncipes seculares, em grande parte sem se preocupar com a vida espiritual, quer da Igreja latina ou de seus membros."

Os cardeais presentes no conclave eram todos italianos, exceto pelos cardeais Borja e Costa, ibéricos.

O conclave

Foi razoável incluir os nomes dos cardeais eleitores porque em primeiro lugar se depara com uma prova fiel do “nepotismo” por parte dos pontífices anteriores e que muitos desses “príncipes da igreja” pertenciam a várias das famílias poderosas da península itálica que para tanto comprar seus votos fosse muito difícil, já que sua honra era reconhecida e careciam de necessidades econômicas; as riquezas dos Bórgia não eram excessivas pelo qual, por lógica, se descarta a simonia, já que esses cardeais inclusive podiam comprar votos entre si.

O dia 6 de agosto foi consumido pela elaboração e subscrição da capitulação em conclave, que, embora não tenha sobrevivido aos nossos dias, é conhecido por ter restringido o número de novos cardeais que poderiam ser criados pelo novo papa.

Entre os mais “papabiles” encontra-se num primero escalão Caraffa, Costa e Ardicino della Porta, assim como logo se falou de Zeno e Piccolomini, entretanto, Giuliano della Rovere era apoiado pela França e Gênova, que teriam 300 mil ducados de ouro depositados em Roma para usá-los em favor de sua eleição como também o rei de Nápoles o apoiava com suas tropas nas portas de Roma. De Borja só se falava como uma remota possibilidade.

Na primeira votação, os mais votados foram Caraffa e Costa; na segunda, esta tendência mudou para della Rovere e Ascanio Sforza, este último apoiado por Borja, mas devido a seu irmão Ludovico Sforza ter grandes ambições para com a “Cidade Eterna”, Sforza decidiu dar seu apoio ao vice-chanceler que finalmente o acompanhou, não obstante se Sforza não podia ser eleito com o apoio de Borja, dificilmente este último podia ser eleito com o apoio de Sforza.

As principais razões para que Borja não fosse eleito eram, em primeiro lugar, sua nacionalidade espanhola e no conclave, além dele, o único estrangeiro era o purpurado português Jorge da Costa, que já era considerado “papabile”. Além disso, Borja era considerado inimigo por França, Nápoles, Veneza e Florença, devido a sua supremacia na Igreja que não era agradável para os Príncipes Temporais. Por exemplo, se o fraco Papa Inocêncio VIII pode causar terríveis males ao rei de Nápoles, então o inimigo Borja era de se temer ainda mais.

Devido a essas razões, o vice-chanceler não conseguiu sequer apresentar seu nome, já que os outros dois cardeais espanhóis não se encontravam no conclave. Supostamente, alguns consideram simoníaca a eleição, não obstante se assim tivesse sido, o cardeal della Rovere teria sido eleito pelo apoio dos grandes Estados mais ricos que qualquer outro indivíduo.

O conclave finalmente elegeu por unanimidade [Um conclave aprova a eleição quando se obtém os dois terços de todos os eleitores, no caso de Rodrigo Borja o conclave foi com votação oral e quando se obteve os dois terços daqueles que estavam votando, se deu por concluída a eleição, sem importar o resto dos votos ainda não emitidos] ao vice-chanceler, pois os cardeais decidiram que nenhum candidato apoiado por outro Estado podia ser eleito porque Roma ficaria subjugada sob o poder estrangeiro. Também lembraram do Papa Calisto III, acusado de nepotismo porque quase todos os integrantes deste conclave eram criados por ele. Algo necessário era um candidato forte e com conhecimentos nos assuntos da igreja. Além disso, independente do resto dos Estados e nesses aspectos, Borja se encaixava à perfeição. Cabe destacar que entre todos os cardeais, na administração e na força, ele era o melhor, de tal forma que foi eleito em 11 de agosto de 1492, para ser coroado com a “tríplice coroa” no domingo 16 de agosto pelo cardeal protodiácono Francesco Todeschini-Piccolomini, adotando o nome de Alexandre VI, não tanto em homenagem a Alexandre Magno, porque não era muito favorável ter um nome com tamanha característica militar, mas também pelo Papa Alexandre III, que obrigou a Frederico Barbarossa respeitar a Igreja de Roma.

Cardeais votantes

* Eleito Papa

Cardeais Bispos

Participaram dos escrutínios os seguintes cardeais:

Cardeais Presbíteros

Cardeais Diáconos

Cardeais ausentes

Cardeais Presbíteros

Cardeais Diáconos