| David Maranha | |
|---|---|
| Informações gerais | |
| Nascimento | 1969 Figueira da Foz, Portugal |
| Gêneros | Drone, música experimental, música minimalista |
| Ocupação | Músico, compositor, arquiteto |
| Instrumentos | Órgão Hammond, violino |
| Período em atividade | 1986–presente |
| Gravadoras | Roaratorio, Crónica, Grain of Sound, Sonoris, Staubgold |
| Afiliações | Osso Exótico, Organ Eye, Curia, Bowline, Dru |
David Maranha (Figueira da Foz, 1969) é um músico, compositor e arquiteto português, que vive e trabalha em Lisboa. Toca órgão Hammond e violino, em peças construídas a partir da repetição, de sons prolongados e da exploração dos timbres dos instrumentos. O seu trabalho aproxima a música drone do rock experimental e da música minimalista.
Foi um dos fundadores do grupo Osso Exótico, em 1989, e desenvolveu uma carreira a solo e em colaboração com músicos como Z'EV, Stephan Mathieu, Phill Niblock e Helena Espvall. Entre os seus discos estão Marches of the New World, escolhido pelo Ípsilon entre os melhores de 2007, Antarctica e Sombras Incendiadas, este último gravado com Espvall.
Nascido na Figueira da Foz em 1969, começou a desenvolver o seu trabalho musical em 1986, a solo e em diferentes bandas. Em 1989, fundou o Osso Exótico com André Maranha, Bernardo Devlin e António Forte. O grupo passou por mudanças de formação e manteve a exploração de instrumentos sobretudo acústicos, por vezes modificados. A Galeria Zé dos Bois salientou a atenção que o coletivo recebeu fora de Portugal, num circuito especializado de música experimental.
Desde 1993, trabalha também como arquiteto. Com Patrícia Machás, desenvolveu projetos de museus, escolas, lares e cemitérios. Em 2015, tinha editado mais de trinta discos, a solo ou com outros músicos.
Em 2000, editou Circunscrita pela Namskeio Records. Com Patrícia Machás e os neozelandeses Jasmine Guffond e Torben Tilly formou o grupo de improvisação Organ Eye, cujo álbum homónimo saiu pela Staubgold em 2007. Neste trabalho, os sons acústicos dos músicos portugueses encontram as intervenções eletrónicas de Guffond e Tilly. Participou também nos Curia, com Manuel Mota, Margarida Garcia e Afonso Simões, nos Bowline, com Francesco Dillon, e nos Dru, com Manuel Mota e Riccardo Wanke.
Em 2007, lançou Marches of the New World pela Grain of Sound, no qual tocou órgão Hammond, violino e dobro. Helena Espvall [en], no violoncelo, Tiago Miranda, na percussão, João Milagre, no baixo, e António Forte, na bateria, participaram em quatro das cinco faixas. A peça final, "Infinite March", dura cerca de 22 minutos. Pedro Rios, no Público, aproximou o disco da música repetitiva de Terry Riley, Tony Conrad e La Monte Young e escreveu que merecia "ocupar um lugar de destaque na música portuguesa produzida nos últimos anos". O álbum ficou em décimo lugar na lista de discos de música pop do suplemento Ípsilon de 2007. Erwin Michelfelder, da Musique Machine, comparou-o ao trabalho de Tony Conrad e John Cale.
Seguiu-se Antarctica, editado em vinil pela editora norte-americana Roaratorio em 2010, com uma peça em cada lado. Foi gravado com Riccardo Wanke na guitarra elétrica, João Milagre e Stefano Pilia no baixo e Afonso Simões na bateria. No início desse ano, estava prevista a sua participação no projeto Box, em Bruxelas, em quatro dias de sessões de estúdio sem planos prévios, com Ben Frost e Helge Sten [en], para uma edição da Rune Grammofon.
Com o baterista Gabriel Ferrandini, gravou ao vivo na Galeria Zé dos Bois, em novembro de 2010, A Fonte de Aretusa, editado pela Mazagran em 2011. Obsidiana, publicado pela Sonoris em 2012, resultou de um concerto com Z'EV [en] num festival em Lisboa, em junho de 2010. Nesse trabalho, o órgão Hammond é acompanhado por discos de aço e bombo. Os dois voltaram a atuar juntos no Café Oto [en], em Londres, em novembro de 2012. Também em 2012 saiu Strings, pela Crónica, o primeiro encontro com Stephan Mathieu, improvisado em violino, shruti box e virginal, gravado em julho de 2011 no Parque de Serralves, no Porto.
Com Helena Espvall, que conheceu em 2006, quando esta atuou em Lisboa com os Espers [en], gravou entre dezembro de 2012 e março de 2013 Sombras Incendiadas, publicado pela Three:four Records em 2015. O disco combina violino e violoncelo amplificados com órgão elétrico. O duo apresentou-o nesse ano no Ciclo de Música Contemporânea do Museu Vostell Malpartida, em Espanha.
Em 2014, reuniu na Galeria Zé dos Bois uma formação com três órgãos, dois bateristas e o baixo de Espvall. O David Maranha Ensemble, com Diana Combo na bateria e Filipe Felizardo na guitarra elétrica, editou Salt, Ashes, Goat Skin pela Roaratorio em 2016. Em Cai-Bem, publicado pela Tanuki Records em 2017, trocou o órgão pela bateria, com Manuel Mota no baixo e Margarida Garcia no órgão.
O trio com Alex Zhang Hungtai [en] e Gabriel Ferrandini nasceu de um convite da Blue Note para reinterpretar música de John Coltrane. A colaboração prosseguiu com Âncora, editado pela Grain of Sound em 2016. Em março de 2017, o trio atuou na Galeria Zé dos Bois. Em dezembro desse ano, Maranha gravou com Zhang Hungtai, Ferrandini e Pedro Alves Sousa o material de Ketu, que a Futuro Familiar publicou em 2022. Tocou percussão, órgão e flauta.
Em duo com o saxofonista Rodrigo Amado, gravou Wrecks, publicado pela Nariz Entupido em 2024. O disco contém uma peça de cerca de 44 minutos, registada num concerto na Escola do Largo, em Lisboa, em junho de 2023. Seguiu-se Desolation Row, de 2026, também gravado ao vivo. O duo integrou a programação do Jazz em Agosto da Fundação Calouste Gulbenkian em 2026.
Para Marches of the New World, procurou juntar uma secção rítmica de baixo, bateria e percussão a um som contínuo de órgão, violino e violoncelo. Desde 2007, o órgão elétrico passou a ser o instrumento em que concretizava com maior facilidade as suas ideias. Preferiu gravar com outros músicos a sobrepor sozinho todas as partes. A escolha prévia dos instrumentos, dos timbres e da estrutura pode deixar margem à interpretação, sem que a peça assente inteiramente na improvisação. Nos Organ Eye, a criação coletiva deu origem a duas peças longas, com sons acústicos e eletrónicos.
Eric Hill, na Exclaim!, aproximou a sua música das experiências dos anos 1960 que antecederam os Velvet Underground. A Textura salientou a densidade e a aspereza dos duetos de Sombras Incendiadas, enquanto a Soundohm relacionou o minimalismo de A Fonte de Aretusa com Phill Niblock e Arnold Dreyblatt [en]. David Maranha manteve uma amizade e colaboração de três décadas com Niblock, cujo trabalho apontou como uma das suas referências musicais.