| Cowboy Bebop | |
| カウボーイビバップ | |
|---|---|
| Gêneros | Ação, Aventura, Drama, Ficção Científica |
| Anime | |
| Direção | Shinichiro Watanabe |
| Estúdio | |
| Emissoras originais | |
| Período de exibição | 3 de Abril de 1998 – 23 de Abril de 1999 |
| Episódios | 26 |
| Mangá | |
| Cowboy Bebop: Shooting Star | |
| Escrito por | Hajime Yatate |
| Ilustrado por | Cain Kuga |
| Editoração | |
| Revista | Asuka Fantasy DX |
| Período de publicação | Maio de 1998 – Outubro de 1998 |
| Volumes | 2 |
| Mangá | |
| Cowboy Bebop: A New Story | |
| Escrito por | Hajime Yatate |
| Ilustrado por | Yutaka Nanten |
| Editoração | |
| Revista | Asuka Fantasy DX |
| Período de publicação | Abril de 1999 – Abril de 2000 |
| Volumes | 3 |
| Filme de anime | |
| Cowboy Bebop: Knockin' on Heaven's Door | |
| Direção | Shinichiro Watanabe |
| Roteiro | Keiko Nobumoto |
| Estúdio | |
Cowboy Bebop (カウボーイビバップ, Kaubōi Bibappu) é uma aclamada série japonesa, de gênero space western. Produzida e dirigida por Shinichiro Watanabe, a série se passa no ano de 2071 e é centrada na vida de uma tripulação de caçadores de recompensas espaciais. O anime aborda questões não resolvidas do passado dos protagonistas, explorando temas como existencialismo, tédio, degradação ambiental e a solidão.
Cowboy Bebop recebeu ampla aclamação crítica e comercial, tanto no Japão quanto internacionalmente. O trabalho foi consagrado com inúmeros prêmios no campo da animação e da ficção científica e tem sido reverenciado por seu estilo, personagens, enredo, dublagem e trilha sonora, focada no gênero Jazz. Ao longo dos anos, a série se estabeleceu como uma obra-prima da animação japonesa, sendo considerada por muitos críticos um dos melhores animes de todos os tempos. Sobre Bebop, o escritor e crítico cultural Kyle Mills, escreveu:
"Independentemente da mídia, seja televisão com atores, filmes ou animações, Cowboy Bebop é um dos mais finos exemplos de narrativa já criados".
O anime estreou no Japão na TV Tokyo de 3 de abril a 26 de junho de 1998, mas devido ao conteúdo violento da série, apenas 12 dos 26 episódios produzidos foram inicialmente ao ar. A totalidade dos episódios foi posteriormente transmitida no canal por satélite WOWOW.
Uma banda de jazz, denominada Seatbelts foi formada exclusivamente para compor a trilha de Bebop. O sucesso da trilha foi tão grande que a banda continuou se reunindo e fazendo aparições esporádicas. Além disso, dois mangás foram baseados do anime, além de um filme intitulado Cowboy Bebop, O Filme. Mais recentemente uma série live action de Bebop foi transmitida pela Netflix.
Em 2021, a explosão acidental de um portão experimental, dispositivo que permite viagens no hiperespaço, danifica gravemente a Lua, causando o deslocamento de um grupo de asteroides e meteoritos que bombardeiam a superfície do planeta Terra, exterminando grande parte da população. Os sobreviventes, portanto, abandonam o planeta para colonizar novos sistemas habitáveis: Marte, Vênus, os discos de detritos e os satélites de Júpiter.
Em 2071, todo o sistema solar tornou-se acessível para viagens no hiperespaço graças aos portões, Marte tornou-se o planeta central do novo desenvolvimento humano e os novos cartéis do crime organizado interplanetário, sobretudo o Red Dragon Syndicate, exercem sua influência dentro dos governos e sobre a Inter Solar System Police (ISSP), a polícia do sistema solar, limitando a sua eficácia no combate ao crime. Para fazer frente à ameaça de fugitivos, terroristas, traficantes de drogas e outros criminosos perigosos, foi estabelecido um sistema de "recompensa" semelhante ao usado no velho oeste; os novos caçadores de recompensas do sistema solar são, portanto, freqüentemente chamados de "cowboys".
Spike Spiegel, um ex-afiliado da Red Dragon, e seu parceiro Jet Black, um ex-investigador da ISSP, são dois caçadores de recompensas que viajam pelo sistema solar a bordo da nave espacial de Jet: o Bebop. Ao longo das perseguições, unem-se a eles três novos companheiros: o cachorro hiperinteligente da raça Corgi, Ein, a trapaceira ex-funcionária de cassinos perseguida pelos credores, Faye Valentine e a excêntrica e brilhante hacker pré-adolescente conhecida como Radical Edward.
Vários críticos chamaram atenção para a variedade de gêneros nos quais o trabalho se ramifica, incluindo a estudiosa de ficção científica Michelle Onley Pirkle, que escreveu: "a série tenta uma nova abordagem para o gênero, não criando imagens e sons inovadores, mas variando" livremente " ao “remixar” ou adaptar as imagens e sons de outros gêneros familiares de forma dinâmica". A estudiosa enfatiza que Cowboy Bebop "brinca" com uma variedade de citações e referências diferentes, produzindo um efeito de déjà vu no público ao reconectar referências intertextuais à sua riqueza de conhecimento e memórias. O próprio Watanabe afirma frequentemente que dedicou sua carreira à criação de animes não convencionais, declaração que se reflete no sistema solar apresentada em Cowboy Bebop "um terço de diáspora chinesa e dois terços de velho oeste", com uma justaposição de diferentes gêneros e estilos: xamanismo, kung fu, elementos de drama épico, de comédia pastelão e ação característica do autor John Woo. Esses recursos levam a série para muito além da ficção científica tradicional, fazendo com que muitos fãs cunhassem o termo "western espacial" para descrevê-la.

O cenário é baseado no multiculturalismo da sociedade contemporânea, diferenciando-se dos elementos típicos da ficção científica japonesa, como alienígenas e robôs gigantes. Na série, de fato, muitos planetas e estações espaciais foram modelados à imagem da Terra: as ruas de objetos celestes, como Ganimedes, lembram cidades portuárias modernas, enquanto Marte está cheio de centros comerciais, parques temáticos, cassinos e megacidades. Elementos futuristas e modernos são habilmente combinados "permitindo ao espectador conectar-se facilmente ao mundo de Cowboy Bebop".
Citação: Eu queria criar um mundo futurista, mas um mundo verdadeiramente habitado por pessoas. Apenas os personagens dos filmes poderiam ter vivido nos mundos descritos em 'Star Wars' e outros filmes de ficção científica. Eu queria criar um mundo onde as pessoas vivessem e respirassem. Mesmo que seja apenas para a foto de uma calçada deserta, nela devevia haver pontas de cigarro ou outros vestígios visíveis de pessoas caminhando sobre ela. escreveu: «Shinichiro Watanabe»
As referências feitas em Cowboy Bebop são múltiplas, abrangendo sobretudo obras consagradas de ficção científica, filmes de spaghetti western e inúmeras alusões a temas musicais. Sobre isto, a série conta com três coadjuvantes fixos, chamados de Antônio, Carlos e Jobim, em clara homenagem ao maestro brasileiro Tom Jobim, nome da Bossa Nova. No episódio "Cowboy Funk" percebe-se uma referência musical à trilha sonora dos filmes de velho oeste feitas por Ennio Morricone. Assobios durante a música e guitarras usadas para esse estilo musical são características únicas de suas composições.
A maior parte das referências pertence, contudo, à cultura americana: do cinema, incluindo filmes mobster e de velho oeste à liberdade do jazz da década de 1940 (Bebop). Também há influências dos filmes de Kung Fu das décadas de 1960 e 1970. Spike Spiegel é praticante da arte marcial Jeet Kune Do, criada e difundida por Bruce Lee. O nome do procurado no segundo episódio é Abdul Hakim, nome do famoso personagem de Game of Death estrelado por Lee e Kareem Abdul-Jabbar, a quem o vilão faz referência.
Os designs dos protagonistas da série homenageiam claramente os personagens de Lupin III, outro clássico da animação japonesa. (O estilo e cores de roupa de Faye é o mesmo da personagem Fujiko. A influência de Jet veio do parceiro de Lupin Jigen. Já Spike foi baseado no próprio Lupin, enquanto o visual de Vicious teve como base o Capitão Harlock, protagonista de outra famosa série).
Parte da personalidade e vida pessoal do Spike foi inspirado no Joe Yabuki, protagonista da outra obra clássica Ashita no Joe, tanto que a cena final do último episódio faz a referência a cena final da obra original publicado em 1968.
A nave MONO de Spike Swordfish II foi inspirada na Fairey Swordfish, um bombardeiro britânico da Segunda Guerra Mundial. O episódio "Pierrot Le Fou", cujo título faz referência ao filme homônimo de Jean-Luc Godard, foi influenciado pela revista de Alan Moore, V de Vingança. Muitos dos episódios de Cowboy Bebop carregam cores e estilo de outras obras, com influência especial do gênero film noir.
Entre as referências mais explícitas podemos listar ainda 2001: A Space Odyssey, The Crow, John Woo, Alien, Star Trek, Dirty Harry, Meu Ódio Será Tua Herança e Shaft.
A série possui 26 episódios, chamados de "sessões" (alusão direta às Jam sessions de Jazz). Muitas dessas sessões são explicitamente nomes de canções consagradas, sobretudo do Rock e do Blues, além de uma referência ao filme de Jean-Luc Godard, Pierrot le fou. Originalmente o filme de Cowboy Bebop recebeu o subtítulo de "Knockin' On Heaven's Door", nome do famoso hit de Bob Dylan. Contudo a canção estava sob a licença de copyright, então a Columbia Tristar resolveu lançar o longa em outros países apenas com o título de Cowboy Bebop - O Filme.
Lista dos episódios em inglês, japonês (com romaji, a transcrição da escrita japonesa para o alfabeto latino) e quando necessário traduzido para o português quando o nome do episódio não estiver em katakana (escrita usada na língua japonesa para marcar palavras estrangeiras, entre outras funções):
No Brasil, apenas o filme tem a dublagem disponível no momento. Entretanto, a plataforma de streaming de animes Funimation Brasil anunciou a dublagem do anime, vinte anos após o lançamento do filme, mantendo os dubladores dos personagens principais.
No dia 16 de Janeiro de 2009, Keanu Reeves foi confirmado no papel de Spike. A empresa que produziria o filme seria a 3 Arts, Shinichiro Watanabe, diretor da série, e Keiko Nobumoto, roteirista da série, seriam os produtores associados. Porém o projeto foi engavetado.[carece de fontes] Em julho de 2016 foi anunciada a série para TV em live-action. Uma parceria firmada entre o Tomorrow Studios, a ITV e Marty Adelstein permitiram a existência da série que teve o estúdio que produziu o anime original como produtor executivo.[carece de fontes]
Christopher Yost, o roteirista de Thor: Ragnarok e Star Wars Rebels foi o responsável pelo roteiro da série que foi lançada em 19 de novembro de 2021.
| Personagem | Ator |
|---|---|
| Spike Spiegel | John Cho |
| Jet Black | Mustafa Shakir |
| Faye Valentine | Daniella Pineda |
| Vicious | Alex Hassel |
| Julia | Elena Satine |
Cowboy Bebop recebeu aclamação universal. No site agregador de críticas Rotten Tomatoes, o anime detém um índice de aprovação de 100% com base em 23 críticas, obtendo uma classificação média de 8/10; o consenso dos críticos do site diz: "Misturando uma variedade vertiginosa de gêneros e referências, Cowboy Bebop é um clássico dos animes que precisa ser experimentado.". Diversos críticos descreveram Cowboy Bebop como uma "obra-prima" ou uma das maiores realizações da animação televisiva. A dublagem foi bem recebida pelos críticos.
O roteiro e o desenvolvimento dos personagens foram aclamados. Escrevendo para o portal But Why Tho?, o crítico Charles Hartford atribuiu uma nota perfeita (10/10) à série, definindo-a como uma "verdadeira obra de arte da televisão" e elogiando a dublagem em inglês, a trilha sonora e a longevidade de sua animação. Panos Kotzathanasis, em sua análise para o portal Asian Movie Pulse, considerou a obra um "triunfo de estilo" e um "testemunho da profundidade narrativa" do meio, elogiando o equilíbrio entre o humor e os temas existenciais, além da trilha sonora e do design de personagens. Kyle Anderson, em guia de episódios para o site Nerdist, elogiou o episódio piloto por estabelecer o tom de faroeste futurista da obra de forma independente. O autor destacou a harmonia entre a direção de Shinichiro Watanabe e o roteiro de Keiko Nobumoto, além de exaltar a trilha sonora de Yoko Kanno como elemento fundamental na identidade da série. Alex Suskind, em artigo para a revista The Atlantic, analisou a longevidade e o impacto transcultural de Cowboy Bebop por ocasião de seu lançamento em Blu-ray. O jornalista destacou como a produção expandiu as fronteiras da animação para o público adulto ao abordar temas como desigualdade social e violência, servindo de inspiração declarada para cineastas do quilate de Quentin Tarantino e Rian Johnson. Além disso, o texto ressaltou a complexidade dramática dos personagens e a versatilidade da trilha sonora, que transita com fluidez por vertentes como o rock, o country e o jazz.
A trilha sonora recebeu aclamação generalizada. Na revista Vulture, Frank Guan elogiou a mistura de noir com artes marciais e comparou a vida instável dos personagens à de freelancers em recessão, destacando a trilha de jazz de Yoko Kanno. Jazmine Joyner, em artigo para o portal /Film, elogiou a fusão entre o faroeste clássico e a ópera espacial, ressaltando o enredo humanizado dos personagens e o pioneirismo da trilha sonora de Yoko Kanno, descrita como um elemento narrativo tão vital quanto o próprio elenco principal. Kwenton Bellette, em análise para o portal ScreenAnarchy, classificou o lançamento em Blu-ray de Cowboy Bebop como uma "obra-prima obrigatória". O crítico elogiou a construção detalhada do universo da série e a restauração visual e sonora da coleção, definindo a icônica trilha sonora em jazz de Yoko Kanno como o ponto mais alto da carreira da compositora. Meghan O'Keefe, em sua coluna para o portal Decider, classificou Cowboy Bebop como uma "obra-prima da animação" e um triunfo de narrativa televisiva. A autora elogiou a fusão única de gêneros que transita entre a ficção científica, a trilha sonora composta por jazz e a alta qualidade de seu elenco de dublagem em inglês. Em lista publicada pelo portal BuzzFeed, os redatores Jean-Luc Bouchard e Anjali Patel definiram Cowboy Bebop como a prova de que o anime pode ser tratado como uma obra de arte. A dupla elogiou a fusão de gêneros como o noir e o faroeste, além do uso pioneiro da trilha sonora em jazz de Yoko Kanno como força narrativa para moldar a animação e o enredo. A equipe da revista Total Film, em análise publicada originalmente pela GamesRadar+, elogiou os fundos detalhados, a trilha sonora influenciada por jazz e hip-hop e o enredo inspirado no estilo de Philip K. Dick, embora tenha apontado ressalvas quanto ao design estático dos personagens e à personalidade da personagem Edward.
A direção e a direção de arte foram elogiadas pela crítica. Escrevendo para o The New Yorker, Doreen St. Félix definiu a série como uma "obra-prima do faroeste de ficção científica" e um "clássico noir", destacando o impacto de sua atmosfera apocalíptica e a superioridade da dublagem original japonesa. Em resenha para o portal The Mary Sue, a jornalista Jessica Lachenal elogiou a atmosfera introduzida no episódio piloto da série, destacando a eficiência da trilha sonora em jazz para evocar um clima noir e a maturidade da animação em construir o universo de forma direta.
Cowboy Bibop teve seu legado bastante reconhecido pela crítica durante os anos. Em eleição do portal AV Club, o jornalista John Maher e posicionou Cowboy Bebop no topo da lista de melhores animações da história, definindo-a como um marco da televisão global, Chamou-o de "obra-prima". Irina Curovic, em lista publicada pelo portal CBR, incluiu Cowboy Bebop entre os títulos recomendados para introduzir novos espectadores ao meio, destacando a capacidade da obra de transcender os clichês tradicionais da animação japonesa devido à sua fusão de gêneros e apelo universal. Tyler Aquilina, em reportagem para a revista Entertainment Weekly, analisou a longevidade de Cowboy Bebop e o definiu como um marco cultural que "desafiou as probabilidades" do mercado de animação. Andy Patrizio, em análise para o portal IGN, atribuiu nota 9/10 ao lançamento e destacou Cowboy Bebop como um dos maiores marcos do meio por introduzir o público de massa ao mercado de animação japonesa. O autor elogiou a trilha sonora de Yoko Kanno, o trabalho do elenco de dublagem em inglês e apontou o quinto episódio, "Ballad of Fallen Angels", como o ápice da produção. Liz Shannon Miller, em ranking para o site IndieWire, colocou a série entre os melhores programas de ficção científica no espaço. A autora destacou que a produção tem "tudo o que se pode desejar em um show", elogiando o foco no passado dos caçadores de recompensas e a trilha sonora em jazz, que garantiu o tom único da obra.